Work Text:
Enquanto remexia na comida de seu prato com o garfo, Norman suspirou pelo que pareceu a vigésima vez, encarando a refeição com uma expressão apática.
― Se eu perguntar o que aconteceu você promete que vai parar de suspirar? ― indagou Ray, com indiferença.
― Ray, não seja malvado! ― Emma o repreendeu, fazendo-o revirar os olhos.
― Então, o que houve? ― ele perguntou novamente, dessa vez seu tom de voz carregava preocupação.
― Eu perdi algo. Procurei no quarto todo e não achei. ― o albino respondeu de forma desanimada.
― O que era? Talvez algum de nós tenha visto. ― disse a ruiva.
― Ah… Você vê… Foi o copofone que você me deu… ― ele admitiu, suas bochechas adquirindo um tom rosado.
― Por que você simplesmente não faz um novo? ― Ray sugeriu, como se fosse o óbvio a se fazer.
― Não! ― Norman exaltou um pouco o tom de sua voz, parecendo extremamente ofendido. ― É o meu tesouro precioso e- ― quando percebeu o que havia dito, o albino se encolheu em sua cadeira de vergonha e suas bochechas pareceram estar queimando de tão ruborizadas. Ray soltou uma risada discreta com a cena. ― Quero dizer… Foi um presente, então é realmente importante pra mim.
― Não se preocupe, iremos te ajudar a procurar. ― a ruiva segurou em seu ombro com firmeza e sorriu de forma tão radiante que Norman podia sentir seu coração derretendo.
― Sério?
― Claro! Ray e eu vamos te ajudar, então com certeza encontraremos seu tesouro.
― Obrigado. ― o albino sorriu pela primeira vez naquela manhã, fazendo o sorriso de Emma se alargar ainda mais.
― Por que eu estou incluído nisso? ― Ray protestou, fazendo uma careta.
― Por que eu sei que você quer ajudar. Afinal, Ray se importa profundamente com o Norman tanto quanto eu.
― Q-quem disse? ― ele corou um pouco e se amaldiçoou mentalmente por ter gaguejado. O albino apenas riu enquanto ouvia a pequena discussão, e após serem repreendidos pela Mama os três continuaram a comer.
De repente, Emma prensou Norman contra a parede e encarou seus olhos com firmeza. Aquela proximidade o deixou atordoado e o albino sentia que poderia desmaiar a qualquer momento. Normalmente quando isso acontecia era porque Norman estava doente, entretanto, nessa ocasião em especial o que estava quase derrubando seu corpo não era nenhum tipo de vírus, mas sim uma imensa felicidade.
― Onde estava na noite em que ele sumiu? ― ela perguntou num tom acusatório, então Ray a acertou com um soco no topo da cabeça, obrigando-a a recuar.
― O que pensa que está fazendo? Viemos ajudar o Norman e não intimidá-lo.
― Desculpaaaa. ― ela choramingou enquanto esfregava a cabeça com ambas as mãos. ― Eu só estava imitando o detetive de um dos livros da biblioteca. O Cher Locked Home.
― Acho que o correto seria Sherlock Holmes. ― Norman a corrigiu após ter se recuperado dos acontecimentos anteriores.
― Isso! Somos como Sherlock Holmes! ― a ruiva gritou de forma animada.
― Tá, que seja. Não vamos perder tempo, caso contrário, vai anoitecer antes de encontrarmos o copofone. ― disse Ray, cortando o assunto. ― Vamos nos espalhar pela Casa. Cada um vai numa direção diferente, assim cobriremos uma área maior em pouco tempo.
Dito isso, os três se espalharam e começaram a procurar por toda a residência, até mesmo nos lugares mais improváveis para o copofone estar. Por fim, nenhum deles obteve um resultado satisfatório, sendo assim, eles decidiram procurar no lado de fora.
Ao perguntarem as demais crianças que brincavam nos arredores da Casa se elas haviam visto o copofone, eles logo descobriram o que havia acontecido. Duas crianças da idade do trio tinham pegado o objeto para brincar e acabaram o destruindo, então esconderam as “provas do crime” na floresta, temendo uma represália.
Norman perdoou as crianças que ficaram em prantos, completamente arrependidas pelo que fizeram. Ele não guardava nenhum ressentimento, pois sabia que havia sido apenas um acidente, contudo, isso não o impediu de se sentir triste e magoado.
― Isso vai sujar suas roupas, sabia? Sem falar que toda essa sujeira pode te deixar doente. ― Ray advertiu o albino, que estava segurando os copos cobertos de lama, o fio que os conectava agora se encontrava rompido no meio.
― Eu não me importo. ― o albino colocou os copos perto do peito de forma protetora. ― É o meu tesouro precioso.
Dado ao estado do copofone, Norman se viu obrigado a jogá-lo fora, uma vez que não poderia guardá-lo naquele estado. Já era hora de dormir e ele continuava se sentindo um pouco chateado por ter perdido seu tesouro de tal forma, entretanto, não havia nada que pudesse ser feito.
Ele fechou os olhos para que o sono levasse sua consciência para o mundo dos sonhos, apenas para abri-los logo depois, instigado por alguns puxões em sua bochecha esquerda. Ao lado de sua cama, destacava-se um ponto luminoso em meio a escuridão do quarto, tratava-se de Emma empunhando uma lanterna a óleo com a mão direita, enquanto que a esquerda estava escondida em suas costas.
― Emma? O que tá fazendo aqui?
― Vim te entregar isso. ― ela esticou para frente a mão outrora escondida, lhe mostrando um par de copos descartáveis unidos por uma linha. ― Te ver triste daquele jeito me deixou triste também, então fiz um novo copofone pra te animar.
O albino piscou algumas vezes e encarou o objeto, então ele sorriu e pegou o copofone, segurando-o como se tivesse uma joia rara e valiosa em suas mãos. E de fato, para ele, era algo muito valioso, bem mais do que todo o ouro do mundo.
Afinal, era um presente vindo da pessoa que Norman amava.
― Obrigado, Emma. Irei cuidar bem dele dessa vez.
― Se ele quebrar de novo é só me dizer. Posso fazer quantos copofones quiser, então nunca mais fique triste por causa disso, ok?
― Ok.
― Jura de dedinho? ― a ruiva estendeu seu dedo mindinho e o albino o entrelaçou com seu próprio dedo, então juntos eles recitaram o juramento.
“Promessa do dedo mindinho: se eu estiver mentindo, engolirei mil agulhas e cortarei o meu dedo.”
Após isso, os dois se despediram e Emma deixou o quarto. Norman guardou o objeto em sua cômoda e riu de si mesmo, ele acabou ficando tão obcecado pelo incidente dos copofones que acabou se esquecendo que o maior tesouro de todos estava bem ali ao seu lado: Emma.
E esse era um tesouro que ele jamais perderia.
