Chapter Text
Mary nasceu num dia ensolarado.
Pouco passava das nove da manhã, especificamente em 18 de julho quando sua mãe entrou em trabalho de parto. O bebê mais fofo da maternidade se tornou a adolescente mais travessa e amigável da escola, a mais faladeira e principalmente mais querida por todos.
Até mesmo quando fazia os professores perderem a linha, sempre conseguia arrancar um sorriso depois com toda sua simpatia e energia. Diferente de sua irmã, gostava de puxar conversas com todos e era extremamente engajada por direitos a todos.
Elize sempre sentiu que sua irmã tentava ser melhor que ela, mal sabia que Mary sequer pensara nisso uma única vez. E talvez por isso sempre a tratou com hostilidade, não suportava que alguém se sobressaísse, independente do que fosse.
E ela estudou como ninguém para tirar as melhores notas e tentar fazer com que seus pais a elogiassem, não demorou para que ela se tornasse exatamente o que eles queriam... e o que Mary nunca seria.
Na sua cabeça, Mary sempre fora boba. Uma garota boba, boba por falar demais, acreditar em amores e principalmente por não querer chegar ao topo, porque sempre foi fiel a crença que a felicidade está nas pequenas coisas.
A sentença soava absurda para Elize, suficiente para causar enjoos.
Maryanne Sallow sempre foi extremamente querida na região que nasceu, a menina das tranças desengonçadas e cabelos bonitos como raios de sol tinha uma relação tão amigável com os vizinhos que frequentemente era recebida por eles e até com suas tortas favoritas.
Nunca foi uma cozinheira de mão cheia, acreditava que esse era o motivo de Steven ter a rejeitado quando colocou biscoitos no armário dele juntamente com um bilhete contendo seu número. Se conheceram ainda no colégio, e o que Mary julgou ser um amor bonito nunca passou de uma desprezível mentira.
O tipo de pessoa que ria alto, poderia passar uma tarde inteira tagarelando sobre assuntos aleatórios e piadista nata, comportamento que os pais repreendiam veemente. Porque, para eles, ela nunca crescera de fato e a percepção distorcida, junto à excessiva comparação com a irmã tornaram Mary uma aberração.
E nunca perceberam que tinham uma joia rara em casa.
Os anos de faculdade foram sofridos e simplesmente odiava, frequentemente conseguia a ver matando aula no jardim do campus, especificamente perto dos dentes-de-leão onde os devaneios eram muito bem vindos e doces quase uma obrigação.
Nunca foi muito festeira, mas se lembrava perfeitamente do dia que ficou tão bêbada que vomitou nas plantas da vizinha e levou um sermão de cinco horas dos pais. Além disso, também conseguia se lembrar de quando levou Steven em casa e seus pais o aprovaram justamente porque ele almejava cursar economia.
Como se aquilo fosse mudar algo.
A primeira viagem que fez com os amigos da escola, como criou um boneco de neve tão feio que nem mesmo seu professor favorito foi capaz de elogiar, o joelho ralado que obteve no último jogo de basquete da escola e os chás da tarde na varanda com Harry.
Gostava como ele sempre tinha uma flor para cada ocasião, a paixão por seu trabalho e como os olhos ficavam pequenos quando estava sonolenta. Do cheiro natural, dos braços fortes que a rodeavam durante as noites e a ridícula, mas perfeita, ideia de ser um admirador secreto.
O melhor chá de hibisco da região, com os abraços mais calorosos e o sorriso mais lindo que um dia já viu. Pai de seu filho gato, o homem que se abriu para ela e que a amava incondicionalmente, que todos os dias lhe inspirava a ser uma pessoa melhor.
Como ele sempre tratava a todos com gentileza, apreciava um bom vinho e a incentivava continuar com as cantorias desastradas. Que compunha escondido, chorava com filmes infantis e amava sua família mais que tudo, respeitoso e gentil.
No fim, Mary sempre foi uma pessoa que exalava felicidade.
E talvez por isso fora tão cruel que os deixasse num dia nublado.
Os olhos verdes que sempre foram tão vivos e brilhantes, agora, eram tristes. Uma expressão indecifrável, sentado num lugar onde achou nunca estar.
Quebrado, totalmente quebrado.
A foto bonita de Mary estava na parede, sorria brandamente e daria tudo para o ver mais uma vez. Já não tinha mais lágrimas para chorar, mal sabia o que pensar, o que sentir: um sentimento péssimo, se sentia num buraco tão profundo que temia já não enxergar a luz.
Gemma se mantinha intacta ao lado do irmão, assim como fez desde que recebera a ligação do hospital. O assistiu acordar e gritar nos meios dos corredores, desesperado atrás na namorada e sequer se importando com as coisas ao seu redor.
Assim como o assistiu dormir na sala de cirurgia, como o segurou quando os médicos infelizmente trouxeram as notícias devastadoras que a menina não resistira o alto impacto, sendo sedado logo depois por entrar num choque imenso.
Gemma chorou baixinho no banheiro do quarto, vestindo uma máscara após isso e estando lá para o irmão simplesmente devastado. Secou suas lágrimas, deu espaço para que ele gritasse e extravasasse tudo aquilo... sabendo que, no fundo, ele só a queria de volta.
A notícia se espalhou rápido, o caixão fora escolhido por ele e quando os Sallow chegaram na cidade, o funeral já estava praticamente pronto. Imensamente doloroso entrar na Sunflower sem o seu amor, e cinco vezes pior fazer aquele maldito buquê.
Buquê que nunca imaginou fazer, motivo das mãos trêmulas e as lágrimas grossas atrapalhando o processo. Mas ele o fez, o buquê de girassóis bonitos com uma fita branca, a favorita de Mary. Arrependia-se profundamente de não ter lhe dado em vida.
E rezava para que ela o perdoasse por isso.
O caixão branco à sua frente tentava ser ignorado, o choro baixo de alguns conhecidos também e, naquela altura do campeonato, temia se ainda respondia por si. Muitos passavam por ele e diziam palavras de conforto, os sorrisos que mais pareciam caretas já cansados de serem fingidos eram a resposta mais coerente.
Exceto por Candance, que passou horas abraçado com ele num silêncio doloroso, quebrado pelos soluços baixos e lágrimas que molhavam o terno preto. Quando as pernas começaram a formigar, a ruiva caminhou silenciosamente para perto do caixão com uma expressão indecifrável.
Como se pudesse ver o coração dela, sentiam o mesmo vazio maldito e nada, nada melhoraria.
Nada, nada a traria de volta.
Ele encarava o objeto em suas mãos com uma pitada de dor, ainda incrédulo de tudo que acontecia e tinha esperanças que não passava de um maldito pesadelo, não ligando muito quando a irmã se levantou num impulso.
— Eu acho melhor você ir embora... — murmurou baixo, tentando não chamar atenção de Harry.
— E quem é você? — o homem esbravejou alto.
A última coisa que precisava era ouvir aquela voz.
O buquê foi deixado no chão. Os olhos focaram na figura de Steven juntamente com Alfie em roupas pretas. Os punhos se cerraram com tanta força que temeu perder o controle e partir para cima do loiro.
Mas sabia que Mary não iria gostar.
— Vá embora. — Harry pediu, a voz gélida. — Ela não te quer aqui.
— Mas...
— Vá embora! — vociferou.
E teve certeza de que se fosse em outro momento, teria batido naquele maxilar.
— Seu filho da puta, é melhor você sumir daqui! — Candance gritou, empurrando o homem pelos ombros. — Como você tem coragem de aparecer aqui? E ainda com ela?! Você não tem vergonha nenhuma na cara mesmo!
— Candance... — Gemma tentou a impedir, segurando-a pelos ombros.
— Não, ele não quis vir? Vai ter de ouvir, seu filho da puta! Eu te odeio, como eu te odeio! Some daqui, Steven! Não apareça mais, você não tem esse direito!
— Eu...
— Vá embora antes que eu acabe com você!
O casal girou os calcanhares e deixou a sala fúnebre rápido, ignorando o olhar das pessoas ali. Alfie não disse nada em momento algum, mas Steven se sentia tão envergonhado... envergonhado por achar que as pessoas perdoariam facilmente o que fizera.
Candance suspirou alto, o choro entalado na garganta foi liberto e a mais velha abraçou a morena, escondendo o rosto na curvatura do pescoço de Gemma e deixando-se sentir, murmurando coisas inaudíveis.
E foi impossível não chorar junto.
Fred e Cecília o fitavam com olhares decepcionados, mas não se atreveram a ir até Harry e armar uma briga. Elize continuava na mesma posição desde o começo do funeral.
Culpa, culpa preenchia seu corpo. E não conseguia tirar os olhos do caixão branco, onde sua irmã dormia.
Irmã que dividiu o ventre, o quarto, parte da sua vida e a desprezou tanto... céus, se pudesse voltar no tempo..., mas nada podia ser feito além de se arrepender amargamente.
O mesmo sentimento de culpa era compartilhado com seus pais, que assistiam a pequena sala ficar cada vez mais cheia com rostos que sequer viram em suas vidas, quanto será que perderam?
A mais nova estava morta.
O peso daquelas palavras ainda era maior que a culpa que sentiam. Sentimento que se fez presente desde o momento que receberam a ligação de Harry, o jovem deu a notícia com tanta dor e pesar que Gemma teve de tomar o telefone para explicar.
Mas desde que chegaram, não trocaram sequer uma palavra com ele. Não que Harry esperasse algo vindo dos Sallow, mas a vergonha que sentiam era tão grande que apenas o encarar era uma tortura.
Quando amanheceu, funcionários do cemitério informaram que seguiriam para o enterro da jovem, o que intensificou o choro de alguns presentes ali. Mary era tão querida... será que sabia disso?
A foto na parede fora pegar por Elize, que a segurou fortemente enquanto assistia o caixão ser pego pelos funcionários com o maior cuidado possível, uma fila foi formada atrás deles, saindo da sala fúnebre para a parte externa.
Harry seguiu na frente acompanhado de sua irmã e mãe, o buquê nas mãos era segurado com força enquanto atravessava os túmulos. Tentou não olhar para os lados, a mente totalmente em branco e o estado de choque ainda perceptível. Anne orava silenciosamente pela alma da falecida genra. Os céus pareciam chorar com a perda, o clima mórbido e gélido combinava exatamente com o que sentia, tornando tudo mais melancólico.
De fato, o céu também parecia triste.
A caminhada fora grande e, no topo de uma pequena colina, o túmulo já estava pronto para receber o corpo. O caixão fora depositado com cuidado, um padre fazia uma oração pedindo misericórdia pela alma de Mary enquanto Gemma acariciava carinhosamente os ombros de Harry, chorando baixo. Candance se mantinha intacta com o marido, mas segurava a mão livre de Harry e tentava lhe transmitir algum conforto.
No fundo, palavras não eram necessárias, mas conseguia sentir o coração deles ali, afinal, compartilhavam da mesma dor.
E só naquele momento, as lágrimas apareceram. Harry fungou baixo e os olhos sem vida guardavam aquele momento na memória, mesmo que sequer conseguisse ouvir as palavras do padre.
Porque quando fechava os olhos, se lembrava da figura desacordada de Mary ao seu lado e como os paramédicos conversavam entre si sobre o estado grave da menina, como segurou a mão encharcada de sangue e gritou tão alto que as cordas vocais doeram quando descobriu que ela não abriu os olhos mais uma vez.
Não teve tempo de dizer adeus propriamente. Não teve tempo de dizer o quanto a amava e o quanto ela era querida, como fazia seus dias mais felizes e era luz, completa luz. Percebeu que a vida era de fato passageira, como um sopro.
Mas era tão injusto. Ela não deveria ir, não agora. Não primeiro que ele, sem viver uma vida bonita e, quem sabe, criarem uma família. Não deveria ter o deixado sozinho para criar Felpudo, o privar dos sorrisos gostosos durante às manhãs e os beijos doces, de não aparecer mais pontualmente às 15h nos fundos da loja e das tranças feias.
Quando um coro foi formado com 'amém', Harry tirou um dos girassóis e jogou por cima do caixão branco antes de começar a ser coberto, Candance perdeu as forças nas pernas e se agachou, as mãos cobertas por luvas foram até a boca e reprimiu um grito doloroso.
Céus, aquilo era realmente real?
Não, não poderia ser. É claro que não, era apenas um sonho ruim, Mary ainda estava ali. Nisso que se agarrou para tentar ter algum conforto.
A terra úmida começou a ser jogada por cima do caixão silenciosamente, o girassol já não conseguia mais ser visto em determinado momento, mas o homem se manteve intacto, estático... triste. Nunca fora bom em dizer adeus, como seria capaz de deixá-la ir dessa forma?
Naquele jazigo estava uma parte de si.
Quando a terra já chegava em seus pés, algumas pessoas começaram a deixar o local aos prantos, incluindo a família de advogados, mesmo que no fundo Fred e Cecília não demonstrassem. Elize fora um pouco mais atrás, apertando a foto de Mary contra seu corpo esguio.
Mas olhou para trás. Olhou para o jazigo, para a foto e uma pequena lágrima escapou quando as palavras que queria ter dito em vida escaparam:
— Me desculpe, Mary.
Sabia que isso não mudaria absolutamente nada.
Candance negou com a cabeça diversas vezes enquanto lia a caligrafia extensa contendo o nome completo de sua fiel amiga, Gemma acariciou suas costas e um gemido baixo escapou.
— Ela não pode ter feito isso comigo! — o murmúrio escapou, a voz embargada pelo choro. — Gemma...
— Mary está em um lugar melhor, Candance.
Não havia mais nada a ser dito, pelo menos nada que Gemma conseguisse verbalizar. Espiou o irmão com uma expressão sem vida, os cabelos esvoaçavam por conta do vento e temia que sequer estivesse respirando
Assim como o significado do nome, Harry se lembraria dela como uma pessoa cheia de fé, paciência, amor e felicidade. Como seu amor, a mulher no qual almejava passar a vida toda.
E o amor que sentia por ela completamente intacto.
— Ao menos me visite nos sonhos, Mary. — pediu baixo. — Vou sentir sua falta.
****
Como há tempos não acontecia, era um dia ensolarado. Ensolarado como no dia que fizeram um piquenique ou que o casamento dos Myn aconteceu, exatamente como Mary gostava de tomar sorvete ou comer bolo de laranja.
E, por ser um dia ensolarado, percebeu que deveria fazer aquilo.
Mesmo que uma parte de si não estivesse ali, mesmo que olhar para o teto do apartamento se tornasse rotina e mal conseguia passar na frente da Sunflower sem perder o fôlego. Devastado, sozinho. Mas tinha de fazer, tinha de fazer aquilo por ela.
O buquê de girassol em suas mãos fora feito com tanto cuidado, cuidado que achou não ser possível ter, os dedos trêmulos tocaram a terra e logo se sentou de frente para o túmulo, observando a foto bonita e sorridente de Mary no pedaço grande de mármore.
— Oi, amor. Estou com saudades, hm? Faz um tempo que você nos deixou... — começou, tentando se manter firme. — Candance está bem, descobriu que está grávida e adivinha só, o nome dela vai ser Mary! Aposto que você seria uma madrinha bem babona. Gemma está bem também, Felpudo sente tanto sua falta... — fungou. — Eu não sei se estou bem, mas juro que estou tentando ficar.
Involuntariamente queria uma resposta.
— Hoje está bem quente, você está bem por aí? Eu espero que sim! Estou morrendo de saudades, mas acho que já disse isso. Desculpe-me por não as entregar em vida... — colocou as flores com cuidado em cima do jazigo, dentre tantos arranjos de rosas, peônias, crisântemos e gérberas, os girassóis radiantes se destacavam. — Prometi que viria num dia ensolarado porque queria te mostrar algo, e porque são seus dias favoritos. Aliás, eles combinam com você, acho que foram feitos para você.
Embalado a memórias, a fala fora suficiente para que um bolo formasse em sua garganta e as lágrimas caíssem fortemente, fungou baixo e olhou para cima tentando retomar a respiração descompassada. Céus, como aquilo era difícil... a saudade, uma dor tremendamente tão injusta.
Daria tudo para tê-la novamente, tudo.
Tossiu um pouco, respirando fundo antes de continuar a pequena música que compôs e, involuntariamente, lembrando-se de cada momento que colocou naquela letra, com tanto carinho... será que ela iria gostar?
Esperava que sim. Talvez um dos gestos mais íntimos que algum dia fez.
Sunflower, my eyes want you more than a melody
(Girassol, meus olhos te querem mais que uma melodia)
Os olhos que sempre exalavam felicidade
Let me inside, wish I could get to know you
Me deixe entrar, gostaria de poder conhecer você
Lhe conhecer profundamente e, quem sabe, protegê-la
Sunflowers sometimes keep it sweet in your memory
Os girassóis às vezes mantêm doce sua memória
Memórias que o embalavam nas noites tristes, até mesmo conseguia ouvir a risada dela algumas vezes
I was just tongue-tied
Eu estava sem palavras
Quando ela partiu.
I don't wanna make you feel bad
But I've been trying hard not to talk to you
Eu não quero fazer você se sentir mal
Mas eu tenho me esforçado para não falar com você
Nos momentos em que era difícil respirar, lembrar o nome trazia lágrimas em seus olhos e sabia que ela queria apenas o ver bem, mas era tão difícil...
My sunflower
Meu girassol
Mary, seu lindo girassol.
I couldn't want you any more
Kiss in the kitchen, like it's a dance floor
Eu não poderia te querer mais
Beijar na cozinha, como se fosse uma pista de dança
Uma de suas memórias favoritas, como ela desengonçadamente mexia o corpo e até arriscavam uma valsa improvisada, mesmo que não houvesse música.
I've got your face hung up high in the gallery
Out of this shade, sunflower, sunflower
Eu tenho seu rosto pendurado no alto da galeria
Eu amo esse tom, girassol, girassol
A foto ainda intacta, sexta foto tirada e uma das que mais gostava, digna de um prêmio. O sorriso brilhante, os olhos levemente semicerrados... linda, seu único e mais belo girassol.
Sunflowers just die, keep it sweet in your memory
I'm still tongue-tied.
Os girassóis simplesmente morrem, mantenha doce sua memória
Eu ainda estou sem palavras.
O ciclo precocemente fechado, seu amor que foi embora de uma forma brusca. Agora se agarrava nas memórias, palavras muitas vezes não necessárias.
Sunflower, sunflower
Girassol, girassol
Mary, Maryanne Sallow
E naquela pequena colina, dentre os túmulos, murmúrios inaudíveis e choros descontrolados, Harry se manteve durante a tarde, mesmo que tentasse parar, tentasse pelo menos amenizar um pouco tudo que sentia, não conseguia.
Sentia tanta falta que doía.
Assim como o nariz avermelhado e olhos já cansados de tanto chorar, a boca ressecada e rosto pálido, pálido como antes nunca ficou. As pupilas atentas mantinham-se fixas na foto dela, brilhante como um raio solar. E, se existisse alguém ali em cima, que cuidasse dela.
Porque ela era luz.
Era o seu girassol.
