Chapter Text
I had to phone someone, so I picked on you
Segunda-feira começava com o período de educação física. O que, para Sehun, sempre foi um pesadelo. Naquela manhã, no entanto, havia aproveitado o exercício de queimada para descontar o cansaço do fim de semana. Passou o restante do sábado e domingo recluso no próprio quarto, e ignorou as chamadas de Chanyeol e Jongin até quando conseguiu. No fim, acabaram fazendo uma ligação enquanto jogavam Overwatch, e explicou para eles tudo o que havia acontecido naquela noite. Tinha adiado aquele momento porque já havia feito a mesma coisa logo que chegou em casa, nitidamente desconcertado, sendo recebido por uma enxurrada de perguntas dos pais.
E a cada passo que dava dentro da própria casa, não podia evitar de se lembrar da casa de Baekhyun. De como eram diferentes e, ainda assim, ambas tão confortáveis. Sehun gostava da disposição dos cômodos da sua, de como eram mais independentes entre si, mas também adorava como a de Baekhyun possuía madeira para todo lado. Lembrava uma espécie de chalé, e era assim que chamava aquele local na infância.
Sua mãe era a mais dura em relação ao afastamento dos dois. Gostava de Baekhyun, mas ficava quase ofendida com o modo como o garoto havia parado de falar com seu filho. O pai, por sua vez, talvez mais apegado, olhava para a situação com certa positividade. Disse a Sehun que nas últimas semanas ele já havia fugido demais das explicações que Baekhyun deveria dar, e que agora, estava na hora de cobrar por aquilo.
Sehun entendia a mãe, mas concordava com o pai. Não seria justo consigo mesmo permitir que voltassem a se falar sem que antes soubesse o porquê do afastamento. Já não era justo ter passado a noite lá, cego da verdade e estranhamente pacato diante disso. Não era como se, também, jamais tivesse criado na própria mente as justificativas para o que aconteceu. Baekhyun tinha receio dos gostos que tinha? Se é que eram tão controversos assim? Baekhyun tinha medo do que seu pai poderia pensar? Pensou nisso tudo por muito tempo. Mas depois da última noite, praticamente descartou a última possibilidade.
E, tomado pelo desejo de quem sabe, realmente, dividir mais manhãs na casa de Baekhyun, do mesmo modo que já haviam dividido uma vez, decidiu que não tardaria mais em buscar entender por tudo aquilo, especialmente agora que ele parecia tão disposto a falar.
Mas é claro que a mera ideia de tomar iniciativa para ir conversar o atordoou bastante. Por isso deu tudo de si naquela aula, colocando pra fora a intensidade do que vinha sentindo.
Como de praxe, depois de todo período de educação física, os alunos tinham quinze minutos para tomar uma ducha antes de ir para as próximas aulas. Sehun secava os cabelos com uma toalha pequena de frente para o espelho, mirando pelo reflexo Baekhyun, um pouco mais atrás. Amava como os fios castanhos ficavam ligeiramente escuros quando molhados e como assim, se colavam no pescoço dele. Baekhyun vestia só uma bermuda naquele momento, e as costas expostas lembravam Sehun das vezes que o vira treinar sem camisa. Percorria os olhos pela imagem refletida no espelho, determinadamente discreto, mas ávido. Baekhyun se virou para olhar-se e, como de costume, percebeu o olhar do outro. Os flagras não falhavam, não importava o contexto. Parecia que os olhos de Baekhyun caçavam os de Sehun com precisão.
Encararam-se pelo reflexo por microssegundos. Sehun puxou o ar, o suficiente para fazer o peito subir e os ombros tensionarem. Os olhos, apesar de pequenos, eram facílimos de fitar. Os de Baekhyun, por outro lado, eram acostumados com uma fina camada de alguns fios rebeldes que desconheciam o peso de uma tesoura. Sehun sempre achava graça no corte de Byun, porque os cabelos não eram exatamente grandes. Eram apenas volumosos, e há muito tempo, faziam o papel de cobrir um pouquinho de seus olhos. Baekhyun abriu aquele sorriso quadrado que Sehun havia aprendido a desconhecer. E não pode evitar o pequeno rubor quando percebeu que também sorria, embora houvesse um certo decoro no seu.
Suspirou, sentindo a tensão se desfazendo de alguns músculos que sequer percebia enrijecidos. Virou-se para Baekhyun e foi até ele.
— Podemos conversar no intervalo? — perguntou amigável, alguns amigos de Baekhyun ainda estavam por perto, mas sendo ele o representante de turma, pedidos como aquele não deveriam ser tão incomuns.
— Claro. — Baekhyun assentiu. Se havia ficado desconfortável com o pedido público, não demonstrou. Pelo contrário, Sehun quase pôde jurar ter visto algum tipo de euforia no brilho daqueles olhos tão redondos. Acenou e deixou o vestiário.
Os períodos seguintes se passaram com lenta aflição. Quando a última aula antes do intervalo chegou ao fim, os alunos já deixavam com pressa e fome a sala de aula. Mas Sehun sequer se mexia.
— Vai ficar aí? — Chanyeol chamou, tirando um dos fones para escutar a resposta e carregando sob o braço um bloco de desenho.
— Tenho que fazer umas coisas — Sehun começou a falar, e sem querer, espiou a frente da sala. Chanyeol não era nenhum tolo, e seguiu os olhos de Sehun, que iam como de costume para a mesma posição de sempre. Quando percebeu que Baekhyun também não havia deixado a sala ainda, entendeu tudo.
— Aha, saquei tudo — respondeu com uma piscadinha, colocou o fone e saiu apressado, com um semblante idiota e cheio de malícia.
Revirou os olhos e deixou o riso escapar. Se levantou e fingiu mexer nas suas coisas enquanto esperava Baekhyun terminar de falar com o professor. Quando o baixinho virou para si, e seus olhos se encontraram outra vez naquele dia, sentiu o coração descompassar e uma crescente vontade de sair correndo.
— Tudo bem? — Baekhyun perguntou quando já estava mais perto. Talvez porque Sehun não tenha percebido que havia aguardado estático, o corpo desligado enquanto vivia uma guerra interna entre a mente e o peito.
— Ã, sim. Tava só pensando.
Baekhyun assentiu e sugeriu com os braços que Sehun o guiasse. Caminharam em silêncio pelos corredores da escola. Sehun tinha certeza que aqueles alunos mais antigos, que conheciam a proximidade que os dois já tiveram um dia, talvez fossem comentar sobre aquela aproximação repentina. E pode parecer que isso tudo fazia parte de algum plano, mas na realidade, escolheu falar com Baekhyun na escola porque era onde saberia conter melhor as próprias emoções. Baekhyun achava que Sehun o levaria até o campo, mas viraram na direção oposta quando chegaram ao saguão principal. Subiram alguns lances de escada até o último andar.
— Eu nem sabia que tinha tudo isso de sala nessa escola. — Baekhyun brincou quando Sehun abriu uma porta que ficava relativamente escondida. — Que salinha é essa?
— Mais escadas — Sehun riu. — E olha que o representante aqui é você — implicou, mais confortável para aquele tipo de comentário depois do fim de semana. Baekhyun riu também, e mais uma vez, o tom grave da voz dele pegou Sehun desprevenido.
Estavam no telhado da escola. Havia algumas mesas e pequenas plantas ornamentais, era, provavelmente, o espaço de descanso dos funcionários. De lá podiam ver quase todo o pátio, o campo, e toda a agitação escolar do intervalo. Era um local mais reservado, e poderiam conversar com tranquilidade. Havia uma espécie de parapeito que batia na altura dos cotovelos. Caminharam em passos lentos até lá.
— Que lugar legal — Baekhyun disse. Sehun assentiu deixou que ele desse uma olhadinha antes de falar.
— Baekhyun — chamou —, pode me explicar o que foi que aconteceu?
Um riso frouxo escapou antes da fala. Negou com a cabeça num reflexo. — Eu fui um merda né? — A pergunta era retórica, Sehun só deu um meio sorriso mas não disse nada, aguardando. — Eu nem sei por onde começar.
— Começa de algum lugar. Depois vai completando. Só, por favor, o intervalo tá correndo. — Encarava Baekhyun com firmeza.
— Fiquei com medo do que você disse. Por você. Acho que nunca contei sobre minha mãe, né? — Baekhyun começou a despejar as respostas. Sehun concordou com a última frase. — Então, ela meio que nos deixou, eu e meu pai, quando eu ainda era muito novo. Descobriu que meu pai não tinha se relacionado apenas com mulheres… — Sorriu fraco. — Mas para ela não fazia diferença ele amá-la, se ele poderia amar também um homem. E ela disse que ele tinha passado isso pra mim, que ela percebeu desde que comecei a andar e falar. Disse que eu não era macho como devia ser. Uma noite ela pegou as coisas dela e foi embora. Falou que era pro meu pai me criar já que ele queria tanto fazer coisa de mulher, como ficar com outros homens, e foi. Eu era mesmo muito novo, então confesso que não sinto falta dela ou… ou sequer rancor por isso. É claro que é bem… ruim. Mas fico pior pelo meu pai. Conforme fui crescendo ele foi se abrindo mais em relação ao sumiço da minha mãe, até um dia me contar o que realmente tinha acontecido. — Fez uma pausa, apoiou os cotovelos no parapeito e olhava para frente. — Quando você disse aquilo eu me assustei. Sendo sincero, você disse que iria se apaixonar por mim, e eu já me sentia por você daquela forma. E eu até achava que você queria me beijar — sorriu —, não sou idiota. — Quebrou o clima, e Sehun riu junto, embora sentisse que pequenas lágrimas já brotavam no canto dos olhos.
Respirou, antes de continuar a falar, perdendo o olhar em qualquer ponto da escola.
— Mas também não pensava que você se sentisse daquele modo. Eu sabia que era seu primeiro beijo, e pensei que talvez você quisesse tanto porque era… uma opção fácil, você entende? Brotheragem e tal. — Baekhyun voltou a falar. — Depois de entender o que tinha acontecido entre meus pais eu meio que botei na cabeça que isso era um problema. Que poderia destruir famílias. Eu sei que não é bem assim, mas já tinha me aceitado há muito tempo e não sabia como era o lance pra você em casa. Fiquei com medo de você não ter ideia do que isso poderia causar e se meter em merda comigo, fiquei com medo dos seus pais te odiarem ou sei lá. — Deu de ombros.
— Eles sabem — Sehun disse breve. Não queria interromper Baekhyun, mas ele estava enganado sobre aquilo.
— Agora eu sei. Mas quando soube por Jongin que você tinha mentido sobre seu primeiro beijo com uma garota, eu meio que fiquei confuso. É claro que não esperava que fosse falar sobre nós dois depois do que fiz naquela noite, mas como eles sempre foram seus amigos, se você fosse assumido eles saberiam, pelo menos, que havia sido um cara. Também foi por isso que me afastei de Jongin, e Chanyeol, por consequência. Eu não queria falar contigo, pra tentar evitar que você se apaixonasse, mas não conseguia falar com ele sem perguntar sobre você.
Sehun acompanhava cada palavra. Assentiu, quando Baekhyun demorou para prosseguir. — Mas o que mudou? Quer dizer, você foi muito duro comigo no início, e aí, de repente, começou a tentar conversar, voltou a sorrir quando, enfim… — Não terminou de falar, mas ambos sabiam que Sehun se referia às vezes que Baekhyun o flagrava.
— Ouvi Chanyeol cochichando meio alto pra você, que tinha visto como Yixing te olhava. — Revelou, com um certo acanhamento. — Numa vez que eu estava perto da classe de vocês, ajudando o Jongin com o exercício de química. — Explicou. A expressão de Sehun mudou, trocando o semblante sério por um mais travesso.
— Então isso tudo é ciúmes? — perguntou.
— Não, cara. — Começou a rir, mas voltou a ficar mais sério quando falou: — Não é ciúmes. Foi isso que me fez perceber que mesmo depois de anos, você ainda fala, beija ou sai com caras. Então eu me senti um idiota por pensar que eu teria algum controle sobre o seu futuro te ignorando. E me senti feliz por você também, porque sei como é aberto com seus pais, então isso significaria que eles… saberiam também. E foi aí que percebi que ter me afastado de você havia sido um erro, porque eu preferi fugir do que me deu medo ao invés de dar a cara a tapa.
— Eu não beijei ninguém depois daquele dia. — Sehun deu de ombros. Revivia as últimas palavras na própria mente, e sem perceber havia revelado aquilo, porque tinha o péssimo hábito de pensar em voz alta de vez em quando.
Baekhyun corou por alguns segundos.
— Não?
— N-não — gaguejou, escutando a própria voz com atraso.
— Bom, mas você entendeu o que quis dizer? — perguntou, limpando a garganta e mudando de assunto com alguma pressa.
— Sim. Você é bem idiota.
Baekhyun engoliu em seco, não esperava por aquelas palavras, mesmo sabendo que havia sido um, de marca maior.
— Quer dizer, você foi bem burro. Foi burrice sua pensar que tinha tudo sobcontrole e que magicamente eu seria heterossexual sem a sua presença. — Sehun voltou a falar, com um tom mais divertido.
Baekhyun sorriu. — Me desculpa. Você tem razão se quiser me odiar. Eu só queria terminar o ano sem isso pendente. É claro que sinto sua falta, eu senti por todo esse tempo. Quando falei com meu pai sobre você ainda ficar com caras, ele disse que já tinha passado da hora de te dar alguma explicação. Mas também me avisou sobre você talvez não querer mais falar comigo, no caso, não querer voltar a falar comigo. — Se corrigiu. — Então eu entendo, se for o caso. Me desculpa, de verdade.
— Eu acho que… Não sei dizer, ao mesmo tempo em que me dá vontade de fugir de você como você fez naquela noite — riu —, eu não paro de pensar em como sinto falta, de tudo. Depois do fim de semana, quase quis ser um imbecil comigo mesmo e aceitar sua proximidade fingindo que nada aconteceu.
— Eu não iria me aproximar sem o seu perdão, Sehun — Baekhyun falou baixo. O arrependimento transparecia na voz.
— Pensei nisso também. Em todas as últimas vezes que trocamos algumas palavras você tentava tocar no assunto. Acho que depois de tanto tempo eu me acostumei com a falta de justificativa, e a ideia de descobrir o que realmente aconteceu me assustou. — Encaravam-se. Baekhyun havia virado o corpo na direção de Sehun.
— Desculpa — disse mais uma vez.
Sehun sorriu e não conteve o revirar de olhos. Levantou o braço para dar um soquinho no ombro de Baekhyun, mas quando aproximou a mão dele, Baekhyun o segurou pelo pulso, impedindo o movimento, mas com um cuidado cheio de afeto. Arrastou os dedos compridos pela pele de Sehun, até chegar aos dedos dele também. Desfez o punho e levou a palma de Sehun até o próprio rosto.
Sehun apenas deixava que Byun controlasse os seus movimentos e assistia o que ele fazia consigo, hipnotizado. Deslizou o polegar sobre a bochecha de Baekhyun, suavemente gelada por conta do clima. Sequer percebeu que se aproximavam, só foi se dar por conta quanto notou que encarava Baekhyun, um pouco mais de cima, e o braço já estava um pouco menos estendido. Baekhyun aproximou o rosto de Sehun, tão próximo que conseguiam sentir a respiração um do outro. Poderia jurar que escutava os batimentos cardíacos sincronizados. Baekhyun foi o primeiro a fechar os olhos. Sehun perdeu muitos segundos encarando aquele rosto tão de pertinho. Tão perto que parecia miragem. Tão perto que parecia sonho, depois de tanto tempo longe, tão longe.
Quando ia fechar os próprios olhos e… o sinal tocou, chegando tímido aonde estavam, anunciando o fim do intervalo. Mas era o sinal, sem dúvidas. Despertando os dois naquele instante. Sehun percorreu um pouco apressado, mas com leveza, o polegar no lábio de Baekhyun, e fugiu desajeitado, como se convidasse o mais velho para uma corrida de volta à sala de aula.
Na classe, Sehun não soube conter os sorrisinhos e suspiros quando pensava nos últimos minutos. Mantinha-se com a mesma pose: debruçado sobre a mesa, como de costume. Mas agora, ao invés do rosto enterrado nos braços, encarava alguém na sua diagonal. E é claro que os seus gestos repentinos não passaram despercebidos por Chanyeol.
Nem mesmo por Baekhyun, que vez ou outra olhava discretamente para trás. Agora, no entanto, não dava para dizer que o que fazia era um flagra, uma vez que Sehun sequer disfarçava…
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— Quando você disse que o meu perdão era o prêmio da nossa aposta nessa partida, você tava zoando, né? — Baekhyun chutou o pé de Sehun, depois de perder a rodada no jogo.
Já fazia uma semana desde o fim de semana em que Sehun havia dormido na casa de Baekhyun, e que logo depois haviam tido a esclarecedora conversa sobre A Noite do Baile. Passaram os dias seguintes gradativamente voltando ao que tinham sido uma vez. Sehun assistiu aos treinos de futebol. Baekhyun passou na loja para comprar pirulitos, ou só para dar um oi aos pais de Sehun — e Sehun, é claro. Baekhyun se desculpou com Jongin e Chanyeol. Nada era exatamente o mesmo, mas era tão bom quanto.
E naquela tarde, Sehun chamou Baekhyun para uma partida de Overwatch em sua casa, como há muito tempo não faziam.
— Acho que não. — Tentou encarar o mais velho com um semblante sério, mas achava graça demais no simples fato de Baekhyun meramente ter cogitado ser verdade uma aposta daquelas. Estava melhorando nessa coisa de blefe e ironia, aparentemente. Acabou rindo, denunciando as intenções.
— Você não presta — Baekhyun resmungou, deixando o controle de lado.
— Faz uma aposta melhor, então?
— Não é difícil, Sehun. Qualquer aposta é melhor do que essa sua aí.
— Tá nas suas mãos. — Arqueou as sobrancelhas, competitivo.
— Então, eu aposto um beijo que vou ganhar de você.
Sehun travou, e tão logo sentiu o rosto esquentar. — Só um? — Brincou, ousado.
— Aposto três.
— Você quer ganhar ou perder? Não tô entendendo — Sehun implicou. Baekhyun foi quem corou daquela vez.
— Ah para de complicar as coisas, só joga aí. — Baekhyun pegou o controle mais uma vez, reclamando num tom levemente consternado. Estavam sentados no chão, em frente à cama de Sehun, porque a televisão ficava num raque baixo. Baekhyun chutava os pés de Sehun tentando atrapalhá-lo, de algum modo.
— Toma então — Sehun anunciou, perdendo de propósito. — Pega o seu prêmio. — Soltou o controle e levantou. Baekhyun ficou alguns segundos encarando a tela com seu apelido, “Mercúrio”, estampado no bordão de vitória. Então olhou para Sehun, que o fitava de pé, com os braços cruzados. “Poeira Estelar” apareceu logo em seguida na tela, com o layout de derrotado.
Baekhyun levantou e chegou bem pertinho dele. Levou uma mão até a nuca, como da primeira vez que se beijaram. Agora, sem a gravata, a segunda não foi direto ao peito de Sehun, longe de qualquer nó. Mas, ao invés de apoiar a palma com suavidade, desceu a outra mão para o mesmo local e, com calma, empurrou o corpo de Sehun para a cama que estava logo atrás dos dois.
Sehun apoiava os cotovelos no colchão, mantendo-se erguido para encarar o que Baekhyun estava fazendo. Ele se aproximou, por cima do corpo de Sehun, voltando a baixá-lo mais uma vez.
— Não é uma boa partida se você se entrega assim — Baekhyun reclamou, com o rosto próximo ao de Sehun. Embora as palavras, não fossem de um tom verdadeiramente incomodado.
— Não sei do que você tá falando. — Sehun devolveu, com uma feição travessa. — Você que é muito bom.
— Eu sou bom, é? — sussurrou, com os lábios tocando levemente o rosto de Sehun quando falava.
Sehun assentiu. Fechou os olhos subitamente, arrepiado com o toque. Baekhyun afastou o rosto e a expressão que tinha já não era a de quem reclamava, mesmo que de brincadeira, como há poucos segundos atrás. Fitava o rosto de Sehun com cuidado. O mais novo aproveitou aquele instante de silêncio e subiu mais um pouco na cama, o suficiente para encostar-se na cabeceira. Baekhyun ainda estava de quatro sobre seu corpo naquela hora, e ficou na vertical quando Sehun se ajeitou, ainda percorrendo os olhos pelo rosto do outro. Abaixou-se lentamente, ficando sobre o colo de Sehun, que reagiu com um suspiro.
— Eu posso ser seu?
Baekhyun piscou algumas vezes com o que ouviu. — É nisso que você pensa quando tá sozinho? — Brincou.
— Há anos — Sehun respondeu sério, passando os dedos pelos cabelos que caiam no rosto de Baekhyun.
E Baekhyun não hesitou em beijá-lo outra vez.
Com toda a saudade que tinha sentido, com todo o remorso pelo que havia feito, e acima de tudo, com toda a paixão que ainda existia.
Baekhyun também queria ser de Sehun.
O último e primeiro beijo.
