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Chuva

Summary:

“Estou triste há um longo tempo e preciso de uma distração. Não peço que veja através de mim ou enxergue meus sentimentos. Eu só quero que toque meu corpo.”
Uma triste e ébria confissão mudaria sua relação para sempre.
Após vinte anos longe do mundo sobrenatural de karakura, em uma noite de tempestade, Orihime Inoue tem um encontro inesperado com Byakuya Kuchiki.

Notes:

Originalmente escrita em 14/08/2017 e deletada 07/07/2019, então sendo reescrita em 20/09/2020, Chuva é minha primeira e única fanfic com mais de 1 capítulo. Seguindo a minha linha de escrever com um limite de palavras, cada capítulo possui apenas 500 palavras, o que torna a fic longa e curta ao mesmo tempo.
A fic contem 27 capítulos, ela foi terminada em 24/07/2021.
Uma coisa que eu queria dizer é que alguns capítulos são escritos com base em músicas, que eu recomendo escutar enquanto lê, então eu vou dar o nome da música e vocês podem pesquisar se quiserem.
Enfim, vou tentar postar um capítulo por dia, no máximo um por semana.

Chapter Text

“Vamos, tenha calma...” disse uma voz suave como se estivesse acalentando uma criança pequena.

Grogue, com uma terrível dor de cabeça e no corpo, Byakuya sentia-se quente e frio ao mesmo tempo, seu estomago ardia, os olhos mal conseguiam enxergar a pessoa a sua frente, sua visão estava turva como se estivesse de olhos abertos embaixo da agua suja, o impedindo de ver seu salvador.

Como uma criança manhosa que não quer deixar os braços da mãe, levou as mãos a face do outro, numa tola convicção de que o reconheceria se assim fizesse. Quem era aquele? Não podia ver direito, mas sentia que conhecia a voz de algum lugar.

Vociferou alguns grunhidos. Queria falar com aquela pessoa, mas não conseguia.

“Shhh. Não, não faça isso. Durma...” Sentiu uma mão pequena e fria acariciar sua testa descendo a têmpora direita até as bochecha.

Aos poucos sentiu-se sendo puxado da realidade para o mundo dos sonhos, poucas palavras mal conseguia captar. Alguém iria cancelar alguma coisa. Oque era? Então os arredores borrados tornaram-se cada vez mais escuros até que enfim caiu num profundo sono sem sonhos.

Orihime olhou para a figura adormecida em sua cama, com todo o cuidado o cobriu com cobertor e silenciosa, saiu do quarto após apagar as luzes. Olhou para o relógio digital na parede da cozinha. Já passava das onze da noite.

 As próximas horas foram de alerta, cuidando do deus da morte adormecido no seu quarto. Ao mínimo som captado, lá já estava a ruiva trocando o pano úmido na sua testa ou o ajudando a vomitar. Fizera o certo cancelando os compromissos de amanhã e do próximo dia.

Sentada na poltrona de veludo no canto do quarto com um copo de uísque puro na mão, beber, um péssimo habito adquirido como uma espécie herança de seu avô. Recordou os acontecimentos da manhã daquele dia. Sabia que tinha feito o certo em sair a procura do hollow quando ouviu um berro estrondoso daquele ser.

E quem diria que ela daria de cara com um Byakuya Kuchiki todo machucado e ardendo em febre embaixo da chuva entre as arvores próximas a sua casa?

Anos sem fazer contato, proibida de falar com amigos e conhecidos por causa de um trabalho que sequer queria ter, e quando finalmente reencontra um deles, acontece desse jeito. De um riso fraco

Que miséria”.

Encolhida naquele acento, substituiu o uísque seco em suas mãos por uma pilha grande de papeis. Afinal, só por que ela tinha cancelado os compromisso do dia, não significava que não tinha mais trabalho a fazer. De qualquer forma, no escritório ou em casa a carga de trabalho não diminuía por estar num lugar ou no outro.

E assim o tempo foi passando lentamente, a madrugada veio e então a manhã. Sua atenção dividida entre o ceifeiro de almas que hora ou outra balbuciava fracas palavras desconexas e o seu trabalho tedioso.

Sua companhia? Apenas a chuva forte e fria que batia contra o vidro fumê da janela.