Chapter Text
Eu me lembro de quando eu era menor e Teddy me falava do quanto Hogwarts era incrível. Eu sempre acreditei. E quando eu cheguei, tudo era maravilhoso; e o eu de 11 anos chegou à conclusão de que Teddy sempre tinha razão (o que, geralmente, era verdade). Mas, agora, é difícil pensar nele como a própria voz da razão, quando ele me largou desse jeito.
Sabe, semana passada aconteceu uma coisa um tanto inesperada – ainda que desejada – entre mim e Teddy. Nós estávamos conversando no meu quarto quando ele começou a me olhar meio estranho, mas ele já estava fazendo isso há uns dias, então achei que ele só estava sendo meio "brisado" como sempre, só que, então, ele chegou mais perto e, de repente, eu conseguia sentir sua respiração misturada com a minha, sua voz, fraca, se fez presente:
— Como você reagiria se eu te beijasse, agora?
Eu não conseguiria responder nem se soubesse o que responder, então, fiz a única coisa que me passou pela cabeça: eu o beijei, e ele retribuiu.
Até que não o fez mais.
Ele se afastou, assim, do nada. Depois de ter deixado claro que queria me beijar e realmente ter me beijado. Como se, repentinamente, tivesse mudado de ideia.
Seus cabelos rapidamente mudaram de seu azul turquesa habitual para um vermelho escuro que se aproximava da cor do meu próprio cabelo.
O vermelho podia significar muitas coisas, mas, naquele momento, eu sabia que o único significado possível, era vergonha .
Teddy estava com vergonha de ter me beijado. Estava arrependido. Eu podia ver em seus olhos que tudo o que ele queria, era sair dali. O que, sinceramente, não fazia sentido, afinal, foi ele quem sugeriu o beijo, para começo de conversa.
Eu não sabia como me sentir.
Tudo em mim me dizia que o único caminho era a fuga, mas meu lado racional me forçava a lembrar de quê, uma hora ou outra, eu precisaria enfrentar isso, e era melhor que fosse naquele mesmo momento. Mas parece que só eu decidi ser racional nesse dia.
Em um segundo ele havia se levantado e se dirigia para a porta do meu quarto. Seu cabelo ainda não voltara a ser azul. Seus olhos ainda mostravam a vergonha que ele carregava por ter dito aquilo .
Antes de sair, ele se virou para mim e eu pude ver que ele queria falar algo, mas não conseguiu.
E eu fiquei ali. Sozinho, estático, confuso demais com o que havia acontecido para ir atrás de Teddy.
Teddy sempre foi especial pra mim.
Era ele que, quando eu entrei em Hogwarts, me ajudava treinar quadribol depois da aula para conseguir entrar no time do segundo ano.
Era ele que me dava conselhos quando eu gostava de uma garota.
Era ele que sempre ficava comigo quando meus pais tinham mil e uma coisas para resolver.
Era ele que ficou do meu lado quando eu me assumi bissexual publicamente, mesmo quando as revistas de fofoca ficavam indo atrás dele para descobrir algo a mais.
Mas agora, ele era especial para mim, porque fora o primeiro cara a quebrar meu coração. A me quebrar. E isso doía. Doía pra caralho . E eu não tinha ninguém pra contar. Ninguém.
Exceto Albus, o único que sabia que eu “gostava” do Teddy. O único que eu confiava o suficiente para contar (e talvez, o único que era inteligente o bastante pra ter meio que descoberto sozinho). Mas, ele ainda não havia voltado de Hogwarts, e não voltaria até as férias de natal, daqui a uns três meses. Então, é isso. Só eu. Sozinho com toda essa merda.
Edward, por que você faz isso comigo?
Enquanto eu ficava trancado dia e noite no meu quarto ignorando o resto do mundo pra me afundar nas minhas angústias, Fred e Roxanne vieram me visitar a pedido da minha mãe — eles não me disseram isso, é claro, mas era bem óbvio, na verdade, pelo jeito que ela os recebeu em casa — . Eu não podia negar que meu estado era deplorável, não acho que eu já havia sofrido tanto de amor antes, mas pra tudo tem uma primeira vez. Ah sim, amor . Pode ser que o meu eu de uma semana atrás não confessasse tão simplesmente esse sentimento, mas eu passei vários dias sozinho me depreciando, e isso significa muito tempo para pensar no que eu sinto por Teddy e reconhecer de vez que não é só um crush passageiro, mas que realmente me apaixonei por ele. E eu nem sei bem quando isso aconteceu.
Mas enfim, voltando a Fred e Roxanne, eles trouxeram sorvete para me alegrar e Fred fez questão de convencer o meu pai a arrumar o quintal para jogarmos quadribol. Não havia nem percebido que nesse tempo todo eu não havia treinado nenhuma vez, o meu treinador ia ficar uma fera quando descobrisse. Eu já jogava profissionalmente desde que saí de Hogwarts, e portanto, eu me dedicava bastante a isso.
Durante a tarde, eu fiz o possível para aparecer pelo menos um pouco animado, e confesso que eu me diverti jogando com os gêmeos: não fazíamos isso há bastante tempo.
Quando eles foram embora, já bem tarde, eu me sentia um pouco melhor, mas a bola no estômago implorando para eu contar para alguém, crescia a todo instante.
No dia seguinte, eu acordei bem cedo e decidi treinar um pouco, aproveitando que a quadra estava montada. Querendo ou não, alguma hora as coisas precisariam voltar ao normal. E não há nada mais familiar para mim do que voar em uma vassoura o mais rápido que eu puder. Eu amava o fato de minha mãe ser uma jogadora também, desde pequeno ela me ensinou a jogar e sempre me disse que eu herdei suas habilidades, e eu acabei herdando sua posição como artilheira também. Eu precisava me focar nisso agora. Preencher meus pensamentos com outras coisas ao invés de minha recente decepção amorosa. Ao invés de Teddy. Mesmo que eu sentisse uma saudade desgraçada dele. De sua companhia. De como ele enchia minha vida de cores . Eu sentia falta de suas cores.
