Chapter Text
Eu tenho um amuleto
Que levo junto do peito
Para espantar feitiços
Que não são feitos direito
– Bonjour para você também, Byun Baekhyun. – Chanyeol resmungou do alto do castanheiro, sentindo os olhos acusadores do Byun cravarem-se imediatamente em si. Droga, não tinha tido a intenção de falar tão alto. Piar tão alto. Reclamar tão alto. Não precisava de mais razões para que o humano o detestasse, mas o dia tinha acabado de clarear e ele já estava no quintal cantando a plenos pulmões! Que tipo de humano fazia isso? – Kyungsoo! Kyungsoo, acorda! Ele está me encarando de novo!
Eu tenho um espantalho
– E cantando essa música horrenda!
– Chanyeol, o dia acabou de amanhecer.
Feito com cascas de alho
– Aquilo é um corpo?! Um corpo humano?! – Dessa vez, o pobre Chanyeol crocitou alto, em choque com o que estava presenciando.
Talvez Byun Baekhyun, o ser humano mais adorável e mais talentoso do mundo, não fosse tão adorável assim. Continuava sendo talentoso, porque só os deuses dele sabiam como ele tinha conseguido colocar um corpo inanimado em pé e ainda decorá-lo com roupas e flores de várias cores. Seria bonito, se não fosse tão macabro.
Sentiu o olhar fulminante dele outra vez e precisou se controlar para não subir os dois galhos que o separavam de Kyungsoo. O mais provável era que fosse chutado lá de cima e não precisava de mais essa vergonha para a conta.
– Você não está ouvindo a música, não? É um espantalho, Chanyeol.
– Um espantalho?! Para que serve um espantalho?! Parece um homem morto!
Para espantar vampiros
– A ideia é parecer um homem vivo. – Minseok intrometeu-se, mordiscando uma bolota como se nada fosse. E não era nada mesmo. Para ele. Um esquilo alaranjado que nem precisava se esforçar para ter a atenção do dono da casa.
Chanyeol não entendia porquê Baekhyun parecia se derreter num poço de ternura sempre que Minseok descia do castanheiro para revistar o chão. O humano até se dava ao trabalho de procurar comida por Minseok! Ele sempre aparecia com nozes, castanhas ou amendoins, e era por causa dele que Minseok era o esquilo mais rechonchudo da vizinhança. Será que era porque ele segurava as coisas com as duas patas? Ou porque ele fazia poses engraçadas quando se assustava? Mas, francamente, ele ficava ridículo quando enfiava duas nozes inteiras nas bochechas, como o Byun podia achar aquilo “fofinho”?
– Ouçam a música e me deixem dormir!
E corvos ordinários
