Chapter Text
- Oliver já colocou os sapatos? Claire veja se seu pai conseguiu colocar tudo no carro, por favor e - o cacheado para no meio do corredor em frente as escadas quando se da conta de outra coisa que tem que pensar ou tudo dará errado. - Onde está Oscar? - ele pergunta com cautela.
De longe é possível ouvir a voz da menina dizendo que vai verificar seu pai como pedido. Harry pensa como ela é adorável e prestativa.
- Lá fora - um dos gêmeos, Oliver, diz com a maior normalidade possível para uma criança de seis anos. - Ele foi com Cliff se despedir dos patos. Ele perguntou para mim se queria ir, mas tenho medo deles correrem atrás de mim.
O incidente com os patos ainda era fresco na memória do garotinho de cabelos encaracolados como os de Harry e ele passa sua mão sobre o bumbum com uma careta. Harry teria algo para falar sobre isso se não estivesse apenas respirando fundo ao se preparar para procurar seu outro gêmeo. Com a correria da saída, nem viu quando uma miniatura sua fugiu pela porta da cozinha junto do cachorro.
- Mas ninguém quis perguntar para mim, não é? - seu tom é de advertência, mas sabe que não adianta falar com Oliver nesse momento, que com olhar de cachorrinho apenas da os ombros enquanto, no meio no corredor, se senta para colocar seus sapatos.
Harry suspira e então pega o caminho escadas abaixo. Era suposto que eles saíssem às nove de viagem, mas o relógio já marcava dez para as onze e pelo jeito nem sinal de saída, ainda bem que Sarah e Mitch entendiam o contexto e não se importariam se os Styles-Tomlinson se atrasassem um pouco para o almoço.
Quando chegou ao primeiro andar Claire estava de volta com Louis, que não tinha mais nenhuma mala em mãos e sustentava um olhar que Harry logo entendeu como "podemos ir?", o cacheado sentiu por estragar a esperança do marido.
Ele força um sorriso amarelo.
- O que aconteceu? - pergunta Louis com olhar desconfiado.
- Busca o Oscar lá fora? Foi ver os patos... - Harry responde soando derrotado, a garota acha graça da situação dos pais e segura uma risada que não passa despercebido pelo pai, que belisca sua bochecha. - Eu realmente espero que Clifford não tenha se sujado.
O cachorro tinha estado no pet shop no dia anterior e a ordem era justamente não levar o peludo para fora, assim se manteria limpo enquanto estivessem no carro, mas aparentemente alguém realmente complicar as coisas hoje.
- Tomara - Louis concorda. - Vou lá buscar eles, se quiserem podem ir se arrumando no carro, já.
Harry assente e é no mesmo momento que Oliver está ao seu lado, arrumado. Harry sorri para seu garotinho e faz carinho em seus cachinhos, em menos de cinco segundos Claire também está na sua lateral o abraçando.
Ele os ama tanto que seu peito às vezes chega a doer, mesmo com toda a bagunça que podem fazer, nada se sobressai.
- Tudo pronto? - ele pergunta e então começa a caminhar para a garagem depois de ajeitar a última bolsa que tem no ombros, a fim de arrumar os dois enquanto esperam o restante da família.
- Sim! - respondem em uníssono animadamente, era sempre muito divertido quando passavam as férias junto do casal de amigos e seus filhos. - Mama, eu posso ficar no último lugar hoje? - É Claire que continua a falar.
- Tem certeza que não quer ficar conosco? - Harry responde gentilmente quando abre a porta traseira do carro onde todos estarão organizados em breve.
Que o universo queira que sim. Pensa Harry.
Havia também uma certa disputa em quem ficava com o sexto lugar do carro. Desde que a família era composta por cinco e mais o labradoddle, que sempre estava junto nas viagens, eles precisavam de um espaço a mais e as crianças sempre queriam o último lugar.
- É que queremos contar os carros amarelos hoje e o lugar do meio é ruim para enxergar - a garotinha de cabelos castanhos e olhos tão azuis quanto o oceano argumenta enquanto Harry ajuda seu irmão a passar o cinto. Oliver está atrás do banco do passageiro.
- Sim! É péssimo - o menino concorda em defesa da irmã.
- E nem vou estar longe, é bem ali - ela diz.
Ver os dois juntos se ajudando aquece o coração de Harry, mas ele sabe que Louis não vai abrir mão de ter todos os três juntinhos no banco de trás.
No entanto, ele não consegue responder aos filhos, porque uma tontura repentina lhe ocorre e quando ele percebe está correndo para o lavabo que é o lugar mais próximo que tem para esvaziar seu estômago.
E isso sim lhe parece péssimo agora.
Quando que Louis retornou terminando uma pequena bronca em Oscar e trazendo um Clifford, para a alegria de todos, limpo e ouviu o restante de seus filhos assustados porque "mamãe está doente" esqueceu totalmente que o itinerário original eram estar na estrada nesse exato momento.
Sua vida mudara muito desde que conheceu Harry e quase no mesmo momento se tornou pai. O Louis que um dia foi há dez anos, estranharia muito o Louis de hoje, Harry tomou seu lugar em sua vida e o mudou, assim como a paternidade também fez isso e ele não se arrependia de absolutamente nada.
A única coisa que ele certamente nunca se acostumaria era em ver algum de seus bens mais precioso com dores ou machucados.
Ele correu até o banheiro onde Harry estava agora lavando o rosto e com um semblante abatido, bem diferente do de minutos antes, de resto parecia bem, mas o coração de Louis ainda era apertado com toda a ideia.
Claire havia entrado também para casa e olhava tudo atenta e pronta para ajudar se necessário, mas distante enquanto Oliver estava aos pés de sua Mama e com o rosto meio verde.
- Crianças, podem esperar lá fora? Eu já vou lá, tudo bem? - Louis diz para deixar Harry respirar melhor e meio relutantes, os gêmeos tomaram frente da ordem levando o cachorro consigo. Claire ainda quis ficar, mas Louis continuou a fala e ela enfim se foi. - Olhe seus irmãozinhos para o papai?
Ele nem precisou continuar para ouvir Harry falar algo, Louis fechou a porta do lavabo e agora levava seu marido em direção a cozinha, o sentando na cadeira antes de ir buscar um copo de água.
- Eu estou bem - diz ele. - Algo pode ter me feito mal apenas... nós podemos sair-
- Não senhor - Louis é rápido em rebater antes que a teimosia do cacheado fale mais alto. - Você vai subir e se deitar, eu ligo para a Sarah e nós saímos mais tarde ou amanhã. Sem problema nenhum e de preferência quando estiver alimentado.
Louis sempre foi muito cuidadoso com Harry, principalmente nas gravidezes pois o cacheado se tornava uma grande formiga e precisava de certa disciplina nesses momentos, mas isso acabara virando um cuidado essencial mesmo na rotina.
Harry não teve muito como contra argumentar, uma vez que já se sentia mal o suficiente por ter mentido para Louis, pois ele sabia bem do que se tratava todo esse mal estar. Além de ter adiado ainda mais a viagem, as crianças ficariam enfezadas e com razão.
Há cerca de quatro dias, o cacheado desconfiou de que poderia estar grávido novamente e foi aí que fez um exame de sangue enquanto Louis teve de ir trabalhar e seus filhos estavam brincando na casa de outros amiguinhos. O resultado ainda não havia sido enviado pelo email, como ele solicitou, mas cada dia que passava ele tinha mais certeza de que estava esperando um bebê.
Não havia teste acima de seu sentido - e nem mesmo dos sintomas óbvios.
Ele esteve fazendo um bom trabalho em disfarçar o cansaço e os enjoos matinais, visto que Louis saia bem cedo de casa para a empresa e as crianças ainda dormiam enquanto ele acalmava os ânimos da pequena criaturinha mexendo com seu organismo. No entanto, com a chegada das férias e a viagem marcada para a casa de praia dos amigos da família, Harry acabou tendo problemas em manter segredo, mas tampouco abriria mão de esperar o resultado correto para poder enfim contar ao marido.
O que mais lhe causava certo receio era que um filho não era exatamente o que estava nos planos. Eles realmente chegaram a um acordo em conjunto de que a família estava bastante completa apenas com sua garotinha e os gêmeos, mas aparentemente seu destino estava preparando uma nova aventura.
Ou talvez eles devessem ter tomado mais cuidado depois daquela quarta taça de vinho no jantar romântico que tiveram para comemorar o seu aniversário de casamento. Harry apenas admitia que não pensava em mais nada quando tinha as mãos de Louis em cada centímetro do seu corpo e seus lábios o adorando. Fazendo com que se sentisse a pessoa mais amada do mundo.
De qualquer forma, ele ainda estava no modo negação e enquanto não tivesse a resposta confirmando ou não, talvez fosse mesmo algum tempero que passou a fazê-lo se sentir mal.
- Não, não se preocupem. Assim que conseguirmos sair mando mensagem, até logo.
Harry ouviu Louis finalizar a ligação com Sarah no telefone depois que já estava muito bem deitado na cama que dividiam e com seus filhotes a sua volta. Ele os tranquilizou dizendo que logo estaria melhor e quase chorou emocionado quando Oscar disse que não se importava em ficarem em casa até que estivesse 100%, sendo seguido por seus irmãos concordando.
- Nós vamos ter nossas férias em breve, fiquem tranquilos com a mamãe - ele passa os dedos pelo cabelo liso de Clarie enquanto fala, enquanto tem Oli deitado em seu ombro e Oscar com a cabeça em sua coxa, ele já sente muito melhor só de sentir o amor deles.
- Prontinho - eles ouvem a voz de Louis entrando no quarto. - Ei, o que eu disse sobre deixar a mãe de vocês respirar? - seu tom é mais preocupado do que autoritário.
- Está tudo bem, Lou, deixe eles. Estão me fazendo companhia - Harry os defende e Louis logo está sentado também na ponta da cama, sua mão envolvendo a panturrilha do esposo em um gesto carinhoso.
São momentos em que todos estão juntos que ele percebe quanto amor há envolvido e como ele e Louis construíram uma família linda. Sua mente voa mais uma vez para a possibilidade de ter um Styles-Tomlinson em seu ventre e se pergunta como seria ter mais um bebê com eles.
Ele sabe que se for o caso, mesmo que por acidente, seria muito amado dentro de seu ninho de amor e ele começa a se sentir mais calmo com a possibilidade. E ele sabe, é claro que sabe.
Algum tempo mais tarde naquele dia, Louis desceu com as crianças com o objetivo de cozinharem um almoço em conjunto.
O mais velho de olhos azuis ainda tentou fazer com que Harry ficasse no quarto, mas o cacheado já se sentia ótimo e logo desceu para a cozinha também, observando o preparo do macarrão feito a oito mãos enquanto permanecia sentado em uma das cadeiras da mesa com Clifford deitado em seus pés. O peludo claramente não reclama do carinho que recebe nas costas esporadicamente.
E eventualmente, Oscar se cansa da cozinha e se senta ao lado do cachorro. De qualquer forma os dois são melhores amigos desde o primeiro contato, como parceiros de crime.
O primeiro gêmeo sempre foi mais espoleta e parece gostar de arranjar todas as encrencas que conseguir ou explorar tudo que estiver ao seu alcance, por isso Clifford nunca se opôs em segui-lo, mas Harry gosta de pensar que o cachorro também está por perto sempre protegendo o garotinho.
Já Oliver é mais tranquilo, na maioria das vezes ele até segue o irmão, mas se puder ficar e colorir algum desenho ou se aconchegar aos pais, ele provavelmente vai escolher a segunda opção.
Os dois tem seis anos e vieram quatro anos depois da mais velha e dois anos do casamento. São como a cópia em miniatura de sua Mama, exceto pelos cabelos castanhos levemente ondulados rodeando a cabeça e os olhos em um verde esmeralda inconfundíveis, de Louis tiveram o nariz e alguns traços do temperamento que conseguem deixar Harry louco na maioria das vezes.
- Mama, experimenta! - Harry estava distraído quando Claire aparece em sua frente com uma colher de molho vermelho em frente a sua boca.
Ele confia o suficiente nos dotes culinários da filha e em Louis que inspeciona tudo enquanto, agora, lava a alface na pia com o auxílio de Oliver - ou o contrário, apenas para que o menino não tome um banho fora de hora. Então, abre a boca e recebe a colherada.
O molho é um pouco ácido sem a massa, mas sabe que ficará ótimo quando misturados, então ele tem um sorriso orgulhoso para a filha que o observa atenta e minuciosamente em busca de aprovação.
- Está ótimo, filha. Você quem fez? - pergunta atencioso e troca um olhar com o marido que olha a cena com carinho.
- Sim! Mas papai me ajudou - ele assente. Claire sai saltitando de volta para onde estava com a colher depois de ganhar um beijo da bochecha.
- Está ficando cada vez melhor - Harry elogia.
- Eu também estava ajudando, mama - ele encontra Oscar o olhando e sente a pontinha de ciúmes pela irmã ter ganho um elogio e ele não.
-Também estou orgulhoso de você, bebê - Harry se inclina um pouco para beijar o topo da cabeça do garoto.
Claire, mais crescida, não se importa em dividir a atenção com os irmãos. Ela sempre foi muito atenciosa e ajuda os pais da melhor forma com os pequenos, mesmo quando tinha apenas quatro anos na época. Hoje ela tem dez e só traz orgulho para os pais.
Diferente dos gêmeos, ela tem mais traços físicos de Louis, tendo os cabelos levemente ondulados e acastanhados, além dos olhos azuis cristal, mas conta com as mesmas covinhas de Harry quando sorri. A doce garotinha que foi o que impulsionou a descoberta do amor dos pais um pelo outro quando não pensavam ser dignos disso.
Hoje com tanto amor envolvido, dificilmente se lembram de um dia terem desacreditado no amor.
O almoço logo ficou pronto e Harry ainda preparou suco de laranjas natural para acompanhar e eles estavam organizados a mesa. Harry realmente estava com fome agora depois da manhã turbulenta e desfrutou bastante da comida feita.
As crianças relaxaram e contavam aos pais quais seriam os planos para a pequena viagem de férias que fariam. Seriam apenas três semanas, mas a diversão estava garantida, ainda mais quando o trio se dava super bem com as crianças de Sarah e Mitch. E com Niall, claro, que já tinha confirmado presença também, tão apaixonado que ela pelas crianças.
Mais tarde, o trio vai brincar com Clifford na garagem - longe de qualquer terra que possa ocasionar problemas - enquanto seus Harry e Louis permanecem na cozinha, deixando o ambiente limpo para enfim decidirem se ainda vale a pena viajar hoje ou melhor esperar até o dia seguinte.
Harry sabe que há uma possibilidade de acordar enjoado mais uma vez então esperar não é muito bem uma opção. No entanto, Louis se torna mais cauteloso em deixar o esposo em repouso e tentar novamente amanhã.
- Como se sente, amor? - Harry ouve a voz de Louis em seu ouvido ao mesmo tempo que tem os braços alheios o envolvendo pelas costas. Louis apoia o queixo no ombro do cacheado e beija suavemente o topo de sua bochecha. - Me deixou preocupado.
Harry sorri automaticamente com a aproximação do outro, voltando o copo para cima da mesa e buscando a mão do marido com as suas.
- Bem melhor agora - responde, ele se sente tão bem perto de Louis que chega a fechar seus olhos ao se aconchegar mais no abraço. - Erros de percurso. Se sairmos agora chegaremos no início da noite, não queria que perdêssemos mais tempo.
- Tem certeza? - Louis suspira. - Sabe que não precisa fazer tudo por nós. Ninguém vai se chatear se adiarmos um dia.
- Certeza absoluta - ele confirma com firmeza e se inclina para beijar o canto dos lábios alheio antes de se virar. - Estou novo.
Louis ainda parece relutante, mas a ponto de acreditar em Harry.
- Promete que se sentir alguma coisinha, vai me avisar? - Harry ri, porque é como se falasse com algum dos filhos e rola os olhos depois.
- De dedinho se quiser - responde erguendo o mindinho. Louis os ata e depois beija a união dos dedos. - Amo você.
- Não mais que eu -responde Louis, um selar suave nos lábios do marido.
- Ew - um coro pode ser ouvido e é o que os separa, apenas para ver três criaturinhas com as cabeças empilhadas no batente da cozinha.
E o cachorro, claro, abaixo de Oscar e com a língua de fora.
Harry sorri e Louis tem uma ação dramática ao se afastar do esposo. O cacheado consegue em três segundos estar perto dos seus filhotes beijando suas bochechas exageradamente.
Eles reclamam, mas não é como se fossem negar uma rodada de carinho de sua Mama.
Louis se afasta e termina de tirar a mesa e eles tem a decisão de que vão sair em breve, coisa que as crianças provavelmente ouviram. Esses pestinhas, ele pensa.
- Nós estamos saindo agora, então? - Claire é provavelmente a escada entre os irmãos a perguntar aos pais. Em seu tom há um entusiasmado velado e é bem mais contido que o semblante ansioso dos meninos.
- Daqui há alguns minutos - Louis responde enxaguando um prato.
Depois da comoção geral de que suas férias estavam realmente começando, eles puderam rever toda a checagem e em uma hora, três e meia para exatidão, toda a família estava dentro do carro contando carros amarelos que passavam na estrada.
Oliver estava ganhando até que pegou no sono em algum momento do trajeto.
