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Cura Ressaca

Summary:

Para Jeno, as coisas estavam ruins, claro. Terminar o namoro de quase 3 anos do nada não é exatamente algo fácil de se lidar, mas, considerando a sua (má) sorte, é claro que tudo iria piorar.

De todas as 7 bilhões de pessoas no planeta, Jaemin o trocou por Huang Renjun, o garoto esnobe e imbecil que ele mais odiava naquele colégio. O problema é que Jeno não conseguia controlar os próprios impulsos e suas mãos pareciam achar que o rostinho de Renjun servia como um perfeito saco de pancadas.

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Chapter 1: A Rua que Cruza a Minha

Chapter Text

 “Agora eu sei que tenho um coração, porque ele está doendo.

Homem de Lata.

Jeno jurava que ele tinha tentado manter o controle.

Ele jurava que, ao avistar o filho da puta do Renjun envolver seus braços na cintura de Jaemin, ele sentiu o sangue ferver, mas controlou-se e contraiu os punhos, dizendo a si mesmo que não valia a pena brigar. Já Renjun não fora tão sútil. Quando ele percebeu a atenção de Jeno voltada a si, ele sorriu aquele seu sorriso esnobe e passou a distribuir beijos ligeiros no pescoço de Jaemin.

A cena fez o estômago de Jeno embrulhar e ele cuspiu fora toda a cerveja que tinha na boca. Quando se deu conta, já estava em cima de Renjun, distribuindo socos sobre a face do garoto. Ele ainda ouvia claramente a voz de Jaemin cortando o ar em meio ao caos e implorando para que ele parasse, mas elas só serviram de combustível para ele acabar com o rostinho de Renjun. A satisfação do momento nem o deixou sentir a dor do seu provável nariz quebrado, mas quem liga? 

Jeno lembrava dos acontecimentos de minutos atrás enquanto corria com a sua bicicleta, voando diante dos portões das mansões das pessoas mais ricas da cidade, seu nariz sangrava e a euforia fazia seu corpo pegar fogo. Os sentimentos que borbulhavam em seu peito naquele instante iam além de sua compreensão, mas ele reconhecia alguns elementos, era uma fusão de raiva, vitória, adrenalina e mágoa. Ele nem sabia que era possível sentir tudo isso de uma só vez. Jeno queria gritar e deixar com que sua voz preenchesse o vazio das ruas largas e solitárias de Saint Vincent.

Ele queria gritar porque estava de coração partido. E, principalmente, porque depois de reprimir esse desejo por tantos anos, ele tinha, finalmente, socado o rosto de Huang Renjun.

Mesmo embriagado e na soturna atmosfera das 3 da madrugada, ele sabia com clareza o caminho que seguia. Jeno cruzou a estrada e virou à direita e, de longe, ele já conseguia visualizar a sua casa. O filho da puta do Renjun tinha mesmo que morar na rua que cruza a dele. Ele pedalou mais um pouco e logo já estava em frente ao local onde vivia, uma casa de dois andares idealizada por sua própria mãe.

Jeno desceu da bicicleta, caminhando tonto até a porta dos fundos, por onde entrou, e largou a bicicleta no quintal. Ele foi de encontro até a porta lateral, certificando-se de não pisar com força no chão de mármore. Ele já tinha prática o suficiente com isso para saber como não fazer barulho.

Ele se espremeu para passar pelo vão da porta de correr, que estava minimamente aberta, e adentrou a casa. Pensou que o pior havia passado, mas sua alegria durou somente alguns milissegundos, pois a luz da cozinha foi acessa e a figura de sua mãe revelada na penumbra. Jeno quase deu um gritou, mas conteve-se a tempo.

— Mas que porra é essa na sua cara? — ela exclamou, avançando até onde o filho estava para tocar seu rosto ensanguentado. Jeno não respondeu nada, levou a própria mão ao nariz, retraindo-se ao sentir a dor do contato. Sem a adrenalina da briga e a euforia do álcool, ele percebeu pela primeira vez que também estava machucado.

— Ai. — ele resmungou quando as mãos inquietas da mãe continuavam a cutucá-lo. — Mãe! Para!

Ela fez uma careta que foi o suficiente para silenciá-lo.

— Ninguém mandou você se meter em briga, agora aguente!

Ele ficou quieto por uns minutos enquanto ela continuava a examiná-lo.

— É, não tem jeito. Está quebrado! Vamos ter que ir ao hospital.

— O quê? — Jeno protestou. A voz soando mais aguda do que gostaria. — Mãe, eu tô cansado, deixa isso para amanhã...

Mas a Sra. Bae já se afastava, indo a procura das chaves do carro que sempre deixava sobre o balcão da cozinha. Ele revirou os olhos e tocou o nariz novamente com demasiada força que seus olhos até lagrimejaram. É. Está definitivamente quebrado. Ele admitiu e suspirou.

Huang Renjun.

Filho da puta.

Jeno só esperava que Renjun estivesse tão fodido quanto ele.

O domingo amanheceu como um dia comum de fim de outono. A brisa matutina entrava no carro através das janelas e no intervalo entre a saída do hospital até chegarem em casa, Jeno sentiu-se muito bem apesar do nariz quebrado. A viagem inteira ele oscilou entre o consciente e o inconsciente talvez por efeito do remédio para a dor, talvez porque o amanhecer era um dos seus momentos favoritos do dia e ele queria aproveitar o silêncio da estrada vazia, pois ele sabia que essa calmaria não iria durar.

No instante em que chegaram em casa, Jeno saiu correndo do carro, querendo fugir da conversa que se seguiria nos próximos minutos. Ele subiu a escada com pressa, aproveitando que a mãe iria estacionar o carro na garagem e se escondeu no próprio quarto, imaginando que, se ela o encontrasse dormindo o pouparia de um sermão, mas obviamente ele estava errado.

Bae Doona abriu a porta do quarto de Jeno e sentou-se aos pés da cama. Jeno tinha o corpo todo escondido sob o lençol e espiou a movimentação da mãe com um olho, mas ela não o encarava, na verdade, ela não fazia nada. Tinha o olhar voltado para as próprias mãos e remexia os dedos inquieta.

 — Olhe para mim. — depois de um momento de silêncio, ela exigiu firme. Jeno considerou fingir que dormia, mas sabia que ela não cairia nessa, seu rosto estava sério demais. — Eu queria entender por que você sempre perde a cabeça, filho. Isso não é normal e nem saudável para você. Você sabe que eu não gosto de te ver assim tão consumido pela raiva. De onde é que vêm esses sentimentos?

Ela olhou para Jeno e ele preferia que ela não tivesse feito isso, pois seu olhar transmitia cansaço e, principalmente, decepção. Algo dentro dele chacoalhou e a ansiedade dançou em seu estômago. Jeno se descobriu e sentou-se ereto, encostando a cabeça na parede e o olhar voltado para o teto. Ele queria responder alguma coisa, qualquer coisa que a acalmasse, mas como poderia confessar algo que nem ele mesmo entendia?

— Se não quiser falar para mim, tudo bem. Converse com o seu irmão ou com o Seungheon. Dessa vez foi só um nariz quebrado, mas poderia ser pior. E se você precisasse de cirurgia e os danos fossem permanentes? Você pensou sobre isso? — ela suspirou enquanto mexia nos cabelos, torcendo os fios longos e jogando-os sobre um dos ombros. — Jaemin não estava com você? Sinceramente, ele parece ser a única pessoa que consegue colocar juízo na sua cabeça.

Ela se calou, como se esperasse que ele respondesse. Jeno ainda não sabia o que dizer. As últimas palavras da mãe ecoavam em sua mente.

A única pessoa que consegue colocar juízo na sua cabeça.

Na Jaemin.

Claro.

Se ela soubesse que era tudo por causa dele.

— Jaemin terminou comigo. — ele revelou, sentindo um aperto se formar na garganta.

— Oh. — ela abriu a boca surpresa. — Eu não esperava por isso.

Nem eu.

— É.

— Eu sinto muito, querido. — ela pausou e voltou a mexer no cabelo, desfazendo o nó de antes e jogando os fios sobre as costas novamente. Jeno sabia que ela estava se sentindo culpada por tocar no assunto e escolhia com cuidado as suas próximas palavras. — Você quer conversar sobre isso?

— Não, mãe. Esquece isso.

Seus olhos começavam a marejar e Jeno fechou ambos com força. Como se a escuridão que irradiasse por dentro de suas pálpebras pudesse fazer o mundo exterior desaparecer por completo, transformando essa existência fatídica em um belo vasto de nada. Ele implorou a si mesmo, por favor, não chore e engoliu em seco.

— Tudo bem, tudo bem. Não vamos mais falar disso.

Mas seu silêncio se cumpriu por míseros segundos, pois logo ela adiantou incapaz de manter seus pensamentos para si.

— Você sabe que eu sempre me preocupei com isso? Você se afastou de todo mundo e Jaemin era o seu único amigo. Quando vocês começaram a namorar, eu achei ótimo, mas e se não durasse? E se um dia acabasse?

Jeno suspirou.

— Mãe, eu realmente não quero-

Ela continuou falando.

— O filho da Hyojin, você sabe, Donghyuck, está voltando para casa depois de passar um tempo nO Japão. Eu pensei que seria bom se você falasse com ele, se reconectar... E seria bom para ele também. Ele passou tanto tempo fora. 

Donghyuck.

Jeno se lembrava dele vagamente. Eles não estudavam na mesma escola e só se viam duas vezes por ano, nos aniversários de um e do outro, mas quando estavam juntos, agiam como melhores amigos. Devia fazer quase 10 anos desde que se viram pela última vez, o que significava que Donghyuck lhe era um completo estranho.

— Mãe, pelo amor de deus, era só o que me faltava, você tentando me arranjar amigos... — Jeno revirou os olhos.

— Estou tentando ajudar, só isso. Vou mandar o número dele para você, mas você decide se vai falar com ele. Nisso daí eu já não posso interferir. Não podemos viver nossas vidas dependentes de outras pessoas, mas é sempre bom ter companhia. E eu acho que você merece conhecer pessoas novas, principalmente agora.

— Tá.

A conversa deu lugar para o silêncio, mas Doona não se moveu, suas mãos alisavam o tecido de sua saia. Ela ainda parecia ter algo a dizer. Jeno esperou.

— Eu te amo. Você sabe disso, não é? — ela perguntou com um pouco de hesitação, seu tom era baixo e até vulnerável. 

Jeno arregalou os olhos e se aproximou da mãe, pegando suas mãos e entrelaçando com as suas. Ele a olhou nos olhos e sorriu. Nada era pior do que ver a mãe duvidando de si mesma. Essa mulher já havia passado por tanta coisa na vida. Jeno não queria acrescentar mais pesos sobre os seus ombros.

— Deixe de besteira, mãe. É claro que eu sei disso. Eu sei que às vezes eu faço um monte de merda, mas isso não tem nada a ver com a senhora. Me desculpe por fazer você se preocupar e se sentir mal. Eu juro que é o que eu menos queria, mas sei lá, parece que eu não consigo evitar. Eu sempre acabo fodendo tudo mesmo. — ela ergueu uma sobrancelha ao ouvir o palavrão. — Merda. Desculpe.

— Eu realmente desejo que isso seja só uma fase de rebeldia adolescente e que um dia você cresça, filho. De verdade. — ela suspirou, mas já não parecia chateada. Um sorriso meigo enfeitou o seu rosto.

— Eu vou, mãe. Senão o Doyoung acaba comigo.

Ambos riram. Jeno sentiu-se melhor. A conversa não foi tão ruim quanto ele esperava.

— Tudo bem. — ela começou a se levantar. — Agora descanse.

Jeno concordou com um aceno de cabeça e observou a mãe. Quando ela chegou até à porta, ela virou-se de frente para ele.

— Ah, quase me esqueci. Você está de castigo. Duas semanas. Da escola para casa, sem exceção.

Jeno bufou e se deitou de qualquer jeito na cama.

— Eu mereci. 

Jeno conseguiu dormir durante 4 horas e 43 minutos, ele percebeu, ao encarar a tela do celular. Ele ainda sentia-se exausto e, como se fosse possível, acordou pior do que antes. Era uma ressaca fodida. Seu corpo doía em vários pontos diferentes e o nariz incomodava não só pela dor, mas por ser impossível respirar através dele, o obrigando a usar a boca. Ele odiava respirar pela boca, pois sua garganta ficava seca e ele sempre acordava em pânico, achando que se esqueceria de respirar e iria acabar morrendo.

Mas ele também estava faminto. Não comia nada desde a noite passada e ainda estava desidratado.  Combinação perfeita.

Ele deixou o celular de lado e sentou na cama. O estômago roncou e seguiu fazendo barulhos estranhos. Jeno esperava que o amor materno amolecesse o coração rígido da mãe e que ela fizesse algo para ele comer, mas tentou não manter a esperança tão alta. Se ela quisesse puni-lo ainda mais pela bagunça da noite passada e por mantê-la acordada durante a madrugada inteira, ela o deixaria sozinho para se virar na cozinha sem problemas. Não seria a primeira vez.

O celular vibrou com um estalo. Jeno suspirou cansado. Ele não queria lidar com nada agora e muito menos no resto do dia. Ele pegou o celular entre as mãos. A tela bloqueada exibia algumas mensagens e notificações de redes sociais. As mais recentes eram uma mensagem da mãe que ele não se importou em ler e de um número desconhecido. Sem pensar direito, ele clicou na mensagem anônima, a curiosidade gritando dentro de si.

Jeno?

878-000-8550

Jeno prendeu a respiração ao reconhecer o número, apenas algumas semanas atrás ele estava ali, naquele mesmo ponto da cama, recitando aqueles mesmos dígitos em voz alta antes de deletá-los para jamais esquecer.

Jaemin.

digitando...

Jeno soltou a respiração que prendia e esperou a mensagem que ainda estava por vir. Por um breve segundo, Jaemin parou de digitar e o coração de Jeno passou a bater descompassado. Não, não, não. Volte, por favor.

E então a mensagem veio.

Eu sei que está cedo, mas nós podemos conversar? Você está acordado?

Ah, Na Jaemin e sua gramática perfeita. Sempre tão formal. Jeno quis chorar. Quando foi a última vez que eles se falaram mesmo? Há duas, talvez três semanas? Jeno nunca foi bom em guardar datas e desde que eles haviam terminado, os dias eram apenas borrões e as horas pura abstração do tédio.

Jeno, eu sei que você está aí. Posso ver que está lendo minhas mensagens. Por favor.

Ele não queria, mas seus dedos digitaram mesmo assim.

ok

Ok? É tudo o que ele tem a dizer? Depois de não se falarem por semanas? Um “ok” tão descompromissado que nem a maiúscula ele se importara em colocar? Jeno sabia que Jaemin iria notar esses detalhes sutis, talvez, por isso, fizesse de proposito.

Quase imediatamente, Jaemin ligou para ele. Isso era outra coisa que ele sentia falta. As longas e longas ligações durante a madrugada, ao entardecer, ao acordar. Jaemin tinha tanto a dizer e ele odiava se expressar por mensagens, dizia que nada era claro, tudo era ambíguo demais e ele não suportava mal-entendido. Por isso, buscava escrever da melhor forma possível. A vírgula e os pontos finais em seus devidos lugares.

Foi assim que Jeno soube que eles estavam acabados.

Precisamos conversar.”

Ele enviou naquele dia. Não havia reticências, somente um ponto final. A mensagem de Jaemin era clara e Jeno sabia que não haveria discussão.

— Oi... — Jaemin falou assim que Jeno atendeu, ao contrário de como escrevia, havia muita hesitação em sua voz. — Jeno, como você está? Você se machucou? Eu vi o seu nariz sangrando quando você foi embora...

Jeno sentiu um aperto no peito. Como Jaemin podia ser tão cruel? Em ainda se preocupar com ele depois de tudo?

— Eu tô bem.

— Você está mentindo para mim?

— Provavelmente.

Jaemin riu, mas não havia humor. Eles quase pareciam os mesmos de antes, quase.

— É... Você nunca conseguiu esconder nada de mim. — O riso se dissipou lentamente e Jaemin assumiu um tom sério. — Eu fiquei preocupado e pensei em te ligar. Não liguei antes porque... porque pensei que ainda estaria bravo.

— É... hum, valeu, eu acho.

Silêncio.

Jeno ouvia Jaemin respirar. Em outros tempos, eles ficariam desse jeito por muito tempo e nada seria estranho. Jaemin estaria sorrindo e comentaria “Eu adoro te ouvir respirando tão perto assim. Não existe nada mais íntimo do que isso.” E Jeno iria concordar e sorriria também e eles ficariam assim o resto da ligação até que algum dos dois pegasse no sono.

E agora?

Agora o silêncio era sufocante e Jeno não conseguia respirar.

— Jeno?

Claro que Jaemin seria o primeiro a romper o silêncio. Ele quem era bom com as palavras, ele dizia as coisas bonitas, ele reconfortava e Jeno só ouvia.

— Oi...

— Você sabe que... — Jaemin, mais uma vez, hesitou. Isso não era típico dele. Era como se buscasse as melhores palavras em seu cérebro extremamente calculado e brilhante. — A gente terminou e não temos mais nada um com o outro.

Ouch.

Jeno mordeu os lábios com força. Ele quis verdadeiramente chorar e provavelmente desabaria em lágrimas se Jaemin não pudesse ouvi-lo. Jaemin podia não querer, mas às vezes ele era tão frio. Ele acreditava que a verdade deveria prevalecer acima de tudo, mas como Jeno poderia suportar a verdade se ela era tão dura?

— É... e-eu sei.

— Então por que você socou o Renjun?

Porque eu o odeio.

— Você sabe o motivo.

— Por causa de mim? Nós não estamos juntos, Renjun e eu. A gente só tava curtindo a festa.

— É, Jaemin, eu sei. Eu vi.

Jeno não conseguiria se segurar por tanto tempo. Ele forçou uma risada, apesar de não se ter nada para rir.

— Sabe o que eu acho engraçado? A gente terminou não tem nem um mês e você já estava com outro cara. Com ele. — Jeno sentiu o rosto arder, ele respirou fundo. — Você diz se importar comigo, diz que queria continuar sendo meu amigo, para que, Jaemin? Para esfregar na minha cara bem de perto que você conseguiu seguir em frente e eu não? Isso é cruel. Você é cruel, Jaemin.

Jeno se sentia patético.

— Jeno, eu-

— Eu entendi por que você me ligou, mas por favor, não faça mais isso.

— Jeno, me desculpe-

— Tchau, Jaemin. Eu não tô com cabeça para isso.

Jeno desligou e deixou o celular cair sobre as coxas. Ele sentia o sangue ferver da mesma maneira que ocorreu na noite passada. Dessa vez, no entanto, ele não quebraria a cara de ninguém, ele não quebraria nada. Jaemin parecia estar muito bem sem ele, bem demais até. E Jeno sabia que não haveria volta. Jaemin não era assim. Acabou. De verdade. Aquele era o ponto final.

Se Jaemin queria seguir em frente, Jeno seguiria também. E se ele preferia ficar com uma pessoa tão desprezível quanto o Renjun, que ele seja feliz. Eles que se fodam.

Jeno deixou a cabeça cair para frente. Ele ficou nessa posição por alguns segundos tentando se acalmar, tentando respirar. Caralho, tudo doía. 

O celular se iluminou novamente, dessa vez com uma mensagem de sua mãe. Jeno abriu o chat das mensagens, havia duas mensagens não lidas.

Patroa

O número do Donghyuck: 271-000-5557

Venha comer

Donghyuck.

Jeno definitivamente precisava de um amigo.

Ele não pensou duas vezes.

Oi

Ele enviou e esperou a resposta.