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Summary:

Passando as suas férias de julho na casa do seu avô, a neta de Byun Baekhyun acaba encontrando algumas fotos da juventude dele e o pede para contar um pouco do seu passado

Notes:

Self-Plot #01

Eu queria agradecer a equipe do EXOlipse por ter criado esse fest lindo e também a Yuu, uma fofa que beteu a fic.

Enfim, desejo uma boa leitura.

Chapter 1: 2020

Chapter Text

Era 10:00 da manhã e Baekhyun tinha acabado de preparar o seu café. Estava na varanda da sua casa com o seu celular para ler um pouco do livro marxista que tinha baixado. Aquele era o seu lugar preferido da casa, lia, tomava café e aproveitava a vista que tinha ali, sentindo a brisa matinal.

 

Se mudou assim que o seu filho se casou e desde então tentou interagir com seus vizinhos mais próximos. O que morava em frente só falava de assuntos que não entendia nada, como as suas fazendas e como os seus filhos não administravam bem os seus negócios. O que morava ao seu lado era chato pra caralho, na sua concepção de um velho de 72 anos. Como não conseguiu fazer amizade com ninguém da rua e nem do bairro, não recebia nenhuma visita, exceto as visitas ocasionais de seu filho em festas, como páscoa e natal, e nas férias de julho da sua neta Son Seungwan.

 

Sua leitura atual foi atrapalhada pela caminhonete do seu filho vindo com a velocidade relativamente alta e os pneus derrapando, quase sofrendo um acidente.

 

— Vovô! — A criança saiu do carro correndo na direção dele com um sorriso e os abraços abertos como se não tivesse ocorrido nada.

 

— Eu sabia, eu sabia que não podia deixar você dirigir até aqui. Na volta, eu dirijo. — A nora do Byun disse brava, tirando as malas da filha.

 

— Se acalme, não aconteceu nada com o carro e com a nossa filha. — O homem saiu do carro para ajudar a esposa.

 

— Não sei aonde que eu estava com a cabeça deixando o carro nas suas mãos, você já bateu ele muitas vezes como um exímio motorista. — Falou de forma irônica.

 

Baekhyun olhava de canto a briga dos dois, segurando a risada, enquanto dava atenção para a neta que brincava no pequeno quintal que tinha.

 

— Entrem e fiquem pelo menos pra tomar um café. — Ofereceu.

 

— Valeu pai, mas eu já tomei o café já em casa, a gente tem que ir agora. — Respondeu, entregando as malas na mãos dele.

 

— Obrigada pela gentileza, sogro, mas se demorarmos mais vamos nos atrasar. Só vou me despedir da Seungwan pela última vez. — Disse indo até ela sendo seguida pelo marido.

 

Deram um abraço nela, falando o de sempre: “Se cuide filha e obedeça o seu avô. Te buscamos daqui algumas semanas. Te amo”

 

— Tomem cuidado na estrada, por favor. — Pediu chamando a atenção deles na saída.

 

— Relaxa que eu vou no volante agora. — A mulher falou, já entrando no carro.

 

— Tchau, pai. — Se despediu de Baekhyun batendo no seu ombro e recebeu um aceno de mão dele quando o carro deu partida.

 

Levou as malas da neta para o quarto que ela sempre ficava quando passava as férias ali e estava arrumando as roupas dela, colocando nos cabides, quando é assustado pela estatura baixa vindo devagar e silenciosamente.

 

— Vou morrer ainda pelos seus sustos, eu sou velho.

 

— Mas foi engraçado. — Disse rindo. — Já cansei de brincar, posso ver tv? — Perguntou e recebeu um aceno positivo com a cabeça de Byun.

 

Se jogou no sofá e ia colocar no seu canal preferido, mas viu alguns papéis que nunca tinha visto em cima do rack que despertaram certa curiosidade na menina. Analisando mais detalhadamente eram fotos de alguns jovens aparentemente da década de 1970 e o que chamou mais a sua atenção nelas era um homem de mullet com traços parecidos com o seu avô.

 

— Vô. — Chamou Baekhyun e percebeu a sua cara de frustração ao ver as fotos nas suas mãos. — Que fotos são essas?

 

— São algumas fotos de quando eu era jovem, tinha esquecido de guardar. — Pegou as fotos das mãos dela e olhou elas com um sorriso discreto se lembrando da sua juventude junto com os amigos.

 

Eles formavam um grupo de 9 pessoas que se uniram pela influência do movimento hippie. Eram jovens que se reuniam para ouvir bandas como The Rolling Stones e The Beatles escondidos dos pais já que, segundo eles, as músicas deles faziam lavagem cerebral em todos que as escutam, tornando-se comunistas e gays. No início da década de 1960, quando tinham entre 10 e 13 anos, se consideravam hippies e diziam que seriam os pioneiros do movimento no bairro deles. Depois do episódio do Charles Manson, se afastaram do movimento e começaram a fugir de casa para se reunirem numa oficina abandonada para usar drogas, principalmente maconha, ouvir as bandas favoritas e debater sobre o comunismo.

 

— Quem é você nelas? É o homem de mullet?

 

— Pior que sim. Na época eu achava inédito, eu achava legal e quase ninguém usava porque nem tava na moda, essa coisa só foi se popularizar nos anos 80. — Explicou para a criança que ouvia tudo atentamente e se preparava para a possível enxurrada de perguntas que iria vir dela.

 

— Porque só 4 fotos? Não tem mais?

 

— Só tenho essas mesmo. Nunca gostei de tirar fotos, existem poucas fotos minhas e essas que estão comigo pra mim já é o suficiente para lembranças. — Sentou-se no sofá porque estava cansado.

 

— Quem são eles? — Seungwan sentou ao lado dele, olhando a foto que tinha 9 pessoas em um carro abandonado.

 

— Eram meus amigos, Wendy. Tenho saudades deles, tem gente que já morreu e não vejo os que restaram faz tempo, devem ter morrido também. — Falou com tom de arrependimento porque foi o primeiro a cortar o contato com todos eles depois da overdose por heroína que o mais velho do grupo sofreu e que matou ele.

 

— Ah, eu sinto muito por ter acontecido isso com você. — Disse, sem graça com a situação que tinha criado com o avô.

 

— Tá tudo bem, isso faz décadas. — Olhou para o relógio que marcava 11:38 e foi andando até a cozinha com Seungwan lhe seguindo. — Wendy, eu vou preparar o almoço, pode ficar na sala.

 

— Mas eu queria saber mais das fotos. — Fez uma cara de cachorro abandonado tentando convencer Byun.

 

— Te conto depois do almoço. — Respondeu retomando o caminho para a cozinha.

 

Alguns minutos depois os dois já estavam na mesa, Wendy já tinha terminado de comer e estava na sala, esperando o velho terminar de lavar a louça.

 

— Tudo bem, vamos lá, qual foto você quer saber primeiro? — Baekhyun perguntou, secando a mão no pano de louça que estava no seu ombro.

 

— Essa. — Mostrou a ele a foto onde estava ele e um cara com uma blusa florida.