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O Segredo de Sam

Summary:

Meses após Ray ser contratada por seus excêntricos chefes policiais, Sam decide que é uma boa ideia deixar-los sozinhos. O que ele não esperava era o que os dois iam descobrir quando o seguissem.

Notes:

Então, eu sei que essa história ela não tá boa, tá cheia de erros de português, mas é a minha primeira vez postando alguma coisa e sejam pacientes comigo porque eu nem sei como o site funciona.
Ray é uma personagem original criada por mim.

Se divirtam!

Work Text:

A tarde daquele dia estava parecendo normal como sempre. Sam estava arrumando umas coisas com certa tranquilidade, Max estava deitado no sofá sem fazer o mínimo esforço, mas o cachorro não se importa, ele conhece como seu amiguinho é e não exige nada dele, apenas gosta de admirar Max sendo... Max.
A jovem novata da Polícia Freelance entra pela porta, ela estranhou uma mensagem mandada por Sam na noite anterior, principalmente porque as palavras não faziam o menor sentido e depois porque os áudios que ele tentou mandar sozinho cortava em menos de 1 segundo. Mas ainda sim ele falou que ela poderia aparecer mais tarde para o trabalho. Sam precisava fazer uma viagem e iria ficar fora por um dia inteiro. Ele precisava que a garota ajudasse o a levar uma caixa com coisas pesadas pra baixo, o barulho parecia algo de metal e era extremamente pesado. Sam poderia levantar isso ele mesmo, mas a idade começou a chegar pra ele, suas costas não eram mais as mesma. Sorte a deles por adotarem contratarem uma pessoa jovem e forte o suficiente, para fazem suas tarefas básicas.
— Ray, muito obrigado por sua boa vontade em ficar com o Max hoje, irei me apresar pra uma viagem pessoal e provavelmente estarei de volta amanhã. — O policial fala isso com a maior tranquilidade na voz como quem vai na esquina comprar um sorvete.
— Mas... Chef-, Sam, você não vai levar o Max com você?
Ela olhou pro cachorro com os seus olhos grandes de âmbar pedindo uma resposta. Pra ela era surreal que Sam se separasse de Max, os dois eram literalmente casados! Por mais que com a presença dela era mais fácil pra que eles fossem mais independentes entre si, ainda sim ela odeia recordar o escândalo que o Max fez obrigando Sam a entrar com ele no banheiro químico do circo. Só porque estava “muito escuro”. Aquilo foi muito embaraçoso pra ela.
Antes do maior falar, o lagomorfo saiu do prédio correndo com uma pequena pelúcia de coelho que se assemelhava a ele mesmo.
— Ei, Sam! Como que você ousa sair de casa sem a minha adorável, comerciável pelúcia de moi! — O sorriso do lagomorfo e sua voz aguda nem fazia lembrar que ele era uma marca universal de caos e destruição.
— Ei, essa pelúcia eu vi pra vender! Ela tá esgotada à meses! Os reviews apontam que ela causa insônia, terror noturno, ansiedade, pesadelos e há relatos que elas tentam te matar à noite. Mesmo assim, são um recorde de vendas.
Aponta a jovem para a pelúcia que Max estende com todo gosto para Sam, que a pega e abraça.
— Sabe, você deveria comprar a sua também, as pelúcias do Max™, elas garantem-
Max é interrompido quando a mão do maior esfrega a cabeça dele em um cafuné.
— Não faça propagandas de marcas reais e oficiais em uma obra de ficção não licenciada, cabeçudo.
— Ah tá... É mesmo... — responde o coelho enquanto Sam coloca a pelúcia surrada e velha no banco da frente do carro.
Ray dá uma leve risada com esses dois, ela revira os olhos, eles sempre tem que achar que tudo é um mundinho fictício, mas ela deixa eles sonharem. Sam entrega a ela uma lista de como cuidar do Max, horários dos remédios, das refeições e discretamente (pelo menos na cabeça do detetive), ele coloca algum dinheiro no bolso da saia da jovem e dá uma piscadinha. “Velhos tem um hábito entranho de te dar dinheiro como quem tá traficando drogas.” Ela pensou.
— E Max... — Ele deu um longo suspiro...
— É, é eu já sei, grandão, tu tá preocupado que eu fique sozinho com a feiosinha aqui, mas não tem o que temer, eu vou cuidar dela pra ela não sentir sua falta ou fazer qualquer bagunça por aí! — Ele fala orgulhoso enquanto estufa o peito apontando o polegar no próprio. Ray apenas aperta os olhos em desagrado.
—Você me racha de rir, amiguinho.
— Pô... Isso soa horrível no português... Aff. — retruca o coelho de braços cruzados, mas é ignorado pelos dois.
Sam dá um abraço bem apertado em Max, que a princípio protesta, mas depois aceita. Ray se apoia na escada. Vendo aquela despedida, se sentiu meio deixada de lado e resolveu falar de forma sarcástica antes de Sam sair.
—E eu? Não ganho abraço?
Ela fechou os olhos e estendeu as mãos rindo, mas os abriu com força quando sentiu o aperto do cão. Ela corou de surpresa e talvez tenha ficado sem ar. Sam a soltou e se despediu ligando o DeSoto e partindo rumo a algum lugar.

 

Se passaram só algumas horas que Sam tinha saído, mas Ray estava muito suspeita com Max, ele estava muito “quieto” desde que o parceiro dele saiu. Aquilo de certa forma era incomum, principalmente por causa do sorriso na cara do coelho, quer dizer, ele sempre estava sorrindo de certa forma, mas dessa vez era diferente...
A dupla estava deitada no sofá vendo algum filme policial antigo na TV e de qualidade questionável. Max parecia tão entediado, seus olhos sempre se voltavam pra porta, TV, telefone e as vezes pra Ray. Ela já tinha tentado algumas tarefas pra ajudar ele a se entreter e nada. Sam tinha dito a Max que não precisariam fazer nenhuma missão hoje, nem patrulha ou algo assim, ele parecia muito super protetor com Max, ela não achava que algo pudesse matar ele tão facilmente.
—Ei, Novata... Quer ver uma coisa super alucinante hoje à noite? — O coelho subiu em cima dela, agarrando a moça pelos suspensórios da saia e ambos caíram de cabeça no chão por falta de equilíbrio.
— Não gosto de como isso soa... — Ela falou esfregando a cabeça depois da queda e desamarrotando a saia. — O Sam também falou pra gente não aprontar nada, você sabe...
— Vamos só dar uma voltinha na sua Vespa... Tá tão monótono aqui que sinto todas as moléculas do meu ser se desmaterializando! — Ele fala enquanto finge um desmaio nos braços da garota que revira os olhos e joga ele no sofá.
A garota ia fazer alguma atividade genérica no escritório como o de sempre, até Max levantar e obstruir o caminho dela, ele franze a testa e mostra os dentes.
— Você vai me fazer algo que eu não quero agora... — A garota fica paralisada enquanto Max junta suas mãos e suas pupilas dilatam. — Raaaaaay~ Por obséquio, por tudo que seja mais sagrado em nome de toda a produção gordurosa de corndogs deste planeta desolado popularmente conhecido como “Terra”, você precisa vir comigo!
O lagomorfo força uma voz bem mais aguda e doce, a jovem cora, ela odeia admitir o quão manipuladora essa criatura era e era impossível negar uma súplica de Max. Finalmente ela entendeu porque Sam se apaixonou por... Isso.
— Tá! Tá bom! Eu dou uma volta com você, mas sem causar nenhuma bagunça. Só... Para com essa cara, por favor...
O Lagomorfo segura as bochechas e fecha os olhos em um sorriso, ele deu um leve pulo e correu em direção ao armário fazendo uma grande bagunça.
— Ray, Me encontra lá fora daqui a uns 15 minutos e veste uma roupa decente porque tá frio!
A voz do coelho soou do armário e ela o deixou e saiu do office. Por mais que seus instintos estivessem falando que isso seria uma ideia ruim, ela estava tão curiosa pra saber o que Max ia mostrar a ela... Seu ponto fraco era este. “A curiosidade realmente matou o gato”, essa frase nunca combinou tanto com ela.
Ela voltou pra casa pra se trocar e encontrou com Max no lugar marcado. Max estava certo, a temperatura caiu muito, ela trouxe consigo um sobretudo que parecia mais um vestido colado, botas, mas era bastante quente, uma calça de cintura alta e um suéter por baixo do casaco. Estava com uma boina que parecia mais um boné e óculos pequenos. Ela chegou a uma conclusão que talvez fosse melhor se vestir de uma forma mais discreta, se Sam descobrisse que ela fugiu com o Max, ele ficaria furioso e a ideia desse pensamento lhe dava mais ânimo pra quebrar as regras. Só por precaução ela guardou suas armas e afins em uma bolsa que ela sempre levava.
Os olhos da moça não acreditavam no que viam. Max completamente vestido. Uma jaqueta preta de couro com umas estampas de chamas, uma boina que era grande o suficiente pra deixar suas orelhas Caídas e um óculos rosa em formato de coração. Ele parecia um Idol, mas o que mais chocou a garota é o fato do lagomorfo estar realmente usando roupas, pra ela era algo inédito. Ela nunca tinha o visto vestido. Até então, chegava a ser estranho.
O coelho a olhou de cima a baixo com um olhar de julgamento, enquanto cruzava os braços. Ele ignorou a cara de confusa da garota e pulou na frente, sentando na pontinha da Vespa, entre as pernas da moça.
— Vambora, novata! Eu dirijo esse monte de sucata oxidada! A gente tem que chegar lá antes da lua emergir!
— Max, da última vez que você tentou dirigir, você deu um grau na minha moto e quase a gente cai. Fora que... Me fala de novo onde raios a gente tá indo?
O coelho encara a moça enquanto coloca o capacete em si.
— Relaxa... É importante onde a gente vai agora, eu... Acho que preciso te mostrar antes... — O rosto do coelho franze e a voz dele parece mais caída que de costume, a moça o olha com certa consideração.
Ela não fala nada, apenas ajusta o coelho na moto e segue em rumo onde este apontava, crente que era ele mesmo dirigindo. Max apontou pra um “atalho” que parecia dar em algum lugar que ela desconhecia. Um lugar mais desolado, chegou a considerar que eles se perderam, e esteve considerando voltar pois já estava começando a ficar bem tarde.
— EI, PARA AQUI! PARA AQUI!
A jovem policial freou o veículo tão bruscamente que o pobre lagomorfo saiu voando bateu com tudo numa árvore.
— MAX! TÁ TUDO BEM?!
— Tá sim... Que bom que esse pedaço de plástico barato e a placa de metal no meu crâneo foram o suficiente pra segurar a pancada. USEM CAPACETES, CRIANÇAS! DEUS NÃO ESCOLHE OS “CAPACETADOS”!
Ray foi de encontro com ele, estando bem alarmada, mas depois desse comentário, ela riu aliviando o estresse. É como dizem “se ainda consegue fazer piada, então tá tudo bem.” Ela levanta o mais velho do chão e o ajuda a se limpar da poeira e cascas de árvore enquanto tenta olhar o ambiente procurando oque fez o Max se alarmar tanto.
—Ei, Max... O que exatamente a gente deveria estar procurando aqui? Eu não vejo nada além de um... — A moça gira o olhar para uma construção a sua frente velha e caindo aos pedaços no meio da estrada. — ...Motel?
O rosto pálido de Ray lentamente olha pro rosto de Max, que lentamente vai abrindo um sorriso presunçoso enquanto aperta os olhos acenando com a cabeça.
— NEM FERRANDO, MAX! EU NÃO VOU ENTRAR AÍ COM VOCÊ! — Ela se dirige a passos pesados em direção a moto, indignada, seu rosto estava completamente vermelho e enojada. — Anda, sobe na Vespa senão eu te levo pra casa amarrad-
O que ela viu a chocou. Estava completamente escuro, mas sua visão se adaptava perfeitamente para reconhecer... Sim... Um DeSoto... Ela automaticamente largou a moto, quase atropelando Max para chegar no carro antigo. Sim, era o carro de Sam, até a pelúcia do banco do passageiro. A mão da moça foi diretamente cobrindo sua boca em choque! Sam teria uma AMANTE?! Ela ficou confusa, Sam sempre foi obcecado por Max. Ela não sabia exatamente como o relacionamento deles funcionava, mas ela lembra que há dois meses atrás eles destruíram uma reunião secreta da Klan e se casaram (não oficialmente) no meio deles. Ela foi até convidada por livre e espontânea pressão a ser dama de honra, mas em vez de pétalas de rosas jogadas, eram os dentes dos abomináveis homens.
Ela se sentia desolada, o Sam era tudo pra ela e sinônimo de “bom exemplo”, saber que ele estava traindo Max, fazia seu estômago querer revirar... Mas Max parecia estar sorrindo... Será que ele sabia? Será que ele veio desmascarar o Sam como aqueles programas baratos de fidelidade? Um sorriso cruzou os lábios da moça. Se esse era o plano de Max, era genial e maléfico demais. Ela não ia negar que adora essas situações e ainda por cima adora qualquer barraco de quinta. Teria muita história pra contar pro seu tio mais tarde.
Ambos entraram no estabelecimento. O lugar era praticamente sem salvação, tudo velho e desmoronando, o rosto de Ray franzia vendo o local e o do coelho só estava com um olhar ansioso, num sentido de alegre. Eles se depararam com uma recepcionista que parecia ter certa idade avançada dormindo num sono profundo. O único caminho que tinha depois disso era uma escada. Eles se esgueiraram por ela em silêncio e Max conseguiu pegar a chave mestra que dá acesso em todos os quartos, e ganhou um certo olhar reprovador de Ray que ele ignorou.
Olhando pelas escadas, ela via marcas de arranhão e garras pelo corrimão e paredes, se perguntando que tipo de coisa que acontece nesses lugares fora crimes entre outras coisas sujas mais. Max cortou os pensamentos da moça ao achar uma trilha de roupas pelo chão. Eram de Sam, pareciam meio rasgadas. Ray tentava não pensar em coisas impróprias agora, seu coração estava muito quebrado e ela não conseguia olhar pro Max agora. A jovem encostou o ouvido na porta que levava as roupas. Sua audição sensível a permitiu ouvir através da grossa madeira e ela se arrependeu. Ela escutou um som de algo grunhindo como um animal selvagem e outros sons. Seu rosto totalmente ficou completamente vermelho... Se Sam estava com alguém aí, ela não duraria muito, pensou antes de sacudir a cabeça pra afastar a mente dos pensamentos libidinosos.
— Max, eu sei que o que o Sam tá fazendo é abominável, mas deveríamos deixar ele na privacidade dele... Tô me sentindo horrível fazendo isso...
— Fecha o bicho e pega seu celular. Esse momento vai ser inesquecível!
Ray fica no corredor em frente da porta, não obedecendo Max. Ele está abrindo a porta e simplesmente entrando correndo com as mãos aberta como quem fosse abraçar alguém. O que Ray viu a fez cair e deslizar no chão com as pernas tremendo. Um tipo de monstro de dois metros de altura, olhos distorcidos, garras afiadas e um rosnado assustador, preso em grandes correntes no quarto. No momento que aquilo viu Max, pulou cima do coelho. A Moça começou a tremer e pegou sua arma, mas ela não conseguia atirar por causa do medo, nem se mexer ou gritar por ajuda.
Ela escutava o pobre coelho em agonia e... Espera, não era agonia, ele estava rindo e o mostro não estava o devorando... Estava lambendo ele. Ambos só estavam brincando, tanto que aquele bicho parecia ter um rabo balançando igual a de um cachorro alegre... Cachorro?! Seria...?
— S-Sam? — Ela tentou levantar e chegar perto, mas o cachorro avançou rosnando contra ela, sendo restringindo pelas correntes e fazendo ela despencar no chão novamente, com a mão no coração.
O coelho acalmou o cachorro fazendo carinho nele, até ele relaxar e deitar tranquilo no chão, calmo e obediente como um filhote
Max olhou pra Ray com um olhar de orgulhoso como se esperasse grande aprovação da garota para seus feitos de domar feras selvagens.
— Ta dá! Surpresa, Ray! — Ele falou num tom mais baixo pelo fato do cão ter caído no sono.
A recruta novata tenta processar tudo o que aconteceu enquanto puxa todo o ar dos pulmões, ela levanta ainda incrédula e em passos lentos e suaves entra no quarto escuro e totalmente destruído, as correntes que prendiam Sam, vários símbolos de várias culturas, talvez pra proteger ou enfraquecer o animal e o próprio Sam, sem roupas apenas deitado parecendo cochilar. Ela olhou para mais velho à sua frente.
—Max... — Ela tentou formar palavras.— QUE PORRA FOI ESSA?!
— CARALHO, MULHER! Reveja seu linguajar chulo e vulgar na frente do SAM! — O Coelho retrucou enquanto desfazia as correntes, mostrando algumas marcas e machucados que elas causaram no seu marido e cuidando delas.
— Então... O Sam é algum tipo de lobisomem? Quê? Quando? E por que raios ele veio pra um motel entre tantos lugares? — Ela tenta baixar o tom da voz pra não acordar o cachorro e pra não chamar atenção de ninguém, apesar que sou estavam eles naquele lugar.
— Isso é uma looonga e velha história. Resumindo tudo, acredito que seja algum tipo de maldição de família, sabe? Simplesmente do nada ele apareceu assim desde que éramos jovens... Eu precisei até mesmo estar do lado dele na faculdade, nem queira saber o sufoco.
Ray deu uma olhada pela janela... Era lua cheia... Ela nunca viu ele se transformando nesses meses que eles passaram a fazer missões, pelo menos.
— Olha, se quer saber isso só acontece uma vez por ano. — Max responde a moça que ficava olhando pela janela. — Geralmente ele se acorrenta numa caverna longe daqui. Acredito que pelo fato do dia ser mais curto nessa época do ano a transformação dele aconteceu mais cedo e ele teve que parar com urgência neste lugar.
A garota fitou seu parceiro policial, incrédula da resposta dele. Geralmente Sam fazia as deduções ou na maior parte dos casos colocavam ela pra fazer as deduções.
— O que foi? Eu também sou detetive, sabia? — O coelho bate o pé no chão e cruza os braços enquanto a garota ainda o encara. — E quem que dá dicas de como resolver os esquemas, hein? Quem que fala pra onde ir quando estamos perdidos ou empacados em algum lugar?
— Ah tá que “acho que devemos voltar pra ver a Momma Bosco” ou “Nossa, eu acho que o Bosco só poderia ser o filho do presidente” enquanto estamos no Salão Oval são dicas que nós nunca íamos adivinhar. Sério.
Ele revira os olhos e suspira, não queria criar uma cena naquela situação, apenas passou suas pequenas patinhas fofas em vários arranhões na parede e depois sentou fazendo um leve carinho na cabeça dele.
— Ele ficou tão solitário sem mim... — A voz dele foi de um nível tão suave que Ray não estava acostumada. — Ele escolheu se isolar porque não queria correr o risco de machucar você ou que você deixasse a gente quando descobrisse... Isso é injusto.
A jovem policial baixou a cabeça. Ela sentou do lado de Max também acariciando o animal, olhando pra ele com certa dor tendo total empatia por ele.
— É por isso que você me trouxe aqui, Max?
O coelho acenou com a cabeça. A boca totalmente fechada fazendo parecer que ela desapareceu completamente.
— Não aguento ver o Sam incomodado, isso me irrita, então achei melhor ver se você estava tão disposta a ficar com a gente. E sendo franco se você corresse ou fosse devorada só seria ganho pra nós! — Ele fala esboçando um sorriso presunçoso que logo se desmancha ao ver a cara da moça. — Eu deveria dizer que você é muito corajosa, parece que Sam estava certo quando ele disse que você era a aprendiz ideal pra gente...
Ela ficou sem palavras, talvez vermelha e desviou o olhar por ganhar algum tipo de aprovação daquele coelho convencido.
— Nossa, Max, estou me sentindo tãooo grata por vossa excelentíssima vontade e honra de me conceber tais palavras de prestígio à minha mortal e medíocre presença- — falou imitando a voz dela de forma escrachada.
— Tá bom, Max! Muito obrigada! Melhor assim? — Ela fez uma cara emburrada e logo depois riu. — Sério, Max, a gente não deveria ir agora?
— E deixar o Sam abandonado neste lugar asqueroso? Nem a pau! — Ele se levanta e a garota o segue. — Você pode ir se quiser, mas vai ter que lidar com o Sam depois.
— Nem pensar, Max! O Sam claramente falou pra gente não fazer nada de perigoso, ele vai quebrar nossos pescoços se descobrir que a gente andou brincando de little lets pet shop™ enquanto ele tá em forma de... Lobi-cachorro-zomem!
O cachorro gigante lentamente pareceu se incomodar com o barulho, lentamente levantando, mas parecia que ambos coelho e humana não o notaram.
— E você não acha que eu não preferia ter vindo com ele em vez de ficar naquela prédio entediante com você?! — Ele escalou a roupa da garota a agarrando pelo colarinho do casaco. — Sabe o quão INSUPORTÁVEL minha vida tá sendo desde do “incidente” que eu morri?! Sam nunca me deixa ter mais controle por nada como se eu fosse uma maldita escultura de cristal! Não tem mais coragem de me atirar pelos cantos com medo de me machucar e até contratou alguém pra ser a PORRA da minha babá!
Mesmo não entendo nada sobre o que raios o lagomorfo estava se referindo, ela se enfureceu sobre as coisas que ele disse sobre ela e o tom de voz. Já estava farta daquele velho mimado e agarrando com força ele pelo colarinho dele, ambos começaram a rosnar um para o outro alto até escutarem um grito agudo no andar de baixo que fez os dois caírem na real e arregalarem os olhos.
—SAM?! — Ambos gritaram em uníssono.
O lobisomem tinha desaparecido de onde estava. Max rapidamente largou a menina e ambos saíram correndo para o térreo. Ray morrendo de medo sobre o que poderia ter acontecido.
A recepcionista se encontrava no balcão. Por sorte ainda viva quando Ray checou seu pulso e sem nenhum ferimento. Só desmaiada. Ambos foram para fora do estabelecimento, não tendo qualquer noção de onde Sam poderia ter corrido.
— Vamos pegar o DeSoto! A caça ao cachorro está prestes a começar! — Ele grita enquanto pula no carro, no banco do motorista retirando o óculos e a boina.
A policial pula junto não tendo tempo de raciocinar no que estava acontecendo só confiando na intuição de o coelho tinha em encontrar o canino que nunca falhava.
— Max... Por que não estamos saindo?
— Meu pé não alcança os pedais hahaha... Ray, me dá uma mão, quer dizer, um pé-
Ela pisa com tudo no acelerador e ambos decolam rápido demais em direção a uma árvore. Como reflexo ela pisa no freio e ambos voam em direção a janela do carro. Felizmente pra Ray, Max amorteceu todo o impacto dela, mas ficou completamente amassado no parabrisa do veículo. “Nota mental: Sempre usar o cinto.” Ela pensou.

 

A dupla agora se dirigia por aí sem rumo, procurando algum vestígio de onde um lobisomem poderia estar agora.
— Algum sinal de onde o Sam poderia ir? — A garota perguntou sentada no banco do motorista com o coelho sentado em suas pernas enquanto ela o segurava firme.
— Vixe... Eu acho que ele tava assustado, provavelmente vai tentar retornar pra casa. Pro nosso escritório, pra ser mais específico.
Ela apertou os lábios e encolheu a cabeça por causa do vento em alta velocidade e o coelho que dirigia como um homem toupeira embriagado, quase saindo da pista várias vezes e quase batendo em carros. Ela de certa forma conseguia ver os rastros de destruição que foram deixados pelo lobisomem, ele se movia absurdamente rápido e em direção a cidade. Se ele alcançasse a cidade ela teria medo dos estragos que ele faria...
— Max, você acha que o Sam pode machucar ou ameaçar a vida das pessoas?
Ele finge ignorar a pergunta dela fingindo que está focado na estrada, mas é visível ele apertando os lábios e engolindo seco, isso deixou Ray preocupada.
— Pior que isso é que se descobrirem que Sam é um lobisomem, eles vão dar uma de filme vintage em preto e branco de monstros e irão atrás dele com tochas e ancinhos. Talvez MATÁ-LO! Ou talvez só aprisionar ele num daquele show de horrores genérico de péssima qualidade. — O coelho carregou o drama na última parte.
— E se ele descobrir ele vai matar a gente?
— Ele vai matar a gente.
— Ele vai matar a gente. — Os dois falaram juntos.
Ray observou algo se aproximando na estrada vindo rápido em direção ao carro. Um ser grande e peludo apenas pulou em cima do capô do carro, com dentes e garras afiados e uivando alto. Max e Ray gritaram alto e o Sam também rugiu, fazendo o carro perder o controle e sair girando fazendo o lobisomem ser arremessado longe, fora da estrada.
Max se solta do aperto da garota e pula correndo em direção a seu parceiro. Ela tenta impedir ele, mas acaba ficando presa com o cinto de segurança. O lagomorfo pega a coleira e se aproxima do ser aterrorizante que está rosnando baixo como se estivesse prestes a atacar.
— Vamos, Sammy! Vai ficar tudo bem! Vamos te levar pra casa como nos velhos tempos e vamos brincar de pegar o jornal e amedrontar pequenos atos ilegais-
Sam parece se acalmar e agora começa a balançar a cauda dele forte, correndo rápido em direção a Max, porém com suas garras atiçadas. Antes dele chegar em Max para um abraço fatal, Ray saltou e pegou o coelho e ambos saíram rolando na terra.
— Você perdeu a cabeça! Eu tava quase conseguindo-
— Uma passagem só de ida antecipada pro inferno. — A moça o cortou de forma seca. Mas não deu tempo deles discutirem, o cachorro se aproximava em grande velocidade.
Ray na pressa puxa sua arma da bolsa e atira pra cima na esperança de assustar a criatura que tapa as orelhas e sai correndo em direção a cidade choramingando como um filhotinho.
— Eu juro que se não fosse a eminente razão que nossas vidas sórdidas precisavam ser salvas eu deceparia fora essa sua mão por ter feito Sam lamuriar. — Ele fala dando a mão pra garota levantar e limpando a terra do casaco dela enquanto ela limpa o dele.
Ray já estava acostumada com as ameaças de Max pra se importar. Ambos novamente subiram no carro e Max o ligou novamente.
— Sam estava esse tempo todo atrás de você-
— Nãaao? É mesmo? — Ele interrompe a jovem com uma péssima atuação proposital de surpresa. — Era o que eu estava planejando até você estragar tudo!
— Não é isso, Max. O Sam tá com muita euforia. Se ele correr pra cima de você pode te MATAR! A gente não pode arriscar que você se machuque.
Ele olhou pra ela e apertou as patinhas no volante voltando o foco pras ruas. As placas mostravam que eles já estavam perto da cidade, seguindo os rastros de destruição e gritos que algumas pessoas emitiam, não pelo lobisomem, mas pelo lagomorfo no carro descontrolado que que as atropelou, gritando como louco.
Ele já tinha chego na cidade e pouco a pouco era visível o caos que ele aprontava. Mas estranhamente o “lobi-sam” não estava danificando propriedades ou civis inocentes, só arruaceiros, criminosos ou qualquer ser deplorável que resolvesse entrar no seu caminho e arrumasse confusão com ele. A cidade de certa forma e por muita conveniência parecia quase deserta à noite. Max estacionou o carro da forma mais errada possível batendo em dois carros próximos e derrubando um parquímetro.
—Droga, Max! Eu nunca vou me acostumar com você dirigindo. — Ela tenta arrumar o cabelo enquanto sai do carro.
— Novata, está na sua hora de BRILHAR!
Ele diz ignorando totalmente o que a jovem falou jogando em suas mãos uma carabina de pressão fazendo a garota ficar confusa e desiquilibrar com o peso da arma.
— Max... Essa arma parece maior que você. De onde raios isso veio?
— Um: A implicação desses fatos resultaria no aumento da classificação indicativa desta narrativa fictícia. Dois: Não é da droga da sua conta. Três: Se quiser tanto saber, meia noite te conto.
Ela revirou os olhos. Era apenas uma arma normal de caça com dardos tranquilizantes pelo que a policial pode checar, mas ainda não estava tão segura do plano de Max... Conhecendo o coelho ela conhecia essa manobra, Max e Sam sempre distraiam a coisa, e ela quem atirava. Só que nunca pensou que essa coisa seria o próprio, Sam.
— Você tem certeza que vai ficar bem? Se quiser eu-
— Seria muito satisfatório ver você virando marmita de um lobisomem, mas além de não ter trazido minha câmera da Tekpix™ , Ter oito dedos e ser menor que a própria carabina não ajuda fora que... — A cara dele se desmanchar como se ele estivesse perdido em alguma lembrança desagradável, como se aquilo fosse familiar. — Eu não quero ter que atirar nele de novo... Quer dizer, prefiro não assumir a bronca aqui!
Ela acena a cabeça se preparando pro ataque. Sam é visto tentando escalar um prédio pela a escada de incêndio. Ambos tomam posição em um lugar que o cachorro não os veja.
— Essa belezinha aqui tem poder pra derrubar até um cavalo! Eu te amo, meu amor, papai já volta... — Ele disse abraçando e beijando a arma fazendo a cara de Ray se contorcer. — Cuida dela com sua vida! VAMBORA, FORMAÇÃO!
Ele toma distância enquanto Ray junta as mãos unidas. O coelho avança em grande velocidade e salta nas mãos da moça que o joga com tudo pra cima.
— BANZAAAAI! — Ele grita voando alto, até bater a cabeça com tudo numa grade e cair dentro de uma das escadas de incêndio.
A jovem ficou preocupada, mas tentou não gritar pra não chamar atenção da criatura. O bicho notou que Max se feriu e pulou pra pegá-lo, mas o peso dele fez a escada velha balançar, fazendo barulhos de que ia quebrar. Max precisaria trazer Sam pro chão antes que tudo viesse à baixo.
O ser estava grunindo querendo chegar mais e mais perto de Max que foi aos poucos descendo a escada bamba, Sam pulou com tudo pra chegar perto do coelho. Se ele continuasse assim, além de machucar Max, o impacto dele poderia ainda levar a aquele sistema de escadas às ruinas, machucando seriamente os dois. Ela não quis parar pra pensar e atirou de forma imprudente.
O coelho e o cachorro estavam parados com os olhos arregalados olhando um para o outro. Max puxa um dardo de própria cauda e começa aos poucos a cambalear tonto em direção das barras.
— Filha da p... — A voz dele vai falhando até ele cair com tudo em direção ao chão.
— MAX!
A jovem estende os braços pra pegar o coelho em queda livre, ela só não contava que o coelho cairia em grande velocidade, acabando que caindo em cima dela. Ela o segura nos braços. A expressão dele é totalmente distorcida e paralisada e seu corpinho se assemelhava a de uma boneca de pano recheada de areia. Ela conseguia sentir a aura assassina vindo dele sem a capacidade de reproduzir expressões faciais por causa da paralisia.
— Noss... Que pontaria boa a sua... Hein? Meus parabéns! — Ele tenta falar com o pouco que sobrou do seu rosto.
— Consegue se mexer? — Ela fala segurando ele de frente pra ela.
— Só a parte de cima. — Ele fala mexendo alguns dedos das mãos.
— Acho que vai ter que servir. — Ela abre o casaco e amarra o coelho em suas costas com seu cinto. Que se sente humilhado.
Sam vendo tudo o que aconteceu com meu parceiro, solta um uivo e começa a rosnar olhando pra arma da garota nas mãos dela. Desse ponto de vista só parece que ele se machucou ou pior. Ele pula todos aqueles metros de escada na frente da garota rosnando e espumando pela boca. Ele avança sobre ela arrancando a carabina dos braços dela a partindo em dois em uma mordida.
Ray aproveita essa deixa pra correr o máximo que pode, agora sendo perseguida pela fera que está louca atrás dela. A garota consegue pular uma janela de uma loja de conveniências pra cães. Nisso ela se deita em um banco de espera pra descansar e recuperar o fôlego, na verdade ela se joga nele, suas costas fazendo um agudo barulho de “eek!” similar a de uma pelúcia, mas aquilo na verdade foi um grito agudo de Max quando foi esmagado por ela.
— E agora sabichona, qual é o seu plano? Estragar tudo de novo e colocar nossas vidas em perigo?
— Cala a boca, Max! Tu é pior que encosto!
— Eu sou muito melhor que um encosto. Sou adorável e também sou seus pensamentos intrusivos.
Ambos riem, mas a alegria deles durou muito pouco. Sam invadiu o local destruindo tudo e danificando e devorando tudo a sua volta. Ela se escondeu entre os corredores, mas o canino parecia farejar o cheiro dela ou talvez de Max. O local estava muito escuro até mesmo pra habilidade dela de se adaptar a pouca luminosidade. Em seus pensamentos ela sentiu suas costas leves e não ouviu Max. Ela checou e o cinto estava frouxo, ele escapuliu pelas costas dela e ela nem tinha notado. O pânico começou a subir pelas sua espinha. Não poderia gritar pelo lagomorfo pra não chamar a atenção do cachorro enraivecido.
Sam estava devorando várias caixas de comida pra cachorro, talvez estivesse focado demais pra notar a presença dela, mas quando ela se abaixou ela conseguia ver Max escondido embaixo das estantes de cereais, pelo menos algo uma coisa que se parece um coelho ali. Ela suspirou em alívio que o coelho estava bem, só que ela não sabia como chegar nele. Talvez se ela tentasse pular e rolar como via nos jogos e filmes através do corredor poderia despistar o cão. Não tinha como dar errado, exceto que deu tudo errado. A fera viu a garota correndo pelo corredor e pulou atrás dela a encurralando. Ray engoliu seco enquanto era encarada pela criatura por um bom tempo. Ela fechou os olhos com força quando a criatura avançou nela. E... Não sentiu dor, somente algo frio no seu rosto. Era... Baba de cachorro? Sim, ele lambeu seu rosto e a reconheceu abanando sua cauda. Talvez tivesse algum produto naqueles biscoitos que o fez se acalmar ou ele só estava com fome mesmo? Ela sabia o quão assustador Sam era quando estava faminto, mas aquilo foi inesperado e ela estava incrédula demais. Ela abraçou seu chefe que automaticamente sacudiu a cauda novamente.
— Sam... Me perdoa, isso vai doer mais em mim que em você. — Ela finca um dos dardos tranquilizantes que ela havia guardado em sua bolsa. Fazendo o animal relaxar.
— Nada mal, recruta! — a voz de Max saiu de algum lugar. — Agora me pega de volta que meu narizinho fofo tá coçando.

 

Depois dessa confusão ambos pegam Sam e conseguem levar ele de volta no DeSoto para que ele não desconfiasse do caos que ocorreu na noite anterior o deixando onde o encontraram. Max aos poucos foi recuperando seus movimentos o ambos consigam voltar para o escritório, totalmente esgotados. Nem se dando conta que o Sol já estava alto no céu.
Não muito tempo depois, Sam volta pra casa como se nada tivesse ocorrido. Ele vem e abraça ambos seus colegas de trabalho que ficam meio perplexos, mas felizes em ver Sam.
— Vocês ficaram bem sem mim? Eu estava preocupado com vocês dois, mas pelo visto o prédio não veio à baixo. — Sam deu uma risada estranha enquanto Max e Ray se entreolhavam e riam junto.
— Deu tudo certo, Sam! Max eu passamos um bom tempo juntos! Né, Max? — Ela deu um sorriso amarelo pro lagomorfo.
— Pode crê! — Devolveu o sorriso com uma atuação mais questionável que a da moça.
— Que bom, porque para compensar minha ausência, eu arrumei dois ingressos pra Noite do Terror! Um parque temático com vampiros, fantasmas e lobisomens e-
Antes dele terminar de falar a dupla apenas desmaiou. Sam ligou a TV mostrando as notícias de todos os estragos que foram causados na noite anterior. Ele resolveu que isso ia passar apenas dessa vez porque já estava estampado em seus rostos que sofreram o suficiente e no fundo estava alegre pela família tão unida que ele conseguiu. Ele apenas pegou os dois do chão e os deitou no sofá. Era hora de começar a trabalhar pra lidar com os prejuízos que ele teria que cobrir.

 

Fim.

 

 

 

 

Imagem linda do Max dessa história desenhado por Belle/Lollita! 

(Obrigada pela arte, vou chorar!)