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Cartas para sempre

Summary:

"Estava frio lá fora e ainda havia neve na rua e nas árvores.[...] Estava de cabeça baixa, parecia triste."

"Veio em direção ao balcão e fez seu pedido; sentou-se em uma mesa"

"[...] Conversávamos quase todos os dias pelo celular"

Notes:

Então gente, é minha primeira fic/shortfic e gostaria de saber o que acham, pois estou com projetinhos de escrita com histórias médias e logas, com personagens e mundos originais e não-originais e de temas variados e queria saber o que posso mudar para ir melhorando ^^
O.b.s.: eu ainda tô aprendendo a usar o ao3 e tô apanhando kkkkk

Work Text:

  Apesar de ser final de inverno estava frio do lado de fora e ainda havia neve na rua e nas árvores. O sino da porta soou, anunciando a chegada de alguém. Era ele, o garoto de cabelos castanhos e pele branca que sempre vinha ao café. Porém, diferente das outras muitas vezes, ele não deu bom dia ou exibiu aquele sorriso (que lembrava facilmente um coelho) para quem quisesse ver. Estava de cabeça baixa, parecia triste.

  Veio cabisbaixo em direção ao balcão e fez seu pedido em voz baixa, baixa ao ponto do meu colega atendente ter de pedir para repeti-lo. Deu as costas a ele sem dizer o seu alegre "obrigado" e sentou-se em uma mesa distante. Quando fui levar seu pedido ele chorava mudo. Tive a ousadia (afinal, não eramos mais do que conhecidos) de lhe perguntar o que houve para que estivesse nesse estado. Ele ficou alguns segundos em silêncio, pensei que diria que "não foi nada" ou "que não era da minha conta", no entanto me disse que o namorado acabara de terminar com ele.

  Deve estar falando daquele cara loiro, o do sorriso quadrado, pensei.

  Não sei o que deu em mim, mas ao ver o colegial sempre sorridente naquele estado peguei a caneta que usava para anotar os pedidos e um guardanapo que estava sobre a mesa e escrevi o número do meu celular, disse-lhe que poderia me ligar, caso precisasse de um ombro amigo. O garoto de pele tão branca quanto à neve lá de fora apenas maneou a cabeça em um sinal positivo.

  Naquele dia ele não me ligou, nem no dia seguinte ou no outro. Até que, ainda na mesma semana, recebi uma mensagem. Número privado. Atendi e ouvi logo uma voz tímida, contida. Perguntava se me incomodava, disse que era o estudante da cafeteria. Respondi-lhe que não e logo após isso começamos a conversar. Ele não disse nada sobre o ex-namorado, também não me atrevi a perguntar.

  No dia seguinte escrevi, em um pedaço de guardanapo, uma breve poesia de bom dia para o garoto -que eu descobri se chamar Jungkook. E depois dele repetir o mesmo processo de sempre (ir ao balcão fazer seu pedido e esperar o mesmo ficar pronto) eu entreguei-lhe o pedido junto com o poema e recebi um olhar confuso, mas apenas sai dali. Enquanto levava um pedido a outra mesa pude ver um grande sorriso do garoto, e isso realmente me alegrou.

  Nós conversávamos quase todos os dias pelo celular; na cafeteria eu sempre lhe dava uma poesia dentro de uma carta e, quando o trabalho permitia, eu fazia companhia para Jungkook. Meses depois começamos a namora; agora eram poesias apaixonadas. Mais alguns meses se passaram e nós noivamos; e os poemas haviam evoluído para cartas românticas. E o relógio, sem pressa alguma, pareceu andar a passos lentos até o dia em que nós finalmente nos casamos.

  Nem tudo foi um mar de rosas no nosso relacionamento, mas eu tentava lhe tratar como uma. As cartas? Estavam sempre ali, dia após dia, para sempre. "Jungkook, meu amor, eu resolvi lhe escrever essa carta hoje para mostrar que eu não me esqueci de como nos conhecemos e de como finalmente ficamos juntos. Está frio; um café seria bem-vindo, não? Com todo o amor do mundo,

Seu Jimin."