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my pain by your side — RAAH

Summary:

Dragon attempted suicide by overdose and is hospitalized.
Another unwanted visitor arrived... but this visit was, in a way, a good one.

Notes:

This one-shot is a cathartic expression; interpret it however you want, but it's a cathartic expression. Please, if you identify with anything, seek help; don't do what I did and keep everything to yourself.

The following fanfic has nothing to do with the lore of RecallAHollowHeart; it is simply an AU/VENT based on the character Dragondudes3. All original character credits belong to the team.

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

Era uma tarde nublada, sem cor e sem propósito. Muitos pacientes estavam sendo tratados com urgência, enquanto outros estavam em cirurgias ou consultas; mas esse não era o caso de Dragon, ou melhor, de Zachary.

 

Ele estava deitado em sua cama de hospital, com um soro intravenoso repondo seu sangue, um monitor emitindo bipes em ritmo com seus batimentos cardíacos e, naturalmente, pontos percorrendo seus braços.

 

Dragon tentara suicídio na madrugada da noite anterior; ele se cortara tão profundamente e tomara tantos remédios que sua mãe o encontrou à beira de uma convulsão e o levou às pressas para o hospital. Dragon era jovem, tinha acabado de completar dezesseis anos. Jovem demais para encarar a morte, não é?

 

Ele tinha um olhar morto, um vazio na expressão do garoto que era quase impossível de descrever. Sessenta e Purplesub tinham saído minutos antes, após a visita diária ao amigo; Dragão respondeu com poucas palavras às perguntas deles, como "Por que você fez isso?" ou "Não queremos te ver morto". No fundo, Dragão estava simplesmente exausto, mal conseguindo falar com os amigos depois do que tentara fazer consigo mesmo; sentia vergonha por ter quebrado uma promessa e traído a lealdade deles.

 

Durante aqueles segundos intermináveis, Dragon virou lentamente a cabeça em direção à janela gradeada ao lado, que estava entreaberta; durante a visita, Purple tentara abrir a cortina completamente, mas Dragon insistira em mantê-la fechada. Ele contemplou a pequena porção do mundo exterior visível através da fresta, a fraca luz do dia, a escuridão sugerindo que uma tempestade torrencial estava a caminho. Olhou para fora, lembrando-se do que fizera: a lâmina afiada usada de forma tão horrível em seus braços e perto do pescoço, os dez comprimidos que engolira. Cada pensamento o fazia querer desaparecer ainda mais; arrependia-se do que quase fizera porque, obviamente, era covarde demais para se matar de verdade.

 

Ele ouviu passos apressados, como se alguém estivesse correndo em completo desespero. A princípio, não deu muita atenção; além do som abafado vindo da porta, permaneceu na mesma posição. Mas os passos ficaram mais altos e mais próximos do seu quarto até que, bum!, a porta se abriu com a força de um tiro de bazuca. Um garoto estava ali, ofegante, agarrando-se ao batente da porta em puro desespero. Depois de piscar algumas vezes, Dragão percebeu quem era.

 

Ace, seu parceiro. Ele carregava aquela sacola de pano com o logo do Sonic e do Tails, que estava parcialmente cheia, e seu capacete estava levemente inclinado para o lado. O coração de Dragon parou por um instante; ele não sabia que Ace estava ciente do incidente, já que sempre evitara contar ao colega sobre suas crises e pensamentos. Após um longo suspiro cansado, Ace olhou para Dragon com uma expressão de preocupação e desespero.

 

— "Dragão!" — O garoto jogou a mochila no chão do quarto e foi direto para Dragão; não foi um abraço apertado, mas um abraço caloroso e protetor. Dragão não conseguiu dizer uma palavra ao vê-lo; depois do que acontecera naquela noite, ele temia qualquer contato. Tremia levemente nos braços do garoto, incapaz até mesmo de dizer um "oi". Estava apavorado com o que Ace poderia dizer.

 

— Você está bem...? — perguntou Ace calmamente. Seu tom era sincero, não desesperado nem insistente. Ele se afastou do abraço e colocou as mãos nos ombros de Dragon, olhando para ele com olhos que fizeram Dragon tremer ainda mais. Os lábios de Dragon tremeram, mas ele conseguiu falar.

 

— " Por que você está aqui...? " — Os olhos de Dragon estavam fixos nos de Ace, tomados por puro terror. Ele estava genuinamente assustado em vê-lo naquela situação, especialmente considerando a promessa que haviam feito um ano antes, um juramento que Dragon jurara com toda a sua alma jamais quebrar... e, no entanto, ele havia falhado.

 

— Eles... eles me mandaram mensagem hoje mais cedo. — O garoto sentou-se ao lado da cama onde Dragon estava deitado. — Corri para vir visitar, mesmo sabendo que o horário de visitas aqui é tão curto... — Sua voz estava calma, quase como se estivesse conversando normalmente, embora a angústia e o medo em seu peito fossem indescritíveis. Dragon tentou desviar o olhar, seu olhar vagando em direção à fresta na janela entreaberta. Ace percebeu; levantou-se e tirou algo da bolsa que havia sido jogada no chão.

 

— Aqui, querido. — Ace se aproximou de Dragon e colocou um Tamagotchi em sua mão, um pouco antiquado para os tempos atuais, mas ainda em perfeito estado de funcionamento. — Eu sei que você... já que não conseguiu recuperar seu celular... eu trouxe esses dois Tamagotchis para que, pelo menos... pudéssemos conversar enquanto você estiver aqui fora do horário de visitas, sabe? — Ele deu aquele sorriso sincero, um sorriso que dizia tudo sem precisar de palavras, tão acolhedor pareceu para Dragon.

 

Dragon segurava o aparelho com genuíno carinho; ele sempre apreciava os presentes que Ace lhe dava, fossem eles feitos à mão ou comprados em alguma barraca barata do mercado local. Ele o colocou na mesinha de cabeceira ao lado da cama e se virou para olhar nos olhos do seu parceiro.

 

" Obrigado... Ace ." Sua voz estava rouca e baixa, mas clara o suficiente para Ace ouvir e entender. Ele passou os dedos pelo cobertor que o cobria da cintura para baixo; Ace respirou fundo e perguntou...

 

- "Dear... was there a reason for this?" — he asked directly, simply waiting for an answer from Dragon. Dragon remained silent for long, seemingly eternal minutes; finally, after ten or twenty minutes, he took a deep breath and poured out his feelings.

 

- "I'm tired," — he huffed — "I'm extremely tired of all this. It's been... I don't know... years since he left. I barely remember his face or his voice only the good moments I spent with him. My thoughts were getting worse every day; I just pretended to be okay in front of all of you. And I'm not proud of that none of it." — As Dragon spoke, small tears welled up in his eyes. — "When I realized the mess I was in... I can still see the blurred image of my mother finding me collapsed on the floor, nearly dead... Yeah... she was crying. I'm sorry I wasn't honest from the start." — Dragon couldn't hold it back anymore; he was weeping now, letting out everything he was feeling not just in words, but in raw emotion. Ace held his hand, simply listening to what he had to say, rubbing it gently to offer comfort. He looked at the stitches on Dragon's arm, feeling a bit terrified, yet he remained focused on Dragon's expressions. He wasn't going anywhere; he would stay as long as necessary to help his partner.

 

- "Hey..." — Ace reached out his other hand to Dragon's face—specifically his cheek and wiped away a tear falling from his swollen eyes. — "The pain of loss is hard. You might suffer for years; it stays with you, bringing up memories and questions that hurt you, making you feel guilty... but... you were a great son." — He leaned in closer to Dragon and planted a soft kiss on his forehead. — "He must be proud of you. Even with your mistakes... you're human Dragon, don't blame yourself for departures you had no choice but to make."

 

With that, he embraced him a firm hug, one that held words left unspoken for the moment. Dragon returned the gesture gently; they simply stood there, holding one another as a whirlwind of emotions took flight relief? Longing? Worry? Only they would truly know what they felt.

 

After a while, Dragon pulled back just enough to look at Ace; there was a faint, flickering spark in his eyes small, yet significant.

 

"I don't know how you put up with me," he said with a soft, genuine laugh, still holding onto the lingering embrace.

 

"I’m going to do twice as much for you as you were able to do for me, my dear."

 

Com um pequeno suspiro e um toque de nervosismo, Ace beijou o canto da boca de Dragon. Dragon corou instantaneamente, sem jeito; contudo, não se afastou nem reclamou, estava simplesmente em choque com a atitude do parceiro. Embora nada tivesse sido explicitamente confirmado entre eles, ambos sabiam que o sentimento era recíproco.

 

" Oh! Meu Deus, me desculpe... eu deveria ter te avisado ou algo assim... " Ace foi interrompido no meio da frase quando a mão de Dragon acariciou sua bochecha e sua boca capturou os lábios de Ace perfeitamente.

 

Ele obviamente não sabia beijar. Acabou perdendo seu primeiro beijo ali mesmo... num lugar tão desagradável? É, aquele momento foi bom; Ace simplesmente retribuiu o beijo gentilmente, repousando a mão sobre a de Dragon. Foi um beijo calmo, algo que ambos pareciam desejar há meses, um gesto terno que só eles entendiam.

 

Após cerca de três minutos, Dragon se afastou, parecendo um pouco constrangido; o garoto estava tão vermelho que poderia facilmente ser confundido com um Dracobloxer. Ace, também profundamente envergonhado, olhou para o relógio da sala de estar — eita! Sua visita havia terminado cinco minutos atrás! O que um beijo pode fazer, não é? Ace pegou a mão de Dragon mais uma vez e a beijou.

 

— " Meu tempo acabou... mas ei, lembra do que eu disse, tá bom? A gente te ama muito e não quer que você se machuque de novo. Vou te mandar emojis no Tamagotchi e prometo que vou passar mais tempo aqui amanhã, tá bom? Promessa de dedinho! " — disse ele do seu jeito engraçado, indo em direção à porta com a mochila e acenando para o Dragão.

 

— " Ok... obrigada, querida... eu te amo, tá bom?"

 

— " Heh... Eu também te amo. Até amanhã, querido(a). "

 

A porta fez um clique suave e o quarto ficou em silêncio mais uma vez. Ele pegou o Tamagotchi que Ace lhe dera e o contemplou com carinho — verdadeiramente carinho. Então, voltou sua atenção para a janela; o céu estava nublado, uma garoa fina caía e a atmosfera parecia um pouco menos pesada.

 

Afinal, o hospital não era tão terrível assim... não depois daquela conversa.

Notes:

I apologize if the English and the dramatic tone are confusing to read; I'm a Brazilian trying to share my writing here 😞💔