Work Text:
Estar com ele era sempre uma comoção, um rapaz que possuía uma personalidade parecida com uma serie de explosões. Viver junto dele era quase sempre como estar no centro de um furacão, mas Orihime não mentiria, ela gostava de tal emoção. Tudo sobre a pessoa que ele era, e fazia questão de mostrar ser, foi empolgante; impressionante; eletrizante, totalmente em contraste com que ela era – mas novamente, Orihime não mentiria, ela adorava de tal dessemelhança. Ele foi impulsivo; agressivo; grosseiro; completamente obstinado, sem contar seu linguajar vulgar. Ele não era perfeito, totalmente o contrario disso, era imperfeito; errado; condenável e repreensível, mas bem... Ninguém é cem por cento perfeito, nem mesmo ela era – embora muitos tenham falado o contrario. Ela sabia mais do que olhos alheios, se conhecia bem e se duvidasse, talvez ela seja mais imperfeita do que o ele.
Olhou para o lado quando ouviu um murmúrio – mais especificamente um baixo xingamento – vindo do rapaz de cabelos azuis deitado preguiçosamente adormecido ao seu lado na cama, fitou o rosto do mesmo por algum tempo, observando seu semblante levemente irritado, sobrancelhas azuis cerúleo franzidas suavemente e olhos pressionados por conta da luz brilhante do sol, que caia em seus orbes sem medo através de uma pequenina fresta aberta entre as esverdeadas cortinas corta-luz. Sem fazer movimentos bruscos para não acordar o homem ainda em estado de dormência, elevou-se sobre o corpo bem definido do azulado para chegar ate a janela atrás dele, lentamente fechou as cortinas esverdeadas, mas não antes de dar uma olhada na paisagem do lado de fora do quarto avistando a rua quase vazia com apenas algumas crianças brincando, parou um momento para ver os mais novos agitados logo cedo – secretamente, ou nem tanto, ela mal podia esperar para ter seus próprios, talvez um menino ou uma menina de cabelos azuis e olhos castanhos ou vice versa, mas um passo de cada vez, ainda havia muito que fazer e viver antes de pensar em ter crianças.
Enquanto a ruiva perdia-se em pensamentos sobre o futuro – no caso, pensando nos filhos que teria no futuro com homem de cabelos azuis claro atrás dela – ela não notara o despertar irritadiço do outro, que resmungava aborrecido sobre o maldito sol contra sua face, este esfregou a mão no rosto e observou a figura seminua da mulher ruiva de cabelos longos recostada contra a janela com aparente falta interesse.
- De novo olhando esses pirralhos barulhentos? – indagou entediado retoricamente.
- Não posso evitar, virou um habito. – respondeu alegre ainda olhando para fora. – Já pensou em como seria uma criança nossa?
- Com certeza seria uma dor de cabeça constante. Dado que provavelmente puxaria o mau gênio da mãe.
Vagarosamente Grimmjow passou a mão esquerda nas costas nuas dela, levantou-se e passou os braços fortes pela cintura fina de Orihime abraçando-a por trás levemente juntando-se a olhar a vista da rua do bairro onde ambos moravam já há algum bom tempo.
- Claro, por que o pai é um ser exemplar de classe e polidez. – respondeu sarcasticamente.
- Mas é claro que sou. - sorriu dissimulado.
O azulado fechou as cortinas, coisa que a ruiva esquecera-se de fazer anteriormente após contemplar a visão dos pequenos a brincar na rua fechada lá em baixo, sem pudor puxou-a consigo em direção a cama, espalhando ainda mais os lençóis cinzentos já bagunçados.
