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A noite, o véu do breu pairava sobre a cidade de Nápoles. Sob seu palmar, lágrimas em abundância escorriam, molhando toda e qualquer criatura que pudesse corajosamente jazer desprovido da segurança duma sombra naquele tempestuoso pranto.
Perdido na dor do céu e na própria, tendo como único o guia o luar e seus discípulos, um homem recolhia-se num beco à procura de abrigo não apenas da água, mas também de si mesmo.
Sua lástima era dividida com a escureza.
Em seu olhar, uma fosca desilusão do que outrora fora um reluzir cru de esperanças infinitas para com o futuro. Contudo, nas atuais circunstâncias, julgava que tudo aquilo havia sido apenas uma asneira projetada por sua mente zombeteira.
Seu semblante taciturno emoldurava-lhe a face molhada de pranto morno, enquanto seu interior retorcia-se em angústia de uma crescente dipsomania reprimida. Nada habitava em seu peito senão o vazio. Vazio esse, que planejava preencher com a única coisa que apaziguava-lhe o sentimento: vinho.
Porém, seus pensamentos desconexos da realidade foram despertos ao ouvir uma voz até então desconhecida para si. Não havia sentido a presença de outra pessoa no ambiente, e muito menos notado sua súbita aproximação. A figura era como um felino, sorrateira e silenciosa. Trazia consigo um guarda-chuva, e lançou-lhe um olhar compassivo, mas ainda assim determinado; antes de pronunciar-lhe o nome:
“Leone… Abbacchio?” seus dizeres foram-lhe como o toque de um anjo. Agarrar-se-ia a esse querubim como se fosse a última esperança depositada em seu olhar — e de fato era.
