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Português brasileiro
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Published:
2023-08-05
Updated:
2024-12-02
Words:
25,169
Chapters:
5/?
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Animal Spirit

Chapter 5: Armários

Chapter Text

Armários

Andrew mal havia conseguido dormir naquela noite.

Após um dia turbulento, onde havia se tornado goleiro do time na nova escola, ganhado um presente do vizinho ruivo e beijado ele, sua mente estava agitada demais.

Na manhã seguinte, ele e o irmão entrariam na aula apenas no segundo período, pois teriam alguns exames de rotina agendados para o primeiro horário, então no caminho da escola, Andrew reunia todo o mal humor do mundo, com um curativo de urso no braço após a coleta do exame, junto do irmão.

Com sono, furado e ansioso, obviamente, ele estava furioso.

– … Não é justo. Você tem que obrigar ele a tirar, mãe! – reclamava pela milésima vez naquela manhã nublada.

– Andy, já falamos sobre isso…

Aaron apenas sorria cada vez mais aberto ao ver o quão irritado havia deixado seu gêmeo.

– Mas ele está fazendo isso só para me atingir!

– Andy, se eu deixei você ter um piercing, seu irmão tem o mesmo direito.

– Mas ele decidiu colocar no mesmo lugar que eu! É claramente para me irritar! – reclamou, insistente.

Ele não fazia ideia de quando Aaron havia conversado com a mãe deles, mas tão logo acabaram os exames e tomaram café da manhã, foram ao estúdio onde Andrew havia feito o piercing dele porque de repente Aaron queria um igual.

– Seu irmão não seria tão infantil de decidir colocar um piercing apenas para te irritar Andy – ela afirmou, mas não tinha certeza. Conhecia Aaron e sabia o quanto ele poderia arriscar se soubesse o quanto irritaria Andrew – Ele achou o seu bonito e quis um também! Não tem nada demais nisso!

Embora fossem pessoas com estilos diferentes que reclamavam o tempo todo de terem nascido com cópias, Bee achava que os dois gostavam mais do que admitiam de serem gêmeos.

Nunca foram de querer usar roupas iguais, mas ao mesmo tempo nunca fugiam muito do que os deixava parecidos. Nenhum deles havia feito sequer uma vez um corte de cabelo diferente um do outro.

Quando tinham seis anos, e Andrew disse que queria raspar a cabeça, Aaron havia chorado por horas por não querer raspar a cabeça, até entender que era apenas uma piada do irmão. Bee quase morreu de rir ao entender que mesmo odiando a ideia, Aaron faria se Andrew fizesse.

E quando Aaron se machucou no parque e ficou com um machucado na testa, Andrew desenhou de canetinha o mesmo contorno na própria pele para ficarem iguais.

Eram coisas que eles nunca falavam, mas Bee percebia e achava adorável a lealdade que tinham ao fato de serem gêmeos.

Desde o minuto em que Andrew surgiu com a ideia de colocar um piercing, sabia que era questão de tempo até Aaron criar coragem para fazer também.

– Boa aula meninos. Estarei esperando em casa com o almoço!

– Tchau mãe – disseram juntos antes de descer do carro, e Andrew ainda estava irritado e resmungava.

Os dois caminharam para dentro da escola, precisando entregar o atestado de comparecimento do médico antes de serem liberados para assistir as próximas aulas.

Eles não conversaram durante o primeiro período, mas tão logo acabou a aula e seguiram para os corredores, Aaron começou a falar.

– O que vai fazer quando ver Neil hoje?

– Não é da sua conta.

Aaron revirou os olhos. Sabia que Andrew estava pensando compulsivamente no ruivo, mas que não iria admitir. Na realidade, havia perguntado apenas porque conseguiu ver o irmão gigante do ruivo andando no corredor, o que provavelmente significava que ele deveria estar por perto.

Os dois eram aquele tipo estranho que andavam juntos o tempo todo. Aaron nunca conseguia entender esse tipo de irmãos que não se largavam.

Andrew viu Neil, e sua atitude mais básica foi simplesmente fingir que não conhecia ele e continuar andando como se não houvesse visto o ruivo abrir um sorriso enorme no meio do corredor.

Aaron suspirou ao continuar seguindo o gêmeo, negando com a cabeça.

– Você é uma vergonha para os gays, sabia?

– Vai se foder, Aaron – resmungou, sem vontade de explicar sua atitude, afinal não havia pensado. Não fazia ideia de como reagir a Neil, e o jeito mais fácil pareceu ser ignorar ele.

Aaron, no entanto, não deu importância para a resposta irritada, pois viu Kat, a líder de torcida que ele gostava e acenou para ela no corredor para que viesse até eles, e a ruiva não demorou em sorrir e se aproximar.

– Ei, tudo bem?

– Sim. Eu estava me perguntando se você consegue me ajudar com algo – Aaron disse manso e charmoso, e Andrew estava se preparando para sair de perto – Me fale o que sabe sobre Neil?

– Neil… irmão do Kevin? – ela perguntou surpresa, e Andrew continuava encarando o gêmeo sem entender que merda ele estava pensando.

– Sim. Ele meio que demonstrou estar afim do meu irmão – indicou Andrew com a cabeça – Só… queria saber mais sobre ele. Sabe como é, somos novos na cidade. Não conhecemos sobre a fama das pessoas. Não posso deixar meu irmão sair com qualquer um.

Andrew arqueou a sobrancelha para Aaron, vendo ele agindo daquela forma como se fosse o melhor irmão do mundo, e isso fez a garota sorrir para ele.

– Neil é um cara legal. Não temos muita interação, mas não tenho nada de ruim a dizer sobre ele. Estudamos juntos desde o primário. Cidade pequena, você sabe. Todos estudam juntos. Ele está sempre com o irmão e o pai, é louco por exy. Meio quieto, na dele. Nunca soube dele namorando ou qualquer coisa assim.

– Obrigada Kat! Ouvi dizer que não tem nada de errado com ele, mas queria uma fonte confiável.

Andrew rangeu os dentes, ainda encarando ele quando a garota sorriu.

– Vou perguntar para outras líderes de torcida se sabem mais alguma coisa do Neil. Dá uma passada lá na quadra, depois da aula – disse com um sorriso e uma piscadela, e Aaron concordou, assistindo ela se afastar.

Andrew esperou a garota virar no corredor, para dar um soco no estômago do gêmeo, que se dobrou ao meio, sem ar.

– Para de me usar para se aproximar dela, idiota.

– Um de nós precisa ser o gêmeo com atitude! – disse, ainda com uma careta ao se endireitar, e os dois não se importaram com os olhares de estranheza que ganharam.

– Está se esquecendo que eu já consegui o que queria com o ruivo?

– Andrew, eu aposto todo o meu dinheiro que a atitude veio dele e não de você – Aaron disse sincero, e a falta de resposta do irmão apenas confirmou o fato.

Andrew ainda estava mal humorado, e os dois se separaram quando ele precisou ir para a quadra, para uma reunião com o time.

Ainda não conseguia entender a razão por ter se permitido arrastar para o exy novamente. Estava começando a desconfiar que no fundo, gostava do esporte. Não tinha outra explicação para, em uma nova escola e uma nova cidade, estar fazendo aquilo de novo.

Ainda que refletisse sobre o assunto, continuava hiperconsciente de quando Neil entrou ali dentro. Tinha visto ele correndo ao redor da quadra quando entrou no vestiário, e foi presenteado com a visão dele, extremamente estúpido e ruivo, passando pela porta com os cabelos bagunçados e um sorriso torto.

Ele pareceu pretender caminhar na direção de Andrew, mas o treinador pousou a mão sobre seu ombro, mantendo-o ao seu lado, para darem os recados ao time.

A atenção do loiro estava flutuando. Ouviu parte dos avisos, ouviu sobre o campeonato e sobre os treinos. Sua mente registrava tudo, mesmo que seu corpo estivesse agitado. Ele não esboçou nenhuma reação enquanto o treinador lhe parabenizava oficialmente pela efetivação no time.

Estava dividido pela audácia ao ver Seth lhe encarar com deboche e raiva, e pelo desejo de beijar aquele ruivo idiota de novo. Neil parecia se esforçar para olhar para todos os jogadores, como líder do time, mas ao mesmo tempo, todas as vezes que mirava Andrew, ele se perdia e acabava lhe encarando demais.

Com o final dos avisos, eles foram se vestir para um treino rápido na janela de tempo que tinham antes das próximas aulas. Os jogadores do time não precisavam fazer educação física, e treinavam nas aulas que tinham da disciplina. Aparentemente aquelas pessoas levavam os jogos de exy muito a sério na cidade.

Andrew já estava vestido e segurando o equipamento quando foi interceptado por Wymack no vestiário, quando o local estava vazio, segurando Neil pelo pulso.

– Vocês dois. Preciso que me garantam que, seja lá o que estiver acontecendo entre vocês, não vai afetar nossos jogos – Ele anunciou, sério.

Neil encarou o próprio pai, depois Andrew e torceu o nariz em uma expressão confusa.

– Do que diabos está falando?

– Vocês estão no mesmo time. A coisa esquisita que faz ficarem se olhando não pode afetar o jogo, e nem o sossego da minha casa. Nós somos vizinhos.

– Não tem nada acontecendo – Andrew disse, sério e acuado. Queria continuar fingindo que a coisa ontem não aconteceu, enquanto não soubesse como reagir a isso.

– Não aja como se não fosse a sua janela que meu filho pulou ontem para te agarrar garoto.

Neil continuava olhando de um para o outro, e percebeu como aquela conversa era estranha.

– Nada vai afetar os jogos – prometeu, soltando o agarre do pai e caminhou depressa para a quadra.

David duvidava que aquilo funcionaria direito. Neil sempre fazia maluquices, e ele já estava esperando como aquilo com Andrew iria atormentar sua paz.

Ainda assim, não entendia o motivo para os dois parecerem estar se evitando, afinal seu filho idiota passou a noite inteira falando sobre Andrew e sobre como estava fascinado por ele.

David achava aquilo engraçado, no fundo. Não tinha ideia do que em Andrew chamou a atenção de Neil, porque o garoto era absolutamente inexpressivo, antipático e sarcástico.

Era algo no olhar dele, que o tornava um pirralho desaforado mesmo quando não estava dizendo nada.

Eles foram para a quadra, fizeram o aquecimento e iniciaram o jogo. Algo mais leve, com passes diretos. Precisavam testar a compatibilidade de Andrew e os novos jogadores com o restante do time.

Ainda precisariam ajustar algumas coisas para fluir bem, e Seth definitivamente parecia ter um problema com Andrew. Mirava todas as bolas no garoto ao invés do gol. Wymack notou, e pensou em fazer algo para defender Andrew dele, mas percebeu que de forma alguma ele precisava ser defendido.

Não foi acertado nenhuma das vezes, mas duas delas conseguiu rebater a bola diretamente em Seth. Uma quase acertou o olho do outro, e a outra pegou em cheio em suas costas. Foi sorte não ter se machucado a sério.

Enquanto isso, Neil havia prometido a si mesmo que não faria nada que pudesse afetar o time. Ele estava determinado a ser vencedor no campeonato de exy interestadual.

Parte dessa decisão significava que teria que ser prudente sobre Andrew.

Mas isso definitivamente era um problema, quando o assistia jogar. Ele parecia um furacão de raiva no gol. Não havia conquistado a simpatia de nenhum jogador, e isso piorava a cada vez que acertava a bola em alguém. Ainda assim, nenhum deles se atrevia a questionar o novo integrante do time. Eles pediram para Neil escolher um bom goleiro, e seus pedidos foram atendidos. Ninguém questionava o quanto ele era bom.

O grande problema de Neil, foi o fato de ter visto praticamente em câmera lenta quando Andrew removeu o capacete, vermelho e suado pelo esforço, com o cabelo loiro grudado no pescoço.

Ele suspirou profundamente, assistindo ele caminhar na direção do armário.

– Sabe, acho que isso entre nós não vai atrapalhar em nada no campo. Muito pelo contrário – Neil murmurou para o treinador, que o mediu da cabeça aos pés, desconfiado.

– Não quero saber o que isso significa. Só não nos deixe perder – Ralhou, seguindo para a sua sala, vendo Neil rir.

Todos os jogadores foram para os chuveiros, e por alguns instantes o vestiário era um acumulado de conversas e barulhos, mas nenhum deles parecia demorar demais. Todos estavam com fome.

Ainda tinham mais dois jogadores conversando e terminando de calçar os sapatos, e Neil percebeu que Andrew parecia estar enrolando. Fazia tudo devagar demais.

O ruivo queria poder saber o que ele pensava, e acima de tudo, precisava beijar ele mais uma vez. Esse era seu único pensamento lúcido, em meio a toda confusão sobre exy e campeonato que refletia.

Então quando a última pessoa saiu, ele finalmente fechou o armário e se virou na direção de Andrew, que estava recostado ao próprio armário, com a sobrancelha arqueada e uma expressão levemente divertida.

Neil não sabia como ele conseguia fazer isso. Era simplesmente um convite aberto e sugestivo no olhar, que o fez se arrastar na direção dele como uma abelha em busca de mel.

Andrew o ignorava no corredor, e então depois olhava para Neil daquele jeito. Dizia que não tinha nada acontecendo, e depois o empurrava contra o armário para lhe beijar, como agora.

Neil sentiu o impacto, e então seus pensamentos rodaram ao redor de Andrew. Sobre o jeito que ele parecia confiante, e não foi pego de surpresa como ontem.

Ele movia as mãos pelas costas de Neil, sintonizado com cada movimento do beijo deles. O ruivo só conseguia pensar que poderia incendiar uma quadra de exy agora, apenas com a energia que sentia por causa do goleiro.

Não, aquilo não iria afetar eles no campo.

Ver Andrew no pós treino todo bagunçado afetava Neil, mas da melhor maneira possível e ele se sentia derretido contra Andrew e seu calor.

Eles ouviram passos se aproximando dali, mas nenhum deles queria realmente interromper nada agora. Neil se moveu automaticamente na direção do armário de equipamentos, e Andrew deslizou junto com ele, soltando um arfar curto quando fechou a porta atrás de si e Neil o pressionou contra ela, curvado para pressionar os lábios em seu pescoço.

Serem pegos ali seria terrível, mas nenhum deles se importava. Andrew jogava cada vez mais a cabeça para trás, estremecendo pelos lábios quentes de Neil contra a pele sensível do próprio pescoço, pensando em milhares de formas estúpidas de contrabandear ele para o próprio quarto sem serem pegos, nas próximas vezes.

Os dois ferveram rápido demais, a empolgação adolescente misturada com adrenalina e o desejo. Alguém poderia incendiar aquele vestiário e Neil não perceberia. Ele ainda suspirava a cada beijo e toque das mãos de Andrew.

– Andrew? Andrew, cadê você? Está agarrando o vizinho de novo? Andrew? – Os dois ouviram Aaron gritar, e ele entrar no vestiário. Ainda respiravam cortados, mas fizeram o possível para manter o silêncio, ouvindo os passos de Aaron procurando o irmão, até ele suspirar e decidir ir procurar em outro lugar – anunciando por todos que passava que Andrew estava agarrando algum vizinho.

– Arnold é irritante pra caralho – Neil murmurou assim que estavam sozinhos de novo.

Andrew quis corrigir, mas achou engraçado demais ver ele chamando seu irmão por outro nome, então simplesmente deu um sorriso de canto.

– Arnold é insuportável, você não faz ideia – Concordou, quase sem realmente conseguir ver Neil, por estarem fechados no armário escuro. Eles ainda tinham aulas e precisavam voltar.

Andrew estava morto de fome, e não queria perder todo o intervalo ali, embora também quisesse continuar com Neil.

– Sabe, tem uma sorveteria legal perto de casa. Posso te levar até lá, depois da aula.

– Você não gosta de doces. Seu critério de sorveteria legal me assusta – rebateu automaticamente, e Neil pousou um beijo na sua mandíbula.

– Dizem que é a melhor da cidade. E, de qualquer forma, a ideia era você tomar sorvete e eu te beijar. O sorvete é… meio que um disfarce – Neil explicou conforme formulava a ideia, e Andrew mordeu o lábio inferior.

Ok, era definitivamente um bom plano.

– Vamos ter que despistar Arnold, então – Concluiu, querendo esmurrar uma parede quando sentiu o sorriso de Neil se formar contra os próprios lábios.

Andrew apostava que aquele ruivo seria sua ruína.

Neil assentiu com um sorriso fraco, se afastando um pouco para Andrew conseguir abrir a porta, mas ao invés de soltá-lo, deslizou a mão que estava na cintura dele para seu braço, os dedos dos dois se enrolando suavemente.

Andrew não sabia o que fazer diante do gesto, porque ele não pareceu perceber o que fazia. Apenas agiu naturalmente, e foi dessa maneira que Seth os flagrou saindo do armário, de mãos dadas, com os cabelos bagunçados e as respirações ainda aceleradas.

Ele os mediu de cima a baixo, revirando os olhos.

– Já está contaminando o restante do time, bicha? – resmungou para Andrew, enquanto apanhava a própria carteira, que havia esquecido sobre o banco.

– Achei que você já fosse antes de eu chegar aqui, bicha – Andrew retrucou, e ele apenas soltou um som de nojo antes de sair.

Neil se precipitou como se fosse atrás dele, mas Andrew o puxou pelas mãos unidas, estalando a língua.

– Ele não me incomoda. Não perca seu tempo.

– Seth um dia vai acabar sendo expulso do time. É um idiota por completo.

– Isso seria hilário. Com as coisas que ele faz e diz, não sei como já não foi – Andrew comentou, e Neil mordeu o lábio inferior.

– Não é fácil achar novos jogadores. Não temos ninguém no banco.

– Ele não é um bom jogador. Faça novas audições – devolveu, com simplicidade.

– Fizemos duas vezes esse ano. Os últimos foram das vagas abertas. Não sobrou ninguém minimamente aceitável.

– Meu irmão joga – Andrew disse, dando de ombros – Ele também é chato, mas pelo menos não é homofóbico.

Andrew fez um silêncio cômico, antes de revirar os olhos.

– Ele as vezes parece homofóbico, mas não é de verdade – Insistiu.

– Ele joga? Eu não sabia. Ele não participou dos testes.

– Ele é melhor do que Seth – Andrew garantiu. De tempos em tempos, acabavam os dois jogando juntos no mesmo time. Não seria a primeira vez. Se Aaron havia lhe empurrado para aquilo, ele poderia fazer o mesmo.

– A estatura dele não é um problema no campo?

Andrew riu pela pergunta, mas depois percebeu que Neil permaneceu sério e esperava uma resposta.

Ele realmente queria saber se a altura de Aaron lhe atrapalharia a jogar.

Andrew queria muito saber de que forma Neil enxergava seu gêmeo, porque obviamente os dois eram idênticos e tinham o mesmo tamanho.

– Não, a altura dele não é um problema – garantiu, ainda levemente divertido e indignado com o tipo estúpido de cara que lhe atraía.

– Podemos fazer uma audição amanhã. Acha que funciona?

– Vou garantir que ele participe.

Andrew concordou, e os dois estavam prestes a sair dali, quando Aaron apareceu de novo, arqueando a sobrancelha ao vê-los, com Kevin ao seu lado. Ele também procurava o irmão e não pareceu surpreso de vê-lo com Andrew.

Nenhum dos dois pareceu perceber que ainda estavam com as mãos enroscadas, perto demais um do outro, em uma aura de intimidade contruída fácil demais.

– Estou te procurando! Esqueci meu dinheiro em casa, preciso que me empreste para comprar o lanche – avisou, e Andrew iria lhe falar valores de juros de empréstimo absurdos, se Neil não houvesse feito um som estranho primeiro.

– O que aconteceu com a sua cara? – perguntou, o tom com alguma indignação evidente, e Aaron piscou confuso.

Os gêmeos demoraram a entender do que ele falava, até o ruivo indicar a sobrancelha de Aaron.

– Eu… coloquei um piercing.

– Porque? – questionou, ainda com a expressão torcida.

– Porque sim! Qual o problema?

– Ficou esquisito – disse sincero, e Kevin soltou um som sufocado.

– Neil, qual é. Você passou pelo menos duas horas falando sobre como gostou do piercing de Andrew! – rebateu indignado.

– É, mas não combinou com Alex – rebateu.

– Aaron! Meu nome é Aaron! Como você pode beijar meu irmão e não saber meu nome?!

– Neil, não vamos falar de novo sobre eles serem idênticos. É impossível você achar Andrew bonito e achar algo diferente de Aaron – Kevin reclamou, puxando o irmão pelo braço, e os dedos dele deslizaram pelos de Andrew.

Os dois trocaram um olhar breve selando o combinado de mais tarde, e Neil saiu do vestiário sorrindo.

Andrew foi pegar a própria mochila, com o irmão no encalço, os dois caminhando juntos para o pátio, enquanto planejava o que faria a seguir.

Ele não precisou procurar muito para achar a garota ruiva, seguindo na direção dela, vendo o irmão lhe seguir confuso.

– Ei – Andrew disse, parando diante dela, ignorando o olhar de pânico de Aaron – Meu irmão vai fazer um teste para o time de exy amanhã. E ele gostaria que você estivesse lá para… você sabe. Torcer.

– Você não me disse que jogava! – Kat disse animada para Aaron, que soltou um riso forçado, coçando a cabeça.

– É, eu jogo – murmurou, vendo Andrew dar as costas para eles e sair andando, e suspirou.

– O seu irmão é… – Kat começou, confusa por ele ter vindo, dito aquilo e ter se afastado de forma tão aleatória.

– Estranho? Bizarro? Maluco?

–... Diferente. Mas… hã, estarei lá torcendo por você. Me deixe saber a hora do teste.

– Ok – murmurou, vendo que ela estava sendo chamada por um grupo de amigas, e acenou vagamente antes de acelerar o passo na direção de Andrew, que havia acabado de pedir o lanche deles e finalizava o pagamento.

– O que diabos foi isso?

– Neil quer trocar o homofóbico do time e você tem todas as qualificações que ele procurava para substituir ele. Amanhã você vai fazer o teste.

– Você poderia ter falado comigo antes de bolar essa merda!

– Você deveria se preocupar em ser bom amanhã para não passar vergonha na frente da líder de torcida, não em detalhes técnicos.

Aaron revirou os olhos, sentindo uma pontada de ansiedade. Ele não tinha pensado em se inscrever para o time, mas não era uma má idéia.

Em uma escola onde as pessoas viviam por exy, aquilo ajudaria muito na reputação deles. Seria bom ter um trunfo na manga quando Andrew fizesse alguma besteira constrangedora.

– Você estava todo rabugento, e agora está cheio de planos malignos para me envergonhar. Você estava agarrando Neil, não estava?

– Vai se foder.

– Toda vez que manda eu me foder, é porque eu acertei – murmurou, seguindo o irmão para uma das mesas afastadas.

Eles falaram sobre o time, e sobre ideias para o teste de Aaron do dia seguinte. Embora brigassem muito, sempre se davam cobertura. Então foi uma longa conversa, antes de voltarem para as aulas do dia.

Andrew havia mandando mensagem para a mãe, perguntando se poderia sair com Neil depois e revirou os olhos por todas as mensagens bregas e preocupadas, antes que ela concordasse, se ele prometesse cuidar da louça do almoço.

Então Andrew agora estava bem humorado, e ignorou a maior parte das piadas de Aaron sobre o assunto enquanto voltavam para casa, passando para comprar uma pomada para o piercing deles no caminho.

Os dois chegaram em casa ansiosos para contar as novidades, e Andrew seguiu diretamente para o próprio quarto, começando a procurar onde seu gato estaria, como fazia todos os dias.

Aaron foi para a cozinha, estranhando não achar a mãe deles ali. Havia alguma bagunça na pia e na mesa. O almoço estava indeterminado nas panelas e não havia um bilhete na porta da geladeira avisando qualquer imprevisto.

Ele girou pela casa, não encontrando ela em lugar algum e discou no celular logo na sequência.

– Mãe, cadê você? – atendeu, já desconfiado.

– Ary! Já estão em casa? – ela atendeu, a voz cheia de alguma preocupação que ele reconheceu depressa – Escute, querido. Preciso que converse com Andy…

No mesmo minuto, Andrew apareceu pálido na porta da cozinha, segurando a cama do gato dele, suja com manchas de sangue.

– Cadê o meu gato? - foi a única coisa que ele disse, e automaticamente Aaron sabia que estavam todos ferrados.

Notes:

Sim, eles são todos adolescentes cujo único problema é serem adolescentes!!!!
Andrew e Aaron tendo o máximo de relação saudável que irmãos gêmeos podem ter, e sendo dois garotinhos muito amados é simplesmente minha serotonina.
Espero que se divirtam!
Não será algo longo, acredito que no máximo uns 5 capítulos!
Até!