Chapter Text
Betcha on land
They understand
Bet they don't reprimand their daughters
Bright young women
Sick of swimmin'
Ready to stand .
Nove anos aparentemente era outra das idades complicadas , não que Raquel tivesse ouvido falar disso na vida, mas quando se tratava de Paula aquela parecia a realidade. Sérgio, por outro lado, ficava exasperado com como nenhum dos diversos livros que lera sobre crianças lhe alertara que a temida pré-adolescência poderia começar tão cedo.
Nas últimas duas semanas, muito para o desespero da mãe e do padrasto, ela decidira que queria conhecer a Disney. E por decidir, Paula entendia: insistir sem parar sobre um mesmo assunto, sem jamais deixar-se convencer do contrário. Aparentemente, algumas colegas de escola já conheciam alguma versão dos famosos parques e dividiam fotos e memórias com a garota, que se chateava com ser, nas palavras da pequena, “a única que não foi!”.
- Mas o meu aniversário de dez anos está chegando! - Paula cruzou os braços. - Eu só quero ir a um parque, qual o problema? - o clima naquele jantar estava escalando rapidamente.
- O problema, cariño , é que é muito dinheiro… - Raquel tentou.
- Mentira. - Paula acusou, olhando na direção de Sérgio. - O Sérgio tem dinheiro! - Raquel arregalou os olhos e balbuciou qualquer coisa envergonhada, enquanto a filha a olhava vitoriosa. - Ele sempre me fala “dinheiro não é o problema, Paulinha”, então não tenta me enganar!
Sérgio, que apenas as observava calado, sentiu o rosto queimar. O olhar fulminante de uma Raquel que sempre lhe alertava sobre mimar demais a menina, apenas piorou tudo. Respirando fundo, enquanto a discussão das duas escalava, Sérgio fechou os olhos e começou a pensar, agradecendo aos céus que Marivi e sua enfermeira haviam se recolhido mais cedo.
- Mas é que eu não entendo! Eu faço minha lição, eu não desobedeço, eu só te peço uma coisinha e você diz não!
- Paula, eu já disse que é impossível!
- Por quê?
Antes que Raquel pudesse responder, Sérgio se levantou abruptamente, assustando as duas, que o olharam preocupado. Isso porque ele não tinha o costume de fazer movimentos bruscos, pelo contrário, era sempre extremamente gentil. Paula nunca o havia visto perder a paciência, exceto da vez que decidiu montar um móvel sozinho e foi um desastre frustrante. A lembrança a fazia querer rir.
- Tio Sérgio…? - Paula chamou, mas ele continuava encarando a mesa, onde apoiara as duas mãos.
- Cariño…? - Raquel tentou, e respirou fundo ao se lembrar das poucas vezes que o vira com aquela expressão tão focada, quase como se não estivesse ali com elas mais. A última vez envolvia o Banco Central da Espanha, e Sérgio não era exatamente o mesmo homem que ele era em Palawan.
- Paula… - ele começou, sério e calmo, e arrumou os óculos. Definitivamente, aquele era o Professor. Raquel se levantou em reflexo, não sabendo bem o que esperar. - Eu acho que eu e sua mãe precisamos conversar.
- Eu fiz algo de errado…? - Paula mordeu o lábio, parecendo arrependida. - Vocês vão brigar? - a pergunta não foi para Raquel. - Tio Sérgio, não tem problema, eu não vou insistir mais, eu prometo. - ela se levantou, com os olhos marejados.
Por um momento, Raquel viu Sérgio aparecer novamente, deixando o professor de lado para falar com a menina. - Não, Paulinha, eu e sua mãe não vamos brigar… A não ser que ela queira brigar comigo, mas nesse caso peço que fale com ela. - Sérgio piscou, e Paula riu um pouco, apesar de não estar completamente convencida. - E nada disso é sua culpa… Só precisamos conversar umas coisas de adulto.
Paula sorriu e concordou com a cabeça, murmurando um pequeno ‘ok’, voltando a atenção novamente para o seu prato, claramente chateada de ser excluída da conversa dos adultos. Os gritos internos de ‘eu já sou grande’ eram quase audíveis, enquanto Sérgio e Raquel se dirigiam ao escritório. E Paula ser ‘grande o suficiente’ era exatamente o ponto da conversa.
- Nem pensar! - se a persona do professor fora ressuscitada, uma mistura quase assustadora de Lisboa com a Inspetora Murillo não ficara para trás. - De jeito nenhum que eu vou deixar você envolver minha filha de nove anos nisso tudo. - ela vociferava, quase socando a mesa do escritório, a fúria materna quase fazendo o professor se arrepender de ter levantado o assunto. Quase.
- Ela já está envolvida até o pescoço! Só não sabe disso ainda. Caso você tenha se esquecido, Raquel, ela está sendo criada por dois criminosos procurados pela Interpol, e não saber disso não muda nada. Ela está crescendo, ela se lembra do assalto da Casa da Moeda, viu nós dois sumirmos durante o assalto do Banco da Espanha, ela vive escondida, cheia de regras. É uma questão de tempo até juntar a droga dos pedaços. É uma milagre que não tenha ainda, considerando que ela mudou de sobrenome ao vir morar aqui. E como você acha que ela vai reagir ao descobrir?
- Sérgio, não é como se ela fosse nos entregar para a Interpol ou algo do tipo! - Raquel jogou os braços ao lado do corpo, cansada e desacreditada. - Somos os pais dela!
- Não. - ele a corrigiu. - Você é a mãe dela, e eu sou o ladrão que te arrastou para uma vida criminosa. Ou pelo menos é como ela vai entender se souber por terceiros ou descobrir sozinha, e vai nos ressentir e se chatear imensamente. E quando isso acontecer, ela precisará achar um culpado. - ele apontou para si mesmo.
- Você não me arrastou para coisa nenhuma! - Raquel passou as mãos pelo cabelo. - Eu faço minhas escolhas.
- Eu sei disso, - ele se sentou na cadeira atrás da escrivaninha, soando quase orgulhoso. - mas boa sorte explicando isso para uma criança cheia de sonhos românticos.
Raquel suspirou e deixou-se cair na outra cadeira, negando com a cabeça. Ela simplesmente odiava admitir que, naquele caso, Sérgio estava certo. Quanto mais Paula crescia, mais difícil ficava, principalmente porque ela não tinha todas as informações para entender.
- Quando você se tornou tão esclarecido na arte de criar uma criança, professor?
- Eu aprendi com uma especialista, Inspectora. - ele segurou a mão de Raquel, que suspirou derrotada.
Paula estivera quieta pelos últimos cinquenta e sete segundos, fitando o chão com a boca semiaberta, como se seu cérebro estivesse usando toda a energia de seu corpo processando todas as informações que havia recebido. Para quem passara os últimos quase três anos em Palawan sabendo apenas o mínimo necessário, ela de repente se via incluída em cada detalhe que sua mente de nove anos conseguia entender, e a menina se sentiria sobrecarregada, caso não estivesse tão feliz de finalmente lhe contarem algo - mesmo que igualmente irritada.
- Então… - a menina, que estava sentada na mesa de Sérgio, olhou na direção dos dois adultos, que a observavam sentados em cadeiras à sua frente. - Foi por isso que a gente veio viver aqui. - Raquel assentiu. - E porque eu não posso ter um telefone, um iPad, ou ir pra Disney, ou falar com meu pai.
- Você já não podia falar com o seu pai antes, Paula. - Raquel suspirou. - Um juiz já tinha mandado ele ficar bem longe de mim, e por tabela de você.
- E ninguém nunca me disse porque! Só que ele era uma pessoa ruim, mas o Sérgio roubou dois bancos e a gente mora com ele! E você me ensinou que roubar coisas que não são suas é errado, mãe! Eu não entendo mais nada!
Raquel imaginava que teria que ter aquela conversa em algum momento com a filha, mas não que seria tão cedo assim. Lançando um olhar furioso a Sérgio, ela segurou as mãos de Paula, tentando explicar coisas que ela era pequena demais para entender.
- Existem dois tipos que coisas erradas, meu amor. - Raquel respirou. - Coisas que são proibidas pela lei, e coisas que são maldosas por natureza. Eu te ensinei a não fazer nenhuma das duas, porque as leis existem por uma razão. - ela lambeu os lábios, sem saber como continuar, e olhou em desespero para Sérgio.
- E porque sua mãe te ama muito, - ele continuou, recebendo um olhar reprovador da menina. - e não quer te ver em problemas. Nenhum de nós quer. Às vezes, adultos querem que crianças façam o que eles mandam e não o que fazem, e sei que não é justo. Por isso estamos explicando. Sim, eu roubei a Casa da Moeda, mas eu nunca peguei nada que não fosse meu, Paula. Eu imprimi meu próprio dinheiro lá dentro. Dinheiro que não pertencia a ninguém. E isso é contra a lei, apesar de não ser naturalmente maldoso, porque se não fosse contra a lei…
- Todo mundo ia fazer isso e ninguém mais ia trabalhar?
- Exato.
- E por que você fez?
- Porque o mundo dos adultos é muito complicado. - Foi Raquel que respondeu, chamando a atenção da menina. - E as pessoas que fazem as leis e proíbem as pessoas normais de imprimirem dinheiro, deixam as pessoas muito ricas fazerem isso. - não era exatamente aquilo, mas ela não achava que conseguiria explicar aportes do governo à bancos para uma menina de nove anos.
- E a maioria das pessoas normais não sabem que essa injustiça acontece. - Sérgio completou. - Eu cometi um crime enorme, Paula, para mostrar ao mundo uma injustiça. Na época, a maioria das pessoas na Espanha estava do meu lado, não do da polícia, inclusive, porque viam a injustiça. Não significa que o que eu fiz é certo, porque eu ainda quebrei várias leis, mas também não me faz maldoso.
- Tipo quando a professora deixa algumas crianças que ela gosta mais comerem doces na sala e outras não?
- Suponho que sim. - Sérgio sorriu.
- Mas se eu comer o mesmo doce, ainda vão brigar comigo… - ela ficou emburrada.
- Exatamente. Se você comesse o doce, estaria errada, mesmo que sua professora esteja também. - Raquel tentou não sorrir. - Com uma diferença: mesmo estando errada, a sua professora pode te castigar por desobedecer.
- E a polícia pode prender vocês. - eles concordaram. - Mamãe… o que o papai fez?
A pergunta súbita os pegou em sobressalto, e Raquel sentiu os olhos encherem de lágrimas. Ela balbuciou alguma coisa, e sentiu a mão de Sérgio segurar a sua.
- Eu ouvi que ele é ruim, que ele te machucou, mas… - os olhos dela se encheram de lágrimas.
- Seu pai. - Raquel respirou. - Ele realmente me machucou, filha…
- Raquel, você quer que eu... ? - Sérgio fez menção de se levantar, mas Raquel o segurou.
- Filha, sabe como alguns pais e mães batem nos filhos que não fazem o que eles querem? - Paula fez que sim com a cabeça, fechando a expressão. - E que isso é proibido em muitos lugares, porque não podemos resolver com violência? - Mais um sim. - Bem, alguns maridos, maus maridos, pensam que as esposas devem obedecer como crianças a seus pais, se vestir e se portar como eles querem, e começam a ver erro em tudo o que elas fazem, colocar nelas a culpa de seus próprios problemas… - Paula prendeu a respiração. - E existem casos, em que… - a voz de Raquel falhou.
- Eles resolvem com violência? - Paula olhou para baixo. - E machucam e… e o papai era desses? Foi assim que ele te machucou?
- Sim… E depois ele tentou te tirar de mim e eu não podia permitir isso. - Raquel se levantou e abraçou a filha, que soluçava baixinho. - Então tive que te tirar dele porque… porque não podia viver sem você e no mundo complicado dos adultos ninguém se importava que ele tinha me machucado e estavam ajudando ele a te levar embora. E sei que é injusto e que você não merece viver nessa guerra. - Paula a abraçou mais forte. - Você não é feliz aqui, meu amor?
Paula hesitou por um momento, e se afastou um pouco da mãe para responder, dando de ombros. - As vezes eu sinto falta da Espanha, e de tecnologias, mas não quero que você seja presa e te levem embora para eu nunca mais te ver…. ou que o papai te machuque de novo.
— Quando você for maior, pode ir pra Espanha sempre que quiser, ok? - Raquel beijou o topo da cabeça de Paula. — Você não é uma fugitiva procurada e nem nossa prisioneira, só criança.
— Que deu o azar de ser criada por dois criminosos que nem vilões de verdade são. - ela rolou os olhos. — Além de ter um pai mau. Já entendi. Só queria ir pra Disney, nada demais, porque a vida dos adultos precisa ser tão dificil? - nenhum deles sabia dizer quanto ela estava realmente chateada e quanto estava dramatizando. — Pera… mas e o Banco? Vocês falam que não podem arriscar na Disney e voltaram pra Espanha e roubaram de novo? Só podemos arriscar agora quando vocês querem? Quando eu quero não pode? Como isso não é injusto igual o negócio de imprimir dinheiro? E esse ouro não era de ninguém não?
Sérgio suspirou, aquela seria uma longa noite. - Pra começar, o ouro era do povo Espanhol…
Cinco dias depois, Paula já havia parado de assustá-los durante o dia com perguntas aleatórias sobre como foram os dois assaltos, ou sobre variadas oportunidades em que a polícia poderia capturá-los. Duas semanas mais tarde, ela deixara de cair no choro sempre que se lembrava do que a mãe lhe contara sobre o pai. E ao final de dois meses, as coisas finalmente pareciam ter voltado mais ou menos ao normal, e a aproximação do aniversário da menina trazia uma aura de felicidade que a casa desesperadamente precisava. Paula estava sendo muito madura com tudo o que sabia, mas mesmo assim era apenas uma criança e merecia tempos de paz.
Alguns dias antes do aniversário de dez anos de Paula, Sérgio passou o dia todo trancado no escritório, até que no fim da tarde pediu que as duas o encontrassem lá.
O escritório estava muito diferente do normal: a mesa de Sérgio estava afastada para o fundo do cômodo, duas carteiras escolares estavam colocadas uma ao lado da outra, e uma lousa fora colocada ao lado da mesa de Sérgio.
Raquel franziu o cenho e abriu e fechou a boca algumas vezes, reconhecendo aquela organização como similar às dos assaltos, e se perguntando o que Sérgio estaria aprontando, porque ela realmente torcia para que ele não estivesse planejando ensinar sua filha a roubar um banco, ou o que fosse. Vestindo um terno azul que devia ser bem desconfortável no clima de Palawan, mesmo que ele não demonstrasse coisa alguma, ele estava recostado à mesa e fez um sinal para que elas se sentassem em suas respectivas carteiras. Paula cruzou os braços, e fez que ia bater o pé, mas acabou seguindo Raquel reclamando algo como “nem pensar que vamos fazer mais lição de casa”.
Sérgio ajustou os óculos e se levantou, andando até a lousa sob atento e curioso olhar das duas mulheres Murillo, e escreveu uma palavra na lousa: Bienvenidas . Raquel soltou um som que era um misto de questionamento e riso, e se levantou. Ela não fazia ideia do que ele tinha na cabeça, estava tendo deja vus demais por segundo, e se sentia levemente chateada de não ter sido envolvida no que quer fosse aquilo.
- Sérgio… - ela começou e logo foi cortada, quando ele lançou um pedaço de giz em sua direção e fez um sinal para que ela parasse, mal conseguindo se manter na persona do professor com a cara de revolta com que Raquel respondeu, e o riso histérico que saiu de Paula.
- Eu tenho três regras, - ele voltou-se novamente para o quadro para escrever. - e você sabe muito bem que a primeira delas é: Sem nomes, Lisboa .
- Eu vou ter um nome de cidade também? - Paula ficou em pé de repente, enquanto Raquel fuzilava o Professor com o olhar. - Mamá, por favor, me deixa ter um nome de cidade!!!
- Isso depende do que certas pessoas tem em mente. - Raquel, ou Lisboa , cruzou os braços e andou na direção dele, sem parecer intimidada pela enorme diferença de altura. - Vamos lá, qual o plano, professor ?
- Tokyo Disneyland. - ele respondeu, simplesmente, e Paula caiu sentada, chocada demais para gritar.
Raquel, por sua vez, sentiu os olhos marejarem com uma rapidez incontrolável, e o sorriso sincero, ainda que discreto, de Sérgio, fez apenas com que a vontade de chorar piorasse. Então era por isso que ele estivera tão estranho e distante? Estava tramando um jeito de mais uma vez mimar Paula?
Colocando-se nas pontas dos pés, Raquel segurou o rosto de Sérgio, e pressionou os lábios contra os dele, puxando para um beijo calmo e cheio de agradecimentos implícitos, coisas que viriam mais tarde, quando eles estivessem sozinhos e pudessem estudar melhor o plano. Sorrindo contra os lábios da amada, Sérgio deixou-se perder por um momento, abraçando-a pela cintura, e deixando o beijo se estender um pouco mais do que devia, até que uma certa garotinha de quase dez anos limpou a garganta e os encarou mal criada.
- O que nos leva às próximas regras… sem relações interpessoais e sem perguntas pessoais . - Sérgio comentou, ajustando a postura, enquanto Raquel ria com o canto dos lábios.
- É… - Paula negou com a cabeça. - Acho que isso aí não tem como.
- Tarde demais. - Raquel pressionou mais um beijo rápido nos lábios dele e voltou para sua carteira.
- Mas eu ainda posso ter nome de cidade, não posso, professor ? - a pergunta dirigida direto a Sérgio atingiu Raquel profundamente, quase levando-a a ficar ofendida. Quase, se não fosse fofo. - Por favorzinho! Vocês são O Professor e a Lisboa, eu não posso ser a Paula.
- Não mesmo pode mesmo, srta…? - Sérgio deixou-se sorrir, enquanto a garota pensava.
- Ai, pera… eu não sei muito nome de cidade. - ela cobriu o rosto. - Madrid é um nome de menino. - os adultos se entreolharam, sem entender de onde ela tirava aquilo. - Palawan não é cidade, de acordo com minha aula de geografia é uma província , Porto Princesa é grande demais… Mãe, quer dizer, Lisboa , me ajuda!
- Pede ajuda pro seu cúmplice! - Raquel brincou, se referindo a Sérgio.
- Cúmplice? Eu não sabia de nada!
- Ela aprende rápido, preciso admitir. - Sérgio comentou, e desviou do pedaço de giz que Raquel devolveu em sua direção. - E não sabia mesmo, você sabe que eu não conto nada a meus cúmplices até que precisem saber.
- E é disso que tenho medo…
- Nome!! Cidade!!! Foco!!! - Paula bateu na carteira, quase fazendo bico, e parecendo ter metade da idade que tinha.
- Hanói. - Sérgio respondeu, chamando a atenção das duas. O sorriso de Raquel entregava o que ela estava sentindo, e Paula parecia ponderar. - É a capital do Vietnã.
- E também o nome do café onde eu e o Sér… O Professor nos conhecemos. - Raquel explicou, e Paula pareceu pensar mais ainda.
- Hanói… - ela disse o nome e franziu mais ainda a testa, até sorrir. - É bonito, e a gente não teria plano incrível pra aprender se vocês dois complicados não tivessem se conhecido, então eu gosto! - ela se levantou subitamente e tentou correr até a porta, mas Sérgio foi mais rápido e se colocou entre a saída e a menina.
- Eu disse que a aula acabou, srta. Hanói?
- Não, professor , - Paula cruzou os braços. - mas eu preciso de lápis e cadernos se quero aprender, não?
- Perfeitamente. - ele lutou contra o sorriso que queria aparecer, e deu espaço para que ela passasse. - Mas não demore.
Paula mal terminou de ouvir o padrasto e disparou para seu quarto, derrubando várias coisas e falando algo com o gato no caminho, animada demais para se importar com os próprios modos ou com coisas potencialmente quebradas no caminho.
No escritório, o Professor simplesmente andou de volta na direção da lousa, sob atento olhar de Lisboa, que ainda tinha suas ressalvas sobre a coisa toda, mas não conseguia negar a animação que crescia dentro de si, por mais que o medo quisesse a dominar.
- E como, exatamente, o professor pretende nos colocar na Tokyo Disneyland sem trazer toda a Interpol junto?
- Parafraseando a srta. Hanói, com um plano incrível . - ele respondeu, num tom que Raquel classificaria como convencido demais para a saúde de qualquer pessoa.
- Hanói tem dez anos, ela acha qualquer coisa incrível . - Raquel provocou, colocando os pés em cima da carteira.
- Lisboa, Lisboa… um sábio homem muito inspirador uma vez disse que se você pode sonhar, pode realizar…
- E posso saber quem foi seu muso da vez?
- Walt Disney. - ele respondeu, com um sorriso, deixando-a sem palavras, e virou-se de volta para a lousa.
Observando-o atentamente, e ouvindo Paula voltar correndo e gritando qualquer coisa sobre usar seu caderno de Frozen para as aulas, Raquel colocou-se sentada propriamente e tentou não se deixar derreter de amor ao perceber que ele havia mudado a frase na lousa para: Bienvenida, Hanói. Aquele plano com certeza seria o melhor deles.
