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Fogo

Summary:

Eu era o fósforo e você era a rocha, talvez nós começamos este fogo. Contam histórias, lendas, sobre o que a Equipe E perdeu nas chamas, mas e se Thiago Fritz tivesse conseguido sobreviver a explosão e o fogo de Santo Berço?

Com referências a música Things we lost in the fire, da banda Bastille.

(short songfic, canon divergent, lizago, reescrevendo partes de aop, leiam as tags…)

Notes:

sim, mudei a idade do Thiagão, pois é, coitado, com 84 anos nas costas já, não ia aguentar um soco… mudei algumas outras coisas nessa au, incluindo alguns eventos (tristes) que acontecem e eu apenas decidi que não.

lembrem-se de apoiar meu trabalho se minha escrita agrada-lhes <3

tô com uma fanfic PERFEITA de aop no forno, ent fiquem espertos para ler Fantasmas, quando sair.

boa leitura!
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(Final de O segredo na floresta) O fim de Santo Berço (1/2).

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Chapter 1: Sentamos distante e observamos

Chapter Text

capa:

 

 

     Ao apertar o botão, Thiago foi lançado para frente por causa da explosão, por cima do Deus da morte, que caiu, sendo imediatamente engolido e distorcido pelas chamas. Com seus cabelos já brancos e rosto mais enrugado, encontrou a força que se concentrou por anos, para conseguir correr daquele fogo ardente e em tons alaranjados. Na sua frente, o semblante envelhecido de Elizabeth olhava para ele com dor, mas continuava correndo, tentando ter certeza de que estava bem. Aquilo foi arriscado, mas Thiago aspirava ter o mesmo destino que imaginava que seu pai tivera. Por sorte, não teve.

     Eles corriam contra o tempo e o fogo, a morte. As chamas chapiscaram as costas de Thiago, queimando todo o símbolo em uma dor libertadora. E por pouco, logo estavam fora da caverna, e viram Santo Berço inteira se queimar e se destruir em um caos doloroso. Suspiros pesados ressoavam por tudo, e as mentes ainda embaçadas com medo e culpa.

        - O que foi que a gente fez?... - Joui foi o primeiro a se lamentar.

        - Vamo’ pra saída, gente… - César disse, olhando para baixo - Tá na hora. Vamo’ embora dessa merda… Eu não aguento mais.

        - Como é bom ver árvores de novo - Liz, já envelhecida, disse, olhando ao seu redor, vendo as árvores queimarem.

        - Não tem nada de bom aqui - Joui responde

        - Ainda sim é bom… ver árvores. - Thiago disse, fungando. Todos ali já estavam com lágrimas escorrendo por seus rostos, sem previsão para parar - A gente acabou com Santo Berço.

        - Isso não tá certo - Joui disse - Não era pra ter sido desse jeito.

        - Eu pensei em todas as maneiras de que isso poderia terminar… todos os cenários possíveis… - Ela suspirou, todos andando pela trilha, em conjunto - Desde que a gente começou, eu pensei em tudo. E a verdade, Joui, é que no final das contas, ele tinha razão, o ferreiro… ele dedicou a vida inteira para a Ordem, mas pra quê? A que custo? Ao custo da vida dele? Porque… é isso que tem nos custado.

         - Se é esse o final, significa que a gente não pensou em tudo. Não pode ter sido assim.

         - Acredita, eu pensei… - Ela olhou para Thiago, com as costas vermelhas, queimadas - Nós pensamos… por tempo demais.

     O policial gaúcho os encontrou ali, confuso, Arthur já não tinha mais um de seus braços, César e Joui machucados também, Elizabeth e Thiago pareciam ter passado por uns maus bocados… com uma nova aparência, que Victor Rott assumiu que tinham, respectivamente, uns 50 e 60 anos, Thiago com uma cicatriz gigantesca de queimadura em suas costas. 

        - Gente, tá pegando fo- O que que tá acontecendo aqui?!! O que? O que aconteceu com vocês? - apontou para os membros da equipe envelhecidos - ‘Cês tacaram fogo na floresta?

        - Senhor detetive… A gente só fez o que a gente precisava fazer - César disse - Por favor, você pode levar a gente de volta?

     Ele faz que sim com sua cabeça. 

        - P-pra onde eu levo vocês?

        - Você pode passar na casa de uma… Da minha mãe? - Corrigiu-se, mostrando para ele o endereço da Ivete.

        - Arthur! Meu deus do céu, guri, o que que tá acontecendo? O que aconteceu com seu braço?! - Foi a primeira coisa que disse quando viu Arthur. Ele apenas abraçou ela. Ela chora - E eles, o quê?...

        - É difícil, Ivete, mas agora já acabou. Não vai acontecer mais nada, eu vou com eles, terminar uma coisa, e… Enfim, eu volto, pode deixar.

        - Tá bom, tá… - Ela chora, segurando-se em Arthur - Eu também te amo, Arthur, eu também…

     Joui se aproxima.

        - Senhorita Ivete, eu queria te pedir um favor…

        - Ah, sim, pois não?

     Ele vai até ela e os abraça. Não demorou muito tempo para Thiago, César e Liz se juntarem ao abraço. 

     Eles voltaram ao Suvaco Seco junto a Ivete, prontos para prepararem um túmulo simbólico para toda Santo Berço, um túmulo para todos que morreram por causa das coisas que fizeram. Sentiram culpa. Todos colocaram uma moeda em cima da cova vazia, mas cheia de pensamentos e sentimentos de arrependimento. Se pudessem voltar atrás, fariam tudo muito diferente. Liz se ajoelhou na frente do túmulo de Cris, e pegou o relógio na mão, Thiago a seguiu, e ela o entregou. 

     Dentro do relógio, dois rostos que fariam tudo por um bem maior, heróis, estando mortos ou não, foram anfitriões a um bem maior. O filho do homem mais velho da foto sorriu para a mulher de cabelos brancos, entendendo a mensagem. Era um herói. Thiago já estava satisfeito com aquilo. Abraçou Liz, que só não o apertou mais forte por causa da queimadura, que ainda estava para ser tratada.

        - Liz… - Colocou seus braços e peso em cima da figura cansada.

        - Thiago… 

        - Eu tenho que confessar que estou um pouco feliz que não morri.

        - E eu devo confessar que sentiria muito a sua falta. E talvez você virasse uma voz permanente na minha cabeça - Riu

        - Todo o tempo que passei na caverna… Eu só consegui ter uma certeza… Eu te amo muito, Liz. Eu fiquei muito feliz que a menor esperança que tínhamos desse plano dar certo aconteceu… E também, foi o que eu disse, eu já bati na porta um monte de vezes, não?

        - Sim, você e sua vontade de ser um herói… - Liz segurou o rosto dele, olhando para a cicatriz, a barba e cabelos brancos, e as rugas, sabendo que não estava muito diferente- Eu também te amo, Thiagão. Eu queria tanto te dizer. Obrigada.

     Joui cavou um túmulo para Kenan também, enterrando a granada que havia lhe dado. Os mais velhos voltaram abraçados, e ficaram olhando para os túmulos alinhados. as coisas que foram perdidas no fogo.

     Arthur acendeu um cigarro, pensativo. César se aproximou e pediu para experimentar. Tragou, tossiu, e por fim, falou:

        - Como que vocês gostam dessa porra!? - Riram.

        - Ih, Cesinha, eu parei já faz 27 anos.

     Arthur conversou com os túmulos de sua gangue por algum tempo, enquanto os outros só tomavam rodadas para desabafar um pouco sobre a culpa que sentiam. Thiago e César observaram a porta lateral do Suvaco Seco mais uma vez.

        - Te amo, irmão - Thiago disse.

        - Também. Tamo junto - César respondeu. 

     Deram um último chute na porta, antes de perceber que aquela porta abria para fora. 

        - Nossa, a gente é muito burro - Começaram a rir.

     Então, Arthur chegou perto de Ivete.

        - E agora, Arthur?

        - Agora acabou. Acabou o sofrimento… Eu espero.

        - Eu não faço ideia do que vocês passaram…

        - Eu te explico certinho, só vou terminar de resolver isso. A-agora acabou de vez, a gente só vai finalizar tudo - Suspirou - Eu queria te perguntar uma coisa. Você sabe se a gente ainda tem algumas camisetas dos Gaudérios ali atrás?

        - Tem, tem - disse com a voz chorosa - Tem um monte… A gente não conseguiu fazer o show, lembra?

        - Tá, eu vou pegar algumas, pode ser?

        - Claro

        - Tá bom.

     Assim, Arthur foi pegar as camisetas. 

        - Vamo’, então?

        - Cê’ vai com a gente? - O Hacker perguntou-o.

        - Hm… Eu- Eu posso?

        - Claro - César o respondeu.

     Ivete olhava para os túmulos antes de virar e chamar a atenção de seu filho de consideração.

        - Arthur!

        - Oi… - Ele chegou mais perto.

        - Sabe que onde você for, eu vou junto. O Suvaco Seco não existe mais, eu posso continuar o bar, mas não adianta. Eu não quero que os Gaudérios tenham morrido em vão… Seja lá o que você estiver indo fazer, eu quero fazer parte disso, também. Você é a única coisa que sobrou na minha vida, Arthur - Ele a abraçou novamente. 

        - Uhm, pessoal? Tudo bem ela ir com a gente?

        - Claro, por mim tudo bem - César diz.

        - Se é isso que ela quer… - Joui responde - Mais que bem vinda.

        - Sim - Thiago comenta, sua voz rouca e cansada.

        - Só um segundo, então - Ela voltou ao bar, mas logo estava de volta, com uma mochila entrelaçada com uma espingarda - É pra São Paulo, né?

        - É sim 

        - Então vamo’.

        - Bela espingarda, dona Ivete - Joui diz.

        - Obrigada.

     Assim, seguem viagem. No caminho até o aeroporto, a Webber tratou das queimaduras do Fritz como podia. Arthur entregou a eles as camisetas dos Gaudérios Abutres, e mostrou que estavam bem-vindos a nova família. Depois de conseguirem se tratar devidamente, receberam uma mensagem do Senhor Veríssimo, falando que estava preocupado com a situação da equipe, marcou uma reunião na mesma sala de antes, na torre Alfa, em São Paulo, na Avenida Faria Lima. Já haviam se passado alguns dias desde que tudo aconteceu. Mas estavam lá, no horário marcado. O ambiente só não era mais sério que as expressões dos agentes. 

        - Bem vindos de volta - Ele disse, um tom sério em sua voz.

        - Opa, amigão, lembra de mim ainda? - Elizabeth zombou, sua opinião crítica sobre os métodos da ordem.

        - O que aconteceu com você? A gente tem muito sobre o que conversar.

        - Ah, se tem! - Liz diz.

        - Por favor, Sra. Veríssimo.

     Ela entra na sala, séria, junto dos outros. Arthur se introduz, e ele começa a falar:

        - O Cristopher, ele… - Olhou para César.

        - É, ele morreu.

        - É o que eu imaginava… - Ele suspirou, cansado.  O que vocês têm a relatar sobre a missão?

     Liz colocou o relatório na mesa e permaneceu quieta.

         - Eu entendo sua decepção, as coisas não estão saindo como ninguém queria… A minha vida toda eu lutei contra o paranormal. Na ordem, a gente sempre se sacrificou pela vida dos outros. E tá tudo caindo aos pedaços. Tem alguma coisa acontecendo no mundo… Todas as nossas missões estão sendo um fracasso. Eu tô perdendo todo mundo que é importante pra mim - Suspira - Equipe E? É como vocês se chamam agora?

        - É.

        - Bom, eu não posso forçar você a nada, Elizabeth, ou qualquer um de vocês a lutar pela ordem, eu entendo a dor, acreditem, eu sinto ela também, mas se nós não tivermos aqui, algo muito pior vai acontecer. 

         - Pra conseguir minha confiança de volta, só descobrindo o que significa isso aqui - Ela colocou as fotos dos símbolos achados em Nostradamus e o símbolo de Santo Berço.

          - A minha vida toda, a ordem foi sobre lutar contra a possibilidade de que a realidade seja invadida por essas leis, e por esses monstros irracionais e atormentadores, Mas, tem uma coisa muito errada… Algo muito maior está em ação, eu nunca vi isso antes, a Ordem está completamente quebrada, - É ouvido uma voz pela ligação que Veríssimo atende, e ele pede para alguém entrar na sala - A ordem precisa se adaptar, se a gente sequer sonha com a chance de salvar mais vidas, a gente não pode continuar da maneira que a gente estava, precisamos jogar com novas cartas. 

     Eles ouvem passos do lado de fora, e de repente, a porta abre, e por ela, entra, mancando e com um sorriso presunçoso no rosto, Agatha Volkomenn. Ela olha para todos na sala, focando especialmente nos agentes da Equipe Veríssimo.

        - E aí? Sentiram saudade?

     O mais velho teve que segurar Elizabeth, para que não acabasse atacando a adolescente, mesmo compartilhando da mesma raiva e receio. Depois de uma conversa mais calma sobre o novo formato da Ordo Veritatis - Agora, Realitas -, os agentes concordaram e entenderam mais sobre as mudanças na organização.