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A desvantagem de ser um telepata (por Charles F. Xavier)

Summary:

Em um mundo onde almas gêmeas se encontram através de seus pensamentos, Charles Xavier é confrontado com um pequeno problema: ele pode ler todas as mentes do planeta, mas ninguém pode ler a dele. Sob circunstâncias como essas, como ele poderia encontrar sua própria alma gêmea?

Notes:

Como já foi mencionado: isso é uma tradução. Se quiser deixar um comentário para o(a) autor(a) pode escrever que eu traduzo ou vá diretamente na fanfic e envie uma mensagem por lá. Espero que goste!

OBSERVAÇÃO: o que está em negrito são falas e em itálico são pensamentos.

And thank you author for letting me translate it! <3

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Charles notou quando alcançou a tenra idade de sete anos que a desvantagem de ser um telepata era que a tal fazia ser extremamente difícil encontrar a sua alma gêmea, dado que quando se é um telepata você pode ouvir os pensamentos de todas as pessoas a sua volta.

Todos sonham sobre encontrar sua alma gêmea. O conceito foi escrito, cantado, transformado em filme e em uma ferramenta de marketing. Era o material dos sonhos de toda criança e adulto. Um presente tão precioso quanto raro, segundo as estatísticas, sendo que tal fenômeno acontece com menos de 25% da população. Andar pela rua e, de repente, conseguir ouvir os pensamentos daquele destinado a você, lentamente se aproximando e chegando ao seu encontro não é uma ocorrência comum.

Para o Charles, entretanto, as coisas foram bem diferentes.

Quando criança, ele cresceu sendo, como todo mundo, alimentado com histórias de almas gêmeas, de amor à primeira vista e de adoração incondicional. Então quando percebeu que, aos sete anos, podia escutar alguns dos pensamentos de Elliott, ele tinha certeza que havia encontrado sua alma gêmea.

O que não era algo muito agradável, visto que Charles não o aguentava (o garoto era um pirralho insuportável), portanto, ele ficou quieto. Talvez os pensamentos de Elliott sumissem de sua mente, se ele não conta se à ninguém.

Dois dias depois, além de Elliott, ele podia ouvir tudo que seu professor de matemática estava pensando. Após uma semana, tornou-se cada vez mais difícil de concentrar-se na aula quando uma dúzia de pessoas ou mais estavam falando dentro de sua cabeça. Um mês depois, as vozes estavam o matando — nunca calando a boca —, dando o dor de cabeça e náusea. Nenhuma era sua alma gêmea, ele sabia.

Telepatia. Não é lá grande coisa, no final das contas. 

Levou um tempo, porém eventualmente Charles conseguiu se acostumar com as vozes e filtrá-las, tornando o simples ato de caminhar pela rua suportável novamente. Ainda existia o zumbido constante em sua cabeça, contudo ele aprendeu a sintonizá-lo.

Sendo assim, Charles aos 25 anos, era teoricamente a alma gêmea de todo o maldito planeta, mas ninguém era a sua.  

Ah, bem.

Almas gêmeas são superestimadas.

* * *

Erik não acreditava em almas gêmeas. Ele não era o tipo romântico para começar e a ideia de que alguém estava destinada a estar com ele apenas porque podia ler sua mente era nada menos do que ridículo; e se certa pessoa existisse, Erik tinha certeza que ele daria uma boa olhada nele e em seus pensamentos, logo sairia correndo na direção oposta porque ele não era uma pessoa aliciante — para dizer no mínimo — e ele sabia.

No final, era mais fácil não acreditar que pudesse ser verdade. Seus pais não eram almas gêmeas e eles foram felizes, enquanto estiveram juntos (antes do roubo, antes do assassinato). Ter uma alma gêmea não provava nada; a tal não trazia felicidade e, mesmo que trouxesse, Erik não queria. Ele tinha outros aspectos de sua vida a qual tinha que se concentrar, como o seu novo trabalho como um engenheiro mecânico, e isso leva tempo e paciência. Ele não estava pronto para mais nada. 

Portanto, foi por isso que, em um dia qualquer, quando sentiu pensamentos desconhecidos roçarem-se aos seus pela primeira vez, não deu muita bola. Ele pensou: “ah, então tenho uma alma gêmea no final de contas” e foi embora sem nem mesmo tentar descobrir a quem pertenciam. 

Ele se arrependeu quase que instantaneamente disso.

Era de um cara, dado que a voz em sua cabeça era masculina. Nem lembrava sobre o que o outro estava ponderando, mas pelo menos disso, ele tinha certeza.

Foi tudo em que Erik podia pensar sobre no próximo dia, o mesmo no seguinte e no outro após esse também. Era ridículo estar tão focado em alguém o qual mal tinha visto e quase não escutou, então ele tentou se concentrar em coisas mais importantes — seu trabalho não se faria sozinho, não é mesmo? — e esquecer que tal momento sequer aconteceu.

No quarto dia, ele voltou a rua na qual escutou aquela voz, sentou-se em um banco e esperou.

Era um tiro no escuro, sabia disso, porém algo em seu coração se agitou ao escutar o som daquela voz ressoando em sua cabeça; ele seria capaz de ignorar essa sensação bizarra de desejo em seu peito tanto quanto pudesse viver sem respirar (ou seja, impossível; Erik tinha muitos talentos, mas este em particular não era um deles).

Nenhum pensamento passou por ele naquele dia, então Erik decidiu voltar no dia seguinte, depois do trabalho e retomar sua espera.

No terceiro dia, ele o achou.

“Talvez eu devesse falar com os pais dela? Eles provavelmente aceitariam a verdade com mais facilidade se um adulto estivesse explicando a eles… mas não tenho certeza se funcionaria. Isso é um assunto delicado…”

A voz não estava muito clara, as palavras quase incompreensíveis, como os sons vindos de uma TV na sala, enquanto Erik estava na cozinha tomando seu café da manhã, entretanto, ainda sim, ele se levantou imediatamente. 

“Ele está aqui!!”

Não houve nenhuma reação do outro. Possivelmente, ele estava muito longe para o homem escutá-lo, mas o problema era: como encontrá-lo no meio dessa multidão? A rua estava ocupada com pessoas caminhando em volta de Erik em todas as direções e, em uma delas, o dono, quem quer que fosse, cujos pensamentos ele podia ouvir. 

Os pensamentos estavam ficando cada vez mais compreensíveis; talvez ele esteja chegando mais perto.

Erik estava possivelmente indo conhecer a sua alma gêmea.

* * *

O dia foi bastante cansativo e Charles estava feliz por estar indo para casa. Ele estava preocupado com Lily, a qual os pais não escutariam uma palavra sobre as suas habilidades especiais, o seu “problema M” como eles chamam. Charles realmente questionava o que diabos era o problema dela conseguir tocar as pessoas e curá-las. Muitos mutantes tinham a habilidade de destruir e machucar, seja com fogo, gelo, água ou qualquer outra coisa; poucos podia curar e criar. Llily tinha um dom e Charles estava determinado em convencer seus pais em ver o mesmo também.

Demoraria um pouco, já que eles estavam com medo demais de tocá-la.

“Ele está aqui!!”

O pensamento penetrou na mente de Charles com muito mais poder do que a maioria normalmente fazia, e ele piscou surpreso. Aquele tinha uma mente muito potente, com certeza. Contudo, Charles vinha praticando a vida inteira para ignorar intrusões externas, mesmo das melhores mentes e, consequentemente, não pensou duas vezes antes de calar o som daquela voz. 

Ele fez, sem pausar, e esqueceu-se dela dois segundos depois, quando encontrou seu café favorito e decidiu parar para tomar um café quente. Scott havia explodido acidentalmente a cafeteira duas semanas atrás e os dias eram incomensuravelmente mais longos sem sua bebida favorita. 

O café era pequeno, mas agradável. As cabines eram privadas e os garçons já conheciam Charles e lhe ofereciam bebida na maioria das vezes (Angel fazia pelo menos, porém ele tinha certeza de que era somente porque estava feliz em conversar com outro mutante ocasionalmente; Charles perguntou se ela não iria ao Instituto, todavia, ela disse que não, já que não estava pronta; Charles não insistiu, tudo em seu devido tempo). 

Todavia, talvez hoje não fosse seu dia de sorte, dado que o garçom sendo um recém-chegado e perguntou o que Charles queria com uma voz fria e sobrancelhas franzidas, bem como, não ofereceu nada a ele; nem mesmo aqueles biscoitos de caramelo que Charles sabia que colocavam nas mesas às vezes. 

Quando o menino voltou, uns bons dez minutos depois, foi com o pedido errado — e como Charles poderia beber algo com tanto leite? Ele havia pedido um café preto, sem açúcar; tinha certeza disso! —, ao mencionar tal coisa, o garoto (em seus vinte e poucos anos provavelmente) deu de ombros e disse-lhe para falar com o gerente.

Charles estava atordoado demais para fazer qualquer coisa além de olhá-lo boquiaberto e o jovem se foi. Charles podia ouvi-lo rir de sua cara mentalmente.

Aquele insuportável… cara de rato!

* * *

O cara passou por ele como se nem o conhecesse.

Certo. Ele não conhecia. Porém, Erik podia ouvir claramente seus pensamentos agora, neste momento quando passou, estava pensando (com um sotaque inglês) em um garoto, uma cafeteira quebrada e um desejo repentino de um bom café quente, mas nada sobre Erik.

Ele não podia ouvi-lo.

Isso era ilógico. Se eles são realmente almas gêmeas, se Erik pode ouvir os pensamentos desse cara, então ele também podia ouvir os seus; era sempre uma via de mão dupla. Por toda a sua vida, Erik nunca ouviu histórias sobre almas gêmeas sendo surdas aos pensamentos da sua cara-metade. É verdade que as únicas histórias que ele sabia sobre almas gêmeas eram aquelas que todo mundo conhecia: escritas em livros, mostradas na TV e essas obviamente eram fortemente romantizadas; ainda assim, até agora, ele não acreditava que isso fosse possível.

Contudo, o homem não podia escutá-lo.

“Ei, amigo, eu acho que você pode ser a minha alma gêmea”,  ele enviou ao estranho — para dar em absolutamente nada, já que o homem continuou andando até o café.

Ele não era feio.

Esqueça isso, ele era totalmente lindo, até mesmo com seus sensuais lábios vermelho-cereja e seus olhos, tão azuis que faziam o oceano e o céu parecerem cinza em comparação — e Erik só os viu por dois segundos, pouco antes do cara passar por ele.

Então ele decidiu (inocentemente) segui-lo.

O Cara-Lindo-de-Morrer não foi muito longe. Ele empurrou a porta do pequeno estabelecimento, sino tocando e Erik esperou um total de trinta segundos antes de ir atrás dele.

O lugar era bonito e limpo. De maneira, infelizmente, não de metal — que pena, mas ele não veio aqui para mostrar seus talentos de qualquer forma. Ele sentou-se em um das mesas na qual podia observar a parte de trás da cabeça da sua cara-metade; e parou para escutar.

Ele era adorável; pensando em uma garota com asas de dragão a qual aparentemente trabalhava aqui e que não podia ir a uma… escola de mutantes??

Bem… isso era inesperado. Entretanto, Erik supõe que quem estiver por trás de negócio de almas gêmeas, fosse Deus, a Mãe Natureza ou outro mutante até (e é possível), eles obviamente sabiam o que estavam fazendo; ali estava ele, gay e mutante, e parecia destinado a outro homem, aliado dos mutantes — ou até mesmo é um mutante, a julgar pelo modo como pensando nessa escola de mutante como sua.

Isso era interessante.

“Qual é o seu nome então?”, ele pensou.

Obviamente, ele não ganhou uma resposta.

Por que diabos esse cara era incapaz de ouvi-lo? Erik sabia que possuía muitos talentos, ele podia manipular metal e campos magnéticos, ele podia sorrir como um tubarão e também tinha a inegável habilidade de irritar qualquer um que chegasse a um raio de cinco metros dele (embora duvidasse que os dois últimos tinham algo a ver com capacidades mutantes); mas até onde sabia, telepatia não era um deles e duvidava muito que pudesse de um dia para o outro brotaria sem aviso e apenas para esse cara. Tinha que ser isso: o bagulho das almas gêmeas. 

Por isso que Erik não conseguia entender porque o outro não o ouvia. Talvez ele fosse surdo — não, isso não tinha nada a ver com telepatia. Deficiente mental talvez? Não, seu sotaque pitoresco e maneira de pensar indicavam o contrário. 

Isso tudo era muito frustrante.

Aí o garçom voltou.

Deste aí, Erik não podia escutá-lo, mas só o olhando com uma expressão de escárnio em seu rosto de rato (sua alma gêmea estava certa sobre isso); ele não gostaria de qualquer jeito. O cara obviamente precisava de uma boa lição e o Cara-Lindo-de-Morrer parecia educado demais para fazer tal coisa.

Dane-se, Erik era alemão. Ele não tinha absolutamente nenhum escrúpulo sobre isso. 

Ele levantou.

* * *

“Isso é uma maldita piada.”

Por um momento, perguntou-se se o garoto tinha alguma razão para ter um motivo pessoal para estar zangado com ele — será que havia feito algo ofensivo sem querer? Uma rápida olhada em sua mente provou que ele estava errado: o rapaz era um idiota só pelo prazer de ser um idiota.

O que não era uma coisa esperta de se fazer quando se é um novato e seu cliente era um freguês frequente, pensou Charles.

Todavia, antes que pudesse dizer qualquer coisa, o garçom estava voltando; seus movimentos descoordenados e olhos arregalados como bolas de bilhar. Ele parou na frente de sua mesa e Charles olhou-o, surpreso.

«Eu não posso… Que porra…», o garçom disse aparentando estar em pânico e Charles questionou-se se o pobre menino perdeu a cabeça dentro dos quinze segundos que tinham se sucedido.

Então, de repente, uma voz ressoou atrás deles.

«Acho que você deu o pedido errado ao meu amigo aqui.»

Perplexo, Charles virou-se no banco de sua mesa para olhar o dono da voz. Amigo, disse o homem, mas não era ninguém que conhecesse, nunca se viram antes, Charles tinha certeza: não acha que teria esquecido um rosto tão bonito se tivesse o visto antes.

O que não explicava como diabos o homem sabia sobre o seu pedido; ele estava escutando? 

«Que porra você está fazendo!?», o garçom gritou repentinamente, parecendo em pânico. «Minhas pernas!!»

O desconhecido riu. Ele esboçou um sorriso como a da boca de um tubarão, o qual Charles achou fascinante. O garoto, por sua vez, parecia achar aquilo aterrorizante.

«Ah, sim.», ele disse. «Veja, o problema com pinos é que eles são de metal. O que aconteceu, um acidente de carro?»

«Moto, um ano atrás.», ofegou o garçom, branco como um lençol.

«Sério, que pena. Eu conhecia um cara com algo semelhante, mas o metal percorria por seu corpo inteiro. Nos divertimos tanto juntos… Considere-se com sorte que são apenas suas pernas. De qualquer forma, como está, atende bem ao meu propósito. Acredito que meu amigo pediu um café preto. Você mudará a ordem dele de bom grado, ou terei que forçá-lo?»

O garçom engoliu em seco. «Eu… Eu vou fazer.»

«Ótimo!!» o outro falou. «Dois cafés pretos, então. Estaremos esperando.»

Houve um curioso momento de imobilidade em ambas as partes e logo o menino correu para o balcão, e o outro, o belo homem, sentou-se na mesa em frente a Charles, que teve dificuldade em entender o que acabara de acontecer. 

«O que foi isso, se é que posso perguntar?» ele disse, levantando uma sobrancelha.

Você pode perguntar, mas irei apenas responder se me contar seu nome.

Charles arquejou, levantando a outra sobrancelha, um sorriso brilhante aparecendo em seus lábios.

«Você é um telepata também!»

Era a primeira vez que conhecera outro, além de si mesmo; repentinamente animado, ele observou o rosto do estranho, esperando um sorriso, um aceno de cabeça ou qualquer outra reação que combinasse com a sua, entretanto o homem apenas ficou boquiaberto. 

«Um telepata...», disse em voz alta, balançando a cabeça. «Mas é claro...»

«Perdão?»  

«Deus, você nem sabe. Você pode ler mentes. Deve tudo ser o mesmo para você… agora eu entendi.»

Charles piscou, com medo de pensar no que aquilo poderia significar.

“Você quer dizer…”

“Que eu não sou um telepata”, pensou o outro homem. Eu manipulo metal. Essa é a minha mutação.”

Ah. O garçom. Os pinos em suas pernas. Então foi assim que ele fez… O homem era um mutante! Isso explicava muita coisa. 

Contudo, não tudo.

Então, ocorreu a Charles que o estranho não leu seus pensamentos. Ele tinha meramente respondido a sua pergunta em sua mente e, obviamente, Charles podia ouvir sua resposta; nada mais que isso. 

“Errado”, pensamentos ressoaram em sua mente. “Posso lê-los também.” 

Charles pausou. 

“Você acabou de me dizer que não era um telepata.”

“Eu não sou.”

“Então como…”

“Como diabos você acha?”

Como? 

Como ele pode…? 

Foi nesse exato momento que o garçom escolheu voltar com os cafés. Ele quase os deixou cair sobre a mesa e balbuciou um fraco «de graça!» antes de correr de volta para o balcão e se esconder atrás dele. Charles teria rido, se não estivesse tão concentrado no homem sorridente à sua frente. 

“Você não é um telepata; mas você pode me ouvir.”

“Claramente”, o homem sorriu. 

“O que significa…”

“Sim.” 

Charles podia sentir a forma como seu coração saltitou em seu peito. Não pela primeira vez, e possivelmente não pela última, ele amaldiçoou sua maldita telepatia.

Porque, se este homem pudesse acreditar neste homem…

(E ele podia, Charles podia ler em sua mente)

Se ele realmente podia ser acreditado…

(Deus, o seu coração, seu coração estava pulando)

Esse homem era…

(e tinha seu coração teria que porque senão ele teria um infarto, aqui, na frente da)

… sua alma gêmea.

«Ah, Deus.», disse Charles.

«Não exatamente; mas Erik Lehnsherr serve, não se preocupe.»

Erik.

A palavra ressoou em seu peito, tecendo-se em suas artérias, correndo para seu coração, explodindo sua mente.

«Erik...», ele murmurou.

«Sim. Agora você me dirá seu nome também ou eu terei que adivinhar?»

Charles o observou, incapaz de esconder seu sorriso crescente.

Ele encontrou sua cara-metade — ou melhor, sua alma gêmea o encontrou.

«Sou Charles Xavier. Prazer em conhecê-lo, Erik.»

FIM

Notes:

(✿◠‿◠) Caso note qualquer erro, me avise, por favor.