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O Infiltrado

Summary:

Uma infiltração no quarto de Kirishima obrigou-o a ir procurar abrigo em outro lugar por uma noite e claro que ele escolheu o quarto de Bakugou.

Work Text:

Uma infiltração no quarto obrigou Kirishima a procurar outro abrigo por uma noite. É claro que sua escolha não poderia ser outra além de Bakugou que o recebera com certa relutância, sem deixar de ser receptivo — à sua maneira.

— Dorme aí no chão — falou ele.

— Sem problema! — exclamou Kirishima todo contente, como se aquilo fosse uma festa do pijama. — Boa noite, Bakugou.

— Tch.

Kirishima esperava dormir depressa ou pelo menos descansar os olhos, mas tudo o que conseguiu foi uma insônia dos infernos. O chão não era muito confortável.

— Bakugou, você está dormindo? — Kirishima perguntou olhando para a figura do amigo de costas na cama.

— Sim — veio a resposta.

— Você tem uma cama bem espaçosa, não é?

— Sim e eu já disse que estou dormindo.

— Você fala muito pra um sonâmbulo.

— Qual o propósito de perguntar a alguém sobre estar dormindo se você não quer a resposta? — indagou Bakugou.

— Só existem duas respostas lógicas para tal pergunta — explicava Kirishima. — Você pode responder "Não, Kirishima, não estou dormindo" ou você fica sem dizer nada para eu saber que você está realmente dormindo.

— Não dizer nada não é nenhuma resposta.

— Errado, meu caro amigo, é uma resposta indireta. Você me ensinou isso quando estávamos estudando Redação, não se lembra? Falando nisso, amanhã temos um teste e eu preciso dormir! Por favor, deixa eu dormir com você.

— Nem pensar!

— Eu durmo de cabeça pra baixo.

— Eu não quero o seu maldito pé na minha cara!

— Você fica de costas.

— Eu não quero o seu maldito pé na minha cabeça!

— Então eu durmo de cabeça pra cima e nós dois ficamos de costas — sugeriu Kirishima. — Vamos lá, Bakugou, eu nunca peço nada a você.

— Você me pede tudo todos os dias, Eijirou! "Bakugou, não consigo fazer esse cálculo""Bakugou, posso comer sua gelatina?""Bakugou, me dá um soco pra eu mostrar minha individualidade para aquela menina do segundo ano", é Bakugou pra cá, Bakugou pra lá, que inferno!

— Você nunca me chama de Eijirou.

— Cala a boca! Você pode dormir aqui, que saco!

— Valeu, cara!

Kirishima deitou-se ao lado do amigo, porém seu rosto manteve-se virado para o espaço vazio do quarto enquanto o de Bakugou encarava a parede.

— Já que você me chamou de Eijirou — Kirishima começou a dizer — posso te chamar de Katsuki?

— Não… tudo bem.

— Você sempre cede tão fácil!

Bakugou virou-se repentinamente e Kirishima fez o mesmo, suas cabeças quase se encontraram.

— Eu não faço isso! — rebateu Bakugou. — Kaminari me pediu algo emprestado ontem e eu não cedi.

— Não disse que você cede para outras pessoas, mas pra mim sim.

— Que mentira de merda!

— Você deixou eu dormir no seu quarto, deixou eu deitar na sua cama e agora eu posso te chamar de Katsuki. — Kirishima riu. — Lembra aquela vez que eu consegui arrastar você pra festa na piscina?

— Eu fui por pura e espontânea vontade, tá legal?

— Você com vontade de ir em festa na piscina? Com o pessoal que você vive desprezando? Com o Deku? Eu apareci na sua casa e convenci você a ir, não pode negar isso!

— Eu já estava planejando ir.

— Você estava jogando videogame.

— Eu estava esperando o horário de sair.

— Não tinha hora marcada, era só aparecer e pronto, além do mais você mesmo diz que faz o que quer quando quer.

— Kirishima, vá dormir antes que eu chute você daqui! — Bakugou gritou, mas manteve o olhar em Eijirou. — Vamos, quero ver seus olhos fechados!

Kirishima fechou os olhos, mas seu sorriso continuava intacto.

— E tire esse sorriso idiota da cara!

— Me desculpe, eu só acho tudo isso muito engraçado! — Eijirou desatou a gargalhar e cada vez que olhava discretamente para Bakugou encontrava-o com uma expressão de ódio diferente. — Tudo bem, eu vou parar, eu só estou muito feliz, Bakugou.

— Por ser um filho da puta?

— Por poder ter conhecido você. Agora vamos dormir, irei deixá-lo em paz, prometo.

E assim foi, mas o sono de Kirishima ainda estava no vai-e-vem e, quando despertou minutos mais tarde, viu que a mão de Bakugou estava bem próxima à sua. Kirishima entrelaçou seu dedo mindinho no de Bakugou e então não foi mais atormentado por qualquer insônia, entretanto, logo antes de adormecer ele rezou para que não conseguissem consertar a infiltração em seu quarto tão cedo.