Actions

Work Header

1930 — Manicômio Púbere (Statehumans)

Chapter 11: Não chore por mim, dourinha

Notes:

mais um cap para vocês!
mais um dos caps que eu amo muito, é bastante curto mas acontece bastante coisa, muita tensão.... enfim! esse cap vai ter violencia e sangue então prossiga com cuidado!

Chapter Text

 

21/7/1929, 01:11

 

{ Higienópolis, SP }

 

MG P.O.V

 

Nós andávamos pelo pequeno caminho da casa…? Não é muito bem uma casa, é tipo uma mansão do paulista. Pelo dinheiro que nós conseguimos depois do golpe, era possível comprar a lua. 

 

Mas dentro do quintal dessa casa, existia um caminho, tal qual o de um parque. Já era bem tarde, então a visualização desse lugar era difícil, as árvores eram apenas iluminadas com as luzes amarelas dos postes que haviam ali. Isso me deu uma ideia de tão grande que era, até porque um quintal normal não precisaria de diversos postes de luz. Eu imagino que esse caminho nos leve até o terreno da família kazuya, que atualmente é uma floresta. Perfeito para se enterrar um corpo. 

 

Já fazia dias que eu estava dormindo no lar do Vicente, dormindo de um olho aberto, apenas me escondendo. Chegou um ponto de minha “fama” que era impossível sair de casa. Parecia como se eu fosse uma espécie de rainha ou algo do tipo… depois de tirar o Ryan do poder, as coisas mudaram.

 

Eu não podia sair da cola do Vicente, muito menos de suas residências. Meus amigos cada um foram para seus cantos, não faço a menor ideia onde andam meus honrosos, ou até mesmo meus velhos amigos, como a Esther e o Gustavo. Ou seja, sem família e sem lugar pra cair morta, eu estava presa com o São Paulo, mas, ele estava preso comigo também.

 

O mesmo estava sob as minhas regras e sobre a minha estrutura, eu não vou deixar ele escapar dessa vez. Não depois de tanto tempo perdido, eu já gastei minha mente tentando pensar com quem eu ia ficar pela semana. Acho que ter virado uma capitania própria, de ter saído do meu ninho, fez minha vida virar um inferno. Mas por uma última vez, eu me via acorrentada no paulistano.

 

Atualmente, era mais difícil. O Vicente virou uma pessoa talvez tão egocêntrica… apática, que fica até complicado de se conviver com ele. Eu ainda sentia como se fosse sua comarca mais preciosa, nada mais do que uma menina de ouro. Ele queria testar meus limites a todo custo, só vendo onde eu iria quebrar. 

 

Exatamente idêntico igual o carioca fez. Querendo ver algo em mim que precisava ser consertado e me curando logo depois.

 

— Mas, Milena, se não for indelicado, eu ainda preciso falar da nossa reunião. — ele tentou fazer aquele sorriso cínico dele, mesmo que perceptível. Seus lábios tremiam sempre que ele ousava fazer aquela expressão. — Por que você fez aquilo, Minas? Era só umas pepitas de ouro, e a gente só estava medindo seu preço. Pra que você foi correr igual uma descontrolada e esconder de todo mundo? Só nos fez passar vergonha. Você abraçou um minério, Milena. 

 

A cada frase seu nível de raiva e desgosto aumentavam. Pouco a pouco, ele me minimizava ou me fazia sentir como uma louca por simplesmente existir.

 

— Que apego é esse seu com ouro, Milena? É obsessão, ganância, desespero… que isso? 

 

Eu já tinha falado mil vezes pra ele encerrar esse assunto, mas o mesmo não parecia entender o básico. Talvez quase começar a chorar na frente de várias figuras poderosas não fosse o suficiente para o Vicente perceber que eu não estava bem.

 

— Você não sabe nem a metade que eu passei na inconfidência pra virar assim... Você não tem noção de nada, nunca lutou por nada que não fosse você mesmo. Sem falar que você estava fazendo o que só Deus sabe o que enquanto eu lutava pro meu povo não morrer. — eu disse com minha voz apertada, quase trêmula. Do jeito que o paulista fala, parece até como se não tivesse sido verdade o que eu falei. 

 

— Por que você está jogando seus problemas pra cima de mim? Eu não tenho culpa que o seu povo estava morrendo. Jogar os seus problemas para cima de mim não vai ajudar sua situação! Eu sei que foi algo ruim, sinto muito, sério mesmo! Mas eu nem tenho nada a ver com isso. 

 

Eu me sinto até culpada, queria me desculpar com ele, com vontade de chorar, acho que era bem visível, mas, por que ele tinha que abrir minha ferida? Eu vou me redimir com ele, mais uma vez. 

 

— Vicente… Eu estou sinceramente arrependida, me perdoe. Eu não sei porque eu ajo com tanta impulsividade em relação disso… parece alguma oi cicatriz antiga e eu realmente não queria passar essa visão minha—

— Chega com isso, Gerais. Chega. — me cortou, mesmo quando eu ajudava a inflar seu ego. 

 

Ele sempre terminava a sua frase tentando forçar um sorriso, mas dessa vez foi diferente, parecia ansioso. Ele vem sendo tão estranho ultimamente, até tentou formular uma frase, mas hesitou e logo trocou de tópico.

 

— Olha Milena, mudando de assunto, até porque eu não te levaria para o meu jardim para simplesmente discutir. É muito deselegante convidar uma dama e apenas criar conflitos. Gostaria de conversar sobre algo relevante, no mínimo. — Eu percebi que nós estávamos andando em círculos, não saindo do mesmo lugar, mas mesmo assim deixo o paulista prosseguir

 

— Fale, uai. Se isso te faz se sentir melhor. — tentei dizer com naturalidade, me controlando no mínimo. Porém, depois que eu disse isso vi as pálpebras do Vicente tremendo.

 

— Eu quero acabar com a oligarquia. — declarou enquanto arranhava suas mãos e pulsos, porém sua voz e face continuavam firmes. Seu olhar também parecia focado demais em mim. — Quer dizer, na verdade é o pacto de Ouro Fino, mas você entendeu. 

 

Eu segurei suas mãos, que estavam tão frias, percebia cada ansiedade que aquele corpo tão frágil carregava. E de novo as suas palavras se repetiam na minha cabeça, eu me exaltei um pouco. 

 

— Que? Mas por que essa escolha agora, Vicente? — eu disse com minha voz trêmula, eu tentava olhar, dar meu melhor sorriso para me fazer amável, porém, nada funcionava. Quanto mais eu o confortava, mais ele se afastava de mim. Eu comecei a falhar na única coisa que me deixou viva. — São Paulo, se você me falar uma coisa que eu te fiz sofrer, eu te deixarei ir. O que eu fiz de errado? 















 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O QUE EU FIZ DE ERRADO?! — meu sorriso desapareceu da minha cara, revelando a parte mais nojenta de quem eu sou. Logo ele se distanciou do meu toque e me desesperei.

 

— Os seus candidatos são uma MERDA, Milena! Eu faço de TUDO pra colocar o seu partido no topo. Faço acordos, mando o Goiás tocar o terror com os coronéis dele, financio nossas ações e mesmo assim só acabo arruinando minha reputação! — Seus ombros ficaram tensos, parecia até um cachorro com raiva, porém recuava igual um gato arisco. — Você sabe quantos civis passaram a duvidar da minha capacidade? 

 

Me mantive calada, já que minha garganta se fechou por completo. Não conseguia nem responder o que ele estava falando, muito menos sair do lugar e reagir. O ar ao meu redor não parecia suficiente, lentamente eu parava até de respirar, enquanto as lágrimas ficavam mais pesadas na minha cara.

 

Eu sempre soube que o Vicente falava mal de mim, e que, sem eu perceber, o São Paulo elegeria outro paulista para o poder. Eu sempre escutei os sussurros do povo, mas não pensava que ele me apunhalaria pelas costas. Ele me traiu.

 

— Eu andei pensando, talvez seus presidentes reflitam a capacidade da representante. Só recomendo que você fique afastada de mandar alguém para presidência, já que você não é capaz, você só finge ser quando busca por atenção. — passou a mão na própria cara, só para despertar de um sono inexistente, porém, para mim, cada nova palavra era outra facada

 

Eu já não conseguia entender suas palavras, só percebia a sensação molhada nas minhas bochechas se secando e grudando na minha pele. 

 

Graças a Deus que depois de virar uma oligarca, eu sempre carregava um punhal comigo. 

 

— MILENA, PARA COM ISSO! O QUE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ FAZENDO?! — Ele agarrou meu pulso no alto no mesmo instante que eu saquei a faca. Me desestabilizando por completa, não tinha nem força para manter minhas mãos levantadas. Eu conseguia ver suas veias saltando e sua postura inteira tremendo ao mesmo tempo.

 

Em uma tentativa de escapar (e de me fazer sair viva dessa situação), empurrei o Vicente para frente, jogando o  corpo dele para trás. O meu punhal passou pelo braço dele, cortando sua pele e assim fazendo um líquido escarlate aparecer. 

 

Ele tinha uma mistura de confusão com medo genuíno na cara dele, é a primeira vez que eu o vejo expressar tanta emoção assim.

 

Antes que eu pudesse perceber, a pressão que eu coloquei no meu braço fez nós dois cairmos para o chão, ocasionando que eu caísse em cima dele. Ele já estava deitado em cima do próprio braço quando eu consegui ouvir um estalo seco saindo do seu corpo. 

 

Sinto que o matei nesse momento. Eu ouvi o mais estridente dos gritos quando eu me apoiei no corpo do mesmo. O São Paulo fechou seus olhos e desmaiou imediatamente com o impacto, só deixando na minha frente uma poça de sangue e o seu cadáver.

 

Eu olhava para as minhas mãos com luvas brancas, agora repletas de sangue venoso. Observava toda a minha pessoa por cima da figura dele. Eu o coloquei de barriga para cima e mexi no seu braço. Só uma tentativa de limpar o sangue que cada vez mais estava se derramando, mas, como não foi útil, eu usei a borda da minha saia branca para enxugar o líquido.

 

O braço dele estava… molenga, parece até como se não tivesse ossos. Como se estivesse sendo segurado por um fio. 

 

De repente, meu peito se apertou e ficou pesado. De novo, minha respiração fica rápida e quanto mais eu manchava minhas roupas com seu sangue, eu sentia lágrimas escorrendo pela minha face e caindo nas roupas quase secas do São Paulo. 

 

Me desculpe, São Paulo. Eu realmente espero que depois dos rios que eu chorei em cima do seu corpo, você me perdoe. Mas, será que agora eu te enojo e provo que sou finalmente capaz?

Notes:

Eai meu povo!

Oque acharam do primeiro cap?

Ele é um pouco pequeno em relação aos outros caps mas é apenas uma introdução ao personagens principal etc.

Se achar qualquer tipo de erro por favor nos avisem!

Se tiverem qualquer opinião construitiva podem falar! Para melhorarmos a história e deixarem sempre melhor.