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Se tinha uma coisa que Lyca gostava muito era ir para a casa de sua avó Dahnie. Lá podia passar horas ouvindo histórias e lendas que a mais velha conhecia, comeria tudo que tinha direito - principalmente doces, coisa que sua avó adorava fazer - e receber carinho quando se deitava junto na espreguiçadeira.
Mas havia algo muito melhor do que todas as comidas que sua avó fazia, todo carinho do mundo e todas as histórias, essa coisa era brincar com Lenya, uma garota mais nova que si que morava no sítio vizinho da sua vó. A de cabelos rosados sempre ficava muito animada para ir brincar com a amiguinha.
Naquele dia não foi diferente, acordou cedo, comeu algumas guloseimas caseiras, recebeu a dose de carinho diário e correu até o lugar secreto que ela e Lenya dividiam: um campo lindo atrás de vários arbustos altos. Elas haviam descoberto aquele local após caírem ali em uma brincadeira de quem fica por cima.
— Lyly! - A baixinha foi ao chão ao sentir um peso sobe si e braços lhe rodeando, era a loira lhe dando um de seus ‘abraços de urso’ enquanto gritava repetidamente aquele apelido bobinho que havia lhe dado. — Senti sua falta! Fazia uma semana que você não vinha.
— Mamãe e papai estão muito ocupados para virem me deixar aqui na vovó, acredito que eu vou fugir para cá. - A outra apenas gargalhou com a ideia da mais velha. — Do que vamos brincar?
— Caçar borboletas! - Lyca pensou bem sobre a proposta, sabia bem que era alérgica ao pólen e à borboleta, mas não queria que o modo animado de Lenya desaparecesse por causa da sua alergia boba.
— Vamos, então! - As duas correram de mãos dadas por um campo florido que tinha entre o sítio de sua avó e dos pais da mais velha. Passaram um bom tempo assim, até a baixinha começar a espirrar e tossir muito, seus olhinhos e nariz foram ficando cada vez mais vermelhos, deixando a loira muito preocupada.
Lenya enfim puxou a amiguinha e ajudou-a chegar na casa de Dahnie, a mulher recebeu as duas preocupada com o estado de sua neta.
— O que ela tem tia? - As orelhas felinas de Lenya estavam baixas e a mesma mexia os dedinhos das mãos ansiosas. A mais velha tinha dado um remédio para a baixinha e colocado-a para dormir em sua cama, a outra garota observava ela dormir serenamente.
— Ela tem alergia a qualquer tipo de pó, isso inclui o pólen das flores e o pó que sai das borboletas.
— Poxa, ela nem me avisou sobre. - Fez bico, irritada e um pouco triste que a amiga não havia lhe contado sobre a alergia. — Ela vai ficar bem? - Fungou.
— Sim, só precisa de muito descanso e atenção. - A criança olhou para a mais velha dormindo e beijou sua bochecha.
— Mamãe sempre diz que beijinhos melhoram tudo. - Dahnie sorriu admirada com a fofura da pequena. — Posso ficar aqui com ela?
— Você cuidaria dela? Ainda tenho milhares de coisas para fazer. - Lenya apenas concordou se sentando ao lado na cama. — Cuide bem dela e se precisar é só chamar. - A mulher saiu do quarto.
— Lenya? - A baixinha acordou lentamente bocejando manhosamente.
— Lyly! Por que não me avisou que era alérgica?
— Você parecia feliz, não quis estragar isso com minha alergia bobinha. - Fez biquinho coçando os olhos levemente. — Agora vou ficar deitado sem fazer nada para sempre.
— Dramática. - A loira soltou um risinho. — Se eu te der mais beijinhos, você fica melhor mais rápido! - E passou a distribuir beijinhos por todo rosto da mais velha fazendo-a rir por todo aquele carinho e atenção.
Lyca poderia até ter outra crise alérgica se fosse para receber beijinhos e atenção de Lenya.
