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I Love You, Dad! (PT/BR)

Summary:

Vocês acharam que não ia ter Eren sendo um mama protetor e Levi sendo um pai inseguro?

Work Text:

-Abby, você leva o chá do papai... - Eren disse, passando para o garotinho de cinco anos uma garrafinha térmica cheia de chá verde. Com mãos pequeninas, o menino pegou a garrafa com todo o cuidado do mundo, um sorriso de dentinhos de leite todo animado com a surpresa que iria fazer para o papai.

Eren, em seguida, se abaixou para pegar o bebê de um ano, que até o momento estava sentadinho no chão ao lado dos pés do ômega. Uma garotinha de cabelinhos castanhos enrolados e olhos azuis deu um gritinho animado quando foi pega no colo, pijaminha de corações aquecendo o corpinho pequeno.

-E eu e a Emma vamos levar os biscoitos, tá bom? - O ômega disse e Abby balançou a cabeça diversas vezes, super orgulhoso de si mesmo por já ser grandinho o suficiente para levar o chá do papai.

Com a pequena Emma no colo, Eren levou a cestinha de biscoitos com cuidado, ao passo que Abby ia animado na frente, uma mãozinha no rosto tentando abafar as risadinhas infantis.

-Shh, você lembra o que é para falar, meu amor? - E o menininho chacoalhou a cabeça diversas vezes, determinado a falar direitinho o que o mama tinha ensinado para ele nas últimas semanas. Eren assentiu com a cabeça e junto os três subiram as escadas até o quarto do casal.

Empurrando a porta com cuidado para não fazer barulho, Eren sorriu com a animação que fazia Abby pular nas perninhas gordinhas, Emma com um punho fechado enfiado na boca e babando ao redor. Dando uma piscadinha de olho para o filho mais velho, Eren deixou que Abby subisse na cama larga onde Levi ainda estava dormindo e colocou Emma logo, o bebê engatinhando até o corpo do alfa deitado de bruços.

Naquele momento, ele tinha quase certeza que Levi já tinha acordado com toda a movimentação na cama, mas o alfa pareceu ter tato o suficiente para não estragar a animação das crianças e Eren sorriu com afeição. 

Levantando uma mão no ar, o ômega sentou na cama e viu Abby o olhar com olhos verdes gigantes esperando um sinal. Erguendo três dedos, Eren os abaixou um por um e quando a contagem regressiva finalizou, o garotinho se jogou em cima do pai, gritando na voz infantil e cortada com risadas:

-Amo você, papa, feliz dia dos pais!! - O pequeninho riu quando o alfa se ergueu imediatamente, olhos arregalados para o barulho – provavelmente fingindo surpresa – e fios negros esticados para todas as direções, tendo em vista que ele tinha acabado de acordar.

Emma, por sua vez, assim que viu a animação ao seu redor, engatinhou rapidamente até o papai, caindo de boca no braço dele e babando como se o tivesse dando um beijo. O que se podia ouvir da garotinha foi a tentativa de balbuciar um “Emma ama papa” que saiu mais um “ma! ma! papa!” todo babado.

Eren, ao assistir a cena de seu alfa coberto por duas crianças na cama, gargalhou e pegou a garrafa térmica para não haver acidentes. Depois de colocar o chá e os biscoitos na cômoda ao lado da cama, ele abaixou-se o suficiente para alcançar os lábios de Levi e sussurrar contra eles:

-Feliz dia dos pais, Daddy... - Dando-o um selinho casto, o que o casal recebeu foi um “Euwww” de Abby, que tampou a boquinha com as próprias mãos como se detestasse a ideia de tocar os lábios de outra pessoa.

Levi observou Eren sorrir e atacar Abby com cócegas, enquanto Emma se empurrou contra o corpo do pai e deitou como uma bolinha nos braços dele. As gargalhadas e gritinhos sem fôlego do menino ecoaram no quarto e Levi teria ficado irritado com todo aquele barulho logo após ser acordado às forças.

Exceto que aquela era sua família, seu ômega e seus dois filhotes. Se fosse qualquer outra pessoa, o alfa teria virado para o outro lado com uma carranca e voltado a dormir, mas a feição amável de Eren, a animação de Abby e o sorriso sem dentes de Emma fazia a vida do Ackerman bem mais difícil. 

O gato, que dormia enrolado no pé do alfa, apenas levantou a cabeça para ver o que era aquela comoção toda para então se espreguiçar e encontrar outra posição para dormir, completamente alheio a um Abby que conseguiu fugir dos braços do mama e buscou refúgio no corpo de Levi.

-Papa! Papa! - O garotinho gritou, ao passo que Eren se fazia de monstro e tentava morder o pezinho dele. Se enfiando debaixo do corpo do pai, Levi enlaçou o garoto em seus braços como se para protegê-lo do ataque do ômega.

-Awnn, e agora? Onde eu vou achar mais bebês para comer? - A feição do ômega se fez triste e Abby começou a cantar vitória. Até que olhos esmeraldinos se fecharam na bebê quietinha deitada ao lado do alfa e ele sorriu grande.

-Achei outro neném. - Eren fingiu uma risada maligna, esfregando as unhas no tecido da cama em direção ao bebê.

-Nãooooo! - Abby gritou de volta ao ver seu mama indo de encontro à Emma, lambendo os lábios como se fosse comer a criança por inteiro. - Papa!! - Mas o grito fino no ouvido de Levi foi o suficiente para ele cansar da brincadeira e se sentar na cama.

-Sem comer os filhotes, ômega. - Disse em um tom sério, mas seus olhos brilharam maliciosos ao ver o bico surgindo nos lábios de coração de Eren.

-Ahh, mas nós sempre podemos fazer mais? - E Levi revirou os olhos com a feição curiosa que ganhou de Abby, se apressando a impedir que o garotinho perguntasse como se faziam bebês.

-Você sabe que a fábrica de bebês já está fechada, Eren.

E sim, depois do nascimento de Emma Jaeger-Ackerman, os dois decidiram que bastava de filhotes. Enquanto Eren ligou as trompas, Levi fez uma vasectomia e a vida ficou mais fácil quando não precisavam se preocupar em usar camisinhas ou contraceptivos. Apesar disso, o ômega ainda parecia bem afeiçoado à prática de fazê-los – não que tivesse alguém reclamando.

-Sem mais bebês? - Abby perguntou, cabecinha encostando no peito do pai, uma vez que estava sentado no colo deste.

-Só vocês dois, afinal de contas, você não quer dividir a piscina com mais ninguém, certo? - Levi logo desviou o assunto e o rostinho triste do garoto brilhou instantaneamente só com a menção de piscina.

E aliás, era dia dos pais e o céu estava tão limpo...

-Papa, papa! Vamos para piscina!! 

O alfa obviamente grunhiu, Eren rindo ao se levantar da cama com Emma no colo.

-Eu acho que é uma ótima ideia! Vou colocar a Emma no maiô! - Sem deixar o homem do dia decidir, o ômega saiu do quarto, Abby descendo da cama e correndo atrás dele para também colocar sua sunguinha. 

Levi observou a porta do quarto sem saber o que dizer, o gato abrindo a boca em um bocejo debochado.

Sim, feliz dia dos pais!

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-Papa, me pega! - O garotinho saiu da piscina de forma desajeitada, correndo para a borda mais perto do pai e balançando os bracinhos, cada um com uma boia, no ar.

-Abba, já disse para não correr na borda da piscina. - Levi disse em tom sério, mas ainda assim abriu os braços pronto para segurar a criança. Enquanto pai e filho brincavam de pular, Emma estava bem segura na boia de neném onde sentava; uma larga o suficiente para não virar na piscina e com brinquedinhos para se distrair.

Mantendo um olho em um filhote e o outro no outro, Levi tinha protetor solar espalhado por todo o rosto, pele pálida sendo protegida do sol. Enquanto Eren cortava frutas na cozinha, ele tinha sido encarregado de não deixar nenhum pirralho se afogar e ainda observar o gato que tomava sol na grama.

Um gritinho animado escapou de Abby quando esse pulou na água, afundando por um tempo e sendo levantado pelo alfa. Olhos verdes gigantes com fios negros caindo por cima olharam para o pai e um sorriso animado se abriu no rosto da criança, que batia as perninhas freneticamente na água.

-De novo! De novo! - Abby tentou se desgarrar do pai, mas este o segurou perto com um braço e com o outro passou a molhar a cabeça de Emma, que ria e balbuciava de volta.

-Respira primeiro, pirralho. - E de alguma forma ele conseguiu distrair as duas crianças o suficiente para que Eren viesse da cozinha, um short curto fazendo um péssimo trabalho para cobrir sua bunda e uma blusa larga o fazendo mais adorável.

Em suas mãos, havia uma tigela de frutas cortadas e uma jarra de suco natural, os quais ele depositou na mesa da área de lazer.

-Já volto! - Ele gritou quando Abby tentou chamar por ele e lembrá-lo de trazer os biscoitos e pão de queijo. E como o bom mama que era, Eren voltou segundos depois com uma tigelinha de pão de queijo, outra de biscoitos, uma mamadeira e três copos de plástico, tudo balanceado em seus braços.

-Yeeeyyy! - Abby então se soltou do pai no mesmo segundo, nadando como um sapo desengonçado até a borda e correndo animado para a mesa de comida.

-Abba, não cor-

Só para então seus pezinhos escorregarem no chão molhado e ele cair para trás com tudo, batendo a parte de trás da cabeça no piso e soltando um grito machucado.

Levi, que já tinha os olhos grudados no garoto, assistiu a comoção de olhos arregalados. Em milésimos de segundos, ele entrou em modo alfa protetor tão rapidamente que, antes mesmo de Abby atingir o chão, já estava se movendo.

Eren, que só raciocinou quando ouviu o grito do filhote e Levi saindo da piscina igual um louco, se virou com todas as coisas na mão e olhos arregalados, a voz do alfa bradando alto assim que ele empurrou o corpo com braços fortes para sair da piscina.

-Abba Ackerman, o que eu disse sobre não correr na borda da piscina?! - O homem disse, olhando de cima para o garotinho deitado no chão com lábios trêmulos enquanto tentava ser um garoto forte e não chorar. Exceto que ter o papai olhando daquela forma zangada foi o suficiente para lágrimas grossas descerem por suas bochechas e um choro alto sair da garganta dele.

-Ma-mamaahh!! - O pequeno começou a chorar compulsivamente, catarro descendo pelo nariz e Levi puxou ele pelo braço para que ficasse sentado, raiva e impulsos protetores o deixando a beira de um ataque.

-O que aconteceu?? - Eren veio correndo, olhos arregalados ao ver Abby sentado, chorando e com as duas mãos segurando a parte de trás da cabeça ao passo que Levi permanecia em pé e olhando para ele com uma expressão brava. O ômega estava ajoelhado ao lado do filhote em um segundo.

-Eu disse para não correr, mas ele me ouve? Não! - Levi passou as mãos exasperado pelo cabelo, já pensando em mil frases para falar e fazer o pequeno se sentir culpado por não obedecer. - Não adianta chorar depois de ter desobedecido! Ele é teimoso igual você, Jaeger! - Falou alto e, não acostumado em ver seu papa tão bravo, Abby chorou ainda mais, bracinhos agarrando o pescoço de Eren e tentando sair da nuvem pesada de feromônios que o mais velho exalava.

O ômega imediatamente franziu as sobrancelhas, uma vez que tanto ele quanto Levi não eram adeptos a gritar com as crianças. E ainda que seu ômega interior sentisse que o alfa estava muito nervoso com a perspectiva de Abby estar machucado, falar alto quando o pequeno já estava assustado com a queda não ajudaria em nada.

Levantando com o menino nos braços, o ômega deixou que Abby escondesse o rostinho em seu pescoço e disse em um tom sério:

-Levi, chega. - Eren praticamente ordenou, sobrancelhas franzidas e postura protetora. O alfa calou-se no mesmo instante, sabendo melhor do que bater de frente com o menor numa situação dessas. -Lição de moral você dá depois, agora seja útil e tire a Emma da água. 

Dando as costas, ele levou o primogênito para dentro da casa, acariciando as costinhas pequenas e produzindo um ronronar que fosse acalmar o filhote.

-Mama, dói!! - Abba choramingou e Eren o colocou sentado no balcão da cozinha, boias com desenhos de cavalos marinhos nos braços e tudo.

-Tudo bem, baby Abby, vamos colocar um gelo e vai melhorar, okay? - O ômega deu um beijinho nas bochechas molhadas, passando a mão no catarro que escorria pelo nariz do filho e se afastando em seguida. Após lavar a mão na pia, ele alcançou o kit de primeiros socorros no alto de um dos armários, trazendo-o consigo junto com um pano limpo e a forma de gelo.

-Aponta para o mama onde dói. - Ele perguntou e se pôs a observar se havia algum ferimento ou não, procurando por cortes que, felizmente, não existiam. Passando uma pomada para ajudar no inchaço que tinha, ele logo enrolou alguns cubos de gelo no pano limpo e colocou no lugar do impacto. - Viu? Agora está tudo bem... - Eren ronronou para a criança, se esticando pela bancada e pegando um dos pães de queijo que restaram na assadeira para oferecer ao menino.

Todavia, Abby não ficou nem um pouco animado com a ideia de comer o pãozinho, postura cabisbaixa e lábios tremendo.

-Mama, papa 'tá bravo comigo... - Ele murmurou, mãozinhas vindo agarrar uma a outra enquanto fungava.

Eren olhou para o filho sabendo que Levi estava mais preocupado do que bravo, mas era certo que nenhum dos filhotes estava acostumado a ouvir o pai levantar a voz, o que raramente acontecia. O ômega sorriu pequeno e levou o pão de queijo à boca do filhote, que deu uma mordidinha pequena e envergonhada.

-Ele ficou preocupado, bebê, mas gritar com você não foi o certo. - Eren disse, trocando o gelo de lugar para não machucar a criança. -  Mas eu vou conversar com ele.

E ele realmente iria, uma vez que ambos concordavam que conversar com uma criança sem estar no mesmo nível de olhar que ela era uma forma silenciosa de humilhação.

-M-mas e se o papa não gostar ma-mais de mim? - Em segundos olhinhos se encheram de lágrimas novamente, Eren já pronto para refutar um pensamento daquele quando um Levi muito mais calmo entrou na casa.

-Eren? - Só com a voz do alfa, o garotinho se aninhou ao peito de Eren, lágrimas voltando a descer ao passo que o filhote tentava se fazer pequeno para não ouvir mais o papa brigando com ele.

Eren ergueu os olhos verdes para Levi e o encarou de uma forma que o alfa quase pensou em dar meia volta e não encarar a desapontamento do mais novo. Exceto que agora, nos braços do ômega, um garotinho estava se sentando tão mal que o cheiro de leite que crianças tinham se tornava cada vez mais azedo.

-Onde está Emma? - O ômega perguntou de imediato, sabendo que Levi não deixaria a bebê sozinha na piscina.

-Dentro do berço portátil, com uma mamadeira cheia de suco na mão. - O mais velho respondeu, uma vez que tinha usado o tempo para secar Emma e a colocar no berço cheio de chocalhos, o qual tinham deixado no jardim, para se acalmar.

Observando o alfa com uma feição guardada, Eren pensou duas vezes antes de começar a conversa entre eles. Todavia, os anos de relacionamento o permitiam perceber o olhar culpado do alfa e Eren resolveu pegar leve com ele para que Abby não sofresse por mais tempo.

-Abby, o papai quer falar com você. - O de olhos esverdeados nem precisou esperar que o mais velho confirmasse algo, sentindo, através da ligação que tinham, a necessidade dele de ficar a só com o garotinho e consertar a relação entre os dois.

Franzindo as finas sobrancelhas, Levi sabia que, se queria ser um bom pai, ele não podia ignorar a dor de sua criança e o diálogo era algo que o casal priorizava na educação dos filhotes. Por isso, ainda que engolir o orgulho fosse penoso para um adulto, a ideia de que Abby era uma pequena pessoa que tinha sentimentos machucados se fez na mente dele, o impulsionando a se aproximar do garoto. 

Enquanto o mama se afastava, Abby pareceu querer mantê-lo perto de si, um barulhinho choroso deixando sua garganta quando Eren o deixou sentadinho na bancada e saiu da cozinha. Para trás ficou Levi, cuja mente repetia várias e várias vezes a queda do filhote, formando também cenários muito piores que fazia seu alfa interior lamentar a incapacidade de proteger Abba do perigo.

Ele esperou que Eren voltasse para a área da piscina e se aproximou do pequeno Ackerman, colocando-se na frente dele como o ômega antes estava.

-Abby. - Levi chamou, detestando o fato de que sua voz rouca e profunda não era nem um décimo confortante como a de Eren. Apesar disso, o bebê de olhos verdes molhados olhou para o pai, boquinha virada para baixo numa expressão de que iria chorar a qualquer momento.

Foi então que qualquer tentativa de diálogo e sermão, qualquer frase que o alfa pensou antes de entrar na cozinha se mostrou incapaz de suprir a necessidade de tomar a criança em seus braços e agradecer por ela estar bem.

E Levi o fez.

Enlaçando o filho contra seu corpo, ele o levantou com facilidade e sentiu os bracinhos de Abby se fecharem em seu pescoço.

-De-deculpa, papai!! - O choro alto soou novamente, a ideia de ser desapontado o papai fazendo com que o pequeno coração de Abby doesse. Ele apertou os bracinhos e as perninhas no corpo do pai e Levi nem ao menos se importou com a roupa de banho molhada.

-Shh... - O alfa consolou, esfregando uma mão para cima e para baixo nas costas do filhote e produzindo um ronronar no fundo do peito para acalmá-lo. - Shhh, tudo bem, foi um acidente. O papai só está feliz que você não está machucado, ok? Não precisa chorar, Abby, o papai estava errado ao gritar e é o papai que precisa pedir desculpas, ok?

Mas ele deixaria a criança chorar o quanto precisasse e o seguraria durante todo o processo. Culpa por ter gritado com Abba o corroía e Levi não queria carregar o remorso de ter estragado o dia que Eren e os filhotes pensaram para ele.

E ainda que não fosse tão bom com palavras como o ômega era, ele ficaria ali, em pé naquela cozinha, o tempo necessário até que a dor de coração de Abby passasse e ele pudesse voltar a ser um pai digno para suas crianças.

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-Eu sempre soube que eu ia ser um pai de merda.

Levi bufou, uma sensação amarga na garganta ainda que Abby tivesse o perdoado segundos depois de seu pedido de desculpas. Mesmo assim, seu alfa interior rosnava o tempo inteiro para si, como se soubesse o quão decepcionante ele era como um pai.

Deitado de costas na cama, sobrancelhas franzidas e olhar duro fixado no teto, Eren observou seu alfa afundando em pensamentos negativos que apontavam o quão repugnante era por ter gritado com um filhote.

Revirando os olhos, o ômega terminou de secar os cabelos e dirigiu até a cama com apenas um par de shorts curtos colando em seu quadril. Como já era tarde e as crianças estavam dormindo, Eren se sentia na liberdade de não usar camisa e, conscientemente, atrair o olhar do alfa para seus mamilos e cintura.

Exceto que dito alfa parecia mais focado em remoer uma culpa que não deveria mais existir.

-Levi, o Abby já te perdoou e ficou agarrado em você o restante do dia. - O garoto apontou o óbvio, vindo deitar do seu lado da cama e se aconchegando nas cobertas sem uma única preocupação no mundo.

-Crianças esquecem erros inadmissíveis fácil demais. - O alfa murmurou e, ao invés de apontar a normalidade que era perder a paciência com os filhos e errar no processo de educação, Eren disse-lhe algo que chamou a atenção do mais velho de imediato.

-E talvez por isso elas sejam mais felizes. - O ômega respondeu com naturalidade, chacoalhando os ombros para o olhar surpreso do alfa.

Silêncio se fez por alguns segundos, durante os quais Eren teve a oportunidade de tirar a roupa íntima da bunda e se aconchegar de lado, ômega interior já se preparando para ser o bigspoon daquela relação.

Como esperado, Levi rolou na direção do menor, serpenteando o corpo até que ficasse mais baixo na cama e se encaixando nos braços de Eren. Deixando que o melhor o enlaçasse e encostando a cabeça no peito dele, Levi apertou o garoto contra si e disse numa voz baixa e quase frágil.

-Você acha que eles são felizes? - Perguntou, deixando claro que seu maior medo como pai seria falhar e deixar seus filhotes infelizes. - Você acha que Abby e Emma vão crescer e amar a vida? Ou você acha que eles vão detestar ter nascido? Você acha que eles vão sentir a necessidade de esconder os erros e acertos da vida deles de nós? Acha que vão nos acusar de ser superprotetores ou talvez negligentes ou talv-

-O que eu acho, - Eren o interrompeu de imediato, sabendo que o alfa estava pensando ansiosamente sobre coisas que ainda estavam longe no futuro. - ...é que você está pensando demais, Levi.

-Mas e se-

-Ser feliz é algo que eles vão ter que construir, independente do passado ou da criação que vamos dar. Amar a vida é algo que vai de cada um e cada um tem formas diferentes de aproveitar e amar cada dia que passa. Se eles vão nos falar quando tiverem a primeira relação fracassada ou não, vai deles e nós só vamos poder saber o que erramos quando o tempo passar. 

Percebendo que o alfa simplesmente se calou e deixou que falasse, Eren encostou o queixo no topo dos fios negros e soltou uma respiração profunda ao passo que esfregava as unhas da nuca de Levi.

-O que eu sei é que nós colocamos dois filhotes para dormir, os cobrimos com cobertores quentinhos, contamos uma história, demos um beijo de boa noite e dissemos que os amamos. E o que eu sei é que, independente do que acontecer no dia, independente dos problemas que a vida jogarem em cima deles e do quão machucados sairão da experiência de viver...se eu puder os colocar na cama, dar um beijinho na testa e dizer que os amo daqui a 30 anos, isso para mim vai ser o suficiente.

Enquanto apertava o alfa contra si, o ômega deixou que o quarto se enchesse de aroma confortante, um ronronar em sua garganta reverberando pelo corpo forte de Levi ao mesmo tempo que esse parecia contemplar as palavras e ações do pequeno: como o jeito que suas pernas se entrelaçavam, como o som do coração dele soava em seu ouvido, como beijinhos eram distribuídos em madeixas escuras.

Levi precisou enterrar o rosto no peito de Eren para esconder o sorriso que alargou seu rosto, calma começando a passear por seu corpo como sempre acontecia quando estava perto do ômega.

-É isso que você está fazendo comigo, mama Eren? Me colocando para dormir? - Levi então ergueu a cabeça o suficiente para beijar ao longo do peito moreno com inocência e passar a distribuir selinhos pelo pescoço do menor.

-Sim... porque, no final, eu acho que tenho três filhotes.

FIM

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