Chapter Text
31 de Dezembro de 2008 – Giorno olhava o céu noturno de um dos restaurantes mais finos de Roma. O azul cintilava em meio ao brilho no céu preenchido de luzes coloridas, o som dos fogos de artifício que chegavam até lá.
Com uma taça em mãos e um olhar tão focado o quanto ao aquele mirado aos céus, Giorno se voltou para o resto do grupo de festejos, tomando lentamente de sua taça.
Não era como se Giorno estivesse lá para comemorar ou curtir o momento, como parecia a maioria dos capos das variadas regiões controladas pela Passione, mas seu sorriso foi perfeitamente arranjado quando um par de homens que vieram em sua direção.
- Giorno, espero que esteja apreciando a festa. - como sempre, senhor Pericolo era amável e afável, fazendo seu ato mais simples, quase natural. Ele meneou a cabeça ligeiramente, sorrindo em sua direção. - Sei que jovens como vocês prefeririam estar em outro ambiente.
- Não–
Uma pausa, de ambos os lados. Giorno organizou milimetricamente seu rosto ao mirar o do outro, visto inúmeras vezes nos últimos dias, mas, para que tudo ocorresse bem, permeado de uma ligeira surpresa de sua parte. Contido nisso, a expressão de seu rosto era leve e bastante polida. Ele meneou a cabeça, indicando para o outro continuar.
- Me desculpe. - o homem de cabelos negros e olhos azuis disse em um tom cuidadoso, centrado. - Nem me apresentei e–
- Iriamos dizer a mesma coisa, não é? - Giorno disse, sorrindo educadamente. O olhar do outro se mostrou levemente pontual a ele. - Que não preferíamos estar em nenhum lugar que aqui, não é? Senhor…
- Bruno Buccellati. - o homem lhe disse e Giorno piscou suavemente – não era como a informação de seu nome, também, não fosse de seu conhecimento, então ele aproveitou o momento para analisar o outro. Um tom preciso, expressão bem colocada. Nenhum sorriso, entretanto. - Mas, sim, eu iria dizer o mesmo, o senhor Pericolo bem sabe que como meu papel de capo, não haveria outro lugar para eu estar, realmente, além daqui…
- Giorno Giovanna. - ele completou, erguendo uma mão em direção ao outro, que rapidamente foi segurada em um aceno. - Concordo com isso, Buccellati. - ele disse calmamente, soltando a mão do outro. Ele sorriu em direção a Pericolo. - Que lugar a mais nos deveríamos estar, que não esse?
A risada de Pericolo tomou conta da cena, e enquanto Giorno sorria educadamente o outro capo tinha expressão leve no rosto, mirada ao capo mais velho. Giorno levou levemente a taça aos seus lábios novamente.
Bruno Buccellati, 27 anos, originário de uma das áreas costeiras de Nápoles. Filho único, de pais divorciados – o pai, falecido, a mãe, casada, mas sem contato com o mesmo. Não fazia muita coisa nas horas vagas, além de conversar com alguns civis de sua área, com quem parecia ter amizade, mas bastante distante, assim como os membros de seu grupo, que tinham uma admiração tremenda por ele. Usuário de um stand, Sticky Fingers, que permitia que o outro usasse zíperes de diversas maneiras, além do potencial de seus golpes – morava em uma pequena, mas confortável mansão próximo a um restaurante, Libeccio, que ele tinha tomada sobre suas asas.
A informação mais importante: capo da Passione e seu alvo nessa missão.
Giorno sorria polidamente em direção aos dois homens que conversavam – bem, Pericolo conversava mais que o outro, que não dizia muita coisa, mas prestava bastante atenção no outro capo, tendo uma expressão resguardada, olhar profundo sobre o outro. Nenhum a ele, o que não era problema, realmente. Sua missão – ordenada pelo chefe ainda misterioso da Passione – era de observação e não de contato direto, o que facilitava as coisas.
- O jovem Giorno aqui se tornou membro da unità faz pouco tempo. - Pericolo disse e Giorno se atentou ao outro, abaixando sua taça de champanhe. - Indicação direta do chefe. - o homem mais velho disse com um sorriso em sua direção, o que ele retrucou habilidosamente.
- A indicação do chefe é um feito e tanto, Giovanna. - Buccellati disse, finalmente o fitando. Seu olhar ponderador, como se em uma missão, era estranhamente interessante. - Poucos conseguem tal coisa, mesmo em anos de organização.
- Não mereço tal honraria, na verdade. - ele disse, sorrindo para Pericolo que lhe mandava uma expressão afável. - Mas o chefe considerou que eu poderia fazer uso das minhas habilidades de forma substancial nessa missão. - ele disse, olhar voltado ao moreno, taça que ele levava de novo aos lábios. - E se o chefe me pede isso, nunca lhe negaria.
Giorno, sim, estava na unità, esquadrão pessoal do chefe, mas por muito mais tempo que o considerado por Pericolo – aquilo era um segredo, na verdade, por algum tempo. As missões de Giorno… Eram delicadas, para falar a verdade.
Como essa. O homem que estava na sua frente, com um olhar controlado, seriedade que contrastava com os climas de festejo do ano novo, estava começando a ser considerado uma pedra no sapato do chefe. Um homem brilhante, que conduzia os seus negócios como capo de uma maneira magistral – além do respeito de seus homens, o respeito dos capos e um crescente e silêncio poder que abrangia muito mais que seus territórios em Nápoles. Pela descrição recebida em seus arquivos, o homem parecia impecável – vivia, integralmente, para a organização. Se suas observações nos últimos dias, bem preservadas em suas discrições, mas que permitiam o vislumbre da vida cotidiana de Bruno Buccellati lhe indicavam, ele era realmente fiel a Passione.
Mas o chefe tinhas suas desconfianças e ele não era alguém para negar os desejos do seu chefe. Especialmente, depois da promessa de um encontro direto com ele, caso essa missão fosse completada com sucesso.
- Mas bem, falamos de muito, mas não falamos do certo. - o senhor Pericolo ria, e Giorno sorriu sutilmente. A taça na mão do capo tremia e os movimentos do outro eram mais desajeitados, mas era natural – afinal, não era noite de Ano Novo? - O chefe pediu que os apresentasse, para melhor aceitação das coisas, já que Giorno estará sobre sua tutela, Buccellati.
- E foi muito gentil de sua parte, senhor Pericolo. - Giorno adicionou, com um simples sorriso. Ainda com a mesma expressão amigável no rosto, ele se voltou ao outro homem, que o encarava finamente. - Sei que pode parecer complicado, ter um membro da unità a entrar sobre sua tutela assim, tão repentinamente–
- Se o chefe achou necessário. - o moreno o cortou, tom ainda bastante sóbio, mas não seco. - Tenho que agradecer a ele, somente.
- O que é muito bom da sua parte, Buccellati. Nem todos os capos gostariam de um membro da unità em seu grupo assim. - Pericolo adicionou, lançando um olhar entre Giorno e ele. Giorno mirou Buccellati, analisando cada fração de sua expressão. - Considerariam até uma sugestão de desconfiança do chefe.
Os fogos de artifício soaram alto no céu mais uma vez, mas Buccellati continuava o encarando, imperturbado. E Giorno fazia o mesmo.
- Considero isso mais uma sugestão de confiança. - o tom do moreno era afiado, e mesmo assim sincero. Giorno não pode deixar de notar que as luzes no céu iluminavam aqueles olhos azuis, o deixando perceber a força naquele olhar. - E agradeço muitíssimo a isso. É uma honra, na verdade.
Giorno meneou a cabeça, mão a ir ao seu peito. - Para mim também, Buccellati.
Quando Giorno levantou a cabeça, mirando seu olhar no do outro, eles ainda estavam sobre si, como a luz multicolorida dos céus, que cintilavam cada detalhe neles. Mesmo os gritos e festejos de alegria, até mesmo da parte de Pericolo, não cortaram aquele momento.
1 de Janeiro de 2009. Oficialmente o primeiro dia ao lado do capo de Nápoles, e possível traidor da Passione, Bruno Buccellati.
Giorno admirava o clima nas ruas de Nápoles em sua chegada a cidade. Com Buccellati ao seu lado no carro, que era dirigido por um dos homens da Passione, o mês de Janeiro começou silencioso, como parecia que era do feitio do outro homem.
O carro parou em uma modesta, mas bastante atrativa mansão no coração da cidade e Giorno e Buccellati saíram do carro com a ajuda do motorista. O loiro observou a entrada, raios de sol que não conseguiam quebrar o frio do inverno. Dando uma olhadela ao seu lado, ele viu o capo parar ao seu lado, admirando a mesma paisagem que ele.
- Esse é o nosso quartel oficial, onde as pessoas mais fiéis a mim ficam, bem como eu mesmo, na maior parte do tempo. - o moreno comentou, lançando um olhar em sua direção. - Tem certeza que não quer ficar aqui, Giovanna? - ele perguntou e não havia malícia nem más aplicações em sua voz.
Giorno colocou sua expressão usual, sorriso ao outro. - Agradeço ao convite, mas queria matar a saudade da minha velha casa. - ele disse, voltando o olhar a frente. - Realmente, ela não e tão boa como a sua, mas… - o loiro virou o rosto, sorrindo polidamente a Buccellati. - É algo sentimental, não sei explicar.
O moreno acenou ligeiramente e a expressão de Giorno se tornou um pouco mais com sua real faceta, sorrisos a sumirem de seus lábios, expressão que não demonstrava nada além de um ligeiro, mas voraz desejo de destrinchar qualquer um que estivesse em sua frente. Bruno Buccellati não tinha lhe mostrado muitas facetas desde o encontro anual dos membros mais proeminentes da Passione, desde seu adeus quieto, mas presente, e suas boas vindas, tão quietas, sem quase uma emoção a não ser a sempre presente qualidade de austeridade. Giorno ponderava que provavelmente seus floreios, tão bem funcionais em outras ocasiões, não funcionariam com esse homem.
- Entendo. - Buccellati murmurou, desviando um olhar do seu. - Terá um quarto aqui, de qualquer maneira, além de seu escritório.
- O que agradeço. - o loiro disse quietamente, fitando o outro. - Poderia me apresentar a tudo, então?
Giorno seguiu os passos do outro homem, ouvindo e prestando atenção nas poucas palavras do outro. A desculpa dada para sua missão era quase a verdade – traidores pareciam estar surgindo com demasia frequência no coração de Nápoles, muitas vezes usuários de stand, e, portanto, membros da organização. Giorno lançou um olhar a Buccellati, que lhe mostrava um grupo de homens por trás de computadores a estudarem a informação que chegava de diversos pontos. A ligação de Buccellati com o velho capo de Nápoles era algo que seus arquivos tinham mencionado com atenção, mesmo que o chefe tivesse controle completo sobre o antigo líder da região.
- Como vê, estamos tentando rastrear de onde vem os traidores. - Buccellati disse, depois que Giorno observou o grupo de segurança de Buccellati totalmente fixados em suas tarefas. Giorno pousou seu olhar a ele. - Conseguimos algumas informações, mas parece que quem tem o controle sobre esses traidores sabe muito bem dos nossos passos. - o moreno disse em um tom sério e o loiro acenou levemente.
- Bom uso dos computadores. - Giorno comentou, recebendo um olhar do moreno. Giorno fitou aqueles olhos azuis, ligeiramente a sorrir. Alguma emoção neles, além de tanta frieza. - Quero dizer, o chefe não acha computadores tão importantes nos nossos negócios, mas não concordo plenamente com ele. - ele explicou em um tom calmo, vendo o olhar do outro voltar um pouco ao seu padrão – mas ainda havia uma certa emoção neles, um certo desconfiar – Giorno não deveria estar tão contente com uma emoção como essa dada a missão. - São engenheiros de computação, não é? - ele disse, indicando o pessoal nos computadores. - Sei um pouco do assunto.
Muito, na verdade. Um de seus papéis na organização era organizar toda a central de dados de todos os membros da Passione, desde os membros da unità até os vendedores de drogas nas ruelas. Em menção ao pensamento em sua cabeça, um ligeiro franzir surgiu, mas que ele apagou rapidamente.
- Pericolo me disse que você seria útil nesse sentido. - o tom cauteloso do moreno o fez fixar mais o olhar sobre o outro. - Que você era muito bem informado em diversos sentidos.
Giorno cruzou os passos, seguindo Buccellati pelos corredores. - A informação é uma das nossas armas mais poderosas. - ele disse, vendo o moreno acenar para ele, ainda sem fitá-lo. - Gosto do uso da tecnologia porque ela retira algumas barreiras.
- Mas sempre é bom ter algum pessoal por perto, como nos métodos antigos. - Buccellati disse e Giorno acenou. - Às vezes, penso que a tecnologia pode ser útil, mas, com a facilidade da quebra de dados… - ele se voltou a ele. - Não no caso da Passione, quero dizer.
- Mas é astuto de sua parte desconfiar disso. - Giorno disse, vendo outro o encarar com atenção. Se Giorno não soubesse bem do papel que tinha nessa missão, desconfiaria que era ele o investigado, olhos que se mostravam mais questionadores sobre ele. - Precisamos verificar toda e qualquer possibilidade.
Com o encontro finalizado, Buccellati o levou para o carro, que ainda o esperava, no mesmo clima de mais cedo. O silêncio era algo que Giorno estava acostumado, de diversas maneiras, o que não incomodou tanto, ainda mais com as pequenas lascas de informação que as expressões do capo tinha lhe dado.
- Estarei aqui de manhã, como combinado. - Giorno disse, vendo o moreno acenar ligeiramente. Expressão de seriedade em seu rosto, com um certo distanciar – Giorno desconfiava que aquilo era só uma faceta, como de tantas pessoas naquele negócio, como ele próprio. - Estarei mais em campo do qualquer coisa, mas nos vemos, Buccellati.
Quando Giorno ia se virar para entrar no carro o outro o deteve com um leve toque em seu braço. Giorno se voltou a ele.
- Sei que essa missão é importante, não apenas para minha região, mas como para toda a organização. - tom bem centrado, perfeitamente delineado. Giorno mirou com atenção aqueles olhos azuis, que pareciam ainda mais escuros do que os vislumbrados naquela noite. - E agradeço que esteja aqui para isso, Giovanna.
- Pode me chamar de Giorno, Buccellati. - ele adicionou quietamente, vendo o outro piscar com leveza, que contrastava com seu olhar. - Sei que vou ficar algum tempo por aqui, mesmo que a missão corra bem, então não precisa… - ele sorriu lentamente. - Giovanna é um tanto formal para um homem que eu vou passar tanto tempo. Giorno está bom.
- Espero que não se delongue tanto sua estadia aqui, Giorno. - um leve faiscar naqueles olhos, que Giorno quietamente guardou na memória. - Até porque, isso significaria uma falha da minha parte.
- Não seja tão pessimista, Buccellati. - Giorno disse, vendo o outro se distanciar um pouco dele, mão que tocava seu braço a se separar. - Talvez, dessa missão tenhamos mais bons frutos do que maus resultados?
- Assim espero. - o moreno lhe disse, tom totalmente concentrado nele, mesmo com o movimento da sua mão em sua orelha, a colocar alguns fios de cabelos negros para trás. - Não quero te incomodar, também.
Giorno piscou lentamente os olhos, sorrindo reservadamente para si. A gentileza da troca de nomes – ou a falta, da parte do moreno – não passou despercebida por ele. - Não é incomodo, realmente. - ele disse calmamente, colocando uma mão na porta do carro. - Nós vemos.
Giorno observou o outro, depois de entrar no carro até quando não pode vê-lo mais.
O olhar de Buccellati era sério, constrito, mas nele, até que sua figura não pode ser vista mais.
Eram meados de Janeiro e Giorno compartilhava um jantar com Buccellati, ambos sérios demais para considerar a própria comida em seus pratos.
Os dias tinham sido pacíficos, sem muita menção de algo de importante, de ambos os lados. Giorno continuava a observar Buccellati em seu dia a dia, olhos atentos a cada detalhe do outro homem, desde de seu café na manhã rotineiramente em um pequeno café da cidade, de suas horas de trabalho que o faziam ignorar o almoço e muitas vezes o jantar, atuando tão esmeradamente como um capo da máfia deveria atuar – muitas vezes, depois de abaixar seus binóculos ou a câmera fotográfica, cada vez menos usada do que nos dias anteriores a sua apresentação oficial perante o outro, Giorno encarava figuro do homem em silêncio.
A missão realmente parecia que iria se prolongar.
- Os relatórios do norte não nos deram nenhuma pista sobre nada em particular. - Buccellati disse, tom analítico, a fitar uma cópia dos papéis em sua mão. Giorno folheava o documento, marcando alguns parágrafos para todos os efeitos. Ele sabia de toda informação dali, mesmo sem os relatórios semanais do homem. - Pedi para que investigassem melhor nossos contatos na área. Estava pensando em fazer o mesmo com os donos dos negócios que estão sob o nosso comando.
- Bom. - Giorno disse curtamente, lançando um olhar ao moreno, que parecia esmiuçar o próprio relatório. - Não era como se os traidores se apresentariam tão fácil. - ele comentou, vendo o moreno mirar o seu olhar sobre ele. Uma expressão um tanto vaga, mas que Giorno começava a se acostumar. - Vamos dar tempo ao tempo.
Um leve franzir se apossou da expressão do moreno e Giorno finamente o encarou, trazendo um pouco do vinho aos seus lábios. - Não gosto dessa situação. - Buccellati disse e havia algo no tom do outro além de sua velha capa. Giorno abaixou a taça delicadamente. - Nem do fato que os resultados são tão… Escaços. - ele disse, afastando os papéis de si.
- Já lidou com traidores antes, Buccellati? - a pergunta parecia tirar o outro um tanto dos eixos. Giorno manteve seu rosto impassível. - Deve saber que, para terem sucesso, tem que se camuflar bem aos olhos de todos. - ele disse, voltando a tomar de sua taça, olhar ainda preso no outro.
- A maioria não é muito eficiente nesses detalhes. - o homem comentou, apoiando o queixo com suas mãos cruzadas. O olhar dele foi para si. - Sempre se mostram, uma hora ou outra.
- Exato. - Giorno disse, atenção a ser dado ao seu prato, que ele começava a tocar com o garfo. - Não precisamos ter pressa.
O moreno não o respondeu, preferindo também se voltar ao seu prato. Outra vez, o silêncio tomou parte da cena.
Jantar terminado e papéis bem guardados em suas maletas, os dois saiam do restaurante, esperando que seus carros fossem trazidos. Giorno fitava discretamente o outro, olhar que ia desde de os dedos do moreno sobre a pasta – um tanto duros, fechados – até sua expressão – ligeiramente frustrada, mas pintada com suas cores usuais. Giorno se voltou a frente, barulho das ruas a ser o som entre eles.
Uma máscara perfeita. Ele pensou, ouvindo o barulho das conversas, o som do borbulhar da noite noturna. Mas é só isso, no final das contas. Giorno ergueu o rosto, soltando o vapor quente e contrastante com o clima da cidade. O frio das noites, mesmo em seu apartamento a beira-mar, era algo que ele tinha que se acostumar.
Como que sinalizando a isso, Giorno viu um senhor um pouco longe, esfregando os braços com certa velocidade. Giorno o observou um tanto, dentes que se cerraram ao notar a marca de injeções nos braços do outro.
- Um momento, Buccellati. - Giorno comentou para um focado capo, que encarava o celular em suas mãos, com um certo franzir no semblante. Giorno piscou os olhos, se lembrando de quando chegar em casa, verificar a escuta no aparelho do outro. - Já volto.
Em passos ligeiros, mas bem colocados, ele se aproximou do senhor, sorrindo gentilmente a ele. - Oi. - Giorno disse, voz que falhava ao ver que o homem não tinha percebido sua presença. - Acho que nos vimos mais cedo, não? - ele disse, vendo o homem o olhar em silêncio, olhar desfocado, lábios entreabertos. Giorno mordeu o interior de sua bochecha, tirando seu casaco. - Fique com isso. - ele murmurou enquanto cobria o homem mais velho com seu casaco. Ele pegou a mão do outro, a colocando sobre um volume em seu bolso. - Tem algum dinheiro aqui. Coma algo e se aqueça, por favor.
Giorno deu alguns passos para trás, voltando ao lado de Buccellati, que parecia prestar atenção em toda a cena. O loiro sorriu polidamente, voltando a faceta de antes. - Aquele senhor me ajudou mais cedo e perdeu o casaco dele por causa disso. Nesse frio isso é um tanto perigoso, não é?
O moreno o fitou, olhos que se tornavam escuros, mas diferente das outras vezes. O sorriso falso de seus lábios desapareceu lentamente, com suavidade. Buccellati continuava a fitá-lo e eles ficaram assim, por alguns segundos, até que o chofer trouxe seus respectivos carros.
Bem, o que esperar de um mafioso, não é? Giorno pensou, agradecendo quietamente pelas chaves de seu carro. Ele sorriu, um tanto ironicamente. Se preocupar com pessoas no frio? Eu é que devo parecer o estranho.
- Nos vemos– Giorno pausou, vendo que o outro ainda o fitava, ignorado o homem ao seu lado que tentava lhe dar as chaves de seu carro. - Buccellati?
Aquilo parecia o tirar de qualquer coisa que o prendia, com o moreno a pegar as chaves do carro com um silencioso ‘obrigado’. - Foi gentil da sua parte. - o moreno murmurou tão quietamente que Giorno teve que se colocar mais perto do outro, barulhos das ruas a confundirem os sons que saiam da boca do homem ao seu lado . Buccellati abaixou o olhar, colocando as chaves no bolso. - Obrigado por fazer isso… - ele murmurou mais baixo, voltando seu olhar para ele. Uma emoção, pintada no olhar do outro, que o fez vacilar um tanto.
- É só um gesto de agradecimento. - ele disse, colocando as mãos nos bolsos de sua calça, faceta a voltar as cores de sempre. - Quem não agradeceria por um ato de ajuda?
Um sorriso, tão leve que Giorno mal teve tempo de perceber, uma fração das frações. - Dando um casaco com sua carteira a um viciado? - ele sussurrou, olhar que ia a ele, e parecia mais quente, um pouco vivo. O sorriso se acentuou, um tanto. - Foi mais que gentil, na verdade.
Giorno piscou os olhos, ouvindo o chofer chamar por ele. Uma pequena fila tinha se formado na porta do estabelecimento. - Um viciado? - ele colocou um pouco de humor em sua voz, mesmo que sua expressão não fosse tão perfeitamente pintada da mesma maneira. - Como tem certeza disso, Buccellati?
O olhar do outro mudou de cores, uma nuvem passando por eles. Giorno pausou outra vez, admirando como aquele homem parecia, afinal, ter emoções, das mais estranhas. - Como capo, conheço os viciados da minha área. - ele disse profundamente, olhar que se voltava a ele, mais uma vez. - E sei quanto alguém está sendo nobre com eles. - ele murmurou e Giorno sentiu o ar em seus pulmões se fechar, um tanto. - Boa noite, Giorno.
Dessa vez, foi ele que observou até o outro partir do horizonte.
Fevereiro chegava e Giorno, sentado próximo a grande janela de seu apartamento, observava a noite chuvosa e fria lá fora. Esfregando um dedo pela janela borrada, Giorno observava a luz apagada do apartamento de Buccellati a distância.
O lugar não era muito visitado pelo homem nos dias que tinham passado, mas parecia ideal para um encontro furtivo entre um traidor e seus comparsas, então Giorno preferiu escolher tal lugar para ficar – qualquer coisa, ele poderia inventar uma desculpa, das milhares que ele estava acostumado a dar.
Com os braços sobre os joelhos, Giorno fitou novamente o notebook em seu colo – os dados continuavam sendo colocados com uma destreza, uma tão inconformante pontualidade – normalmente, aquilo faria Giorno desconfiar rapidamente do alvo – quem queria manter as aparências faria de todo um possível para aparentar u ma perfeição , mas havia algo naquilo, uma coisa que o perturbava…
Como as mensagens no celular do outro. Poucas, escarças, sobre assuntos totalmente voltados para o trabalho. Giorno tentou checar se Buccellati tinha um celular extra, algo que ele usasse escondido. Ele encontrou uma linha em seu nome – fixa, dedicada ao apartamento que ele ainda observava de longe. Algo estranho para um mafioso tão imergido na Passione como ele – Buccellati era o alvo de sua missão exatamente por isso, por como os tentáculos de seu poder começavam a incomodar o chefe e Giorno não poderia negar que aquilo era estratégia bem pensada – mais perigoso que os inimigos de fora, traidores tinham a possibilidade de alcançar coisas que só era possível no papel deles. E Giorno suspirou, leve vapor que saia dos seus lábios, mirando novamente a janela do apartamento do outro.
Que se acendeu.
Rapidamente, Giorno pegou seu binóculo e colocou sobre seus olhos. E franziu, assim que viu a cena que estava se desenvolvendo a sua frente.
Buccellati estava com um grupo de pessoas – mas não bem o grupo que ele tinha pensado ver com ele. Não antes daquela conversa em Janeiro.
Como um clique, Buccellati se mostrou mais cordial a ele – não tão duro e tão distante. Giorno manteve o semblante impecável de sempre perante ao outro em seus encontros semanais, nos dias que ele ia até a b ase do outro fingir que trabalha va em alguma papelada. Não era algo abrupto, muito pelo contrário – Giorno só percebeu a leve mudança no outro no terceiro dia após o acontecimento na porta do restaurante, ao se pegar percebendo como o olhar do c apo parecia mais iluminado, pequenos detalhes que ele conseguia, agora, capturar.
Giorno era um detalhista por natureza, seu caminho e sua história o forjando para isso, o que era bom em seu trabalho. Mas a forma tinha mudado, aquela leve a quase imperceptível maneira que seu tom não soasse mais pesado em seus ouvidos…
Giorno buscou o seu telescópio de trabalho, fazendo anotações em seu caderno. Era a quarta visita do mafioso ao seu apartamento e, enquanto Giorno tinha anotado isso com perfeita qualidade, detalhes sobre os rostos, as roupas, as horas – só agora, somente, ele tinha encaixado a última peça do quebra-cabeças daquelas visitas tão misteriosas.
Ele era um agente bastante independente em seus serviços, anos de uma construída relação de confiança entre o chefe e ele, o que sempre facilitava as coisas. O chefe não gostava de muitos detalhes que não fossem rastreáveis, redigidos de tal forma que pudessem ser utilizados como arma, então seus relatórios eram mais esporádicos que os esperados.
O que era bom, nesse sentido. Ao visualizar o homem alvo de sua missão conversar sobre n a sala de seu apartamento com outas pessoas , Giorno pensou novamente o quão estranho e confuso era um homem de tal alta patente se encontrar com viciados.
À menção a sua maneira de tratar aquele viciado daquela maneira não tinha escapado de Giorno, que inicialmente pensou que aquilo era somente um blefe, ou uma conversa cotidiana, daquelas que você se esquece logo em seguida. Mas o olhar do outro ficou em sua memória, como uma lembrança pegajosa. Giorno pensou ser seu instinto, tão latente e que o guiava por toda a sua trajetória a lhe indicar algo. Então ele planejou, muito meticulosamente, trazer o assunto a tona. Drogas – não era como se um capo como Buccellati não tivesse suas importâncias sobre essa parcela, Nápoles era uma área estratégica da Passione por isso, entre outros motivos. O assunto vinha naturalmente ou induzidamente naturalmente – Giorno deixava relatórios sobre as drogas na mesa do homem, com a justificativa que essas áreas deveriam ser investigadas ou apenas mencionava o assunto com algum dos homens do capo, que, a distância, observava tudo.
A reação não tinha sido a mesma como daquela noite, mas havia algo ali, naquele olhar tão duro, tão focado em o que deveria fazer pela organização. Giorno guardou a informação para si, investigando mais sobre o assunto.
Foi fácil, na verdade, descobrir que o pai do jovem capo de Nápoles tinha ficado com a saúde fragilizada depois de um ataque que envolvia, entre outras coisas, as drogas. Giorno achou a informação interessante, alta da madrugada do mês anterior, com uma foto comparando o homem e seu filho. E, uma foto antiga do outro. Giorno passou um bom tempo olhando a foto, vendo o mesmo olhar morto no rosto daquela criança como o do homem que ele vigiava agora.
E como um passe de mágica, os encontros do outro com drogados começava a tomar sentido. Giorno desviou o olhar de seu telescópio, observando seu caderno de anotações. Algumas pessoas variavam, mas havia muitos rostos conhecidos. Giorno investigou todos eles – tinham vidas mundanas, sobrevivendo de bicos ou a total mercê da sociedade. O que se concluía quando pensado friamente – eles eram somente peças mortas no tabuleiro daquele mundo.
Friamente. Pois, quando Giorno deixava um pouco de seu coração se mostrar, aquilo se tornava uma confusão, como ele sentia agora.
Qual era o sentido daquilo? Por que razão um homem tão proeminente no mundo escuso da máfia deixava pessoas como aquela entrarem em sua casa? A cena ainda estava fresca a sua memória recente – todos reunidos numa mesa, com o mafioso a lhes servir comida. Era uma piada, pensado-se friamente. O que um homem como aquele ganharia com aquilo?
A mensagem de texto do celular hackeado do outro piscava em sua frente. “Preciso resolver assuntos pessoais.” Enviado a um de seus homens de confiança, Leone Abbacchio. Curta, sem rodeios. Era uma desculpa perfeita para alguém que queria arrumar tempo p ara fazer algo sórdido, mas que também o deixava a vista, se ele soubesse que estava sendo vigiado. Uma contradição – era o que Bruno Buccellati se mostrava a sua frente e Giorno não entendia o outro.
Dando uma última olhadela para a janela de Buccellati, Giorno abriu o computador, onde uma mensagem do chefe residia, sem resposta.
“Algo suspeito?”
O chefe era simples e direto. O que era bom para ele.
“Não, até agora.”
Ele fechou o notebook, olhar que ia para a janela por minutos a fio, até depois que as luzes foram apagadas.
E os dias foram passando, com Giorno cada vez mais pensativo sobre o intuito do capo de Nápoles. Nada em particular pulou as vistas dele – em poucas semanas, ele tinha se habituado do ritmo de Buccellati, poucas vezes interferindo diretamente em suas missões, que não eram de grande importância para o chefe.
Era uma manhã mais quente que as outras, onde Giorno se encontrava redigindo relatórios sobre a situação financeira da área para o chefe em busca de alguma saliência, qualquer detalhe sequer. Ele suspirou, passando a mão pelo rosto. Além do mistério em relação aos viciados, o moreno tinha passos perfeitos em seu negócio. Um mafioso exemplar, se é que existia alguém para tal papel.
Com um olhar para a porta que se abria, Giorno encontrou os olhos azuis do outro – ainda misteriosos, com nuances a mais que ele tentava capturar.
- Olá, Giorno. - o tom quase neutro, mas ainda assim um tanto gentil. Giorno o mirou em silêncio, expressão em seu rosto menos convidativa que o normal. - Ouvi que você precisa de mais informações das ruas?
- Sim, e se possível... - o loiro disse, desligando o computador – o que não era tão necessário, seus dados a serem criptografadas por natureza. Ele se levantou, semblante que parecia espelhar o do outro. - Com você. Conhecer a área por meio de dados é uma coisa, mas, pessoalmente…
- Tenho tempo livre agora. - ele disse, o fitando com a mesma expressão que tinha sido demarcada em sua mente, se tornando quase familiar, mas ainda fria. - Podemos ir?
E eles rodaram pela cidade em um carro, Buccellati que lhe explicava as áreas e os pontos da cidade e ele que observava pela janela as áreas, com um certo interesse. Ele não tinha mentido ao outro homem quando tinha dito que tinha saudades da área – essa tinha sido seu primeiro lar naquelas terras, há muito tempo atrás. As imagens borradas se clareavam tanto com o vislumbre de lojas, paisagens. A voz do moreno ao fundo se tornou quase uma melodia como numa viagem calma de carro, distraída e despreocupada, mesmo que para todos os efeitos, aquilo fosse uma viagem de negócios.
- As ruas parecem pacíficas. - Giorno comentou depois de uma pausa n a sempre tão controlad a e quase ritmada voz a narrar detalhadamente cade p ormenor da cidade, como se gravado em sua mente. Ao se virar a Buccellati, Giorno o encontrou lhe fitando, como tinha se tornado frequente nos últimos dias. Olhar denso, azuis que pareciam mais escuros e algumas vezes mais claros. Algo confuso, em relação a um homem muito bem colocado em todos os sentidos. - Não há crimes como entre outras áreas da Passione.
O capo deu um leve aceno. - Nos preocupamos de diminuir os pequenos crimes e zelar pela segurança da cidade. - um tom pontual, mas um tanto zeloso. - Isso é um importante papel da nossa organização.
- ‘Nós?’ - Giorno murmurou, tom analítico, olhar que se mostrava mais questionador. A expressão de Buccellati vacilou um pouco. - Penso que você quer dizer seu pessoal, mas as ordens de um capo são as mais poderosas, sobre todas as coisas.
Um leve franzir veio a expressão do moreno, que Giorno capturou em sua mente rapidamente. - Gosto de pensar que é um esforço de grupo mais do que somente da minha parte.
Ele virou o rosto, voltando a paisagem que passava rápido pela sua janela. - É uma boa linha de pensamento. - ele murmurou mais quietamente, sem voltar o olhar ao outro.
O carro passou por uma rua familiar para Giorno, que fitou o prédio onde estava a morar de longe.
- Você me disse que era daqui. - o tom de Buccellati cortou sua atenção a paisagem e Giorno virou seu rosto a ele. Se não fosse outra coisa, ele acharia que o outro estaria fazendo de propósito, mas as feições de Buccellati se apresentavam como sempre. - Você morava aqui antes de entrar na unità?
Giorno piscou os olhos, sentindo seu semblante se tornar um pouco mais sério que o devido para ocasiões sociais. Ou seus ouvidos não estava tão apurados como antes ou aquilo parecia ser genuíno interesse. - Quando vim para Itália com minha mãe. - ele mencionou casualmente, olhos atentos a qualquer mudança no outro. Não havia nada em particular, entretanto. - Mas logo meu padrasto se mudou com a gente para outra região.
O moreno acenou, quase gentilmente. Giorno sentia um franzir tomar seu rosto um tanto. - Imagino que a impressão das ruas comparada a agora deve ser destoante. - ele disse, olhar que ia para seu lado da janela também. - Minhas lembranças daqui, mesmo vivendo por tanto tempo nessa área, também são.
Um silêncio tomou o carro, com os barulhos do veículo a serem as únicas coisas em seus ouvidos. Giorno observou o outro quietamente.
- Quer dizer que você fez um bom trabalho. - ele mencionou, olhando para a frente, sentindo o olhar do outro pousar nele. - O antigo capo daqui não fez uma mudança tão grande, se me recordo bem.
- Então você veio para aqui antes. - o moreno disse em um tom calmo, e Giorno o fitou. O olhar Buccellati era baixo, pensativo, tomado por uma expressão mais suave no rosto. - A trabalho?
Giorno sorriu um fino sorriso, fechando os olhos. - A trabalho.
Outro silêncio, que parecia mais confortável, por qualquer maneira.
A voz de Buccellati começou mais baixa, quase delicada. - Polpo era…
Giorno sorriu miudamente, abrindo os olhos. O olhar do outro estava a frente, um semblante mais contemplativo m oldava seu rosto.
- Não vim por causa de Polpo, se quer dizer. - Giorno adicionou e o olhar de Buccellati foi a ele outra vez. Um olhar clínico, mas azuis que cintilavam com uma distinta luz. - Mas vim a trabalho.
- Não me lembro de menções da sua chegada por aqui. - o moreno adicionou quietamente, olhar ainda sobre ele. Tom meticuloso, detalhado. - Acho que me lembraria de você.
Giorno fechou os olhos novamente, sorrindo um tanto. - Não nesse caso, penso eu.
A viagem retornou ao silêncio, outra vez.
Giorno continuou sorrindo levemente por todo o caminho. Pelo vidro da janela, ele podia ver como os olhos de Buccellati ainda permaneciam sobre ele, curiosos, mais abertos.
Giorno se recordava bem da sua visita a Nápoles – era verão, mas um dia particularmente fresco. Era, sim, uma ida a trabalho, mas não exatamente devido a Passione.
Ele tinha, ao final daquele dia, mãos limpas de sangue, produto odiado transformado em pequenos pássaros, ido próximo a área costeira. E de repente aqueles olhos azuis pareciam mais familiares, quase uma recordação em sua memória.
Talvez fosse, na memória do outro. Se aquelas peças sortidas do quebra-cabeças que Bruno Buccellati lhe mostravam em sua mente se mostravam…
E aquele teimoso sorriso não saía de seus lábios.
O carro parou próximo a uma praça, na parte alta da cidade. Giorno lançou um olhar curioso para fora, vendo Buccellati abrir a porta do seu lado, com um olhar quase expectativo. Giorno o fitou por alguns segundos, até que o outro saiu, com ele fazendo o mesmo em seguida.
A brisa era gentil em seu rosto, quase morna. A cidade brilhava naquele panorama, e Giorno sentiu uma sensação estranha, quase nostálgica em seu peito. Sacudindo a cabeça, ele foi em direção do capo, que o encarava em silêncio.
- Esse é um ponto privilegiado da cidade. - Buccellati disse, se voltando a frente da pequena mureta que dividia a parte alta da parte mais baixa. O vento levou alguns cabelos de Giorno acima, no que ele quietamente os colocou de volta. O moreno tinha uma das mãos no quadril, fitando a cidade lá em baixo. - Se quiser, podemos observar de alguns pontos estratégicos como esse, nos dias a seguir.
Giorno levemente virou o rosto a ele. - Não te causaria problemas? - ele disse, e o capo o encarou de relance. - Digo, você deve ter suas tarefas para fazer.
Buccellati meneou levemente a cabeça, olhar focado no dele. - Como você deve ter suas tarefas. Mas isso é um assunto importante. - ele disse, voltando a paisagem da cidade. - Um que me preocupa, muito.
Giorno o fitou, outra vez em silêncio. - Não te atrapalhará? - ele murmurou em tom bem colocado, deixando trespassar um pouco de pontualidade em seu tom. O moreno se virou a ele. - Além de ser um líder, você deve ter suas… Preocupações. - ele adicionou, quietamente. O olhar de Buccellati não se modificou um centímetro, e por um momento, Giorno se deixou contemplar aquilo. Admirável controle, qualquer motivo que fosse.
Buccellati piscou os olhos lentamente, quase como se quisesse que a ação saltasse aos olhos. Mas a nuance naquele olhar continuava o mesmo. - Como você deve ter também, Giorno. - ele disse, tom tão timbrado, calculado. Giorno não sabia dizer se havia malícia da parte do outro nesse momento, o deixando intrigado. - Mas precisamos agir, não é? - ele disse, levantando o queixo um tanto. - É uma missão importante para a toda Passione. - ele murmurou mais baixo, com o nome da organização a ter u m novo soar. Olhos azuis, que se tornavam mais densos novamente. - E é por isso que estamos aqui.
Giorno virou seu olhar a frente, sentindo seus cabelos esvoaçarem. Apoiando os braços na mureta, ele murmurou. - Exatamente. - ele disse, virando o rosto para o outro. - E seguimos cada coisa jurada pela Passione, não é?
Olhares quietos, mas centrados um no outro. Outra brisa passara entre eles, mas que não os moveu daquela ação, que parecia transferir mais coisas que suas próprias palavras.
Silenciosamente, eles entraram de volta no carro, e assim seguiram por toda a volta a mansão.
