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Era manhã de sábado e, em vez de aproveitar aquele dia lindo, Sasuke estava a postos na guarita do posto policial, como foi ordenado.
Havia trocado de turno com o velho Barack Uchiha há pouco mais de quatro horas, mas já se sentia entediado. Sasuke detestava ficar de vigia, se pudesse escolher uma função na força policial, com certeza seria a investigativa ou a força tarefa. Mas o líder da corporação — que por ironia era também seu pai — costumava pensar diferente.
Com uma visão antiquada do trabalho, Fukaku sempre puxava um discurso interminável sobre honra, dever e senso de responsabilidade para convencê-lo de suas funções. “Você não é melhor do que os outros só porque é meu filho, Sasuke. Leve seu trabalho a sério e suba por mérito próprio”.
Fukaku nunca o deixava pensar que era melhor que qualquer um, mesmo que, verdade seja dita, Sasuke era sim melhor que a grande maioria dos guardas daquela espelunca decrépita. Ele sempre foi considerado um prodígio entre os ninjas da aldeia da folha, ficando atrás apenas de Itachi, seu irmão mais velho.
De qualquer forma, ele não ficaria ali para sempre. Estava escalado para uma missão importante de investigação interna e, com isso, Sasuke tinha esperanças de ganhar uma promoção dentro da corporação.
Mas por ora, essa era sua realidade de cadete do mais baixo nível.
Um bocejo involuntário escapou de sua boca enquanto tentava manter a postura de soldado. O sol tinha acabado de aparecer no horizonte, pintando o céu com tons tímidos de azul. Seu olhar se fixou ali por alguns instantes, observando da guarita o movimento pacato do distrito e além dele.
Foi então que a viu; um ponto rosa no meio de vários uniformes escuros da corporação policial, se destacando dos demais com a naturalidade de quem nasceu para se sobressair. Sasuke achou ridícula a maneira como seu coração trepidou ao identifica-la, mesmo que distante. Contudo, ele sequer teve tempo para se repreender, já que Sakura Haruno finalmente olhou para cima e o viu no topo da guarita, observando-a como um verdadeiro idiota.
— Sasuke-kun! — Ela acenou em sua direção, sorrindo daquele jeito que sempre o perturbava. Sasuke pigarreou por um momento, limpando a garganta, e então acenou rapidamente, indicando que iria até ela.
Em um minuto desceu as escadas que davam acesso ao seu posto e então se juntou a kunoichi médica. E quando fez, não precisou olha-la demais para notar que Sakura estava como sempre: linda.
Ela mantinha os cabelos um pouco abaixo dos ombros, mas recentemente tinha adotado a uma franja bagunçada que combinava com sua personalidade extrovertida e solar. No topo da cabeça, Sakura mantinha com orgulho a bandana vermelha que combinava com o quipao justo que usava. Mas era a saia curta num tom de lilás que sempre o provocava, desafiando seu olhar a desviar das pernas lisas e bem treinadas. Ele não sabia quando começou a reparar no corpo da kunoichi além do habitual — beleza e inteligência — mas agora estava sempre olhando para um novo detalhe físico de Sakura que o deixava completamente obcecado.
No momento, esta obsessão eram as pernas dela.
— Sakura. — Disse assim que se aproximou o suficiente. Seus olhos negros encenando uma seriedade que, com ela, era completamente planejada. Como resposta, ela umedeceu os lábios e afastou uma mecha da franja para prendê-la atrás da orelha, num gesto que fazia sempre que ficava tímida ou ansiosa.
— Olá Sasuke-kun. — Sorriu suavemente. — Sei que está trabalhando agora, mas passei aqui para te desejar um feliz aniversário.
Disse sem rodeiros. E então lhe entregou uma flor simples amarrada a uma fita cor-de-rosa, com um pequeno bilhete escrito a mão. Ele não conhecia o suficiente sobre flores, mas parecia ser uma tulipa lilás. Ou talvez fosse qualquer outra espécie exótica e parecida.
Por um momento, Sasuke sentiu os olhares curiosos e sorrisinhos estúpidos de seus colegas do departamento policial em suas costas. Os malditos falariam sobre aquilo por semanas e, só de pensar nisso, sentia as pontas das orelhas arderem.
Mesmo assim, aceitou o presente que recebeu sem qualquer hesitação, porque era algo que Sakura lhe dera, e ela era alguém importante. Alguém por quem o Uchiha enfrentaria o mundo todo, caso necessário.
— Obrigado. Não precisava se importar. — Respondeu por fim, ignorando os cochichos irritantes que vinham de todos os lados daquela maldita corporação. Fukaku deveria se preocupar é com aqueles imprestáveis fofoqueiros em vez de empatar sua promoção na polícia. Eles sim eram casos perdidos.
— Sei que você vai ganhar muitos presentes hoje, mas eu queria garantir que te encontraria pessoalmente para entregar isso.
Ele não comentou que dispensaria todas as outras que aparecessem em seu caminho lhe entregando presentes e sorrisos, mas era exatamente o que pretendia fazer. Sasuke nunca foi do tipo que gostasse de atenção ou histeria, além disso, ele também não tinha muita paciência para todas aquelas garotas que tentavam chamar sua atenção. Até porque, desde que tinha doze anos, só havia uma garota que despertasse sua atenção, e ela estava bem a sua frente, lhe encarando com aqueles lindos olhos verdes como se esperasse algo.
Mas Sasuke não sabia o que fazer, então ficou calado, encarando-a de volta na esperança de que ela entendesse seu silencio como o que de fato era: uma chance de apreciar um pouco mais da presença dela, de postergar aquele encontro pelo tempo que podia.
— Bom, não quero te atrapalhar, tenho que ir ao hospital cobrir o turno da Shizune-san.
Seu sorriso expressivo demonstrava traços de timidez, talvez um leve desconcerto também. Ela provavelmente não tinha entendido os sinais sutis que o Uchiha lhe dera, como a pouca distância entre seus corpos sempre que conversavam, o olhar insistente e o jeito como os lábios dele estavam separados, secos de vontade de beija-la.
— Até mais, Sasuke-kun. — Ela se virou na mesma direção de que veio, decidida a seguir o próprio caminho. Entretanto, foi impedida pelos dedos firmes do Uchiha, que prenderam seu pulso como se não pudesse mais ficar sem ela.
— Sakura. — A voz grave do jounin lhe chamou com determinação. O toque a fez estremecer mais do que deveria.
— Sim? — Voltou a encara-lo de frente, seus olhos desviando por um segundo para encarar a maneira como o Uchiha lhe segurava. Sasuke não era do tipo que distribuía toques físicos por aí, ela já havia notado que o ex-companheiro de time costumava ser bastante reservado quanto a isso. Ainda assim, lá estava ele, lhe segurando como se estivesse tocando algo raro e precioso que não queria perder.
— Saio as três hoje. Quer sair comigo mais tarde? Talvez beber alguma coisa? — Arqueou a sobrancelha, esperando não parecer tão ansioso quanto estava. Ele tinha acabado de completar dezoito, então finalmente podia beber sem ser escondido. E apesar de não gostar de comemorar aniversários, poderia usar a ocasião como desculpa para um primeiro encontro. Ninguém podia julga-lo por tentar, não é mesmo?
Seu plano era simples: iria para casa, tomaria um banho, dormiria um pouco e então a encontraria, para leva-la ao restaurante novo que inaugurou na divisa da vila. Um lugar sem barulho, mas que parecia aconchegante para um encontro.
Por um segundo ela ficou em silêncio, e no outro, sorriu como se tivesse acabado de provar sua sobremesa favorita. Cara, era ela tão linda.
— Eu adoraria. — Afirmou sem esconder a felicidade. — Te vejo as sete?
— Claro, passo para te buscar em casa. — Confirmou com um leve mover de ombros que parecia despretensioso, mas um pouco charmoso também. Esse era seu jeito de flertar.
— Te vejo mais tarde então.
E com isso, Sakura se esticou na ponta dos pés, pousou as mãos em seus ombros e lhe deu um beijinho estalado no canto dos lábios. Um beijo que fez seu coração disparar como se estivesse no meio de uma perseguição ninja de elite.
— Vou ficar bem bonita para você. — Ela sussurrou em seu ouvido pouco antes de se afastar, deixando toda a pele de Sasuke quente como brasa. Sakura Haruno vinha evocando sobre ele sentimentos que antes eram desconhecidos, mas que agora pareciam cada vez mais tentadores de conhecer.
Com um sorriso que nem mesmo ele tinha se dado conta de esboçar, Sasuke a observou se distanciar. Ele ainda teria cinco longas horas de trabalho até o fim de seu turno como vigia e mais outras quatro horas até vê-la novamente, mas, precisava admitir, estava contando os minutos para que o relógio marcasse sete da noite.
