Chapter Text
A brisa fresca do entardecer entrou pelas narinas de Hinata, congelando todo o trajeto até seus pulmões, fazendo o menino estremecer levemente com a sensação. Não que o frio o incomodasse, longe disso. Por conta de suas habilidades super-humanas, Hinata possuía uma maior tolerância a grandes temperaturas — tanto quentes quanto frias — sendo realmente difícil que elas o afetassem.
Mas, mesmo assim, ele gostava de se concentrar e sentir os pequenos calafrios que uma brisa gelada causava em seu organismo. Era bom viver essa fantasia de alguns segundos onde ele era normal assim como todos os outros ao seu redor.
Ele suspirou, cansado.
Quem Shouyou estava tentando enganar? Ele nunca seria igual a qualquer uma dessas pessoas porque, antes de tudo, Hinata não morria. Como isso era possível? Ele também não sabia explicar — era quase como algo natural, um milagre! Independente da atrocidade cometida contra ele, Hinata sempre acordava depois de um tempo, totalmente curado e com a mesma aparência juvenil.
Além dessa bizarrice de voltar a vida, ele também não sentia dor — pelo menos não igual aos humanos normais. Era preciso muito mais para ferir os nervos de Hinata.
O ruivo também possuía uma habilidade física muito superior à qualquer ser humano. Ele era mais rápido, mais ativo, pulava absurdamente mais alto e era, também, mais forte.
Bom, não tão forte quanto ele...
Um resmungo de raiva saiu da boca de Shouyou ao se lembrar da existência daquele que era seu único semelhante nesse mar de pessoas.
Kageyama Tobio, o único ser imortal além de Hinata que habitava o planeta Terra, quase como uma piada de mau gosto.
E como Hinata poderia estar tão certo de que eles eram os únicos? Simples, porque ele e Kageyama eram atraídos um pelo outro o tempo todo. Era muito exaustivo, na verdade, já que Kageyama era o ser mais ignorante, mesquinho, irritante, mal-humorado, egocêntrico — a lista poderia seguir por horas — que Shouyou já conheceu em toda sua vida, o que era muito tempo.
Ok, ele estava exagerando. Já conhecera pessoas piores. Mas, ainda assim, Kageyama era.... difícil, para dizer o mínimo. E ter uma força estúpida que te puxa na direção dessa pessoa o tempo todo é mais difícil ainda! Hinata já havia tentado lutar contra esse ímã várias vezes, mas raramente funcionava. Se uma vontade súbita surgia em sua cabeça de atravessar o estado, ele rapidamente ia na direção oposta para evitar encontrar aquele-que-não-deve-ser-citado. Contudo, seu esforço era praticamente inútil, já que, alguns dias depois, ele certamente daria de cara com Kageyama ao sair do mercado.
E, para piorar sua situação, Kageyama era irritantemente mais forte do que ele. Apenas na força bruta, é claro. Hinata com certeza era mais rápido que ele e, definitivamente, pulava mais alto. Mas, ainda assim, perder na força era algo que fazia as entranhas de Shouyou queimarem de raiva e injustiça.
Ele ainda se lembrava — não tão bem quanto gostaria — do dia em que Kageyama lhe deu um soco no estômago. Cerca de um milênio atrás, mais ou menos.... Hinata não sabia ao certo. Ele tinha um leve palpite que talvez ele tenha merecido aquele soco — hipoteticamente falando, é claro. Isso porque, durante alguns anos, Hinata esteve muito fora de si em algumas situações, e Kageyama encontrou o momento perfeito para acordá-lo para vida com um soco direto na barriga.
Aquela foi a dor física mais forte que Shouyou já sentiu. Definitivamente doía mais do que ser esfaqueado no coração — ele tinha experiência no assunto. Também doeu muito ver os olhos assustados do outro depois que ele se deu conta do que havia feito, mas isso Hinata ignorou.
O ruivo apertou o passo, tentando apagar Kageyama Tobio e suas atitudes idiotas de sua cabeça, concentrando-se em chegar ao seu destino o quanto antes, que, por sorte, já podia ser avistado a alguns metros de distância.
O céu de Tóquio já estava ficando roxo com o fim inevitável do entardecer. Antes de entrar no estabelecimento, Hinata virou a cabeça para cima e admirou a paisagem por alguns segundos, suspirando. O pôr do sol nunca perdia a beleza para ele.
A cafeteria Karasuno era o lugar favorito de Shouyou na cidade e o mais próximo que ele poderia chegar de um círculo de amigos. Assim que o jovem entrou pela porta do local, foi saudado pelos cumprimentos de Yachi Hitoka.
— Hinata-kun! Boa noite! — Ela saudou enquanto limpava suas mãos em seu avental laranja. — Achei que você não viria hoje...
Yachi era uma jovem adorável que Hinata conheceu há cerca de um mês, enquanto fazia seu ritual de experimentar milkshakes em todas as cafeterias que encontrasse. A amizade aconteceu quase imediatamente, graças às personalidades compatíveis dos dois.
Shouyou preferia ignorar o fato que conhecera a bisavó de Yachi a alguns anos atrás, pelo bem de sua própria estabilidade mental.
— Yacchan! É claro que eu ia vir! Cê sabe que não vivo sem seus doces e sem o drama da sua vida amorosa com a Kanoka-chan. — Hinata comentou, rindo. A vermelhidão subiu pelas bochechas de Yachi no mesmo instante, e ela afundou seu rosto rapidamente em suas mãos.
— Hinata, eu sou patética. — A loira lamentou enquanto servia alguns cookies para o ruivo. — Ela veio hoje aqui de novo... Pediu a mesma coisa de sempre, usando aquele mesmo uniforme lindo de vôlei e ahhhh... — Yachi choramingou ao mesmo tempo que Shouyou segurava o riso.
— Foi hilário — Comentou Tanaka, o jovem que trabalhava no caixa. — Ela quase desmaiou na hora que a Kanoka elogiou o cabelo dela.
— Hey! — A loira bradou, apontando o dedo na direção do amigo. — Você é o único que não pode falar nada sobre mim! Você literalmente desmaiou quando a Shimizu piscou pra você. — Ela respondeu, cruzando os braços em seguida.
— Não é como se você também não tivesse caidinha pela Kiyoko nas primeiras semanas que trabalhou aqui. — respondeu Tanaka, com um tom divertido. Contudo, o leve rubor que subiu por suas orelhas não passou despercebido por Shouyou, que assistia atentamente o drama se desenrolar na sua frente.
Rapidamente, o desespero pairou sobre Yachi, fazendo a pobre garota arregalar os olhos e levantar suas mãos em sinal de redenção. Hinata poderia jurar que sua alma estava saindo de seu corpo.
— Tanaka-senpai! — Ela choramingou. — Me perdoa! E-Eu juro que não sabia que você gostava dela no começo! Juro por todos os seres e entidades-
— Yachi! — Tanaka chamou sua atenção, rindo. — Tá tudo bem! Eu sei que a Kiyoko é a mulher mais linda que já pisou na Terra. — Ele continuou, falando com um brilho nos olhos que Hinata só via quando ele estava falando de Shimizu. — Não me surpreende que você tenha tido uma paixão por ela também. Ela é incrível.
Hitoka e Hinata concordaram com cabeça. Contudo, um rubor ainda brilhava nas bochechas de Yachi, provavelmente por ter tido sua pequena paixão pela moça exposta dessa maneira.
— E você hein, Hinata-kun? — Shouyou estremeceu com a voz de Tanaka chamando seu nome. Yachi virou sorrindo em sua direção, feliz por não ser mais o foco do assunto. — A Shimizu também faz seu tipo? Você era afim dela?
— O que?! Não! Eu não era afim dela! — Hinata respondeu com os olhos levemente arregalados, balançando suas mãos em desespero. —Digo, a-acho que ela até faria meu tipo, mas é que eu não gosto muito de.... vocês sabem... — Ele não teve coragem de terminar a frase, coçando levemente seu pescoço.
— O que! Você não gosta da Kiyoko? Tá chamando ela de feia? — Tanaka bradou, fazendo uma cara feia atrás do balcão. O desespero de Hinata aumentou, se atropelando nas próprias palavras para conseguir se explicar.
— Aaah, você não gosta de mulheres, né? — Yachi perguntou, sorrindo. Shouyou agradeceu aos céus pela existência dela naquele instante.
— É, basicamente. — O ruivo respondeu, sentindo seu rosto arder de vergonha pela situação que se meteu. Falar sobre esse tipo de coisa sempre foi difícil para ele, principalmente por conta das circunstância que havia enfrentado ao longo dos anos.
— Ah saquei... Você é gay... — Tanaka respondeu enquanto coçava a parte de trás de sua cabeça e ria um pouco envergonhado. — Faz sentido, desculpe pelo surto. — Ele deu um sorriso fraco na direção do ruivo.
Hinata apenas acenou com a cabeça e continuou comendo seus doces, temendo abrir a boca e piorar sua situação, de novo.
Tanaka, em outra instância, prosseguiu divagando:
— Acho que mesmo que a Shimizu fosse um cara, eu ainda seria apaixonado por ela... — Yachi arqueou uma sobrancelha enquanto ouvia o comentário do amigo, provavelmente fazendo uma nota mental de conversar melhor sobre isso mais tarde.
— Ok, isso é suspeito... — A loira comentou baixinho, rindo fraco. Ela caminhou até perto do ruivo e continuou. — Hinata, será que você pode me levar embora hoje de novo? Se não for incômodo...
— Sem problemas Yacchan! — Respondeu Shouyou.
Cerca de 40 minutos depois, os dois caminhavam rumo à casa da garota. Shouyou tentava, a todo custo, não reclamar da localização perigosa do prédio da amiga, mas falhava miseravelmente.
Eles já haviam tido essa discussão no mínimo cinco vezes, e os argumentos eram sempre os mesmos: —Hinata, você sabe que o aluguel aqui é mais barato! — A loira defendia. — E do que vale um aluguel barato se você pode ser sequestrada a qualquer momento? — Respondia Shouyou, desesperado. Mas Yachi nunca mudava de ideia, restando ao ruivo a única opção de garantir que ela chegasse sã e salva em casa.
— Prontinho, viu só!? Não aconteceu nada. — Ela respondeu enquanto parava em frente ao portão de seu prédio, quase como se estivesse ouvindo os pensamentos de Hinata. — Obrigada por me trazer, Shouyou.
— Imagina Yacchan! — O ruivo respondeu enquanto sorria. — Te vejo amanhã, certo?!
— Certo. Tchau! — A loira acenou e entrou no edifício, trancando a porta atrás de si.
Ele suspirou, aliviado. Virando o rosto algumas vezes, Hinata buscou nas desertas e escuras ruas alguma presença não requisitada. Ele não conseguia se livrar da sensação de estar sendo observado... Pelo menos, ao ver Yachi entrando com segurança em sua casa, seus nervos pareceram se acalmar um pouco.
Sem encontrar nada de suspeito, Shouyou se virou e começou a caminhar calmamente pela avenida vazia e assustadora . Ele realmente precisava convencer Hitoka a se mudar...
Hinata virou algumas esquinas — todas igualmente desertas e imundas — até que o som de passos o tirou de seus pensamentos, deixando-o atento aos barulhos que lhe rondavam. Os ruídos foram ficando mais altos, até que uma risada debochada soou às suas costas, forçando Shouyou a se virar.
Três garotos altos e fortes o cercavam. Um deles ria enquanto o encarava nos olhos, já os outros o fitavam de cima a baixo, como se ele fosse uma presa. Um suspiro cansado escapou dos lábios de Hinata. Isso já havia acontecido mais vezes do que ele podia contar.
Infelizmente, Shouyou era relativamente desprovido de altura e, por conta de sua aparência jovem, muitos valentões interpretavam isso como uma vantagem em brigas, colocando Hinata em situações como essa com mais frequência do que ele gostaria.
Contudo, mesmo com o sucesso garantido graças a sua imortalidade, na maioria das vezes Hinata não revidava — e essa seria certamente uma delas. Para Shouyou, revidar os golpes desses valentões significava passar as próximas horas preso em uma briga sem sentido, que claramente não lhe pertencia. Além disso, havia o risco óbvio de machucar demais seus adversários… algo que já acontecera antes, e que o ruivo não tinha o menor interesse em repetir.
Ele já estava se preparando para levar alguns socos na costela e perder os únicos 10 reais que ainda restavam em sua carteira, quando o foco da situação mudou:
— Toquem nele e eu acabo com vocês.
Um arrepio subiu pela espinha de Shouyou, e seus olhos se arregalaram sentindo o desespero tomando conta de si. Ele se virou na direção da voz lentamente, rezando baixinho para que estivesse alucinando.
Ele devia estar alucinando, absolutamente.
Contudo, uma figura masculina estava parada na esquina, cerca de oito metros de distância de Hinata e os valentões. Ele estava encostado num poste de energia, que piscava descompassadamente, como se sentisse a presença problemática que o cercava. Uma nuvem de fumaça branca de cigarro cercava o homem e, por conta da má iluminação, o ruivo não conseguia distinguir o que exatamente ele estava vestindo além de roupas pretas.
Não que Hinata precisasse de uma luz forte para saber de quem se tratava. Ele já havia reconhecido a voz no momento em que o som reverberou pela rua. Kageyama Tobio estava, agora, caminhando em sua direção, soltando mais uma vez a fumaça do cigarro barato que estava tragando.
Shouyou suspirou desesperado a medida que o homem se aproximava, se arrependendo profundamente de suas ações anteriores. Ele com certeza devia ter dado uma surra nos valentões. Perder o controle era quase melhor do que se humilhar na frente de Kageyama.
— Se vocês forem embora agora... Talvez eu nem machuque ninguém. — A voz firme de Kageyama soou novamente e Hinata estremeceu visivelmente, se xingando mentalmente por isso logo em seguida.
— Quem você pensa que é, seu...— Um dos delinquentes tentou reagir, mas foi interrompido pelo moreno.
— Alguém com que você definitivamente não quer comprar briga. — Respondeu o Kageyama, com um tom ameaçador.
Hinata observou os olhos assassinos do outro, que pareciam destilar todo tipo de pensamento negativo em cima dos três valentões. Shouyou sentiu a raiva borbulhar em seu estômago. Entre eles, o moreno parecia muito mais uma criatura mística imortal do que Hinata. Esse pensamento sempre deixava o ruivo enjoado.
Num último movimento, a mão de Kageyama vagou lentamente até sua própria cintura, com se estivesse à procura de algo. Isso foi o suficiente para amedrontar os jovens, que fugiram antes que a mão do homem terminasse seu trajeto.
Assim que o silêncio se instalou novamente, Hinata criou coragem para falar:
— O-O que foi isso?! — Sua voz nervosa ecoou pela rua vazia. — Você tá me seguindo? Pior! Você tá armado?! Kageyama! — Seus pensamentos frenéticos mal conseguiam se enfileirar em frases.
— O qu- Não! Não tô armado, isso foi só pra despistar os caras! Inclusive, você devia tá me agradecendo agora, não?! Eu meio que salvei sua pele. — Kageyama respondeu, igualmente embolado em suas próprias palavras enquanto andava para colocar uma distância entre ele e Hinata novamente.
— Agradecer?! Você definitivamente tava me seguindo! Sério, que porra? Seu esquisito! — Hinata gritou de volta, enquanto se colocava em movimento também, mais ansioso para sair desse lugar do que iria admitir.
— Eu não tava te seguindo! Eu tava só... andando por ai, cê sabe... — respondeu o moreno, enquanto começava a subir as escadas de emergência externas de um prédio. Hinata acharia cômico a falta de jeito do outro se a situação já não fosse péssima.
— Aham, "andando por aí" num subúrbio perigoso igual a esse? Com certeza, um ótimo lugar pra turismo. Mil perdões. — Hinata respondeu, com o sarcasmo escorrendo em seus lábios. — E onde caralhos você tá indo, Kageyama?
— Pro telhado do prédio, seu idiota! É muito mais seguro pra caminhar, já que você não corre o risco de ser pego por uma gangue de delinquentes. — Respondeu o outro, com o final da frase carregado de sarcasmo. Ele começou a subir as escadas, e Hinata o seguiu a contragosto.
Chegando no térreo, Shouyou conseguiu observar Kageyama mais atentamente. Ele usava calça jeans preta, tênis pretos e uma jaqueta de couro igualmente preta — fazendo Shouyou revirar os olhos com a clara falta de criatividade. O modelo da jaqueta lembrava muitos as roupas vintage dos anos 70, e o ruivo estremeceu um pouco ao perceber que aquela realmente era uma jaqueta daquela época.
— Você sumiu por bastante tempo. — Disse Hinata, numa tentativa de expulsar a imagem de Kageyama nos anos 70 o mais rápido de sua mente.
— Cansei da sua cara de bunda. — Respondeu o moreno. Shouyou ficou muito tentado a empurra-lo do prédio. — Nem pense em me empurrar lá pra embaixo, idiota.
Hinata estremeceu. Ele odiava quando Kageyama fazia isso. Era quase como se o homem pudesse ler a mente dele, revoltante.
— Morei na Europa nos últimos anos, na Itália. — Comentou Kageyama, como se tentasse tirar as tentativas de assassinato da mente do ruivo. — Mas cansei e resolvi visitar o Japão. Cheguei ontem. Tava caminhando por aí quando te vi andando com uma garota loira.
— AHA! — Shouyou gritou, apontando o dedo no rosto do outro. — Então você realmente tava me seguindo! Eu sabia! Senti que tinha alguém me observando. Devia saber que era você, Creepy-yama. Seu–
— Não sabia que você tinha namorada.
O comentário de Kageyama tirou totalmente Hinata de seu foco. Ele agradeceu mentalmente por não estar na beira do telhado, ou então ele provavelmente teria caído.
— O qu— Eu não tenho! Olha aqui seu— Argh! — Hinata resmungou, amaldiçoando a si mesmo por gaguejar tanto. — A Yachi é uma amiga! Eu e ela não temos nada. Só levo ela embora por causa do bairro perigoso, como você já deve ter percebi. — O deboche no tom de voz do ruivo pairou no ar.
— Hm. Ela é bonita demais pra você mesmo. — Kageyama respondeu, recebendo um barulho de indignação de Hinata. Antes que o outro conseguisse retrucar, o moreno continuou:— Enfim, vou ficar na cidade por um tempo então achei bom te avisar. Espero não te encontrar de novo, mas cê sabe que isso, infelizmente, não vai acontecer.
E, antes que Shouyou pudesse reagir, Kageyama pulou em direção ao prédio vizinho e foi para longe, deixando para Hinata apenas a visão de suas costas sumindo lentamente na escuridão da noite.
Uma nostalgia incômoda queimou nas entranhas do ruivo ao vê-lo se afastar. Aquele andar, aquelas roupas e, claro, aquele maldito cigarro. Era como voltar cinquenta anos no tempo e reencontrar o mesmo Kageyama que — desde sempre — conseguia tirar sua paz com uma facilidade irritante.
Hinata respirou fundo, tentando afastar o nó na garganta, mas a verdade era simples e cruel.
Nada de bom vinha junto com o Kageyama. Nunca.
