Work Text:
Possíveis reações para um “eu acho que estou apaixonado por você”:
- Pergunte, com uma expressão de visível descrença, por quê?
- Não diga nada, fique quieto e só chore.
- Duvide, insista comigo que eu só posso estar brincando, mas eventualmente se deixe convencer, depois de horas escutando eu repetir que sim, estou falando sério.
- Grite comigo, me acuse de estar estragando tudo.
- Responda eu também. Eu também acho que –
Pessoas que eu tinha e não tenho mais
- Kim Junmyeon. Ele se mudou de Jeju quando eu tinha sete anos. Ele era meu hyung e me protegia dos valentões da escola. Não sei por que ele fazia isso por mim, já que geralmente ele também acabava apanhando um bocado. De qualquer forma, ele foi meu primeiro amigo. E depois que ele foi embora, eu fiquei sem proteção. Os hematomas não seriam muita coisa se não tivessem evoluído pra um braço quebrado e um olho roxo. No ano seguinte, meus pais me transferiram para outra escola, a duas horas de distância de nossa casa, dirigindo pela via expressa. A antiga ficava há dez minutos a pé.
- Minha halmeoni. Ela morreu quando eu tinha onze anos e meio, a algumas semanas de minhas férias de verão começarem. Todos os dias, eu chegava da aula e passava o resto da tarde e o começo da noite com ela, até meus pais virem me buscar. Eles trabalhavam o dia inteiro, meu hyung estava no ensino médio e passava ainda mais tempo na escola. Depois que ela morreu, eu perdi minha companhia mais constante e afetuosa. Eu nunca visitei o túmulo dela.
- Meu pai. Eu já tinha dezenove no dia em que ele me renegou como seu filho. Ele não gostou de descobrir que eu era gay.
- Meu irmão. Ele cortou relação comigo poucos dias antes de meu pai fazer o mesmo. E o fez pelo mesmo motivo.
- Park Sooyoung. Ao contrário dos outros, eu não a perdi subitamente. Ele foi se afastando aos poucos, até que eu me vi totalmente sem ela. Eu nunca entendi o que a fez não só parar de me procurar, como também me evitar a todo custo. Ela nem fazia questão de disfarçar. Nossos “colegas” em comum, quando eu perguntava o que estava acontecendo com ela ou até mesmo chegava a pedir conselhos de como agir, apenas me pediam para que eu respeitasse o espaço dela. Eu não tinha outra opção, tinha?
- Você. Antes que você me corrija, sim, eu sei que você ainda está aqui. Mas eu desconfio que não por muito tempo.
Algumas lembranças dos melhores momentos que nós tivemos juntos (eu preciso lembrar disso, porque talvez um dia seja tudo o que eu ainda vá ter de você)
- Quando nós fomos à estreia de Rogue One. Nós escolhemos o cinema errado, eu acho. Não havia nenhum outro Mestre Yoda, nem nenhum outro Darth Vader. Nós éramos os únicos de cosplay, Chanyeol. Eu ainda não acredito que, graças às suas ideias estúpidas, eu tive que passar esse micão. Você teve que tirar o capacete pra assistir o filme e a tinta verde me incomodou por horas. Ainda assim, foi épico, não foi? Até nossos amigos riram de nós, e nós rimos mais ainda.
- Aquele dia em que nós nos juntamos em prol de uma causa nobre. Jongin nunca entendeu como você pôde sofrer um acidente tão estúpido e, no percurso, acabar quebrando o iPhone dele, se certificando, enquanto gritava de dor, que o dano seria irreparável. Pelo menos os nudes de Sehun nunca foram descobertos pelo mundo e nós fizemos uma boa ação que nos custou tanto esforço e engenhosidade que vale por toda uma vida de vacilos e confusão. E é isso, nós estamos salvos.
- A sua festa de formatura do ensino médio. Você estava tão bonito. E eu não acredito que você me levou até à pista de dança e me fez dançar a valsa com você. Algumas meninas ficaram guinchando e batendo palmas, super animadas, mas a maioria dos seus colegas de classe e professores não pareceu gostar. Não que você tenha se importado. Já eu me importei, mas não naquele momento.
- Eu tenho mais lembranças, muito mais. Mas há algumas tão preciosas que eu prefiro guardá-las só na memória. Até escrever sobre elas num papel parece um sacrilégio. E quem teria paciência para ouvir cada uma delas? Eu passaria dias aqui. E você não tem todo esse tempo a perder.
Foram esses os instantes decisivos. Aqueles em que as fichas foram caindo. Uma de cada vez
- Nós estávamos deitados no colchão da sua quitinete. O que estava passando na TV? Era uma maratona sem intervalos de Game of Thrones, The Walking Dead, Breaking Bad ou qualquer uma dessas séries super populares que nós adorávamos. De repente você olhou pra mim e eu devolvi o olhar. A fresta de sol que escapava pela janela entreaberta vinha deitar em seu rosto, te deixando iluminado como um anjo, o castanho de seus olhos de um tom tão intenso quanto eu nunca tinha visto antes. Eu te olhei e senti meu coração afundar no peito. E eu soube que aquele sentimento, embora novo e confuso, era irreversível.
- Um dia eu notei que minha mãe sempre perguntava de você, mas nem sempre mencionava Sehun, Jongin ou Jongdae. O que você tinha de diferente dos outros, se éramos todos amigos e vivíamos juntos? Ao fim daquela visita em especial, eu também me dei conta de que a insistência dela em se lembrar de você não era à toa. Era eu quem tocava no seu nome o tempo todo. Eram meus olhos que brilhavam à mera menção do seu nome. Omma apenas tinha percebido, muito antes de mim, o que devia ser tão óbvio.
- Eu nunca ligava se você ficava com alguém, até porque eu não costumo interferir na vida afetiva dos meus amigos se não for solicitado. Eu guardava meus sentimentos e intuições pra mim mesmo. Mas no dia em que você beijou Baekhyun eu enxerguei tudo em vermelho por um instante ou dois. Eu não compreendi minha reação, mas tampouco podia controlá-la. Eu não me deixei levar, mas foi o bastante ter passado a noite fulminando vocês de longe. Sehun reparou no quanto eu estava mal-humorado, e ele com certeza não foi o único. Se ninguém quis levar aquilo adiante e me pressionar foi porque eles tiveram misericórdia de mim. E tudo estava muito claro pra todo mundo. Só não pra mim. Na verdade estava, mas eu levaria ainda muito tempo pra aceitar.
- No meu último aniversário, meu desejo ao cortar o bolo foi poder ser o próximo garoto a te beijar. As garotas faziam fila e você não as fazia esperar por muito tempo. Eu tinha parado de acreditar em desejos de aniversário quando eu ainda era criança. Aos vinte e quatro anos, era tudo no que eu queria acreditar.
- Eu estou organizando várias listas. Numa madrugada de sexta para sábado. De todas as coisas que eu poderia estar fazendo, eu estou escrevendo sobre você para ninguém em especial. Essa é a prova definitiva. Eu meio que já cansei de negar.
Coisas que eu gostaria de fazer se nós estivéssemos juntos. Não como amigos. Não /só/ como amigos, entende? Como algo mais. Namorados, se você me permitir usar essa palavra
- Eu continuaria a fazer todas as coisas que nós já fazemos juntos. Mas, enquanto nós assistimos filmes ou caminhamos lado a lado, eu te tocaria diferente, com mais ternura, sem tanta reserva. Eu poderia me inclinar e beijar seus lábios ou sua bochecha ou seu pescoço. E você não ia se assustar. Você não ia se esquivar. Você ia gostar, quem sabe até retribuir. Porque iria haver reciprocidade entre nós, e eu não posso imaginar nada melhor. Ou que eu deseje mais.
- Eu iria fazer suas unhas, ou pelo menos te obrigar a ir pra uma manicure toda semana. Tem épocas que suas mãos estão num estado deplorável. O que eu estou querendo dizer é que eu iria cuidar de você. E eu penso que seria perfeitamente capaz de o fazer, sem que isso se tornasse um peso pra mim, porque você não é o tipo de pessoa que abusa da boa vontade alheia ou que se permite dar trabalho aos outros. Pelo contrário. É você quem está sempre tentando cuidar da vida da gente. É uma das qualidades que eu mais gosto em você.
- Eu ia te apresentar à minha mãe. É claro que ela já te conhece, mas ela ia saber o quanto você significa pra mim. O quanto eu gosto de você.
- Nas noites em que nós dormíssemos juntos, eu acordaria pouco antes do sol nascer e ia ficar te olhando só por um segundo ou dois. E depois voltaria a dormir, e sonharia com você. E o que a gente vive na vida real, os meus sonhos iriam reproduzir fielmente, mas em tons oníricos, surreais e fosforescentes. Se eu pudesse, eu te pegaria pela mão e voaria pelo céu dos meus sonhos.
- Essa é outra lista infinita, Chanyeol. Levaria uma vida inteira pra eu poder viver ao seu lado tudo o que eu quero viver.
Razões pelas quais eu penso que talvez, só talvez, você possa me retribuir. Às vezes eu até ouso achar que você gosta de mim.
- O jeito como você entrelaça os seus dedos nos meus, sem nem se dar por si. É um gesto irrefletido, natural. Você não faz o mesmo com nenhum de nossos amigos, eu posso afirmar isso com segurança, porque há muito tempo eu presto atenção.
- O seu olhar quando encontra o meu. De alguma forma, eu tenho a impressão de que ele brilha. Não é raro que você desvie o rosto e comece a rir sem motivo aparente. Por dentro, eu vibro de excitação. Mas eu nunca me deixo iludir por muito tempo.
- Não há um dia sequer em que eu não acorde com uma mensagem sua de bom dia, seguida de um monte de emoticons fofos e animados. Eu também recebo boa noite antes de dormir. E você me diz pra dormir bem. Às vezes fala pra eu sonhar com você. Amigos que são só amigos são assim tão próximos?
- Você sempre encontra um defeito nos meus “pretendentes”. É ridículo. Até Luhan. Ele era perfeito, impecável, ideal, mas você o reduziu a pó diante da mesa inteira. Foi constrangedor pra mim, humilhante pra ele. Você foi cruel, Chanyeol. Eu não fiquei envaidecido com aquilo, se é que alguém possa ter imaginado isso. Eu fiquei triste. Por que você afasta todo mundo de mim, mas hesita em se aproximar? Se é que é isso o que você quer... Eu não sei por quanto tempo eu vou só esperar passivamente, sabe.
- Sehun me fala coisas que me deixam intrigado. Ele é muito sutil, mas eu percebo o real sentido das palavras dele, eu sei que ele está me instigando. É a ele quem você recorre pra contar segredos que não confia nem a mim. Isso me deixa chateado. O que há na sua vida que você não pode compartilhar comigo? Eu estou sendo muito territorialista? Me desculpe. Eu não vou usar o argumento de que você me deu espaço e permissão pra isso. Nunca foi minha intenção ultrapassar nenhum limite.
- Ontem você me beijou nos lábios. Não foi só um selinho amistoso, que só é um sinal de afeto, nada além disso. Havia algo mais ali. O que era, Chanyeol? O que você pretendia com aquilo?
Quantos dias eu vou esperar por uma resposta sua
- Hoje
- Amanha eu também aceito. Não se sinta pressionado.
- Daqui a uma semana, se nada vier de você, eu ainda assim estarei esperando.
- Muito tempo. Eu vou continuar esperando por muito tempo.
- Talvez durante toda a vida.
Coisas que você deve fazer se achar que isso é um inconveniente pra nossa amizade
- Me perdoe.
- Finja que isso não passa de uma brincadeira boba de um cara estressado com o trabalho e de mente terrivelmente ociosa e nociva pra si e para os outros, enfim, use qualquer desculpa que você puder usar, mas não esqueça de subestimar por completo.
- Não conte pra ninguém. Será um segredo só nosso.
- Por favor, continue como se nada tivesse acontecido. A sua amizade é mais importante do que qualquer sentimento tolo que eu tenha alimentado sozinho.
Essa é a última lista. É uma pergunta, na verdade. Rasgue essa parte da folha (e todo o resto) se a resposta for ABSOLUTAMENTE NÃO.
Park Chanyeol, você quer sair comigo? Tipo, num encontro?
( ) Sim
( ) Com certeza
( ) Não
( ) ABSOLUTAMENTE NÃO
