Chapter Text
A noite caiu sobre King's Landing mais cedo do que deveria em um dia normal, com nuvens pesadas trazidas do leste que não são um bom presságio. O vento do lado de fora chicoteia cruelmente o castelo, trazendo de volta memórias de sua juventude para Alicent, de quando ela acreditava firmemente que as tempestades de Westeros poderiam derrubar a fortaleza sem nenhum esforço. Em noites como esta, a Rainha Mãe ainda acredita nisso.
Ignorando o uivo do vento fora das paredes seguras, Alicent entra na Câmara do Conselho com uma vela acesa na mão. Ali, sentado sozinho com as mãos apoiadas na mesa na escuridão quase total, seu pai a espera em silêncio. Ela não hesita em entrar na sala e se sentar ao lado dele com um olhar preocupado, as visitas um ao outro têm sido mais frequentes nos últimos meses.
“Alicent, filha. Obrigado por aparecer, espero não ter sido um problema.” diz Otto Hightower, algo em sua voz parece distante e a Rainha Mãe se pergunta se ele realmente quis dizer isso.
“Parecia importante, pai.” ela responde suavemente, como se temesse que o som de sua voz pudesse alertar o resto do castelo. “É sobre Rhaenyra e o filhote, certo?”
Esse é, pelo menos, o único requisito que os une desde que o filho foi coroado após a morte do marido. A única coisa que eles conversam quando eles têm um tempo sozinhos, longe dos homens do conselho e uma parte dela sente falta dos momentos em que seu pai não era tão paranoico.
Otto fecha o punho, bate no tampo da mesa e se vira para olhar para ela. Seu rosto é iluminado por sua vela fraca.
“O ovo da criança chocou, filha. Dizem que dele nasceu um dragão completamente negro.”
Alicent engole, suas feições suaves enrugadas de preocupação, por noites que ela desejou que aquele ovo nunca chocasse. Por que aquela criança meio-bastarda pode ter a sorte de um dragão desde o berço, quando Aemond nunca teve tanta felicidade?
Que planos os Deuses têm para eles?
Otto balança os olhos suavemente e Alicent sabe que seu pai está perdido em pensamentos novamente.
“Não foi por isso que você me chamou, certo?” a Rainha Mãe pergunta, seu cheiro de ômega assustado certamente deve encher a sala e uma parte dela é grata pela ausência do Conselho, mas Otto é apenas um simples homem Beta, então ele ignora o estado de medo de sua filha.
“Não, não foi por isso.” ele responde com um desdém fraco “É por causa da criança.”
Alice franze a testa.
“Que preocupação pode nos trazer essa criança agora? Nós dois sabemos que Rhaenyra não vai tirar ele ou qualquer um de seus filhos de Pedra do Dragão.”
“Talvez não eles, mas o pai deles.”
“Lorde Lannister?”
Otto ri enquanto balança a cabeça para ela e, por um breve momento, Alicent se sente uma criança boba e não a Rainha Mãe que ela é.
“Não fale bobagens, Alicent. Nós dois sabemos que Lord Lannister não compartilha nenhum tipo de relação de sangue com aquele... bastardo.” diz Otto, cuspindo a palavra com veneno. “O ômega é um filho digno da Princesa Rhaenyra, ignorando seus deveres e dando à luz nada além de bastardos.”
Alicent fica em silêncio e dá uma longa olhada na Mão do Rei, antes de se aproximar dele. Entre eles, o fogo da vela ameaça se apagar por um momento.
“Você sabe, certo?” – Ela diz em um sussurro que se dissipa na grande sala – “Você sabe quem é o pai. Você sabe quem Lucerys colocou em sua cama.”
Otto em frente a ela se inclina para trás em seu assento, uma das mãos estendida sobre a mesa enquanto a outra é trazida sob o queixo.
“Eu sei, filha.” ele responde secamente, recebendo um gemido de medo da mulher ômega.
Alicent não hesita em pegar a mão de Otto, ignorando a vela, agarrando a Mão do Rei com força e dureza enquanto ela se aproxima dele.
“Por favor, pai.” Alicent implora quase silenciosamente “Me diga quem é. Me diga quem gerou aquele bastardo com Lucerys Velaryon.” Otto Hightower franze a testa seriamente, sua mandíbula apertada em furiosa irritação antes de voltar sua atenção para sua filha para responder.
“Daemon Targaryen.”
