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De Repente (Quase) Vinte

Summary:

Crescer é difícil. Os problemas mudam, o mundo assusta e as preocupações sempre aumentam. E a gente cai da escada. Ou no sentido figurado, ou, você sabe… no estilo Park Jaehyung.

Notes:

EH ISSO AÍ KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK BEM VINDOS A OPQM VOLUME 2 COM NOVAS HISTÓRIAS NOVOS PERSONAGENS E OS MESMOS BOIOLAS DE SEMPRE!

 

vocês tavam com saudade ? não ? pois eu estava ! então me aguentem !

LEIAM AS NOTAS FINAIS!!!!

POR FAVOR!!!!!!

(pra ficar mais fácil, a tag continua sendo #CosmoRosa

(See the end of the work for more notes.)

Chapter 1: Recapitulando, recontando e começando coisas novas

Chapter Text

Eu estou estabacado no chão após descer rolando a escada do primeiro andar do bloco onde eu estudo na faculdade, tal qual um personagem de Senhora do Destino . Bem na frente da porta de entrada.

Vocês podem pensar que é a narração de um pesadelo, mas não, não é. Talvez seja, dependendo do ponto de vista, mas o que importa é que está acontecendo nesse exato momento. Na vida real. E tem um ralado no meu braço. E estudantes me olhando de cima e conversando em volta de mim. E Younghyun nem está aqui pra me ajudar. E tem uns veteranos babacas filmando e mandando no spotted da universidade.

Cair da escada no primeiro dia de aula é uma péssima primeira impressão.

Nota mental: nunca mais vir com esse tênis-Nazaré-Tedesco pra faculdade. 

Maldita borracha escorregadia. E pequenas sequelas de um pé quebrado recém recuperado.




Bom, do ano passado até aqui aconteceu muita coisa, então acho que vale a pena fazer uma pequena retrospectiva.

Último ano do ensino médio. Me vesti de fada madrinha. Conheci o Younghyun. Tentei virar cupido — e como quase tudo o que eu faço, deu errado. Me apaixonei pelo Younghyun. Tive meu primeiro encontro com ele em cima de um morro (tudo bem que naquela época eu ainda não sabia que gostava dele, mas conto como um encontro mesmo assim!). Me meti num torneio de badminton. Ganhei o torneio — um dos maiores mistérios da humanidade é como diabos isso aconteceu (até hoje ainda não acredito, às vezes). Beijei o Younghyun, porque, aparentemente, ele era apaixonado por mim (e é até hoje). Quebrei o pé. Fiquei internado e conheci minha sogra no hospital. Comecei a namorar. Me formei no ensino médio. Virei professor de badminton (e padrinho de gato). Consegui uma vaga na faculdade onde meu namorado estuda. Na capital. Me mudei com Younghyun e meu primo favorito, Sungjin. Caí da escada no primeiro dia de aula.



Sinceramente, que ano movimentado.









Mas ah, sejamos sinceros, não tem graça só contar em tópicos. Perde toda a parte do drama, as piadas, os detalhes — e as pequenas coisas que mais me fazem amar as pessoas que eu amo.








[Fim de Janeiro]




— Dá pra tentar um apartamento do lado de fora do campus.

Sungjin teclou no meu notebook algumas vezes e olhou para Younghyun, que estava sentado ao meu lado com as costas apoiadas na cabeceira da minha cama e as pernas esticadas no colchão. O computador dele estava em seu colo e os dois procuravam por algum lugar pra morar em Seul. Meu coração aperta toda vez que lembro desse fato. Younghyun vai se mudar. Queria fingir que não, mas infelizmente estou muito triste.

— Acho melhor esperar o Jae pra isso, Brian. Dividir o aluguel e as contas só entre nós dois pode ficar meio caro demais.

Meu namorado ponderou por um tempo e assentiu por fim. Sungjin tinha razão. O resultado da entrevista de emprego do meu primo ainda não saiu, e inicialmente quem vai bancar as contas do meu namorado são os pais dele. Melhor não sobrecarregar a família Kang nem meu primo com seu recém-emprego-ainda-não-confirmado.

(Ah, e sim, todo mundo acabou meio que aderindo o nome Brian. Mas Bribri continua sendo exclusivamente meu).

— E também, quando o Jae passar pra lá, a gente vai ter que sair do dormitório da faculdade. Cabe três pessoas num quarto, mas eu não tô nem um pouquinho a fim de ter que aguentar toda essa melação de vocês à noite. Ou coisa pior.

Younghyun deu risada e beijou minha bochecha, e Sungjin voltou a mexer no computador depois de revirar os olhos pra nós dois.

— Vamos colocar nossos nomes na lista, e aí caso as vagas acabem, a gente procura uma solução mais barata — Sungjin falou sem olhar na nossa direção e eu continuei olhando pros dois em silêncio. Eles já estavam no meu quarto resolvendo isso há mais de uma hora, mas não ousei dar opinião, porque eu não vou pra lá nesse semestre. 

— Ah, eu lembrei de uma coisa! — Falei pela primeira vez e Younghyun olhou pra mim depois de desviar os olhos da tela inicial da página da Universidade de Seul que aparecia no laptop dele. — O namorado do Mingyu vai se mudar do campus, de repente se não rolar pegar o dormitório da faculdade, vocês podem conversar pra dividir um apartamento agora no começo. O Mingyu também tá querendo ir no meio do ano.

E eu estou torcendo com todas as forças para que ele vá e fique na mesma turma que eu. Pensar em conviver com um monte de gente estranha sendo o pamonha que eu sou é certeza de muita vergonha e bola fora. E dessa vez não tem o meu super-salva-vidas Park Sungjin.

— É. Não pode ser nossa primeira opção, porque fica meio chato dividir só por seis meses se não der certo do Mingyu ir, mas se não tiver como na faculdade, talvez seja uma boa ideia — Sungjin concordou comigo após ponderar por quinze incômodos segundos.

— E o Minghao é bem gente boa. Gosto dele.

Eu assenti e voltei a ficar em silêncio. A gente saiu com Mingyu e o Minghao algumas vezes em algum tipo de encontro duplo — é meio brega, mas é bem agradável e divertido —, e o Brian se deu terrivelmente bem com o namorado do meu parceiro de badminton. Um estudante de direito e um futuro estudante de administração. As conversas no futuro se tornarão absolutamente intragáveis.

— Meninos, eu fiz chá e bolo pra vocês — minha mãe entrou no quarto sem bater, como sempre, e deixou uma bandeja com bolo de chocolate e três xícaras de chá em cima da minha escrivaninha. Sungjin desviou a atenção do computador na hora e já pegou o primeiro pedaço. 

— Muito obrigado, tia — Sungjin falou com a boca cheia.

— Valeu, mãe.

— Obrigado, sogrinha.

— De nada, meu genrinho querido — minha mãe respondeu depois de bagunçar os cabelos pretos meio compridos do Brian. — Assim que vocês três terminarem o que estão fazendo, vão lá pra cozinha comer o doce de leite que o pai do Jaehyung tá cozinhando. Ou melhor, tentando.

— Vocês dois são insuportáveis — falei pro Younghyun numa cara emburrada assim que minha mãe saiu do quarto e a gente parou de rir das habilidades catastróficas do meu pai no fogão.  

— É ciúme, Brian — Sungjin se meteu na conversa e eu só não arremessei um travesseiro nele porque eu não estou disposto a descobrir se meu computador é à prova de chá.

— Eu sei que é — o idiota do meu namorado respondeu rindo e passou o braço por trás das minhas costas. Eu achei que ele ia me abraçar, mas estava só se espreguiçando, mesmo. Fiquei chateado. 

Acho que esse negócio todo de discutir mudança me deixou carente. Não quero que o Younghyun me deixe sozinho nos dias de semana. Ver ele só de sábado e domingo não é suficiente.

— Coloquei nossos nomes na fila — Sungjin quebrou o silêncio e comeu a última mordida do bolo dele.

Younghyun continuou teclando no laptop furiosamente numa velocidade que nem mesmo eu, jogador semi-profissional de videogame, conseguiria acompanhar, e depois de mais uns trinta segundos salvou um documento e anexou na pasta compartilhada que ele e Sungjin criaram para organizar as coisas da mudança. Tinha que ser coisa de futuro aluno de administração.

— Subi lá na nossa pasta um catálogo dos apartamentos mais próximos da faculdade que vão estar livres até mês que vem, caso a gente precise do plano B.

Younghyun fechou as abas abertas no navegador, desligou o laptop e fez uma massagem rápida no próprio ombro esquerdo, enquanto Sungjin fazia o mesmo no meu computador, sem deixar de comentar como meu papel de parede — eu e o Brian na frente do portão da casa dos Kang — era horripilantemente brega. “É tudo inveja”, meu namorado respondeu rindo e Sungjin mostrou a língua. 

Meu primo levantou da cadeira estralando as costas e o pescoço e foi até a porta do quarto. Ele viu que nenhum de nós dois levantou da cama, então entendeu o recado e mandou um beijinho no ar pra gente antes de sair do quarto e ir correndo pra cozinha testemunhar o desastre do patriarca da família Park tentando fazer doce de leite. Acho que já era a terceira tentativa nos últimos sessenta dias. 

— Você tá meio tristinho hoje, Jaehyungie — Younghyun disse quando Sungjin fechou a porta e eu joguei a cabeça para trás. Não medi a força nesse ato e fez um barulho enorme a hora que minha nuca bateu na cabeceira da cama. Reclamei de dor, mas dessa vez meu namorado não riu como sempre fazia antes de colocar a mão na base da minha cabeça e perguntar se eu estava bem.

— Me desculpa — falei meio baixo e fechei os olhos, ainda com a cabeça pra trás. Pelo menos até passar a tontura que essa batida maldita me deu.

— Não quero que você peça desculpas, amor. Quero saber o que aconteceu — meu namorado falou num tom compreensivo e eu suspirei profundamente. Profundamente triste. 

Não queria falar pra ele que estou triste porque ele vai se mudar. São só seis meses, eu vou pra lá no meio do ano. Eu vou me mudar com ele e a gente vai se ver todos os dias a partir do segundo semestre. A gente vai dividir a mesma casa e ir junto pra universidade, depois voltar juntos pra casa dos nossos pais e fazer isso durante todos os anos da faculdade.

Quer dizer… Eu  vou, né?

Mas e se eu não passar? E se eu não conseguir nota o suficiente pra ganhar a bolsa e entrar na faculdade? 

Essa possibilidade tá me empurrando pro fundo do poço a cada dia que passa e o medo não é nenhum incentivo pra me fazer estudar mais. Na verdade, quanto mais eu penso, mais empacado no lugar eu fico. Quanto mais eu tento estudar, mais as palavras parecem pular pra fora dos livros e se enrolar em volta do meu pescoço até eu desistir e fazer outra coisa. Quanto mais eu penso no que a minha vida pode ser no futuro, mais eu sinto que vai dar errado. 

— Não… Não aconteceu nada que você precise se preocupar, Bri.

Ele não respondeu. Acho que ele nem mesmo se mexeu na cama. Não tenho certeza, meus olhos ainda estavam fechados e minha nuca ainda estava latejando. Tem tanta coisa passando pela minha cabeça que se eu começasse a falar, ficaria umas três horas só desabafando, socando travesseiro, brigando com o vento e chorando copiosamente como se eu tivesse chutado três quinas seguidas com o dedinho do pé.

— Jae… Meu amor… Se você me contar o que tá acontecendo, talvez eu possa te ajudar. Ou pelo menos te dar apoio. Você sabe, ser seu ombro amigo. Eu estou aqui pra isso.

Ele entrelaçou nossos dedos e aquele calor era tão bom que por um momento a minha mente ficou um pouquinho menos pesada. Pena que segurar a mão de Younghyun não resolve todos os problemas do mundo, infelizmente. Mas deveria.

— Não tem nada mesmo, tá tudo bem. É só a rotina, Bri. Estudar, fazer fisioterapia, a monitoria, tô um pouco cansado. Ainda não me acostumei a ter que fazer esse tanto de coisa. 

Escutei um suspiro. Ele deu um beijo na minha mão e outro na minha testa. Meu coração apertou em não dizer a completa verdade pra ele, mas apertaria ainda mais em ser egoísta o suficiente pra dizer que eu não queria ele longe de mim por puro medo de não ser capaz de passar numa prova. Se tudo der errado, ele vai e eu fico. Não quero ser o namorado babaca que acaba com os sonhos do namorado bonzinho. Principalmente quando o namorado bonzinho é literalmente a pessoa mais gentil, prestativa e incrível que o mundo já viu. 

— Se você precisar de ajuda, promete que vai me pedir? — Aí, não falei? Ele é incrível.

Abri os olhos e encarei o teto. A mão dele não tinha soltado a minha. Aquele calor dos nossos dedos entrelaçados era a única coisa próxima do mundo real que me impedia de afundar nos meus pensamentos meio embolados.

— Prometo. 

Não me restou escolha o suficiente além de mentir. Pelo menos por agora.





Mas é claro que, felizmente, Kang Younghyun não me dá sossego nem uma horinha por semana. E eu sou infinitamente grato a ele por isso. Os momentos que a gente passa juntos são sempre boas lembranças. Até as pequenas discussões que a gente já teve — coisas que seriam resolvidas facilmente se ele não fosse teimoso e eu fosse um pouco mais responsável — sempre terminavam da melhor forma possível. Quando ele não me atacava com um bombardeio de cócegas, obviamente. 

O fato é: eu estava me sentindo triste, muito triste, e ele percebeu isso porque meu Bribri sempre percebe absolutamente tudo sobre mim. Então ele falou com os pais dele e disse que não iria embora para casa hoje, e sim passar a noite aqui. Comigo. Do meu ladinho. 

Eu amo tanto ele.

E como se não bastasse me fazer companhia, ele me arrastou pra cozinha e disse que iria fazer minha comida preferida em todo o universo (depois do macarrão da tia Hyojin): pavê de morango.

Desde que a gente começou a namorar, ele sempre faz receitas de morango pra mim, e isso meio que virou até nossa piadinha interna culinária. Milagrosamente, as frutas estão aos poucos deixando a vasta lista de alergias de Park Jaehyung — resultado de muita medicação. — E especialmente o pavê de morango se tornou a sobremesa que ele sempre faz quando quer levantar meu astral.

Então, no presente momento, estamos eu e Younghyun na cozinha da minha casa às nove e meia da noite enquanto meus pais assistem a novela na sala e debatem com quem a protagonista deve se casar — obviamente com o empresário rico. Tudo bem que ele é calvo, mas os implantes capilares na Turquia estão aí pra isso — e tomam um vinho barato que meu pai trouxe da casa agropecuária onde ele foi comprar alpiste pros passarinhos do pai do Sungjin. O motivo de venderem vinho colonial lá, eu não sei. Mas é docinho, uma delícia. Brian e eu tomamos quase metade da garrafa misturada com Coca-Cola semana passada, porque o teor alcoólico dele não é suficiente pra me fazer passar mal se eu me medicar direitinho. Fomos dormir depois das três da manhã. Meio que esquecermos que Coca-Cola é uma bomba energética. Maldita cafeína.

Mas, enfim, voltando à cozinha.

Brian está virado de costas pra mim, mexendo o creme do pavê no fogo baixo, enquanto eu apenas observo como ele é ótimo em mexer o creme na panela sem derrubar nada — pra mim, ele é um super-herói por conseguir essa proeza. E, bem, admito que além das suas habilidades de mexedor de pavê , também dei uma reparada em como os músculos do braço dele se contraem enquanto ele faz isso. E as costas dele mexem de um jeito estranhamente… Atraente?

Rapaz, que rumo essa linha de pensamento tá tomando?

Balancei a cabeça pra espantar qualquer resquício de atenção nos músculos do Brian e passei a prestar atenção na minha tarefa: picar os morangos. Tira a folhinha, corta no meio, depois no meio de novo e repica se ficar muito grande. Do jeito que o Brian ensinou. Tira a folhinha, corta no meio, corta no meio de novo, repica o que ficar grande, corta o dedo- 

— Inferno, meu dedo! — Reclamei quando a faca escorregou e fez um corte pequeno e ardido no meu dedo indicador e coloquei ele debaixo da água corrente da torneira quando começou a sair um pouquinho de sangue. 

— Tá tudo bem, amor? — A voz preocupada de Younghyun me fez levantar a cabeça e olhar para ele, que fez menção de desligar o fogo para cuidar de mim. Fofo.

— Tá sim, só deu uma furadinha. Pode terminar sua parte aí, tá tudo sob controle.

Ele assentiu depois que eu sorri fraco e voltou a mexer o creme enquanto eu esperava meu dedo parar de sangrar, o que não demorou muito. Com cuidado, voltei a cortar os morangos prestando atenção pra não encostar meu dedo machucado neles e em menos de cinco minutos terminei minha árdua tarefa.

— Sabe, Bribri… — Comecei a falar e cheguei do lado dele no fogão pra ver como estava indo a parte dele. — Quando a gente casar, você vai ser definitivamente o cozinheiro oficial da nossa casa, se você não se importar — coloquei uma mão nas costas dele e dei um beijinho estalado na bochecha fofinha do meu namorado.

Ele abriu um sorriso tão bonito que eu queria ser capaz de congelar o tempo ali pra sempre. 

Brian parou de mexer o creme, desligou o fogo e segurou minha outra mão enquanto me olhava de um jeito fofo depois de checar meu pobre dedinho acidentado. Seu olhar parecia sonhador ao pousar no meu rosto.

— Que foi? — Perguntei quando o sorriso aberto dele virou um curvar de lábios para cima e os olhos dele me olharam de uma forma tão amorosa que eu sentia meu interior borbulhando mais do que qualquer panela fervendo.

— Quando você fala assim eu fico tão feliz — meu namorado sorriu de novo e beijou minha mão. — Quando você menciona nosso futuro juntos. Que a gente vai casar e tudo mais. 

Tirei minha mão das costas dele e corri meus dedos entre as mexas do cabelo dele — é sério, o Brian tá virando um perigo com esse cabelo meio grande — e dei outro beijo em sua bochecha.

— Você é tão fofo.

— Ô, Jaehyung, essa fala é minha! — Brian reclamou e eu beijei a boca dele dessa vez.

Com as duas mãos, ele segurou minha cintura e me empurrou para longe do fogão até minhas costas pararem no balcão da cozinha. É muito doido pensar que meses atrás o Brian estava encostado nesse mesmo balcão depois de me ver usando uma cueca do Relâmpago McQueen e um dos meus primeiros pensamentos na hora foi que a casa parecia ser dele. E veja bem onde estávamos nesse exato momento, neste mesmo balcão, enquanto ele pressionava minha cintura contra o mármore gelado e beijava minha boca deliciosamente como se não tivesse um pavê de morango esperando para ser montado. Falando nele, melhor terminar.

— Bribri… Vamos montar o pavê primeiro? Depois você me beija — falei devagar quando ele parou de beijar minha boca para encher meu rosto de beijinhos. 

Eu não-tão-secretamente amo quando meu namorado beija meu rosto. Especialmente a ponta do meu nariz. Meu coração dobra de tamanho e fica quentinho tal qual uma mantinha de microfibra toda vez que ele faz isso.

— Sim, sim, o pavê — ele assentiu depois de dar um último beijo na minha bochecha e soltou minha cintura. Quando eu fiz menção de sair de perto do balcão, a mão dele me segurou no lugar outra vez. — Só mais um? — A criança de dezoito anos de idade inflou a bochecha e ficou esperando o beijo que eu dei imediatamente porque ninguém é de ferro e não há como resistir às bochechinhas de Kang Bribri.

Depois de mais uns cinco minutos, o pavê já estava montado e descansando na geladeira. Passamos na sala para avisar os meus pais que o doce ficaria pronto logo e que poderíamos comer daqui a pouco e eu saí puxando Younghyun pela mão até o meu quarto, mas não sem antes escutar um "porta destrancada" do meu pai e ver minha mãe dar um tapa estalado na mão dele sem tirar os olhos da televisão e responder "Você nasceu em em que século, homem? Deixa os meninos. Se cuida, Jaehyung."

Brian riu, mas eu fiquei vermelho de vergonha, como de costume. E ele parecia se divertir ainda mais com isso.

Quando chegamos no meu quarto, eu me joguei na cama e me arrependi no mesmo segundo ao sentir meu pé recém-consertado bater com força na estrutura de madeira. 

Essa cama idiota ainda vai me fazer parar no hospital.

Younghyun pegou a pomada que meu fisioterapeuta recomendou e sentou na ponta da cama. Ele colocou minha perna no colo dele, tirou minha meia do Pato Donald e começou a massagear meu pé com a pomada, principalmente em cima da cicatriz da cirurgia. Era gelado, incomodava, mas ao mesmo tempo meu namorado era tão cuidadoso que ficar doente era sempre uma ideia suportável se meu enfermeiro particular fosse ele.

— Jaehyungie — ele chamou sem olhar meu rosto, ainda espalhando a pomada e massageando meu pé, principalmente o tornozelo.

— Oi, amor.

— A gente podia fazer alguma coisa no nosso último fim de semana de férias, o que você acha?

Ele terminou a massagem, deu um beijinho na minha canela, que me fez dar risada, e tirou minha perna do colo dele para deitar do meu lado na cama. Rolei no colchão até ficar colado nele, com a cabeça apoiada no meu travesseiro favorito — o peitoral dele, caso alguém ainda não tenha adivinhado. 

— Eu e você? Tipo coisa de casal?

Younghyun começou a fazer cafuné nos meus cabelos e eu me ajeitei melhor no abraço dele. Depois de tantos dias com a cabeça cheia, o carinho do meu namorado parecia um bálsamo para o meu corpo enquanto a presença dele era um alívio para a alma. As preocupações não tinham ido embora e nem iriam tão cedo, é claro, mas ter o luxo de poder esquecê-las por um tempo enquanto os braços de Younghyun me envolviam era um privilégio que eu não quero perder jamais.

— Se você quiser, pode ser também. Mas eu estava pensando em fazer alguma coisa com os meninos, sabe? Nem que seja só um almoço. Vai ficar meio raro conseguir juntar todos os cinco a partir de agora.

Do mesmo jeito que minha animação surgiu, ela desapareceu com a simples menção do nosso trágico futuro de universitários — e aspirantes a universitários, no meu caso.

Eu assenti em silêncio e meus dedos começaram a brincar com a barra da camiseta dele. Senti um beijinho no topo da minha cabeça e poucos segundos depois a mão do meu namorado alcançou a minha e entrelaçou nossos dedos. Com a mão livre, ele ergueu meu rosto e deu um beijo na minha boca. 

— Pode ser aqui em casa — falei distraído enquanto olhava fixamente pra boca do Brian. — A não ser que vocês prefiram um lugar diferente. 

Ele me beijou de novo e me soltou para abraçar minha cintura com as duas mãos enquanto eu enroscava os dedos nos cabelos com cheirinho do shampoo feito de algum mato estranho possivelmente hidratante capilar que o Brian usava ultimamente.

— Sim, sim, vamos ver com os meninos. O Sungjin tava comentando de passar um dia na arena de vôlei de praia que abriram perto do boliche, de repente dá certo de marcar um jogo lá.

Eu assenti e afundei o rosto na curvatura do pescoço do Brian e dei risada do meu próprio pensamento antes mesmo de contar ele.

— Assume que isso é tudo uma artimanha pra me ver de regata, assume, Kang Younghyun.

Ele deu uma gargalhada gostosa e colocou as duas mãos frias por baixo da minha camiseta só pra gelar minhas costas.

— Acertou em cheio, Jaehyungie. E se o clima de verão colaborar, quem sabe eu não consigo um Park Jaehyung sem camisa, hein?

Dei uma risada desacreditada seguida de um soco em seu braço com força capaz de quase desmaiar um pernilongo e neguei veementemente com a cabeça.

Nunca .

Ele riu outra vez e tirou as mãos de dentro da minha camiseta para me abraçar de novo. Como sempre — e com mais frequência nos últimos tempos —, comecei a pensar se aquilo significava alguma coisa. E se fosse algum tipo de indireta? Eu deveria já ter ficado sem camisa alguma vez na frente do Brian? Ele… Queria me ver sem camisa? Esse corpinho todo magrelo e nadinha definido?

Existe um prazo mínimo e máximo para ficar sem camisa na frente do namorado?

Terei que vergonhosamente conversar sobre isso com o Sungjin.

— Jae. Jaehyung. Moranguinho —  Younghyun estalou os dedos na frente do meu rosto e quebrou minha linha de pensamento com esse apelido ridículo.

— Moranguinho não, cala a boca.

— Você tava viajando e não me respondia, tive que apelar.

Brian riu e sentou na cama para pegar o laptop e começou a procurar algum filme pra gente assistir. Como nenhum dos dois estava no pique de ficar pensando, escolhemos um que não exige muito raciocínio pra entender.

O Segredo dos Animais , meu preferido.

Eu tinha medo dos coiotes do filme quando era criança. Obviamente o Brian riu até cansar depois que eu contei isso pra ele. Só sabe me encher o saco esse insuportável.

Antes da primeira meia hora de filme terminar, ficamos com fome e fomos comer o pavê, que assim como tudo que o meu namorado cozinha, estava divinamente delicioso. Se ele conseguisse cozinhar para todas as pessoas do mundo, garanto que pelo menos oitenta por cento dos problemas do planeta seriam resolvidos. Ele conseguiria acabar com todas as guerras só com as travessas de pavê — e o sorrisinho que ele dá franzindo o nariz que só não derrubou o muro de Berlin porque ele já tinha caído quando Younghyun nasceu. 

Depois de terminar o filme — e todo o pavê também, obviamente —, nos arrumamos pra dormir e fomos para a sala dar boa noite pros meus pais, que assistiam um reality show sobre adestramento de animais e apostavam a louça da semana em qual animal ganharia a competição. Younghyun deu um aperto de mão no meu pai e um beijo na testa da minha mãe, como costumava fazer todas as vezes que dormia na minha casa. Acho que não preciso dizer que em todas as vezes meu coração dobrava de tamanho assistindo ele fazer isso. 

Minha mãe realmente me trocaria pelo Younghyun num piscar de olhos. E nem posso julgar ela. Eu também trocaria qualquer pessoa pelo Younghyun. Eu me trocaria pelo Younghyun.

Nós dois voltamos pro quarto e eu organizei alguns papéis das matérias que eu estava estudando e umas coisas que eu imprimi para as aulas de badminton enquanto o Brian estendia a coberta na minha cama e ia pro banheiro escovar os dentes. 

Depois que eu fiz o mesmo e me enfiei debaixo do cobertor, meu namorado abriu a porta do guarda-roupa e começou a olhar minha pilha de camisetas de cima a baixo.

— Posso usar uma blusa sua pra dormir? — Ele perguntou com um rostinho fofo e eu assenti depois de dar risada. — Pode ser essa?

Eu assenti de novo quando ele levantou a peça de roupa rosa claro com a turma do Scooby-Doo posando pra foto de presidiário e meu sorriso foi aos poucos substituído por um leve desespero quando ele começou a tirar a própria camiseta na minha frente. Fechei os olhos em uma fração de segundos e escutei o meu namorado rir, porque é isso que ele faz toda vez que me recuso a ver o peitoral grande demais para alguém com menos de vinte anos que ele tem.

Pensando no que ele falou mais cedo — meu cérebro tomou aquilo como uma indireta e agora eu não vou abandonar essa teoria tão cedo — decidi abrir os olhos só para dar uma espiadinha, mas aí ele começou a rir mais e eu fechei de novo.

Você me paga, Kang Younghyun.

Depois de vestir a camiseta, apagar a luz e deitar do meu lado na cama, meu namorado me abraçou por trás e deu um beijinho no meu pescoço. Quase senti meu corpo se transformar em um organismo invertebrado de tão molenga que eu fiquei. O Brian e seus beijinhos no pescoço são um perigo. Um perigo muito perigoso. Um perigo perigoso que eu adoro enfrentar, diga-se de passagem.

— Você quer ajuda pra estudar amanhã? A gente pode revisar os conteúdos de exatas juntos — Younghyun falou baixo e eu concordei enquanto pensava que realmente seria uma boa ideia estudar junto com o Brian. Eu conseguia aprender melhor quando ele me explicava. — Acho que eu te devo um pouquinho por te fazer matar as aulas de física ano passado pra me ajudar a conquistar o Wonpil — ele disse rindo e deu mais um beijo no meu pescoço e outro na minha bochecha.

Me virei de frente para encarar seu rosto risonho e sorri desacreditado. 

— Meu Deus, você realmente teve aquela ideia de jerico. 

A risadinha virou uma gargalhada e ele aproveitou que estava de frente pra mim para dar um beijinho na minha boca.

— Situações desesperadoras que pediam medidas desesperadas — Brian se justificou. — E eu não me arrependo, porque se não fosse por aquela humilhação tenebrosa, eu não teria virado seu amigo.

Eu concordei de novo e senti uma pontadinha de ciúme totalmente sem sentido ao lembrar de como ele era perdidamente apaixonado pelo meu melhor amigo. Não que eu ache que ele vai me trocar pelo Wonpil um dia, mas é estranho pensar no quanto o Brian gostava dele.

— Bom saber que você diz na frente do seu namorado que não se arrepende de ter sido o maior gado do mundo por causa do melhor amigo dele — falei num tom óbvio de brincadeira e senti ele me abraçar mais forte por baixo da coberta.

— Só pra você saber, eu nunca chorei por causa dele — Younghyun falou simplista e eu comecei a fazer carinho no ombro dele, um hábito que eu adquiri a pouco tempo, mas que pelo visto ele adorava.

— E você já chorou por mim, por acaso? — Perguntei brincando de novo, mas eu realmente tinha ficado curioso. 

— Já. E mais de uma vez.

— Quê? Por quê? — Eu fiquei realmente surpreso com a resposta. O Younghyun chorou por minha causa? É um pensamento quase inconcebível um homem desse tamanho chorando por causa de um franguinho como eu. — Foi antes da gente começar a namorar, né?

Ele assentiu e eu fiquei um pouco mais calmo. Não iria me perdoar nunca se descobrisse que fiz meu namorado chorar.

— Quando eu pensei que tinha estragado tudo e te deixado desconfortável naquele dia que eu beijei seu pescoço no corredor da escola… Eu não consegui me perdoar por ter feito aquilo — ele confessou meio tímido e eu quase suspirei de tão fofo que ele estava. — Eu fui dormir chorando dois dias seguidos de tão culpado que eu me senti. E quando você não entendeu que eu tava falando de você na casa do Wonpil e me deu um pé na bunda sem querer também. Eu passei a madrugada acordado e fui dormir com dor de cabeça de tanto chorar. Quando eu percebi que gostava de você e não do Wonpil eu chorei também, você não tem ideia do quão confuso eu estava. Jaehyung, eu vivi tempos difíceis por sua causa.

Ele sorria enquanto falava e o tom na sua voz era totalmente descontraído, mas eu obviamente me senti bem mal em saber o quanto eu fiz ele sofrer por ser o burro que eu sou.

— Desculpa.

— Ah, cala a boca — Younghyun disse sem paciência e usou a técnica mais fácil pra me fazer parar de falar. E de pensar. E de lembrar de executar as funções básicas do corpo humano: me beijou. — Não falei isso pra te culpar de nada, Jaehyung. Eu já disse que faria tudo de novo, e eu faria um milhão de vezes se fosse preciso. Eu chorei por sua causa porque eu te amo, seu bobo — ele tirou uma das mãos que envolvia minha cintura para fazer carinho no meu rosto. Estou oficialmente no processo de virar um organismo invertebrado de verdade. — Eu gostava do Wonpil, mas eu amo você.

Eu cheguei a abrir a boca para responder, mas Younghyun me fez perceber que era mais legal beijar ele ao invés de falar qualquer coisa, então eu fiz isso durante os cinco minutos seguintes e faria pelo resto da vida sem reclamar.

— Pra ser justo, eu tenho que assumir que chorei um monte de vezes por sua causa também. Principalmente no dia que eu te vi dormindo na cama do Wonpil e pensei que você e ele tinham feito… coisas… — Assumi morrendo de vergonha e pela luz fraca que entrava pela janela vi os olhos do Brian se arregalarem quase que de forma cômica.

— Você pensou o quê ?

Respirei fundo e fechei os olhos. 

— Foram tempos difíceis. Coitado do Sungjin.

Younghyun deu risada, ainda meio desacreditado com minha revelação, e eu o acompanhei na gargalhada. No meio da risada, escutamos meus pais desligarem a TV e irem pro quarto, então cheguei mais perto do Younghyun e pedi para ele falar mais baixo, caso contrário a policial militar domiciliar Park Eunmi com certeza bateria na minha porta por perturbação de sossego alheio. 

— Eu acho que é bom a gente dormir também — Younghyun sussurrou no meu ouvido e eu poderia chutar que com certeza mais de 90% do processo de invertebramento já estava completo. É tão gostoso escutar ele falando baixinho. Uma das minhas coisas preferidas de toda a vida, sem mentira.

— Uhum — eu respondi e abracei meu namorado, encostando a cabeça no peito dele e recebendo o melhor cafuné do universo. — Boa noite, Bribri.

Recebi dois beijinhos na testa e outro no topo da cabeça.

— Boa noite, meu amor. Dorme bem.





Se tinha uma coisa melhor do que dormir abraçado com o Brian, essa coisa com certeza era acordar abraçado com o Brian . Abrir os olhos e ter o rostinho adormecido dele como a primeira visão da manhã era sinônimo de um bom dia. Obviamente ter o Younghyun do meu lado não resolvia todos os problemas, mas ter alguém em quem confiar tornava tudo mais suportável. 

Ter alguém para dividir as preocupações era uma dádiva. 

Eu só precisava aprender a dividir minhas preocupações sem sentir medo do que isso poderia gerar no meu relacionamento com ele, ou com qualquer pessoa que eu decidisse compartilhar o que me preocupava. O caminho era meio longo até eu aprender a abrir o coração sem sentir medo de estragar tudo, mas eu estava disposto a aprender.



Ah, e é claro que o Sungjin me ajudou nisso.

 

 

Notes:

É. OPQM tá de volta, com nome novo e tudo mais. quero me explicar com vocês.

eu sempre deixei bem claro que opqm tinha acabado(porque tinha mesmo lol) mas o que acontece é que eu estava me sentindo MUITO tristinha e escrever opqm me traz felicidade! então voltei a escrever. não esperem um plot tão cheio de coisa quanto o da primeira temporada, porque isso aqui vai ser mais um diário e válvula de escape pra mim do que um compromisso com os leitores. OU SEJA, também não tem rotina de atualização. talvez eu volto daqui três dias, talvez eu volto mês que vem.

e outra coisa: na primeira temporada, eles tinham 17 pra 18 anos. Agora, eles têm 18 pra 19 pra 20. então todos eles terminam o ensino médio aos 18, e não aos 17 como geralmente acontece aqui no brasil e tudo mais. e como eles alcançaram minha idade, apesar de continuar tendo o humor e a leveza características dessa história, DRQV tem como tema central o início da juventude, os desafios, as inseguranças, os relacionamentos, os medos e tudo que acompanha essa aventura chamada entrar na vida adulta. e não vai focar só nos jonk também não. não é querendo dar spoiloer, porque isso já tá nas tags, mas teremos muito de sungjin hein!

é isso, espero que vocês tenham sentido tanta saudade deles quanto eu senti. beijão, galera, volto logo(eu espero

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