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Um Romance (Não Tão) Clichê

Summary:

Onde Emma é uma adolescente que precisa lidar com problemas típicos dessa fase da vida como um emprego terrível, a escola e um melhor amigo stalker, que faria de tudo para mudar seus status de relacionamento.

Day 1: Free

Notes:

Fiz isso originalmente pra Oyakusoku Noremma Week, mas acabou não ficando pronto a tempo. Então estou reaproveitando o plot pro Noremma Month.
Vamos ver se eu consigo escrever todos os prompts.

Work Text:

― Você está atrasada de novo. Já é a segunda vez apenas nesta semana. Além disso, você...

A mente de Emma desligou completamente durante todo o sermão e ela apenas balançou a cabeça algumas vezes em sinal de concordância, para fingir que estava escutando. Por causa de algumas coisas que precisou fazer na escola, ela havia perdido o ônibus que usava para chegar até a cafeteria onde trabalhava. Então a ruiva teve de correr a pé até o trabalho ao custo de não almoçar naquele dia, entretanto, apesar de seus esforços, ela acabou chegando atrasada.

Agora aqui estava ela, levando mais um sermão de Andrew, o detestável gerente da cafeteria. Os olhos de Emma se fixaram na gravata que ele usava e logo lhe passou pela cabeça a ideia de usar aquela coisa cafona para estrangulá-lo. Infelizmente ela não poderia concretizar sua fantasia na vida real, mas apenas a imagem mental de Andrew engolindo toda a sua arrogância para implorar por ar foi o suficiente para melhorar um pouco o humor da ruiva.

― Qual é a graça? Estou contando uma piada por acaso? ― ela foi puxada de volta para a realidade, notando a carranca profunda que havia se formado no rosto do gerente. Céus, se olhares pudessem matar, aquele homem estaria atirando facas em Emma nesse exato momento.

― Eu realmente sinto muito senhor. Isso não vai mais se repetir. ― o que ela queria dizer de verdade naquele momento era que Andrew podia pegar aquele emprego horrível e enfiar no lugar onde o sol não alcançava, mas a necessidade falava mais alto que seu orgulho. A situação financeira dela e de seu pai não era das melhores, então ela precisava daquele emprego.

― Com certeza não irá, por que se acontecer de novo, você será demitida. Já estamos conversados, agora volte ao trabalho. ― dito isso, Andrew ajustou os óculos e se retirou da sala dos funcionários. Quando já estava sozinha, Emma soltou um suspiro cansado.

― Vamos garota, olhe pelo lado bom. Pelo menos dessa vez ele teve a decência de te chamar para um local privado antes de começar o sermão. ― ela estava tentando acalmar a si mesma com aquelas palavras, entretanto, elas tiveram o efeito contrário, pois todas as muitas ocasiões onde Andrew gritou com ela na frente dos fregueses e funcionários do café passaram pela sua mente.

― Quem eu estou tentando enganar? ― a ruiva abriu o armário onde guardava suas coisas e enfiou a cabeça lá dentro, em seguida gritou o mais alto que pôde. ― EMPREGO DE MER- 

Só por que ela precisava daquele emprego, não significava que ela não o xingava sempre que podia.

Depois de trocar sua roupa normal pelo uniforme de garçonete, Emma foi até a recepção da cafeteria, dando início oficialmente a mais um dia detestável de trabalho. A ruiva amaldiçoava todos os escritores e roteiristas que um dia já se atreveram a retratar na ficção como trabalhar em cafeterias era algo maravilhoso, um emprego dos sonhos onde você poderia até mesmo encontrar o amor de sua vida. Infelizmente a realidade é muito mais cruel; o chefe era um tirano, a maior parte dos fregueses era insuportável e o máximo de interações que Emma conseguia ter com o sexo oposto se resumiam a cantadas idiotas e assédio.

― Emmaaaa!

― Falando em assediadores. ― a ruiva sussurrou para si mesma e respirou profundamente, então forçou um sorriso para tentar esconder seu óbvio descontentamento com o garoto albino que estava acenando para ela.

Aquele era Norman. Emma o conhecia desde que se lembrava. Os dois sempre foram vizinhos e frequentaram a mesma escola desde o jardim de infância, embora agora no ensino médio estivessem em escolas diferentes, pois Norman havia conseguido uma bolsa de estudos num colégio renomado da cidade. 

Sua genialidade somada a ótima situação financeira de sua família fazia muitos considerarem Norman um “ótimo partido”, mas como a pessoa que melhor o conhecia, Emma sabia muito bem que no fundo o albino não passava de um psicopata pervertido. E para sua “grande sorte”, ela era o alvo de toda a sua obsessão.

― Bem-vindo. Posso anotar o seu pedido? ― a ruiva decidiu tratá-lo como se fosse um cliente normal e rezou internamente para que ele estivesse ali apenas para comer alguma coisa.

― Eu gostaria de ter a sua mão em casamento. ― Norman respondeu, esboçando um sorriso de orelha a orelha.

Ao ouvir a resposta, a falsa expressão alegre no rosto de Emma mudou para uma que condizia melhor com seus sentimentos.  ― Ora, seu... ― ela estava prestes a lhe dizer umas poucas e boas, porém, ao avisar Andrew por sua visão periférica, a ruiva forçou o sorriso mais antinatural que Norman já tinha visto em toda sua vida. Não era uma boa hora para fazer cara feia e muito menos causar um escândalo, então teria de aguentar aquilo querendo ou não.

“Céus! Como eu odeio esse emprego!”

 

 

                                               [...]

 

Ao final do expediente, Emma estava completamente exausta. Como se sua rotina já não fosse cansativa o suficiente, até aquele momento ela ainda não tinha tido uma única refeição decente, então suas energias estavam mais baixas que o saldo de sua conta bancária. A ruiva praticamente se arrastou até o ponto de ônibus e se jogou sobre o banco que havia ali.

― Pelo menos agora estou longe daquele rato do Andrew. Então posso relaxar. ― pelo menos foi o que ela pensou. Momentos após ter chegado ao ponto de ônibus, Emma ouviu aquela voz inconfundível a chamando.

― Hoje não é o meu dia. ― ela se inclinou para frente e cobriu o rosto com ambas as mãos.

― Que bom que consegui te encontrar a tempo. Estava te esperando sair do trabalho, mas acabei te perdendo de vista.

“Isso é por que eu tomei um desvio diferente pra tentar te despistar.” ela pensou.

A ruiva removeu as mãos da face e se recostou novamente no banco, em seguida virou seu rosto para encarar o albino. ― Norman você tem um carro, por que diabos não o usa em vez de vir até o ponto de ônibus todo dia?

― Você sempre rejeita minhas caronas, então resolvi andar de ônibus junto com você.

Emma inspirou profundamente antes de falar. ― Ouça Norman, eu tive um dia cheio hoje. Então você, por favor, poderia não me trazer mais problemas?

O sorriso bobo do albino se desfez e ele ficou sério por um momento. ― O que houve? Tem algo aborrecendo a minha querida Emma? ― preocupação genuína transbordava de suas palavras.

― Não é nada realmente sério. Como diria o meu pai, é só drama de adolescente. ― ela respondeu, dando um meio sorriso. Mesmo que ele ainda fosse um psicopata pervertido, a ruiva não gostava de ver as pessoas ficarem preocupadas por sua causa.

― Aqui. ― Norman estendeu para ela um saco de papel que segurava. ― Não é bom enfrentar problemas de estômago vazio.

― Como você- ― ela se interrompeu, pois era Norman afinal. Aquele garoto sabia de quase tudo que se passava com ela, beirando a perseguição. ― Obrigada, Norman.

― A minha querida e doce Emma me agradeceu. Estou tão feliz. ― e com isso, o albino voltou ao seu “modo pateta”. Emma revirou os olhos e retirou um sanduíche de dentro do embrulho, em seguida começou a comê-lo.

 

                                            [...]


― Aaah! Eu desisto! ― a ruiva gritou, batendo sua cabeça contra a escrivaninha.

As provas finais ocorreriam em breve, então Emma tinha muito o que estudar. Ela era uma boa aluna no geral, mas matemática sempre foi um problema para a ruiva desde os primeiros anos na escola. Caso um milagre não ocorresse, Emma corria o sério risco de repetir o ano.

― Deus, por favor, conceda-me um milagre. ― ela implorou para o teto com as mãos erguidas. Então se ouviu o som de uma notificação de mensagem em seu celular, como se em resposta a suas preces. A ruiva desbloqueou a tela do aparelho e abriu a conversa.

De Norman:
Precisa de ajuda?
Posso ouvir seus gritos de desespero daqui de casa ;-;
Sabe que pode sempre contar comigo
Seria um prazer ajudá-la a estudar <3

Em outras ocasiões Emma apenas ignoraria as mensagens, mas dessa vez ela precisava realmente de ajuda e querendo ou não, Norman era a pessoa mais inteligente que conhecia, e por sua vez, o mais qualificado para ajudá-la. Situações desesperadoras requerem medidas desesperadas.

De Emma:
Apenas venha logo

Após enviar a mensagem, a ruiva pegou tudo o que precisaria e foi para a sala esperá-lo ― ela não queria Norman chegando nem perto de seu quarto graças ao incidente de quando tinha 6 anos, onde Emma o flagrou cheirando suas saias. O albino chegou instantes depois e eles logo deram início a aula.

Mesmo tendo certa dificuldade, Emma era uma boa aluna e Norman era um ótimo professor, então ela logo conseguiu compreender melhor a matéria. Ainda assim, o albino se ofereceu para continuar ali pelo restante da sessão de estudos, para auxiliá-la caso lhe surgissem outras dúvidas. A ruiva sabia que ele estava apenas dando uma desculpa esfarrapada para poder passar mais tempo observando-a de perto, porém, no fundo, Emma sentia que Norman realmente só queria ajudá-la.

 

                                                          [...]

 

― Emma, o que houve com você? ― indagou Susan, uma das colegas de trabalho da ruiva.

― As provas finais estão próximas... ― ela fez uma pausa para bocejar. ― Então não tenho tido muito tempo pra dormir.

― Não seria melhor tirar alguns dias de folga? Você me parece bastante cansada. 

― Obrigada por se preocupar, Susan. Está tudo bem. E de qualquer forma, ― Emma se aproximou um pouco mais da amiga para poder cochichar em seu ouvido. ― o carrasco ali está querendo por minha cabeça na guilhotina tem temp. A única folga que ele me daria seria num caixão. ― as duas riram baixinho da piada mórbida.

― Vocês aí. Parem de conversa fiada e voltem ao trabalho. ― Andrew as repreendeu.

Susan seguiu em direção as mesas para continuar anotando os pedidos, já Emma pegou uma bandeja que havia sobre o balcão contendo um milk-shake. Norman quem o havia pedido, pois apesar de não ir ali necessariamente para comer ele comprava alguma coisa de vez em quando, afinal não poderia ficar ocupando espaço na cafeteria todos os dias sem consumir nada. Quando a ruiva deu os primeiros passos em direção a mesa do albino, sua visão ficou um pouco turva por conta do sono e ela acabou tombando em alguém, derramando todo o milk-shake sobre a pessoa.

― Sinto muitíssimo. Eu- ― ela parou de falar assim que percebeu quem era a pessoa na qual derrubou a bebida. Já era parte da rotina de Emma ver Andrew irritado, entretanto, dessa vez ele parecia possesso de ódio. O homem estava ficando azul!

Todo o sangue sumiu do rosto da ruiva, fazendo-a ficar pálida como um fantasma. Ela ficou tão tensa que sequer foi capaz de notar que Norman havia escapulido de sua mesa e agora estava de pé bem atrás dela.

― Sua idiota! ― Andrew começou a gritar, sem se importar com a “plateia” de clientes e funcionários ao redor. ― Eu fui bonzinho com você esse tempo todo, relevando suas constantes falhas, e é assim que você me agradece?

― Me desculpe. Eu realmente sinto- 

― Já basta! ― ele a cortou. ― Você está despedida.

Os olhos da ruiva quase saltaram para fora. ― Espera. Por favor, eu preciso desse emprego.

― Devia ter pensando nisso antes de se mostrar uma total incompetente. ― Andrew retrucou em tom de deboche.

― Engula suas palavras. Você não tem o menor direito de falar com ela assim. ― Norman interveio, falando num tom firme e irritado.

― E ah, leve com você esse seu stalker. Ele só fica ocupando o espaço de clientes de verdade a maior parte do tempo, sem falar que é um completo esquisito.

Agora ele tinha conseguido realmente irritá-la. Emma não se importava nem um pouco com o que um idiota feito Andrew dissesse sobre ela, pois a ruiva sabia bem quem ela era e não ia ser um chefe idiota que mudaria isso, mas ninguém insultava as pessoas que ela amava e saía impune.

Espera, desde quando Emma considerava o psicopata pervertido como alguém que ela amava?

― Escuta aqui seu merda. ― a ruiva praticamente cuspiu as palavras e o fuzilou com um olhar mortal. ― Mesmo se você reencarnasse mil vezes, você ainda não seria nem a poeira do sapato do Norman. Então controle esse seu veneno de cobra ao falar sobre ele, se não...

― Se não o que? ― ele perguntou, não se deixando intimidar.

― Se não eu... ― Emma cerrou os punhos e continuou o encarando com ódio.

― Vai me agredir? Que piada. ― Andrew ajustou os óculos no rosto e forçou uma risada sarcástica. ― Vá em frente. Se encostar um único dedo em mim irei te processar e arrancarei as poucas migalhas que você tem.

Ele mal teve tempo de terminar de falar, Norman o atingiu em cheio com um soco no rosto, derrubando-o no chão instantaneamente e fazendo os óculos que ele usava sair voando pelos ares. Todos os presentes assistiram a cena boquiabertos, sem mover um único músculo.

― Pode tentar me processar se quiser. Eu te desafio. ― disse Norman, esboçando um sorriso irônico.

Emma estava completamente chocada, ela mal acreditava que tudo aquilo estava realmente acontecendo. Sua mente se esvaziou e o único pensamento presente nela era de como Norman parecia legal naquele momento.

 

                                              [...]

 

― Aí! ― o albino gemeu ao sentir a bolsa de gelo em contato com seu olho inchado.

― Segure isto, irei cuidar de sua mão agora. ― ele assentiu, obedecendo as instruções de Emma.

A briga acabou ficando feia para o lado de Norman que ganhou um olho roxo entre outros machucados. Por fim, Emma precisou intervir, e após ela dar uma boa surra em Andrew, os dois correram para a casa da ruiva, onde ela atualmente estava cuidando dos machucados do amigo.

― Alguém tão frágil quanto você não deveria sair por aí arrumando brigas. ― disse Emma, terminando de enfaixar a mão que Norman havia usado para socar Andrew. ― Mas confesso que aquilo foi bem legal. Você realizou o sonho de vários dos meus colegas de trabalho. Quer dizer, ex-colegas.

― Discordo. Acho que você foi bem mais legal que eu. Onde aprendeu a lutar daquele jeito?

― Eu tive aulas de defesa pessoal quando estávamos na oitava série. Estou um pouco enferrujada, mas pelo que podemos ver, ainda dou pro gasto. ― ela ergueu os punhos, dando um sorriso orgulhoso.

― Você não está... preocupada? Digo, você perdeu seu emprego e ainda teve aquelas ameaças.

― Não se preocupe com isso. Na verdade, estou um pouco aliviada por ter me livrado daquele emprego horrível, não vai ser fácil achar outro, mas eu mereço algo melhor do que aquilo. E quanto ao babaca, ele tem toda aquela pose de durão, mas no fundo é apenas um covarde. Duvido que tente fazer algo contra você ou contra mim e arriscar provar um pouco mais dos meus golpes. ― os dois riram do comentário.

A conversa acabou se encerrando ali e Emma analisou com cuidado os machucados de Norman.

― Hey Norman. Por que fez aquilo? ― o albino apenas a encarou, como se não tivesse entendido a pergunta. ― Conflitos físicos claramente nunca foram o seu forte, e mesmo assim, você socou aquele idiota sem pensar duas vezes.

― Não é óbvio? É porque você parecia precisar de ajuda. E eu sempre irei ajudar a Emma não importa o que, porque-

― Você me ama.― ela completou com indiferença, o cortando. 

― É. ― Norman pareceu um pouco magoado, mas isso não durou muito tempo, pois Emma o pegou de surpresa, lhe dando um beijo na bochecha. 

― Obrigada… Por estar sempre me ajudando a sua maneira… ― disse, soltando um risinho sem graça. O albino estava tão abalado pelo beijo que não conseguiu dizer uma única palavra, ele apenas esboçou um sorriso de orelha a orelha, seu rosto pálido gradualmente mudando de cor para um vermelho intenso.

“Desde quando você ficou tão fofo?”

“Espera! Eu acabei de chamar o psicopata de fofo?”

“Mas ele de fato é fofo… Quer dizer… Apenas as vezes…”

― Cala a boca! ― ela gritou para seus próprios pensamentos. ― Quer saber? Que se dane! ― Emma jogou fora qualquer resquício de sanidade que ainda lhe restava e pulou em cima de Norman, o puxando para um beijo.

Seria eufemismo dizer que ele quase morreu de alegria com isso. Na verdade, Norman tinha certeza de que seu coração parou pelo menos duas vezes, mas sua teimosia e amor incondicional por Emma eram o suficiente para trazê-lo de volta a vida mais rápido do que qualquer massagem cardíaca.

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