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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2015-02-17
Words:
474
Chapters:
1/1
Comments:
4
Kudos:
4
Bookmarks:
2
Hits:
140

once there was a way to get back home

Summary:

Há meses Miller tenta ler o livro, mas nunca consegue passar daquela frase. - L/OC.

Notes:

Morg amada, tá aqui a L/Miller que disse que ia escrever. Não sei se tá melhor que "Matematicamente Falando", mas em número de caracteres está maior e espero que isso conte pra alguma coisa.

Colocando "angst" nas tags só por precaução, etc.

*insira aqui coraçãozinho que meu teclado me impede de fazer no momento*

Work Text:

“Me diga o nome de um herói que foi feliz.”

Miller nunca consegue passar dessa frase.

Há quase cinco meses ela tenta terminar de ler o livro; há quase cinco meses ela chega na mesma página e encara as mesmas palavras como se elas fossem algum tipo de ofensa pessoal.

Miller sabe o que acontece no resto do livro - a narrativa conta como Aquiles foi enviado à corte de outro rei, vestido com roupas de donzela e escondido entre as damas de companhia de uma princesa estrangeira até que Pátroclo o reencontrou e eles navegaram de cabeça erguida para Tróia. Ela leu livros sobre mitologia grega o suficiente no orfanato para saber como termina, como sempre termina - Pátroclo morto e Aquiles de luto decidindo que o mundo dos vivos já não lhe pertence mais. Ela sabe até que Aquiles jurou que seria o primeiro herói a ser feliz, após listar todos os modos como os outros heróis não o foram, num momento em que seus olhos conseguiram se desgrudar da sentença fatídica.

Ela também sabe por que continua agarrada a esse trecho.

“Me diga o nome de um herói que foi feliz.”

L já era, do jeito dele. E L teria sido ainda mais, se tivesse voltado do Japão.

L teria derrotado mais um criminoso e teria voltado a seus arquivos em busca de mais um caso a resolver, e Miller teria ligado para ele para repreendê-lo por tê-la deixado ficar sabendo do feito pela televisão em vez de avisá-la pessoalmente, e ele teria dito que queria algum doce qualquer que não tinha encontrado no Japão e perguntaria - do jeito que ele sempre perguntava, como se não houvesse uma interrogação no final e ele estivesse do lado dela, observando e comentando - se ela continuava sujando o chão de vermelho quando pintava.

E ela diria que talvez. E ele seria feliz.

E ela seria feliz. Preocupada, cansada, pés manchados de vermelho. E feliz.

Seria. Futuro do pretérito. Possibilidade passada.

Talvez fosse assim com todo herói, com todo Aquiles - todas as chances de ser feliz no passado, e a tragédia final que soterra os bons momentos mas leva seu nome à glória. E para os que ficam para trás, as histórias. E a falta de respostas.

Ao lado dela, Valentina mia e, decidindo que era sua hora de monopolizar as atenções, lhe dá uma cabeçada no quadril.

- Que foi - Miller diz com um suspiro, jogando o livro em cima da mesa de centro e deixando que ela suba em seu colo. A gata se ajeita, e o pelo dela é macio nos dedos de Miller, e a luz do sol da tarde que entra pelas frestas da persiana enche a sala de luz pálida e sombras finas. O apartamento nunca pareceu tão vazio.

Miller joga um dos braços sobre os olhos, e deixa as lágrimas virem.