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Quando as lágrimas secaram, havia apenas a sensação de ardência nos olhos. Mirava a picada no dedo e, mesmo ciente do fato de que aquilo significava a única possibilidade de um futuro, não sentiria prazer algum em trilhá-lo. Jamais sentiu.
Apertou o dedo para que o sangue parasse de escorrer, mas isso tampouco lhe trazia qualquer sensação de alívio. Cerrou os olhos do mestre, que ainda encontravam-se abertos, embora sem vida. Trouxe o corpo frio contra o seu, segurando as palavras furiosas contra aqueles que descreviam a passagem como algo não só natural, mas também a embelezavam como se fosse o único propósito da vida.
A inocência cedia lugar à mágoa.
Amaldiçoava o fato de que não só ele, mas todos os que o antecederam, que apreciaram a beleza do campo das rosas malditas, foram obrigados a jogar o mesmo jogo cretino, dois a dois, mestre e aprendiz. O preço da aposta, alto demais, o suficiente para que pessoa alguma jamais ousasse jogar por mera diversão.
Doía também, saber que seu nome seria enaltecido, a armadura dourada o cobriria e sua presença seria respeitada. Um dos poucos dignos a comparecer perante a Deusa e lutar por seu nome.
Enterrou o Mestre, cumpriu seu dever.
Seguiu para junto de seus companheiros, onde a luz dourada deveria acalentar seu coração.
Morreu, juntamente com sua maldição.
Somente nesse momento encontrou sua paz.
