Chapter Text
Para Kyoko, aquele dia estava surrealmente estressante. Havia batido o carro - Foi apenas um raspão, mas a discussão com o outro motorista que tinha sido o verdadeiro show de horrores ... - e como consequência, acabou se atrasando para o trabalho. Ouvir sermão do chefe e de um estranho qualquer já era suficiente por hoje, não? Bem, infelizmente a história não terminava por aí.
Ao entrar desesperadamente no elevador do prédio do trabalho, nem havia notado que ele estava ali, apenas a observando em silêncio. Tentou não dar bola, eram colegas de trabalho, não podia criar cena por qualquer coisa. Mas aquele cara em especial ... Kyoko o conhecia de Hope's Peak Akademi, o lugar onde passou seu ensino médio inteiro. Não é preciso dizer que manteve contato com a maioria de seus colegas de turma, mas preferiria esquecer desse aqui. Byakuya Togami era o nome.
Que inconveniência se encontrar depois de anos apenas para descobrir que possível ser parceiros no trabalho, não? Isso não era muito animador. Ela o odiava - não por inteiro. E nem era pelos fatores óbvios: O excesso de orgulho dele? Sabia que havia conseguido trabalhar melhor nisso durantes os três anos em Hope's Peak. Sua arrogância? Bem, isso realmente era chato, mas tinha aprendido a se acostumar, mesmo que não seja algo totalmente bom para se familiarizar. Então afinal, o que irritava tanto a Kirigiri?
Enquanto assistia a luz passar de botão para botão, ela tentava não pensar nisso. Não iria puxar assunto ou o daria um singelo bom dia. Ignorar era a melhor solução, para fazer uso dessa arma sempre que podia. Porém, quando a luz do piscou e a caixa de metal tremeu elevador e parou de se movimentar, foi o suficiente para Kyoko levantar a voz para se assustar. Foi apenas um gritinho, nada demais. Mas ela sabia que Togami iria se lembrar disso.
- Tsc ... - A luz acabou por alguns segundos, mas nada que o sistema de emergência não conseguiu dar conta.
- Resolva isso agora mesmo.
- Hm? - Olhou para trás e viu que Byakuya estava falando no celular.
- Estou atrasado para uma reunião, mexa-se e faça algo de útil, ou garantirei que está na rua até o fim do dia. - Ele falava com um tom irritado, como se igualmente estivesse detestando a situação. Quem não odiaria?
Ela suspirou e virou-se novamente. Se tudo estava sob controle, então teria que esperar por apenas alguns minutos. O pior é que ela participa da mesma reunião. Raios, o que o destino estava planejando com isso? E ficar presos em um elevador? Parecia só uma história mal escrita.
- Como assim vai levar meia-hora? Eu tenho que sair desse elevador agora! - Kyoko apenas continuou a escutar a conversa em silêncio. - Qual é o problema, afinal des contas? Como assim não sabe!? Como que contrataram um inútil como você? Apenas se vire e resolva o problema.
- Me deixe falar com ele.
- Não me pergunte c- O que?
- Talvez eu consiga auxiliá-lo para resolver o problema. Enquanto vocês conversavam, perguntei para uma colega se ainda havia luz e sinal fora daqui, e pelo que parece, está tudo normal. - Falou sem pausas, mantendo o mesmo tom frio de sempre.
- Escute-a com atenção. - Com um pouco de resistência, ele coloca o aparelho nas mãos dela. Byakuya não era o tipo de pessoa que gostava de emprestar os seus pertences pessoais, era ... Anti-higiênico.
- Bom Dia. Primeiramente, gostaria de saber quando a última manutenção foi feita. Uhum ... Semana passada? Certo. Não daria tempo do mecanismo se danificar e o técnico não deve ter feito um trabalho mal feito, não contratariam alguém mediano para o serviço. - Aquilo estava para controle, Kyoko não corrigiu se corrigir, alterar andar em círculos. Era estranho para as outras pessoas, mas isso era quase que obrigatório quando começava a pensar muito. Por sorte o elevador era bem espaçoso.
- Se o sistema não falhou e tudo está normal do lado de fora, alguém deve ter sabotado apenas o sistema dos elevadores. - Entrando na conversa, ele disse sem pensar muito.
- O homem me disse que somos os únicos que conhecemos presos. Aparentemente, se alguém realmente sabotou o sistema, tinha negócios conosco.
- Poderia ser alguém da nossa divisão, provavelmente queriam interromper a reunião.
- Você reparou se alguém entrou na sua sala? Ou se tinha algum movimento suspeito pelas redondezas? - Voltou a falar com a pessoa do outro lado da linha. - Só vocês dois?
- O que ele disse?
- Parece que não saiu da sala desde que chegou no prédio. Isso inclui o assistente dele.
- Hunf, não acredito que um incompetente como ele tem assistente. Tenho certeza de que é uma pessoa muito mais miserável. - Cruzou os braços e observou a Kirigiri parada, apenas escutando os protestos do homem pelo telefone.
- Quem é o seu assistente?
- Como isso vai resolver a situação !? - A paciência de Togami estava prestes a acabar.
- Togami-kun, tenha paciência. - Chamou a sua atenção, apenas para receber uma virada de olhos dele. - Oh? Entendo. Por favor, apenas religue o sistema, não há problema algum pelo visto.
- Como assim !? Ninguém analisou nada ainda, não devíamos religar! - Protestou, mas ela parecia certa de sua decisão. - Kirigiri, me escute uma vez na vida! Não religue!
- ... - Ela sorriu, se deliciando com a expressão de raiva do colega. A confusão evidente de Byakuya também era cômica, parecia criança perdida no supermercado. O elevador voltou a se mover sem mais nenhum problema, inclusive, a música irritante de fundo havia retornado.
- O que !? Como que ... Então não estava quebrado!?
- Não, foi apenas um acidente. O assistente do homem desligou o sistema sem querer.
- Como que alguém desliga algo assim “sem querer”?
- Simples. Porque ele é o nosso ex-colega de turma, Naegi-kun.
- Mas? Naegi !? Tsc, o que ele está fazendo aqui?
- Trabalhando, é claro. Engraçado nós três nos encontrarmos assim, de uma vez.
- Que descuidado ... Ainda não sei como funciona a tal declarada sorte dele.
- De qualquer maneira, isso me parece um golpe de má sorte. Nos atrasamos para a reunião a troco de nada. - Voltou o olhar aos botões brilhantes. Estavam no meio do caminho ainda, isso que dava trabalhar em um dos últimos andares.
- Huh, eu não diria que foi por nada. - Ele disse isso de uma maneira mais ... Gentil? Kyoko não pode deixar de erguer uma das sobrancelhas.
- O que quis dizer com isso?
- Bem, a única razão pela qual estamos conversando agora é por causa do elevador.
- E por que isso seria bom ...? - Estreitou os olhos e não pode deixar de parecer surpresa. Agora não tinha como ignorá-lo, não poderia simplesmente dar as costas, queria descobrir o que ele falaria em seguida.
- Não se faça de tonta. - Cruzou os braços e falou de uma maneira ríspida, quase como se estivesse tentando esconder alguma coisa. Oras, mas ele que havia tocado no assunto, por que estava se desviando agora?
- Isso tem a ver com ... “aquilo”? - A verdade é que havia acontecido algo entre eles durante o ensino médio. Algo que Kyoko não sabia se gostaria de deletar da memória ou não. Era uma sensação vergonhosa, mas ao mesmo tempo ... Se não tivesse acontecido, eles iriam viver suas vidas sem se lembrar um do outro tão intensamente. - Você me odeia?
- Hunf, te odeio por não ter me dado uma resposta. - Byakuya também parecia incomodado de alguma maneira. Escavar memórias antigas não era muito agradável para ambos.
- Precisa aprender a ter paciência.
- Você sempre fala mesma a coisa. E por três anos? Creio que já é o limite do absurdo.
- Eu sei ... Mas saiba que eu não te odeio, apesar dos rumores. - Abaixou o olhar, apenas para levantar a voz. - Eu só estava confusa, não sabia o que você queria comigo ... E fingir te odiar ... Foi o jeito que encontrei para me esconder.
Ela sabia que estava cega e colocando problema onde não tinha. Ressaltar todos os defeitos dele era só uma maneira de evitar admitir o que sentia. É como se ... Sentisse vergonha de gostar dele. Não aquela vergonha bonitinha de adolescente apaixonada, mas uma vergonha pela pessoa que Byakuya era. Parecia que todos os seus amigos iriam falar do seu péssimo gosto e julgariam, machucando os dois nessa história e ... Tudo o que Kyoko menos queria era que falassem mal da pessoa que amava.
- Togami-kun. - O chamou, com um tom decidido. - Vamos conversar melhor sobre isso ... E dessa vez, eu que te faço o convite. Saia comigo, para qualquer lugar que desejar.
- Hunf, não vou prometer que irei te perdoar ou coisa do gênero, mas ... Vou aceitar isso como uma compensação pelo seu silêncio perante meu convite.
- Perfeito. Depois do trabalho, poder-
- Vamos agora. - A porta finalmente se abriu, aquele era o andar em que deviam parar. - Quer dar mais uma volta de elevador?
- ....! - Kirigiri abriu a boca para protestar, argumentar que estavam atrasados para uma reunião, mas ... Agora realmente não importava, apenas tinham que dizer que o elevador tinha apresentado problemas técnicos, o que provavelmente justificaria o atraso de ambos. - Vamos dar três voltas então, uma para cada ano.
