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I Slept With My Best Friend

Summary:

Os dois amigos de longa data agora lidavam com as consequências de uma noite cheia de trabalhos inacabados que acabou por se transformar em uma noite de bebedeira.

Notes:

Essa, na verdade, é a reescrita de uma oneshot byahime de anos atrás. Eu sempre quis reescrever ela, mas nunca consegui um resultado que me agradece até o final de 2021 quando saiu o trailer da volta do anime de Bleach. Eu fiquei tão animada que a história saiu inteira em menos de uma semana e com um número de palavras maior que o normal para mim (cada capítulo tem por volta de 1170 palavras)

PS- itálico para flashbacks e pensamentos.
PS- mudei o jeito de escrita dos diálogos, ao invés de aspas " vou usar travessão —. Não tem motivo especifico, só achei que o travessão se encaixou melhor nos diálogos dessa vez.

Chapter 1: O Dia Em Que Nos Conhecemos Foi Assim.

Chapter Text

— Senhorita Inoue. Como você e o Sr. Kuchiki se conheceram? – perguntou uma funcionária, uma garota novinha que os olhos brilhavam em sonhos, era a mais nova secretaria de Soi Fong da área de direito administrativo. Pobre garota, pensou Orihime, mal sabe o que a espera.

— Ah, esse dia. — falou a ruiva com uma voz suave e um olhar de nostalgia em seu rosto. – Ele foi bem louco, sabia? – falou com um sorriso divertido que atraiu ainda mais a atenção das mulheres que a cercavam.

— É mesmo? — disse uma.

— O que aconteceu? – Indagaram outras duas em conjunto.

Orihime gesticulou com as mãos para que todas se aproximassem mais, como se fosse contar um segredo, e assim feito quando todas estavam a menos de um metro de distância, a ruiva começou seu monologo sobre aquele dia em questão que para ela era tão especial.

 8 de fevereiro de 2011.

Orihime corria pelas ruas de Kyoto, em seu corpo um belo vestido de noiva branco, em seu rosto lágrimas que borravam sua maquiagem e em suas mãos junto ao buque de margaridas, seus sonhos destruídos em pedacinhos. Estava anoitecendo e o céu já não era mais aquele azul brilhante, a calda de seu vestido deixava um rastro na neve por onde passava, mas ela não se importa se o vestido estava ficando sujo ou com o frio que castigava sua pele ainda mais enquanto corria.

Ela queria fugir para o mais longe que podia da igreja em que seu casamento deveria ocorrer. Estava com raiva, triste. Pensamentos amargos inundavam sua cabeça. Fora traída no dia de seu casamento, sentia-se uma piada, motivo de vergonha para todos aqueles que a avisaram que aquilo não daria certo, de que aquele homem não prestava.

Encontrou seu amado noivo, seu presente dos deuses, nos braços de uma funcionária que ajudava a organizar a cerimonia minutos antes de subir no altar. Seu coração estava quebrado. Não querendo enfrentar os olhos julgadores ou de pena de ninguém, saiu rua afora sem ver o que tinha a sua frente ou o lugar para onde ia.

Correu por pouco mais de 10 minutos e caminhou sozinha pelas ruas por pelo menos 1 hora sem rumo até chegar a uma praça quase vazia, as poucas pessoas que lá estavam a olhavam curiosas, mas não importava, as lágrimas em seus olhos não a deixavam ver nada além do chão sob seus pés.

Avistou um banco aleatório embaixo de uma arvore e de frente para o rio que cortava a tal praça, sentou-se ali desolada. Limpou as gotículas que caiam de seus olhos cor de mel e manchavam seu rosto, porém, elas não paravam de cair. Assim ficou por alguns rápidos minutos, até ouvir uma voz grave de seu lado.

— Hm... Moça. Você está bem?

Orihime olhou para o lado, quem falara era um rapaz que aparentava ter sua idade, seu tom era monótono e desinteressado. Provavelmente apenas perguntara por educação. Seus olhos nada mostravam, nem preocupação nem curiosidade. A ruiva o olhou mais atentamente, viu que o mesmo vestia roupas pretas e em suas mãos havia duas fotos, em um retrato havia um homem sorridente e no outro uma mulher séria. Eram fotos usadas em velórios.

Enxugou suas lágrimas mais uma vez aquela noite e ouviu o estranho mais uma vez perguntar-lhe se estava tudo bem.

— A resposta parece meio óbvia. — respondeu ela, rindo fracamente de si mesma e seu estado mal acabado. — E você? está tudo bem? — perguntou, dirigindo seu olhar aos retratos que o rapaz tinha em mãos.

— A resposta parece meio óbvia. — replicou ele usando suas palavras.

— O que aconteceu? — perguntou Orihime, curiosa até no momento mais inoportuno de sua vida, mas de qualquer maneira, precisava de uma distração não importava qual fosse e aquela era muito bem-vinda.

— Enterro dos meus pais. — o rapaz respondeu facilmente, quase parecia não se importar com tal fato devastador, mas Orihime sabia mais, pois via a tristeza escondida nos olhos azuis dele. — E você? O que aconteceu?

— Descobri meu amado noivo meu traindo minutos antes de entrar na igreja. — havia sarcasmo em seu tom ao pronunciar a palavra “amado”.

Ele nada falou em seguida, e ambos caíram num silencio estranhamente confortável, ficaram a observar o rio estreito que fluía pacificamente diante deles. Lentamente a neve começou a cair do céu fazendo a ruiva finalmente notar o frio que fazia e ela, apenas protegida com um véu transparente e longas luvas de cetim, esfregava seus braços para tentar dispersar o frio congelante que aumentava a cada minúsculo floco branco que caia. Seu corpo tremia levemente, mas a sensação durou pouco quando sentiu o frio congelante ser substituído por um calor reconfortante de repente.

Ao levantar a cabeça, viu o tal rapaz ajoelhado na sua frente, o mesmo sem dizer uma palavra, ajeitava o próprio casaco negro e pesado sobre seus ombros pequenos. Orihime o olhou surpresa por seu gesto gentil, iria dizer que não era necessário, porem antes que pudesse dizer uma palavra o mesmo a interrompeu.

— Moça, eu duvido que você tenha um casaco debaixo desse vestido. E eu não quero me sentir responsável se acharem seu corpo congelado aqui amanhã.

Pela primeira vez, a voz de tom grave soava divertida e um pequeno sorriso se fazia presente em seus lábios. Aquele pequeno e nobre gesto a fez sorrir também e pela primeira vez aquela noite, a ruiva sentiu que seu mundo não estava tão destruído assim.

Uma piada. Era meio sem graça, mas que acalentou seu coração de forma inesperada. Um encontro com um estranho parecia ser sua salvação.

— Sou Orihime Inoue. Posso saber seu nome? — perguntou, sua voz doce repleta de curiosidade.

— Byakuya Kuchiki. A seu dispor — respondeu ele levantando-se e curvando-se de um modo cavalheiresco. — Pelo menos por essa noite.

— Só isso? E o que aconteceu depois? — Perguntou umas das garotas, parecia indignada com a curta história contada por Orihime.

Os olhos das quatro mulheres mais novas que acompanhavam a ruiva começaram a brilhar em expectativa por sua resposta.

— Bem... — disse ela depois de beber um pouco de seu café — Depois disso conversamos mais um pouco e então eu o arrastei para a igreja comigo e fiz o maior escândalo da minha vida. Foi incrível.

As meninas se espantaram com tal revelação, tentavam imaginar a cena em suas cabeças, porém era difícil. Orihime era conhecida por ser um poço de paciência e calma, era alguém que nunca se exaltava não importa o quão ruim e desesperadora fosse a situação.

— O Sr. Kuchiki foi tão gentil. — de repente comentou uma das moças, era sua primeira frase dita desde que as jovens encontraram Orihime na copa da empresa, seus olhos castanhos brilhavam encantados.

— Realmente. Parece até cena de filme. — concordou a moça que estava do seu lado — Não sei como não se apaixonou, Senhorita.

A ruiva deu um risinho nervoso e então levou sua xícara de café aos lábios. Suas jovens colegas de trabalho acabaram por tocar num assunto delicado. Orihime Inoue estava de fato apaixonada por Byakuya Kuchiki, mas negava admitir para si mesma.

Não queria gostar dele, não podia amar ele.