Chapter Text
Na biblioteca do colégio, os dedos de Sebek percorrem livro após livro, até encontrar o grimório de maldições para sua tarefa.
No instante em que ele o pega, um certo aluno se torna visível pela lacuna, e Zigvolt pensa que mais ninguém poderia ter fios de prata mais encantadores do que aqueles. São inconfundíveis.
Do outro lado, Silver está de costas à procura de um livro. E o olhar curioso de Zigvolt é atraído pelo rapaz, esquecendo-se dos próprios estudos.
O meio-feérico observa o momento em que Silver estende a mão para alcançar a última prateleira, e ao falhar, ele fica na ponta dos pés.
Os lábios de Sebek, antes uma linha reta, pouco a pouco se tornam um sorriso desdenhoso. Ele pensa que há algo patético, e ao mesmo tempo adorável, em ver alguém mais baixo se esforçar tanto para alcançar um objeto no alto.
Logo, Zigvolt se recorda como o jovem cavaleiro costumava rir de si por ser uma criança tão pequena. Sempre se divertindo às suas custas quando tentava colher frutas nos galhos mais elevados, sempre o subestimando ao oferecer ajuda.
O passar dos anos, entretanto, favoreceu o meio-feérico. Com um olhar altivo de triunfo, ele se deleita com a inversão de papéis à sua frente.
Isso é o que você merece por zombar de mim, Silver!
Por outro lado, Sebek pensa que se fosse outro alguém lhe menosprezando em vez de Silver, ele apenas diria que o valor e a força de um cavaleiro não dependem de estatura. Do contrário, seu mestre Lilia nunca teria se tornado um soldado tão admirável em batalha.
Contudo, pelo simples fato de ser menor que seu rival, Zigvolt desejou crescer mais do que Silver. Se ele o superasse por um único centímetro, ou até mero milímetro, já seria suficiente para lhe declarar vitorioso.
Bem, acho que está na hora de acabar com o seu sofrimento, Silver. Sorte sua que estou por perto quando você mais precisa! — Sebek se dispõe a ajudá-lo, não somente por compaixão, como também para enfatizar a diferença de altura entre ambos.
Frente à estante, o jovem cavaleiro está prestes a usar sua caneta mágica, até sentir um calor reconfortante e familiar atrás de si.
Simplesmente esticando a mão, Sebek puxa o livro.
— Viu? Não há porque desperdiçar magia numa tarefa tão trivial — o meio-feérico se pronuncia presunçoso.
O rapaz humano, porém, apenas exibe uma expressão tranquila. Seus dedos resvalam ligeiramente pelos de Zigvolt ao pegar o livro de volta.
— Impressionante. Você é mesmo um especialista em pegar coisas nos lugares altos, Sebek.
Silver fica novamente na ponta dos pés, dessa vez para que seus lábios calorosos toquem a bochecha do meio-feérico. O beijo, apesar de inocente, é o bastante para fazer Sebek arregalar os olhos e corar de modo tímido.
— Obrigado, agora eu posso voltar a estudar.
Silver finaliza seus dizeres com um breve aceno, afastando-se em seguida.
Ainda perplexo e sem saber como reagir, Zigvolt só pode observá-lo ir embora. Mas em seus devaneios ele torce para que seu amado nunca mais cresça.
Não somente para prosseguir vencendo, mas também para continuar a receber os elogios honestos e as doces recompensas sempre que o ajuda a alcançar a última prateleira.
