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Sem Volta

Summary:

Uma série de péssimas decisões, poderes fora de controle, e a compra impulsiva de uma passagem para a Coreia do Sul -- não é uma combinação que normalmente resulta em algo bom.
É uma sorte que a vida de Grant anda muito fora do normal esses dias.

Notes:

Oioi pessoal! Voltei pra tentar juntar os pedacinhos de história que a Riot dá pra gente. As backstories do Phoenix e da Jett são muito inspiradas pela fic "it tore me apart like a hurricane", de lookingforward (eu pedi permissão pra me basear nas teorias, é claro)
Eu não escrevo muita comédia (minhas fics compridas são todas de angst) então eu tô testando como a coisa vai, mas eu tô curtindo bastante como tá ficando, então :)
Ah, e eu tô usando os nomes de verdade deles, porque isso acontece antes deles entrarem pra Valorant, então o Phoenix chama Grant e a Jett chama Joon-Hee (são os nomes canônicos deles).

Espero que gostem! :)

(See the end of the work for more notes.)

Chapter Text

Grant não tomava boas decisões sob pressão, e os últimos dias deixavam isso bem claro. 

Para começar, a Primeira Luz tinha deixado o mundo todo uma bagunça, e um dos focos dos desastres tinha sido bem perto de onde ele morava. E assim que começaram a reportar que algumas pessoas que tinham sido expostas à radianita tinham desenvolvido habilidades estranhas, ele botou fogo na mesa da cozinha. É claro que ele ia ter a sorte de conseguir poderes perigosos que ninguém entendia ou sabia controlar. 

Assim que ele apagou o fogo, ele decidiu que era melhor não contar para ninguém o que tinha acontecido. Ninguém sabia o que ia acontecer com os radiantes -- era o nome que estavam dando para os que tinham conseguido poderes -- e ele não ia querer descobrir em primeira mão. O melhor era deixar quieto, ficar de boa e esperar para ver o que ia acontecer. Era um bom plano. 

Mas é claro que ele não tinha toda essa sorte. Claro que ele tinha que ter ido para o dormitório de Ben, claro que o idiota do Tyler tinha tentado fazer uma pegadinha idiota e ele tinha levado um susto, e quando ele viu metade do quarto tinha pegado fogo. 

Ele e os amigos tinham saído correndo, mas o fogo se espalhou muito rapidamente, e eles estavam no segundo andar. Quando eles conseguiram chegar no térreo, o fogo já tinha consumido uma boa parte da estrutura. Bem quando eles estavam saindo, um pedaço de uma viga caiu em cima de Grant e de Ben, e Grant tinha certeza que aquele era o fim. 

Não foi o fim. Ele sentiu a dor da madeira batendo na cabeça dele, forte demais para não ter feito estrago, e então ele estava parado alguns metros atrás de onde ele tinha estado. Olhando para a viga que tinha caído em cima dele, e para o corpo de Ben caído no chão, sangrando da cabeça. Ele engoliu em seco, hesitou por um segundo, e correu. 

Os pensamentos dele eram um loop constante de merda merda merda merda . Ele voltou para a kitnet dele por puro instinto, porque ele não conseguia pensar em nenhum outro lugar para onde ele podia ir, e foi direto procurar alguma bebida. Ele era o tipo de pessoa que bebia só em festas, mas naquele momento ele não queria pensar em mais nada. Ele pegou uma garrafa de um destilado barato e horrível. Ele tinha apostado com Ben que iria tomar metade daquela porcaria se ele conseguisse passar em Literatura do Século XIX. Ben, que estava sangrando no chão onde Grant deveria estar. Ele tomou um gole direto da garrafa. 

Grant acordou no dia seguinte com uma dor de cabeça horrível. Ele olhou o celular por instinto e percebeu que estava sem bateria. Enquanto carregava, ele foi tomar um copo de água. O olhar dele parou na mancha onde ele tinha colocado fogo na mesa, e todos os eventos da noite anterior voltaram. 

O prédio inteiro tinha pegado fogo. Ben tinha morrido. Ele tinha que ter morrido, com a força que a viga tinha acertado. Merda, Grant tinha que ter morrido. Ele estava lá, ele sentiu a viga acertando a cabeça dele, e então ele não estava mais lá. 

O celular dele começou a vibrar no quarto, recebendo uma quantidade alarmante de mensagens. Ele hesitou, mas foi ver o que ele tinha recebido. 

Havia mensagens não só dos amigos dele, mas também de pessoas que ele mal conhecia de alguma matéria que ele tinha feito. As mensagens eram, na sua maioria, perguntas de você está bem? e você viu que os dormitórios pegaram fogo? , mas Tyler tinha mandado várias mensagens de Grant que merda foi essa, o que aconteceu , atende a porra do celular e Grant puta merda o Ben tá morto onde você tá??

Ele bloqueou o celular. Como ele ia olhar na cara do Tyler -- ou de qualquer outra pessoa -- agora? Quantas pessoas tinham morrido naquele incêndio? O celular vibrou mais uma vez, e ele olhou por instinto. Dessa vez era uma menina que sentava perto dele em alguma matéria, mandando um vídeo e a mensagem é você????

Isso era estranho. Ele abriu o vídeo, uma gravação postada na internet com o título “ Novo radiante avistado no incêndio em Londres! . Era um vídeo do incêndio visto pelo lado de fora, e ele reconheceu Tyler correndo na frente, e ele e Ben atrás.  Grant parecia estar cercado por um brilho estranho, mas aquilo poderia ser um efeito da luz. Ele se encolheu enquanto assistia a viga caindo na cabeça deles -- e então, no vídeo, ele se dissipou em um flash de luz e reapareceu um pouco atrás, enquanto Ben caía morto no chão. 

Então ele não tinha imaginado. Ele devia ter morrido, e alguma ironia cósmica tinha decidido que ele ia sobreviver enquanto ele causava todo aquele dano. Quantas pessoas sabiam disso? Merda, o vídeo tinha um milhão de visualizações e tinha sido postado só há algumas horas. A maior parte das mensagens que ele tinha recebido durante a noite, agora que ele estava vendo com calma, eram sobre aquele vídeo. E ele queria ser discreto… 

Alguém bateu na porta com força. Era quinta-feira de manhã, e ele não tinha ideia de quem poderia ser. Ele abriu e viu três homens uniformizados parados no corredor. Grant ficou muito consciente de que ele estava de ressaca, com as mesmas roupas do dia anterior -- merda, ainda tinha fuligem nas roupas. O homem mais a frente disse:

“Com licença, nós poderíamos fazer algumas perguntas?”

“Perguntas sobre o quê? E, hã, quem são vocês?” 

“Você é o radiante envolvido com o incêndio na universidade ontem a noite, não? O radiante que estão chamando de Phoenix?” 

“Eu não sei nada sobre isso,” ele disse, se apressando para fechar a porta. O homem colocou a mão na frente, segurando.

“Eu acho que você sabe exatamente do que eu estou falando.” 

Grant entrou em pânico. Ele soltou a porta e saiu correndo, procurando a saída dos fundos. Ele ouviu o homem dando um tropeço quando ele soltou a porta, mas não virou para olhar. 

Será que era isso que estava acontecendo com os radiantes? Será que eles recebiam visitas de homens estranhos com uniformes e sumiam? Ninguém nunca mais ouvia falar dos radiantes depois que eles apareciam na internet e nas notícias. E mesmo que não fosse nada de perigoso, ele ainda tinha causado um incêndio. Ele era responsável por tantas mortes. Se ele fosse pego, ele estava ferrado. 

Então ele disparou pela cozinha, pegou a saída dos fundos e bateu a porta na cara dos homens que o perseguiam, tentando ganhar tempo enquanto ele corria. Demorou um bom tempo, várias voltas ao redor dos quarteirões por perto e muita adrenalina, mas Grant conseguiu despistá-los de alguma forma e voltar para a kitnet. 

Ele não tinha muito tempo até eles decidirem se reagrupar e voltar a procurá-lo. Grant não tinha ideia para onde ele estava indo, mas ele tinha que ir para algum lugar -- o mais longe possível. Ele pegou todas as roupas que ele conseguiu enfiar em uma mochila, pegou o celular e a carteira e foi direto para o carro. 

Ele se sentou na direção, ainda cheio de adrenalina, e então ele percebeu que não tinha ideia do que ele estava fazendo. Para onde ele queria ir? O que ele ia fazer, de qualquer maneira? Bom, ele sabia que ele não ia voltar para a faculdade tão cedo, e que havia agentes uniformizados procurando por ele e sabiam o seu endereço e claramente o seu nome. Ele tinha que sumir, pelo menos por um tempo. Como aqueles caras tinham encontrado ele tão rápido? Fugir para alguma cidade por perto não ia fazer diferença. 

Ele deu a partida, agora com um rumo: o aeroporto. Ele podia comprar uma passagem para o lugar mais longe que ele conseguisse, e ficar no canto dele por um tempo. Ele não estava nada preparado para uma viagem comprida, mas era um momento de desespero. 

E foi assim que Grant acabou em um avião para a Coreia do Sul, sem ideia de quando ele ia voltar ou o que ele ia fazer. Ele estava indo para longe da bagunça que ele tinha feito, e isso era o suficiente. Pelo menos ele esperava que fosse.