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Game of Survival

Summary:

FREYA GRAY estava perdida. Sua única parente viva havia falecido e agora ela e sua irmã adotiva, Tessa Gray, estavam indo para Nova York para ficar sob os cuidados de seu irmão Nathaniel Gray. Bom, era isso que ela esperava até ser abordada por duas irmãs estranhas que mantinham Nate em cativeiro. As Gray tiveram o mesmo infeliz destino, temporariamente, até serem salvas por cavaleiros com espadas brilhantes e tatuagens engraçadas.

Um novo mundo se abriu diante dos olhos das irmãs, que embora não compartilhassem o mesmo sangue ainda tinham o mesmo carinho. Agora Freya tinha que provar seu nome dentro daquele mundo mágico cheio de perigos e entender sua verdadeira natureza.

Notes:

É o primeiro trabalho nessa plataforma, então eu espero profundamente que gostem! Eu pretendo fazer a adaptação de As Peças Infernais e As Últimas Horas, então eu peço que comentem e favoritem! Muito obrigada!

Chapter 1: Prologo

Chapter Text

Londres. Abril de 1878.

O demônio explodiu em uma chuva de icor e entranhas.

William Herondale puxou de volta o punhal que estava segurando, mas era tarde demais. O ácido viscoso do sangue do demônio já tinha começado a corroer a lâmina brilhante. Ele amaldiçoou e jogou a arma de lado; ela caiu em uma poça imunda e começou a inflamar como um fósforo apagando. O demônio, é claro, tinha desaparecido— enviado de volta para qualquer que fosse o mundo demoníaco de onde ele tinha vindo, mas não sem deixar uma bagunça para trás.

— Jem! — Will chamou, se virando — Onde está você? Você viu isso? Matei-o com umgolpe! Nada mau, hein?

Mas não houve resposta para o chamado de Will; seu parceiro de caçada estavalogo atrás dele na rua úmida e tortuosa alguns momentos antes, protegendo suaretaguarda, Will tinha certeza, mas agora Will estava sozinho nas sombras. Ele franziu atesta em aborrecimento—era muito menos divertido se gabar sem Jem para ver. Ele olhoupara trás, para onde a rua se estreitava em uma passagem que dava para a água pretaondulante do Tâmisa à distância. Através da abertura Will podia ver os contornos escurosdos navios atracados, uma floresta de mastros como um pomar sem folhas.

Nada de Jem lá; talvez tivesse voltado para a Narrow Street em busca de uma iluminação melhor. Dando de ombros, Will voltou pelo mesmo caminho que tinha vindo. A Narrow Street atravessa o Limehouse, entre o cais ao lado do rio e as favelas apertadas espalhadas para o oeste em direção a Whitechapel. A rua era tão estreita quanto o seu nome sugeria, alinhada com armazéns e edifícios de madeira assimétricos. No momento ela estava deserta; até os bêbados cambaleando para casa estrada acima depois do Grapes tinham encontrado algum lugar para se recolher à noite. Will gostava do Limehouse, gostava da sensação de estar na margem do mundo, onde os navios partiam a cada dia para portos inimaginavelmente distante. Como a área era um lugar frequentado por marinheiros, e consequentemente cheio de casas de jogos de azar, antros de ópio, e bordéis, não machucava também. Era fácil se perder em um lugar como este. Ele nem mesmo se importava com o cheiro, fumaça, Rohypnol e alcatrão, especiarias estrangeiras misturadas com o cheiro de água de rio suja do Tâmisa.

Olhando de um lado para o outro na rua vazia, ele esfregou a manga do casaco em seu rosto, tentando limpar o icor que ardia e queimava sua pele. O tecido saiu manchado de verde e preto. Havia um corte nas costas de sua mão também, um bem desagradável. Ele poderia usar uma runa de cura. Uma das de Charlotte, de preferência. Ela era particularmente boa em desenhar iratzes.

Uma forma se destacou das sombras e encaminhou-se para Will. Ele começou a avançar, depois parou. Não era Jem, mas sim um policial mundano vestindo um capacete em forma de sino, um casaco pesado, e uma expressão de perplexidade. Ele olhou para Will, ou melhor, através de Will. Por mais acostumado que estivesse ao encanto, sempre era estranho ser olhado através, como se ele não estivesse lá. Will foi dominado por um súbito desejo de pegar o cassetete do policial e assistir enquanto o homem se agitava, tentando descobrir para onde ele tinha ido, mas Jem o tinha repreendido as poucas vezes que ele havia feito isso antes, e embora Will nunca pudesse realmente compreender a objeção de Jem por toda a ação, não valia a pena chateá-lo.

Dando ombros e piscando os olhos, o policial atravessou Will, sacudindo a cabeça e resmungando baixinho algo sobre o juramento de abandonar o gim antes que realmente começasse a ver coisas. Will se afastou para deixar o homem passar, então levantou a voz para chamar:

— James Carstairs! Jem! Onde você está, seu bastardo traidor? — Desta vez, uma resposta fraca respondeu-lhe.

— Aqui. Siga a luz de bruxa.

Will se moveu em direção ao som da voz de Jem. Parecia estar vindo de uma abertura escura entre dois armazéns; um brilho fraco era visível dentro das sombras, como a luz lançada de um fogo de Santelmo.

— Você me ouviu antes? Aquele demônio Shax pensou que conseguiria me pegar com suas malditas grandes garras, mas eu o encurralei em um beco—

— Sim, eu ouvi você. — O jovem que apareceu na boca do beco era pálido à luz do lampião. Ainda mais pálido do que ele geralmente era, que na verdade era bastante pálido. Ele estava de cabeça descoberta, o que chamava a atenção imediatamente para o seu cabelo. Era de uma estranha cor de prata brilhante, como um xelim imaculado. Seus olhos eram do mesmo prateado, e seu rosto de ossatura fina era angular, a ligeira curva dos seus olhos a única pista de sua herança.

Havia manchas escuras na parte da frente da sua camisa branca, e suas mãos estavam intensamente manchadas de vermelho. Will ficou tenso.

— Você está sangrando. O que aconteceu?

Jem acenou afastando a preocupação de Will.

— Não é meu sangue.— Ele virou a cabeça em direção ao beco atrás dele. — É dela.

Will olhou para além de seu amigo, para as sombras mais densas do beco. No canto distante dele estava uma forma enrugada—apenas uma sombra na escuridão, mas quando Will olhou de perto, ele pode distinguir a forma de uma mão pálida, e um tufo de cabelo louro.

— Uma mulher morta? — Will perguntou. — Uma mundana?

— Uma menina, na verdade. Não mais de quatorze anos.

Diante disso, Will amaldiçoou em alto e bom som. Jem esperou pacientemente que ele terminasse.

— Se tivéssemos aparecido apenas um pouco mais cedo, — Will disse finalmente. — Aquele maldito demônio—

— Essa é a coisa estranha. Eu não acho que isso é obra do demônio. — Jem franziu a testa. — Demônios Shax são parasitas, parasitas de ninho. Ela teria preferido arrastar a vítima de volta ao seu covil para colocar ovos em sua pele enquanto ela ainda estivesse viva. Mas esta menina—ela foi esfaqueada, repetidamente. E eu não acho que foi aqui, tampouco. Simplesmente não há sangue suficiente no beco. Eu acho que ela foi atacada em outro lugar, e se arrastou até aqui para morrer de seus ferimentos.

— Mas o demônio Shax—

— Eu estou te dizendo, eu não acho que foi o Shax. Eu acho que o Shax a estava

perseguindo—caçando-a por outro algo, ou alguém.

— Shaxes têm um grande senso de olfato,— Will admitiu. — Já ouvi falar de feiticeiros

usando-os para seguir as pistas dos desaparecidos. E ele parecia estar se movendo com um estranho tipo de propósito. Ele olhou para além de Jem, para a lamentável insignificância da forma enrugada no beco. — Você não encontrou a arma, encontrou?

— Aqui. — Jem tirou algo de dentro de sua jaqueta, uma faca, envolta em um pano

branco. — É uma espécie de misericórdia, ou punhal de caça. Olhe como a lâmina é fina.

Will a pegou. A lâmina era realmente fina, terminando em um cabo feito de osso polido. Tanto a lâmina quanto o cabo estavam manchados com sangue seco. Com uma careta, ele limpou a superfície lisa da faca através do tecido áspero de sua camisa, esfregando para limpar até um símbolo, gravado na lâmina, tornou-se visível. Duas serpentes, uma mordendo a cauda da outra, formando um círculo perfeito.

— Ouroboros. — disse Jem, inclinando-se próximo para olhar fixamente a faca. — Um duplo. Agora, o que você acha que isso significa?

— O fim do mundo, — disse Will, ainda olhando para o punhal, um pequeno sorriso brincando em sua boca, — e o começo.

Jem franziu a testa.

— Eu entendo a simbologia, William. Eu quis dizer o que você acha que sua presença no punhal significa?

O vento vindo do rio estava despenteando o cabelo de Will; ele o afastou de seus olhos com um gesto de impaciência e voltou a estudar a faca.

— É um símbolo alquímico, e não um de feiticeiro ou Habitante do Submundo. Isso geralmente significa seres humanos, os tipos mundanos tolos que pensam que trafegar em magia é o bilhete para a obtenção de riqueza e fama.

— O tipo que geralmente acaba em uma pilha de trapos sangrentos dentro de algum pentagrama. — Jem soou cruel.

— O tipo que gosta de espreitar nas partes do Submundo da nossa bela cidade.

Depois de envolver o lenço ao redor da lâmina cuidadosamente, Will a deslizou para o bolso de sua jaqueta.

— Você acha que Charlotte vai me deixar guiar a investigação?

— Você acha que você pode ser confiável no Submundo? As casas de jogos, os antros

de perversão mágica, as mulheres de moral duvidosa...

Will sorriu da maneira como Lúcifer poderia ter sorrido, momentos antes de cair do céu.

— Será que amanhã seria muito cedo para começar a procurar, você acha?

Jem suspirou.

—Faça o que quiser, William. Você sempre faz.

Southampton, maio.

Freya desenhava o pequeno anjo que estava pendurado no pescoço de Tessa que era amado pela irmã desde que ela se lembrava. Tinha pertencido à mãe dela anteriormente, e a mãe o estava usando quando morreu. Depois disso tinha repousado no porta-joias de sua mãe, até que seu irmão, Nathaniel, o tirou um dia para ver se ainda estava funcionando.

O anjo não era maior do que o dedo mindinho de Freya, uma pequena estatueta feita de latão, com asas fechadas de bronze não maiores que as de um grilo. Tinha um delicado rosto de metal com pálpebras fechadas em forma de crescente, e as mãos cruzadas sobre uma espada na frente. Uma corrente fina que passava por trás das asas permitia que o anjo fosse usado ao redor do pescoço como um colar.

Freya sabia que o anjo era feito de partes mecânicas, porque se ela se abaixasse para se aproximar melhor podia ouvir o som do seu mecanismo, como o som de um relógio. Nate tinha exclamado com surpresa que ele ainda estava trabalhando depois de tantos anos, e tinha procurado em vão por um botão ou um parafuso, ou algum outro método pelo qual o anjo pudesse ser acionado. Mas não havia nada para encontrar. Com um encolher de ombro ele tinha dado o anjo para Tessa. A partir desse momento ela nunca o tinha tirado; mesmo à noite o anjo repousava contra seu peito enquanto ela dormia, seu constante tiquetaque, tiquetaque, como o bater de um segundo coração. E quando Tessa não via, Freya o desenhava durante a madrugada inteira quando tinha insônia.

Ela o desenhava agora, apertado entre os dedos, enquanto o Main abria seu caminho entre outros gigantescos navios a vapor para encontrar um lugar na doca de Southampton. Nate tinha insistido para que elas viessem para Southampton, em vez de Liverpool, aonde a maioria dos transatlânticos a vapor chegavam. Ele tinha alegado que era porque Southampton era um lugar muito mais agradável para se chegar, então Freya não podia deixar de estar um pouco decepcionada com isso, sua primeira visão da Inglaterra.

Era sombriamente cinza. A chuva tamborilava para baixo em direção às torres de uma igreja distante, enquanto fumaça negra subia das chaminés dos navios e manchava o já opaco céu. Uma multidão de pessoas com roupas escuras, segurando guarda-chuvas, estava de pé no cais. Viu Tessa se esforçando para ver se o seu irmão estava entre eles, mas o nevoeiro e o borrifo do navio estavam muito densos para ela distinguir qualquer pessoa em grande detalhe. E aquilo foi o suficiente para a fazer parar de desenhar.

Freya estremeceu. O vento do mar era frio. Todas as cartas de Nate tinham afirmado que Londres era linda, o sol brilhava todos os dias. Bem, pensou Freya, com sorte o clima lá era melhor do que aqui, porque nenhuma delas tinha roupas quentes com elas, nada mais substancial do que um xale de lã que havia pertencido à tia Harriet, e um par de luvas finas.

Elas tinham vendido a maior parte de suas roupas para pagar o funeral da sua tia, tranquilas com a informação de que seu irmão iria comprar mais quando elas chegassem a

Londres para viver com ele. Um grito elevou-se. O Main, em seu casco brilhante pintado de preto reluzindo molhado pela chuva, tinha ancorado, e rebocadores avançavam com dificuldade em se caminho através das agitadas águas cinzentas, prontos para carregar bagagens e passageiros para a praia. Passageiros corriam para fora do navio, claramente desesperado para sentir a terra sob seus pés.

Tão diferente de sua partida de Nova York. O céu estava azul então, e uma banda de música estava tocando. Entretanto, sem ninguém lá para dizer-lhe adeus, não tinha sido uma ocasião agradável.

Curvando os ombros, Freya e Tessa se juntaram à multidão desembarcando. Gotas de chuva atormentavam suas cabeças e pescoços desprotegidos como alfinetadas de pequenas agulhas geladas, e suas mãos, dentro de suas luvas sem substância, estavam pegajosas e molhadas pela chuva. Chegando ao cais, ela olhou ao redor ansiosamente, buscando uma visão de Nate.

Já fazia quase duas semanas desde que ela tinha falado com uma alma que não fosse a própria irmã, tendo se mantido quase que inteiramente sozinha a bordo do Main. Seria maravilhoso ter seu irmão para conversar novamente.

Ele não estava lá. Os desembarcadouros estavam amontoados com pilhas de bagagens e todos os tipos de caixas e carga, até mesmo montes de frutas e verduras murchando e dissolvendo na chuva. Um navio a vapor estava partindo para Le Havre ali perto, e marinheiros de aparência úmida dirigiam-se para perto delas, gritando em francês. Ela tentou se mover para o lado puxando Tessa consigo, apenas para quase ser pisoteada por uma multidão de passageiros desembarcando correndo para o abrigo da estação ferroviária. Mas Nate estava longe de ser visto.

— Vocês são as Srtas. Gray?

A voz era gutural, com forte sotaque. Um homem havia se movido para postar-se na frente delas. Ele era alto, e usava um extenso casaco preto e um chapéu alto, sua aba juntando água da chuva como uma cisterna. Seus olhos eram estranhamente salientes, quase protuberantes, como os de um sapo, sua pele de aparência tão áspera quanto de tecido de cicatrização. Freya teve que lutar contra o impulso de encolher-se de medo para longe dele. Mas ele sabia o nome dela. Quem aqui poderia saber os nomes delas exceto alguém que conhecia Nate, também?

— Sim? — Ela respondeu antes de Tessa.

— Seu irmão me enviou. Venham comigo.

— Onde ele está? — Tessa perguntou, mas o homem já estava se afastando.

— É bom que Nate tenha uma bela explicação para isso. — A mais nova resmungou quando viu o homem se afastar sem responder Tessa.

Seu passo era irregular, como se ele fosse manco por uma lesão antiga. Depois de um momento Freya recolheu sua saia e correu atrás dele com Tessa. Ele andou através da multidão, avançando com velocidade proposital. As pessoas saltavam para o lado, murmurando sobre sua rudeza enquanto ele empurrava com o ombro para passar, com as duas mulheres quase correndo para o acompanhar.

Ele virou-se abruptamente em torno de uma pilha de caixas, e parou na frente de um grande coche negro e brilhante. Letras douradas haviam sido pintadas em toda a sua lateral, mas a chuva e a neblina estavam muito espessas para Freya lê-las claramente. A porta da carruagem abriu e uma mulher se inclinou para fora. Ela usava um enorme chapéu de plumas que escondia seu rosto.

— Srta. Theresa e Freya Gray?

As irmãs assentiram juntas. O homem de olhos esbugalhados correu para ajudar a mulher a sair da carruagem, e em seguida, uma outra mulher, logo após ela. Cada uma delas imediatamente abriu um guarda-chuva e levantou-o, abrigando-se da chuva. Em seguida, fixaram os olhos em Tessa e depois em Freya.

Elas eram um par estranho, as mulheres. Uma era muito alta e magra, com um rosto ossudo, muito fino. Cabelos sem cor estavam escovados para trás em um coque na parte de trás da cabeça. Ela usava um vestido de seda violeta brilhante, já salpicado aqui e ali com manchas de chuva, e luvas violeta combinando. A outra mulher era baixa e gorda, com pequenos olhos profundamente afundados em sua cabeça; as luvas rosa brilhante, esticadas sobre suas mãos grandes as faziam parecem patas coloridas.

— Theresa Gray e Freya Gray, — disse a menor das duas. — Que prazer em conhecê-las, finalmente. Eu sou a Sra. Black, e esta é minha irmã, Sra. Dark. Seu irmão nos enviou para acompanhá-la a Londres.

Freya, úmida, fria e perplexa, apertou o xale molhado com mais força em torno

de si mesma.

— Eu não entendo. Onde está Nate? Por que ele mesmo não veio? Por que ele mandou vocês? — Ela as analisava friamente. Algo dentro de si gritava para não confiar nelas enquanto a outra metade se sentia quase confortável.

— Ele foi detido de forma inevitável pelos negócios em Londres. Mortmain não podia

dispensá-lo. Ele enviou adiantado uma nota para vocês, no entanto.— Sra. Black estendeu

um pedaço de papel enrolado, já umedecido com a chuva.

Tessa o pegou e virou-se para ler junto com Freya. Era uma breve nota de seu irmão se desculpando por não estar no cais para encontrá-la, e deixando-a saber que ele confiava na Sra. Black e na Sra. Dark

"Eu as chamo as Irmãs Sombrias, Tessie e Frey, por razões óbvias, e elas parecem achar o nome agradável!—para trazê-la com segurança para a sua casa em Londres. Elas eram, dizia sua nota, suas senhorias bem como amigas de confiança, e tinham sua mais alta recomendação."

Isso as convenceu. A carta era certamente de Nate. Tinha sua caligrafia, e ninguém mais nunca a chamou de Frey além de Tessa. Ela engoliu em seco e viu Tessa enfiando a nota em sua manga, voltando- se para encarar as irmãs.

— Muito bem. — Tessa disse ela, lutando contra seu sentimento persistente de decepção—ela estava tão ansiosa para ver seu irmão assim como Freya. — Devemos chamar um carregador para buscar nossas malas?

— Não há necessidade, não há necessidade. — O tom alegre da Sra. Dark estava em desacordo com suas características pálidas muito finas. — Nós já arranjamos para que fosse enviada na frente.— Ela estalou os dedos para o homem de olhos esbugalhados, que se impulsionou para o assento do condutor na parte da frente da carruagem. Ela colocou a mão no ombro de Freya. — Venha, criança; vamos tirar você da chuva.

Enquanto Freya aproximava-se da carruagem, impulsionada pela mão ossuda da Sra. Dark, a neblina clareou, revelando a reluzente imagem dourada pintada na lateral da porta. As palavras 'O Clube Pandemônio', enroladas intricadamente em torno de duas serpentes que mordiam a cauda uma da outra, formando um círculo. Freya franziu a testa.

— O que isso significa? — Foi Tessa quem perguntou.

— Nada com que você precise se preocupar, — disse a Sra. Black, que já havia subido para dentro e tinha sua saia espalhada por um dos assentos de aparência confortável.

O interior da carruagem era ricamente decorado com assentos elegantes de veludo roxo de frente um para o outro, e cortinas de franjas douradas penduradas nas janelas. A Sra. Dark ajudou as irmãs a subirem na carruagem, em seguida subiu depois dela. Enquanto Tessa acomodou-se no assento do banco, a Sra. Black esticou-se para fechar a porta da carruagem atrás de sua irmã, fechando lá fora o céu cinzento. Quando sorriu, seus dentes brilhavam na escuridão como se fossem feitos de metal.

— Acomodem-se, Theresa e Freya. Nós temos uma longa viagem pela frente.

Freya segurou uma das mãos de Tessa que colocou a mão livre no anjo mecânico em sua garganta, tirando conforto de seu constante tique, à medida que o carro balançava para frente na chuva.

Seis semanas mais tarde...