Chapter Text
Para o desgosto eterno de Rohan, ele na verdade meio que gosta de Jotaro Kujo. Não quer ser amigo do cara ou algo assim, mas ele aprecia em geral a atitude direta e ‘sem brincadeira’ que ele tem. É uma pena ele e Josuke serem parentes: claramente Kujo herdou todo bom senso da linhagem Joestar. Então quando Rohan percebe que muitas coisas de sua casa estão sumindo do nada, ele hesita por um ou dois segundos antes de ligar para Kujo no Hotel Grande Morioh.
Kujo atende depois de dois toques com um tom rude, “Alô.”
“Jotaro,” diz Rohan, tentando soar simpático (como se faz para parecer amigável? Rohan não sabe e não se importa). “Por acaso, você está livre agora?” (Calma, talvez isso seja amigável demais. Ele não pode achar que Rohan quer realmente sair com ele.)
“Eu estou trabalhando em minha tese. Aconteceu algo?”
“Sim. Eu estou sendo roubado.” Diz Rohan. Se sente dramático dizendo isso. Ele está sendo roubado.
Kujo dá uma pausa. “Sem querer ser… rude, ou sei lá, mas isso não é algo em que eu possa te ajudar. Te aconselho a chamar a polícia.”
“Não, veja, eu acho que foi um Stand. Eu tenho um sistema de segurança de última geração desde a reforma da vez que Josuke queimou a porra da minha casa. Se fosse um ladrão comum, o alarme teria soado. E também, tem coisas que sumiram que não são valiosas.”
“Hm,” Kujo gruniu. “Como o que?”
“Como uma foto emoldurada de Reimi,” Diz Rohan. Ele está se expondo um pouco aqui -- Rohan tem uma amiga e sente falta dela! -- que seja. Isso o leva onde quer chegar. Além disso, ele suspeita que Kujo nem liga para detalhes desse tipo.
“Hmmmm,” disse Kujo. “Talvez eles roubaram pela moldura.”
Era uma bela moldura. Rohan não culparia o ladrão por pensar que poderia a revender. Mas -- “Eles também levaram umas porcarias de braceletes da amizade de plástico que ela me fez. De forma alguma você consegue revender essas coisas.” Ele quase diz: ‘Nem uma criança de cinco anos as pegaria, mas bem, ele de cinco anos pegou, que cresceu com um gosto impecável em tudo que fizesse.
“Hm. Isso é estranho,” Kujo admite. “Darei uma passada à tarde para verificar. Se meu avô estiver bem, vou levá-lo comigo.”
“Ótimo. Até lá.” diz Rohan, e desliga. Com esse assunto já resolvido, ele está livre para trabalhar até Kujo aparecer. Preparar-se para desenhar é sempre bom: o papel branco grosso, o bico que cabe perfeitamente na caneta, o lápis azul claro que não aparece no scanner. Transformando rascunhos em páginas inteiras. Acertando a grossura do traço. O arranhar silencioso da caneta no papel, quase imperceptível por baixo da voz enfumaçada de Joan Jett do seu toca-fitas.
Ele olha para cima. Seu toca-fitas.
Seu toca-fitas, que deveria estar bem ali. Ele estreita os olhos para o espaço em sua mesa, onde seu toca-fitas geralmente fica. Maldição.
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Kujo aparece ao meio-dia com o Sr. Joestar a tiracolo, como prometido. Rohan mostra-lhes o sistema de segurança e, em seguida, aponta onde ele manteve todas as coisas que desapareceram: dentro de armários, em sua cômoda, em gavetas, em sua mesa. Algumas coisas estavam à vista; algumas coisas estavam escondidas. Algumas coisas tinham valor monetário; algumas coisas não tinham valor para quem não fosse Rohan. Não parecia haver qualquer tipo de lógica ou razão.
"Hm", diz Kujo. "Você explicou muito mal pelo telefone, mas você está certo - isso é bastante suspeito. Você ainda deve relatar os itens que faltam para a polícia. Ligue agora mesmo, pergunte se eles tiveram alguma chamada similar recentemente. "
Rohan faz isso. Os três sentam-se ao redor do telefone para ouvi-lo no viva-voz.
"Céus", diz o despachante quando Rohan descreve o que está faltando. "Sabe, talvez você seja a quarta ou quinta pessoa esta semana à falar sobre uma estranha diversidade de roubos. Nós já temos uma equipe neste caso, eu vou encaminhar seus detalhes para eles e veremos o que nós podemos fazer."
‘Caramba’, Rohan gesticula com a boca para os outros com um revirar de olhos. "Tudo bem, obrigado", ele diz para o despachante. "Por favor, mantenha-me informado." Ele desliga.
"Meu jovem, sua etiqueta no telefone é terrível", o Sr. Joestar adverte, como se Rohan pudesse se importar com sua opinião sobre a etiqueta do telefone. "Ainda assim, é interessante que você não seja o único. Devemos dizer às crianças o que está acontecendo, ver se elas têm alguma idéia." Pelas crianças, claro, ele quer dizer Koichi e seus amigos. (Oh, Deus, ele terá que lidar com Josuke novamente. Cristo.)
Kujo diz que vai falar com Josuke, e Rohan assume, como um idiota, que eles vão fazer uma investigação mágica esquisita e eles vão pegar a merda de suas coisas de volta e tudo vai demorar apenas uma semana ou duas para se resolver.
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Três semanas mais tarde, eles ainda estão longe de conseguir a merda das coisas de Rohan de volta, e na verdade mais bosta desapareceu, e parece que o cara também tem algo de Okuyasu, e Rohan está pronto para cometer um crime.
"Tudo bem", diz ele, dessa vez eles estão todos juntos. "Escute. Eu estava bem em lidar com isso por duas semanas, mas agora já faz três semanas e ainda não chegamos a lugar nenhum. Eu sinto que acordo todos os dias e algo se foi da minha casa. Vocês não fazem parte de alguma união extravagante de ‘Stands’ ou algo assim? Eu acho que me lembro disso. Vocês não podem simplesmente chamar alguém?" Alguém que não seja completamente incompetente, ele quer dizer.
Joseph (eles estão usando o primeiro nome agora, yay) faz uma cara pensativa. "Bem. É uma opção. Jojo, você quer chamar alguém da Fundação Speedwagon? Poderíamos ver se Polnareff está livre", ele sugere.
Jotaro parece interessado, ou pelo menos menos tempestuoso. "Nós provavelmente poderíamos ter uma nova perspectiva", ele concorda.
"O que é um Polnareff?" Josuke pergunta, porque é claro que ele está aqui também. "Eu sinto que toda vez que você menciona um de seus amigos, os nomes ficam mais estranhos".
"Eu vou contar para ele que você disse isso, e o pior é que ele se empolgará por ele ter sido mencionado", diz Jotaro. "Polnareff é um francês esquisito que conhecemos, você gostará dele."
"Então está resolvido", diz Joseph, apesar de não terem resolvido nada. "Jojo e eu vamos voltar para o hotel e ligar para a Fundação, e veremos se não conseguimos alguém para vir nos ajudar."
"Ótimo", diz Rohan, antes que alguém diga que eles não conversaram sobre isso. "Boa conversa. Ok, todos saiam da minha casa, hora de voltar ao trabalho. Xô, Xô."
Todos eles saem resmungando. Koichi, Okuyasu e Josuke parecem entusiasmados com a possibilidade de finalmente encontrar um usuário de Stand que já é seu aliado. Como se alguém que valesse a pena pudesse ficar como seu inimigo por muito tempo, pensa Rohan, e então ele lamenta profundamente o fato de Heaven's Door não poder fazê-lo esquecer de pensar qualquer coisa, porque esse é o pior pensamento que ele já teve.
Pelo menos em breve haverá um especialista em cena. Então toda essa tolice será resolvida e ele poderá voltar a trabalhar em paz.
