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Jimmy Olsen estrela O Sonho Áureo

Summary:

Preso por um Justificador de Darkseid, Jimmy Olsen bate um papo sobre a Anti-Vida e filosofia em geral.

Notes:

História reciclada de uma tarefa de filosofia do ensino médio (sdds), mas que acho que dá pro gasto.

E pra quem n acha o Jimmy Olsen nem um pouco gay, lê All-Star Superman ou tipo, *qualquer história* dele nos anos 60, pfvr.

Work Text:


“Acorda, degenerado.” Com um tapa da mão luvada, o homem de armadura acorda
o prisioneiro. Este, um jovem de cabelo ruivo vestindo um blazer multicolorido sobre uma
camisa social costurada, está amarrado pelas mãos e pernas. Nas mãos, ele veste uma
luva de arco e flecha e uma luva sem dedos da mesma cor que sua gravata borboleta. Por
baixo dos seus jeans e da corda, dois saltos altos pequenos e grossos. Nosso protagonista.

“Aaaaaawwwwwwwwww. Manhã. Quente, húmida. O pântano fora de Metrópolis.
Vocês estão no território dos Cabeludos, sabem disso?” O guarda, um homem de armadura
preta e cinzenta, camadas de tecnologia cósmica misturadas com roupas de pantanal, se
vira para trás, ajustando seu capacete brilhante, vermelho e prateado se mesclando, ao
mesmo tempo em que se aproxima de uma mesa perto da porta, longe dele. A madeira no
chão treme, as paredes ecoando os rangidos até o teto frágil e viscoso, banhado no sol.

“Sabemos de muita coisa, senhor Olsen. Sabemos quem você é. Sabemos de onde
veio. Sabemos pra quem você trabalha, e acima de tudo,” ele pega um relógio de pulso da
mesa, mostrando o símbolo do homem de aço presente do lado de trás, “sabemos com
quem você trabalha.” Deixando o relógio cair no chão, o vigia pausa, esperando por uma
reação do Olsen que nunca vem, antes de esmagar o relógio com uma única pisada.

“Muito assustador, mano. Mas deixa eu te lembrar com quem você tá falando. Meu
nome é Jimmy Olsen, repórter júnior do Planeta Diário. Sou parceiro do Superman, membro
honorário da Liga da Justiça, agente dos Laboratórios STAR, amigo de Nova Gênese. Fui o
primeiro a caminhar pela Quinta Dimensão, o único a acessar o subnível ômega do Projeto
Cadmus, aquele que resolveu o enigma da Hiper-Esfinge. Sou o cara dos mil poderes e das
mil histórias, então, mano,” ele bate os dois saltos juntos, “tenha respeito, Justificador.”

O Justificador, grunhindo levemente, passa a mão pela mesa, ignorando a mochila,
o celular, a câmera, e as sandálias confiscadas, para chegar na arma, que ele pega e
aponta na testa do prisioneiro. “Eu tenho respeito. Respeito ao crime, ao roubo, e à
escravidão. Eu respeito o deus Darkseid, que possui tudo e todos. A vida é uma doença, e a
anti-vida é a cura. Assim que eu justifico meu ódio. Como você justifica a sua vida,
vagabundo?”

“Eu justifico minha vida por ela ser minha por direito. Não que um coitado de um
miliciano de Darkseid entenda. Quando você deu sua vida para o evangelho do crime, você
não só perdeu sua liberdade, mas também sua propriedade. O roubo e o assassinato não
são passionais, mas sim estruturais - você é apenas um peão no jogo de Darkseid. Ele te
dá liberdade para romper com as normas, mas essa rebelião não possui trabalho, não
possui vontade própria - é só uma miragem da anti-vida. O trabalho que você faz é uma
extensão do trabalho de toda elite, que rouba a sua vida para roubar sua propriedade, toma
sua liberdade para tirar-lhe o poder. O poder na sua mão, Justificador, é um poder falso,
que você só usa para compensar a sua castração moral. Mas não precisa ser assim, mano.”

O Justificador golpeia o fotógrafo, derramando sangue na sua luva, e rosna, mãos
tremendo de ódio, enquanto volta pra trás, tentando se acalmar. “O que a liberdade já me
deu, degenerado? Meus valores foram obstruídos e reprimidos! Minha liberdade foi
cerceada e abusada! Tudo que eu tinha se tornou uma sombra do que era, uma criança
perante a lei! Se eu fosse dar minha vida pelos outros, eu seria um herói! Porque… porque,
seu vagabundo, que eu dar minha vida por mim mesmo… que ter alguém prestando as
contas por sua própria vida… porque isso tem que ser tão ruim?! Eu vivo por Darkseid, e ele
vive em mim. É mais simples desse jeito. É só… é meu sonho áureo… só isso… só isso…”

“Não precisa ser assim. Me diz o seu nome, me diz quem você é. Você é dono do
seu nome. Você é dono do seu futuro. Essa propriedade ninguém vai tomar de você, nem
mesmo Darkseid. Eu vi o século 31. Eu vi jovens voando e liderando um mundo de estrelas
em que ninguém é deixado pra trás. Eu presenciei o nascimento de um universo bebê. Eu vi
as galáxias de Qwewq se formarem uma por uma, cada uma cheia de vida e potencial. Se
eu vi tudo isso, se tudo isso aconteceu, por que não acontecer contigo? Deuses vivem entre
nós. Homens e mulheres erguem as fundações super-resistentes do dia de amanhã. Por
que não ser um deles?” Jimmy Olsen se deixa sorrir, e o Justificador se aproxima, inquieto.

“Eu… eu… talvez,” ele para de frente ao prisioneiro, erguendo a mão em direção ao
fotógrafo, esperançoso, “eu posso ter meu próprio… meu próprio sonho áureo… minha
vida… é minha… eu decido… não preciso mais… da dor, do ódio, da solidão… solidão…
solidão… solidão mais alienação mais medo mais desespero mais auto-estima
dividida por zombaria dividida por condenação dividida por mal-entendimento--”

Jimmy, sentindo o efeito da equação anti-vida começar a afetar a si mesmo, chuta o
Justificador com o salto alto esquerdo, quebrando o salto na virilha. O miliciano, surpreso,
doloroso, e dopado pela influência da matemática sombria, segura a cadeira com a mão
erguida, e derruba ela no chão. Olsen, percebendo que sua hora é agora, vê o Justificador
cambaleando, e agarra o salto quebrado do sapato. Apertando o botão escondido no gadget
dissimulado, ele ativa o feixe de laser da máquina, e queima as amarras nas mãos. Vendo
isso acontecer, o guarda, empoderado pela anti-vida, avança em cima do prisioneiro, e pisa
em cima de sua mão esquerda, soltando o gadget. Jimmy, rápido por experiência, pega o
laser com a outra mão, e ativa ele na bota do Justificador, queimando o pé dele. O miliciano
pula para trás, ferido, enquanto o parceiro do Superman liberta suas pernas, descalçando
os saltos, e aperta outro botão no salto. O Justificador aponta sua arma, atira, mas Olsen
joga o salto com precisão treinada, explodindo a bala e derrubando o miliciano rapidamente.

“Cortesia dos Laboratórios STAR.” Assoviando uma musiquinha tema, ele pega os
saltos e caminha até a mesa. Chegando lá, ele pega as sandálias e calça-as, bota o celular
e a câmera na mochila, e quebra o segundo salto, antes de botar os calçados na mochila
também. O segundo salto contém um frasco, que ele abre, bebendo o líquido dentro com o
nariz tampado. Descartando o frasco, ele fecha a mochila, e se aproxima da porta,
enquanto o Justificador se levanta, tentando chegar perto da arma. Ele recebe um chute de
longa distância, a perna esticada do fotógrafo encolhendo até voltar ao seu tamanho
normal.

“Gingold. Fórmula elástica. Eu te dei uma chance, cara. A gente se encontra por aí.
Espero que a vida te encontre de novo por aí. Ela vai te receber de braços abertos, sempre.
É o que eu digo.” Com isso, ele sai, e as moscas começam a preencher a sala abandonada.