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Preencher o Vazio

Summary:

Tarde da noite, Abbacchio perde-se em sua desilusão, e subitamente é liberto de seus constantes e errôneos sentimentos por um homem até então desconhecido por si, Bucciarati.
***
“Leone… Abbacchio?” seus dizeres foram-lhe como o toque de um anjo. Agarrar-se-ia a esse querubim como se fosse a última esperança depositada em seu olhar — e de fato era.

Notes:

Escrevi essa one há algumas semanas. Há meses estava presa num bloqueio criativo que parecia interminável, e to muito feliz que finalmente tenha conseguido escrever alguma coisa!
Espero que tenha uma ótima leitura <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

A noite, o véu do breu pairava sobre a cidade de Nápoles. Sob seu palmar, lágrimas em abundância escorriam, molhando toda e qualquer criatura que pudesse corajosamente jazer desprovido da segurança duma sombra naquele tempestuoso pranto.
Perdido na dor do céu e na própria, tendo como único o guia o luar e seus discípulos, um homem recolhia-se num beco à procura de abrigo não apenas da água, mas também de si mesmo.
Sua lástima era dividida com a escureza.
Em seu olhar, uma fosca desilusão do que outrora fora um reluzir cru de esperanças infinitas para com o futuro. Contudo, nas atuais circunstâncias, julgava que tudo aquilo havia sido apenas uma asneira projetada por sua mente zombeteira.
Seu semblante taciturno emoldurava-lhe a face molhada de pranto morno, enquanto seu interior retorcia-se em angústia de uma crescente dipsomania reprimida. Nada habitava em seu peito senão o vazio. Vazio esse, que planejava preencher com a única coisa que apaziguava-lhe o sentimento: vinho.
Porém, seus pensamentos desconexos da realidade foram despertos ao ouvir uma voz até então desconhecida para si. Não havia sentido a presença de outra pessoa no ambiente, e muito menos notado sua súbita aproximação. A figura era como um felino, sorrateira e silenciosa. Trazia consigo um guarda-chuva, e lançou-lhe um olhar compassivo, mas ainda assim determinado; antes de pronunciar-lhe o nome:
“Leone… Abbacchio?” seus dizeres foram-lhe como o toque de um anjo. Agarrar-se-ia a esse querubim como se fosse a última esperança depositada em seu olhar — e de fato era.

Notes:

Obrigada por ter lido até aqui e espero que tenha gostado.
Cara, eu tava sedenta por uma one desses dois. Quase sempre lia as de outros autores, mas queria algo pra chamar de meu. Não é muita coisa, mas aqui está.
Espero que tenha um lindo dia!