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Nefilin

Summary:

Que Sakura Haruka não era um adolescente normal, todos já sabiam. Estavam, aos poucos, se aproximando e conhecendo mais do adolescente bicolor, que era tão fofo e bonito... mesmo que o próprio não enxergasse isso em si.

O que ninguém sabia era que Sakura escondia um segredo de todos em Makochi:

Sakura Haruka é um Nefilin.

Notes:

Eu tava vendo uma imagens no Pinterest e acabei vendo o desenho de nefilin e pense em fazer algo sobre

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

Desde que se mudou para Makochi, Sakura vem se acostumando não só com a gentileza dos outros, como também em manter sua verdadeira forma reprimida.

 

O que, diga-se de passagem, é horrível — não só por ele perder seu centro de equilíbrio sem as asas e a cauda, como também por sua audição e visão sobre-humanas, o que sempre o fazia se assustar quando alguém chegava de surpresa.

 

Bem... tecnicamente, ele não é mesmo um humano.

 

Ele não sabia muito sobre si mesmo, mas, de alguma forma, via o que ninguém mais via.

 

Como se fosse capaz de enxergar o véu entre vivos e mortos.

 

Tudo o que ele sabia era que sua mãe havia se relacionado com um ser não humano, e ele nasceu.

 

Mas, depois que sua mãe morreu, ele pulou de orfanato em orfanato.

 

E sua aparência já não ajudava, mesmo que reprimisse sua forma original, que se constitui da seguinte forma:

 

em sua forma de nefilin, mantinha a mesma aparência básica: um adolescente magro e de estatura mediana e expressão geralmente séria. Seu cabelo continuava dividido ao meio, sendo um lado branco reluzente e o outro preto como carvão, liso e caindo até os ombros. Seus olhos também mantinham a heterocromia, com um olho dourado e o outro completamente preto.

 

Nas costas, ele possuía três pares de asas grandes. Cada asa era dividida ao meio: a metade direita de cada par era branca, e a metade esquerda, preta. Além dessas, havia dois pares de asas menores localizadas na cabeça sendo um próximo ao topo do crânio e outro nas laterais, perto das orelhas que eram pontudas. Também havia mais dois pares nos calcanhares, menores e mais finos.

 

Nas mãos e nos ombros, havia olhos extras. Um olho no dorso de cada mão e outro em cada ombro, que permaneciam fechados e escondidos na maior parte do tempo, mas podiam se abrir quando necessário.

 

Ambos os braços tinham marcas negras que cobriam a mão e se estendiam até o antebraço, como se fossem luvas feitas de sombra. As unhas eram afiadas, mas curtas, podendo se retrair e voltar ao normal quando quisesse.

 

Ao redor da cabeça, flutuavam dois pares de auréolas douradas que giravam em sentidos opostos. No pescoço, marcas em forma de semicírculos rodeavam a pele, como símbolos fixos. E por fim, ele tinha uma cauda longa, preta e totalmente funcional, que se movia com precisão e força

 

Uma aparência que, para muitos, era assustadora — o que lhe rendeu apelidos cruéis como "demônio", "yokai maligno" e "praga".

 

Então, desde que se mudou, Sakura vem escondendo sua forma original e fazendo de tudo para não se transformar.

 

Ele aprendeu da pior forma possível, em sua cidade natal, que se entrasse em um estado de pânico ou fosse posto sob alta pressão, tendia a perder o controle e se transformar.

 

E provou isso de novo quando adoeceu e não conseguiu esconder sua cauda — como foi desconfortável ficar o tempo todo deitado por cima dela para escondê-la dos amigos.

 

Então, além de prometer à Furin que se cuidaria mais, ele também prometeu a si mesmo tomar mais cuidado.

 

Mas, novamente, não teve sucesso, já que agora se via trancado na cabine de um dos banheiros da escola, pois as asas em sua cabeça não se escondiam.

 

E inferno! Ele mal conseguia manter os olhos em suas mãos fechados — e tudo isso por conta de um quase beijo com Umemiya, após o mesmo tropeçar e cair por cima dele.

 

Agora ele estava naquela situação, escondido, enquanto seus amigos o procuravam por toda a escola.

 

Bem, ele se recusava a sair dali com sua aparência não humana — e, levando em conta o tamanho da escola, teria ao menos alguns minutos para se acalmar.

 

Certo… ele devia ter levado em conta sua má sorte.

 

— Sakura-san! Por favor, aparece! — o garoto loiro entra no banheiro, logo atrás de Suo, que continha um sorriso brincalhão.

 

— Vamos lá, Sakura-kun, você não se esqueceu de suas tarefas como capitão de turma, né? — o garoto do tapa-olho parou logo atrás da porta da mesma cabine onde Sakura estava, para o desespero do garoto bicolor.

 

— E-eu tô ocupado, então volte depois — foi tudo o que disse, cruzando os braços. Do outro lado, os dois vice-capitães sorriram ao encontrar Sakura.

 

— É uma pena... já que nós iríamos no Photos, mas, já que você não quer ir... — Suo e seu talento de manipulação. Como resultado, Sakura se levantou rapidamente, conseguindo esconder suas características de nefilin e abrir a porta do banheiro.

 

— Va-vamos logo! — disse, saindo do banheiro enquanto resmungava alguma coisa sobre Suo ser um chato, fazendo o citado rir. Nirei apenas sorriu, começando a seguir o bicolor.

 

O caminho até lá foi incrivelmente tranquilo, já que não havia nenhuma gangue, nem ninguém precisando de ajuda — o que foi até estranho, pra falar a verdade.

 

Sakura não sabia ao certo quando se acostumou com a vida em Makochi, mas, pra falar a verdade... não queria ir embora nunca mais.

 

Não que ele fosse dizer isso em voz alta pro pessoal da Furin.

 

— Ele tá no mundo da lua hoje, né? — a garota disse, ao ver que Sakura parecia nem perceber sua presença.

 

— Nosso capitão anda pensativo hoje — o garoto do tapa-olho disse, dando um tapinha no ombro alheio para acordar Sakura.

 

Assim que o bicolor piscou, ele finalmente percebeu onde estava.

 

— Já chegamos?

 

No momento em que seus olhos pousaram em Kotoha, o bicolor sentiu seu sangue subir à cabeça por culpa do sorriso brincalhão da mesma.

 

— Espero que não se importe, mas eu fiquei sabendo do seu quase beijo hoje mais cedo — aí está. Se antes ele já estava vermelho, agora sim ele parecia um tomate maduro.

 

— Os reflexos do Sakura-kun foram rápidos em agir, senão teríamos um beijo digno de cinema — e, como sempre, Suo parecia gostar de pôr lenha na fogueira.

 

Era tão constrangedor que Sakura quase deixou suas asas saírem só para se cobrir e ninguém ver seu rosto.

 

Se não fosse sua pressão subindo por causa da vergonha, o garoto bicolor teria descido a porrada nos dois indivíduos ali mesmo. Mas, agora, ele se concentrava em terminar seu prato favorito e ir pra casa urgentemente.

 

— Sakura-san, não coma tão rápido — Nirei tentava, sem muito sucesso, fazer seu líder de classe diminuir a velocidade ao comer, mas isso só fez com que Sakura começasse a comer ainda mais rápido, para o desespero do loiro.

 

— O-o-obrigado pela comida!! — e então saiu do lugar o mais rápido possível, sem olhar pra trás.

 

— Como foi esse quase beijo mesmo? Tudo que o Hajime me disse foi que tropeçou quando foi falar com o Sakura — a garota perguntou enquanto recolhia o prato vazio da bancada.

 

— Fomos chamados para uma reunião no telhado, e o Umemiya-san veio cumprimentar. Tropeçou em um dos vasos e caiu em cima do Sakura-san — disse o loiro, após terminar seu próprio prato de comida.

 

— Foi uma cena e tanto, eu diria. Mas nosso capitão foi rápido o bastante pra virar o rosto e receber um beijo na bochecha em vez dos lábios — falou, sorrindo com uma expressão calma e um tom divertido.

 

— Deve ter sido uma comoção e tanto, não foi? — falou a garota, se debruçando no balcão.

 

— Umemiya pediu várias desculpas, e, no fim, acabamos sem a reunião. Tsubaki-san também parecia animado com a cena. No fim, levamos alguns minutos pra achar ele escondido no banheiro — o loiro se apressou em contar os detalhes da cena que se desenrolou mais cedo.

 

— O que me surpreende mesmo é o Sakura ainda estar acordado — ela tinha razão. Conhecendo Sakura como eles conheciam, o garoto bicolor provavelmente teria desmaiado lá mesmo. Bem... talvez Sakura esteja se acostumando com atenção? Quem sabe.

 

— Ou talvez ainda não tenha caído a ficha pra ele — sugeriu o de fios vinho.

 

A sugestão de Suo definitivamente fazia mais sentido.

 

E, se fosse esse o caso, então Sakura desmaiaria assim que percebesse a real situação de mais cedo.

 

A qualquer momento.

 

Assim que o adolescente pisou em seu velho e acabado apartamento, ele parou bruscamente, pensando nos últimos acontecimentos.

 

Ele quase beijou Umemiya.

 

Ele quase se transformou na frente de todo mundo.

 

Ele correu mais rápido do que uma pessoa normal até chegar ali.

 

Aquela altura, todo mundo já devia saber do seu quase beijo.

 

Seu quase primeiro beijo.

 

ELE QUASE TEVE SEU PRIMEIRO BEIJO COM UMEMIYA!!!!!!!!!!

 

Tudo que ouviu após essa linha de raciocínio foi o som de algo caindo no chão — e, então, o som de penas.

 

Ele desmaiou e suas asas saíram.

 

— Que lugarzinho mixuruca ele foi arranjar, né? — disse uma voz que rapidamente entrou pela janela, sendo seguida.

O som de pés andando pelo chão velho de madeira foi seguido pelo som de asas sendo recolhidas.

 

— Haruka nunca foi de bens materiais — a voz que seguia a anterior disse, começando a pegar o corpo desacordado do menor.

 

— Eu sei, mas não precisava arranjar um lugar desses também. De qualquer forma, eu vou dar uma olhadinha no resto do apartamento — suas asas negras se abriram e ele começou a voar enquanto olhava cada cantinho do lugar.

 

— Vou tentar falar com ele depois. Meu irmãozinho é mesmo teimoso — a voz falava num tom apático, mas quem o conhecia bem podia ver a ternura por trás de cada palavra.

 

— Ele ainda perde o controle quando desmaia, e isso é perigoso. Ele vai acabar se entregando uma hora dessas — embora o tom fosse brincalhão e até um pouco debochado, ainda havia preocupação nele.

 

— Ele ficaria bravo se o levássemos pro nosso apartamento? — perguntou a voz apática.

 

— Com certeza. Nossa florzinha é tipo um gatinho arisco e mimado que morde — mas, antes que pudessem continuar a conversa, o corpo até então desacordado de Sakura se mexeu, mostrando que acordaria a qualquer momento do desmaio.

 

— Deixemos isso pra outra hora e vamos antes que nosso bebê acorde — a voz brincalhona voltou a dizer, já na janela, abrindo as asas negras. No segundo seguinte, a outra figura, de asas vermelhas com pontas alaranjadas como fogo, se juntou a ele e, em menos de um segundo, desapareceram.

 

Quando o garoto bicolor acordou e se viu no futon com a janela aberta, ele já sabia que eles vieram. Aqueles dois idiotas.

 

Ele já nem era mais um bebê, já tinha 15 anos.

 

Certo… 15, para um Nefilin, é um bebê.

 

Mas ele não é um bebê.

 

Seu rosto voltou a esquentar quando retornou a pensar no maldito quase beijo.

 

Como ele iria olhar para todo mundo na escola amanhã?

 

Como ele ia olhar para Umemiya?

 

Só com esse pensamento, suas asas se eriçaram.

 

Ele estava em sérios problemas.

Notes:

Primeiro capítulo