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Sobre amor e outros demônios

Summary:

Do Kyungsoo nem sempre foi um feiticeiro demoníaco, em algum momento tinha sido apenas um curandeiro, humano, normal e noivo de uma bela moça. Contudo, havia desistido de tudo para impedir que seu irmão mais velho, Jongdae, fizesse uma burrada. E agora, anos depois e dotado de um poder que nunca desejou, ele espera conseguir reencontrar o irmão, mas primeiro precisa descobrir a causa da doença do príncipe Baekhyun e ajuda-lo a ascender ao trono. Em troca, pode ter o apoio do rei na sua busca.

Chapter 1: A criatura e o príncipe

Chapter Text

As algemas pinicavam nos seus pulsos, uma dorzinha chata e mínima que deixaria marcas na sua pele. Suspirou e desejou um cigarro, um copo de água ou um pedaço de pão, queria algo na boca, algo para amortecer a língua enquanto era transportado. Na escuridão daquela caixa metálica, Kyungsoo só conseguia sentir tédio. Descansou a parte de trás da cabeça na parede e fechou os olhos por um momento, o sol de meio-dia estava deixando as paredes da carruagem quentes e mal podia esperar para ver como estaria até o fim do dia. Chutou a porta da sua cela e torceu para que algum guarda o escutasse, mas ninguém veio ao seu auxilio. Aquilo era ruim, significava que desidrataria até chegar no seu destino, onde quer que isso fosse.

Fazia mais de uma hora que estava viajando contra sua vontade dentro daquele cubículo metálico e sequer conseguia lembrar qual havia sido o seu crime para que os guardas do reino de Alurhia tivessem o trancafiado ali para começo de conversa. Até onde lembrava estava seguindo a lei desde que teve sua alma entrelaçada com a de um demônio. Admitia que nem sempre seguia tudo tão à risca, mas não eram crimes graves ao ponto de precisar ser levado direto a vossa alteza.

“Você não lembra dos boatos?”, uma voz sussurrou na sua mente, um som leve e melodioso, algo que Kyungsoo tinha se habituado a escutar. Chen, seu demônio de estimação estava frequentemente na sua mente, flutuando nos seus pensamentos e em casos mais graves, tomando conta das suas mãos e língua quando precisava realizar feitiços mais fortes, coisas as quais não gostava. Mexer com feitiçaria ainda lhe causava certo receio apesar de todo aquele tempo dividindo a vida com o demônio que lhe dava magia.

Ponderou por um momento, buscou em suas lembranças qualquer coisa que remetesse ao que Chen dizia. Boatos, bons e velhos boatos. Claro! Fazia algum tempo que pequenas fofocas flutuavam pelos becos imundos de Beliah, com certeza trazidos pelos nobres de Ikaria — a capital de Aluhria, onde ficava localizado a residência da realeza. Diziam-se que havia uma recompensa para qualquer pessoa que entregasse o nome de feiticeiros para o reino, mas nem de longe isso era uma novidade. O reino estava sempre atrás de feiticeiros por conta dos rituais de ligação, em parte porque não eram todos que sobreviviam e também não eram todos que conseguiam sustentar o corpo mortal por muito tempo sem enlouquecer com a nova presença que os guiava. Era preciso uma boa saúde mental, objetivos limpos e é claro, ler todas as letras miúdas do contrato de ligação.

Feitiçaria não era o ramo mais promissor para se trabalhar, no final das contas. Grande parte disso se devia ao preconceito, feiticeiros não eram bem vistos e muito menos desejados. Ao contrário dos seus irmãos de magia, bruxos e magos, feiticeiros não nasciam com magia, eles a conseguiam através de um pacto com um demônio e daí vinha a má fama. Bruxos, por outro lado, eram mais bem quistos, uma ocorrência rara e por isso, muito solicitados nos reinos. Eram parceiros leais de reis e rainhas. Magos, por outro lado, eram mais comuns e podiam ser encontrados em capitais ou cidades grandes. Geralmente, eram responsáveis por academias focadas em admitir novos pupilos ou só para botar em prática seus experimentos. Não eram frequentadores de vilas pequenas e pobres como as que Kyungsoo estava habituado. Esses lugares esquecidos pelos deuses, acabava sendo local de trabalho para feiticeiros em geral, eram perfeitos para demônios agirem e serem deixados em paz quando as coisas davam errado já que quase nunca os guardas faziam alguma coisa sobre, em parte porque se beneficiavam da magia demoníaca em segredo.

A má fama por conta do pacto de ligação acabava abrindo portas para a magia negra. Era um fato que feiticeiros tinham mais afinidade com a matéria escura chamada Kaos e era um fato também que qualquer pessoa possuidora de magia podia se deixar levar pelo lado escuro, não era algo exclusivo de feiticeiros, mas ainda assim era mais fácil desconfiar de alguém com uma ligação com um demônio do que de alguém que nasceu com magia e não tinha nada além da própria alma no corpo. Kyungsoo era um bom curandeiro, especialista em maldições de sangue e poções de cura, e Chen, seu demônio, costumava ser uma divindade bastante cultuada antes de cair em desgraça. E antes dos dois se cruzarem, Kyungsoo costumava ser um bom homem. Às vezes, gostava de pensar que ainda era, mas no fundo, sabia que alguma coisa dentro de si estava além do reparo, talvez, por isso, tenha ido parar naquela carruagem, sendo levado como prisioneiro para Ikaria.

Forçou a mente mais um pouco atrás de mais coisas sobre os boatos, mas não havia nada demais, só a velha ameaça sobre o rei estar sancionando uma lei mais rigorosa para a criação de feiticeiros. De qualquer forma, não seria uma surpresa que o velho Byun tentasse executa-lo, era o que acontecia com a maioria dos feiticeiros pegos pelos guardas. No momento em que passavam pelas portas do palácio, nunca mais eram vistos. Alguns habitantes de Beliah sussurravam que o rei mantinha todos trancafiados no porão, fazendo experimentos para tentar reverter o pacto e até agora, não havia nenhuma fofoca sobre o sucesso dessa prática.

A carruagem balançou e as algemas pinicaram mais um pouco na sua pele. Prata e sal eram uma má combinação para feiticeiros, na verdade, prata e sal eram a fraqueza de alguns demônios, o que fazia com que feiticeiros sofressem por tabela já que dividiam o corpo com tal. Não matava, mas machucava o suficiente para deixar feridas que demoravam a sarar na pele.

“Você pode simplesmente quebrá-las”, Chen se referiu as algemas e Kyungsoo comprimiu os lábios. Sabia que podia, um feitiço resolveria isso em um piscar de olhos mas que bem faria? Os guardas só ficariam mais agressivos e além do mais, ele estava tentando não causar problemas.

— Fugir só vai piorar tudo — respondeu, mas ainda assim sua mão escorregou por sobre o bolso do seu casaco e sentiu a forma de um pequeno frasco.

Lá estava, percebeu arregalando os olhos. Não havia se perdido na bagunça da sua captura.

“Ainda tem o dedo, não é?” Chen riu, algo flutuante e desconexo que sempre fazia Kyungsoo se sentir estranho, como se tivesse bebido um dos xaropes gaseificados do senhor Na. Não respondeu, mas sequer precisou, pois estava ocupado em pescar o pequeno frasco com a ponta dos dedos. Segurou-o com cuidado e aproximou do rosto. Tinha apenas um único dedo amanteigado, um dedo mindinho muito bem envelhecido e guardado dentro de um pequeno frasco de vidro. Suspirou e tornou a guardá-lo. Precisava ter cuidado com aquilo, porque além de ser raro encontrar um dedo de um virgem tirado de um corpo sem permissão também era um item perigoso, um ingrediente indispensável em alguns encantamentos necromantes.

Mas Kyungsoo não era necromante sequer queria chegar perto disso, afinal necromancia era magia negra, o tipo de coisa qual todos deveriam ficar longe se não quisessem problemas. Tocou o frasco por sobre o tecido da calça e Chen riu mais um pouco na sua mente antes de se dispersar. Sempre podia sentir quando ele dormia, era como se algo pesasse no seu peito e deixasse um vazio na sua mente.

A carruagem balançou mais uma vez, eles passaram por alguns buracos e Kyungsoo encostou-se na parede da esquerda. Fechou os olhos por um momento e decidiu cochilar em pé, mas a decisão não durou muito porque alguém na cabine ao lado começou a cantar. Um lamento quase choroso. Franziu o cenho e encostou o ouvido na parede para tentar escutar melhor. Arregalou os olhos quando reconheceu as palavras. Era um encantamento.

A pessoa da cabine ao lado estava fazendo um feitiço. Desencostou-se da parede e permaneceu quieto, não queria se envolver em nenhum problema. Precisava não se envolver em nada se quisesse continuar cultivando alguma paz na sua busca, contudo sua mente prestou atenção nas palavras sem que quisesse e identificou algumas, a música era um cântico de proteção, nada com que devesse se preocupar. Suspirou, aliviado. Não saberia o que fazer se fosse uma maldição, afinal não queria se meter em problemas. E esse parecia o seu mantra, no final das contas, se manter longe de problemas.

“Você se preocupa demais”, Chen apareceu e Kyungsoo comprimiu os lábios antes de revirar os olhos. “Estamos seguindo as regras, o rei não pode simplesmente nos matar”.

— Ele é o rei — Kyungsoo disse. — Ele pode fazer tudo, inclusive nos matar.

Chen riu e sua risada flutuou pelos ossos do humano até se tornar um eco, algo baixo, então, o silêncio estava de volta. Kyungsoo odiava quando o demônio fazia aquilo, a risada e a aparição repentina. Se pudesse, com certeza, o esganaria. A carruagem balançou novamente e ele se apoiou na parede, o cântico da cabine do lado ficou um pouco mais alto e se deu conta de que era uma voz feminina. Havia uma prisioneira. Ergueu as sobrancelhas, mas não disse nada. Deixou seus pensamentos trancafiados na mente, onde Chen não podia chegar. Essa era uma das regras principais do contrato, mas nem sempre era clara porque deveria ser escrita nas letras miúdas, deveria ser imposto. O demônio não podia invadir os pensamentos do seu receptáculo. Uma regra importante que nem sempre era levada a sério e que por isso acabava deixando o humano a mercê do demônio, fazendo com que fosse uma questão de tempo até que perdesse o controle da mente.

O caminho tornou a se acalmar e a cantoria baixou-se, as paredes da carruagem continuavam quentes, por outro lado. Kyungsoo abaixou um pouco a capa, deixando que caísse dos ombros, mas não podia tira-la por causa das mãos algemadas, ainda assim tentou amenizar o calor usando a mão para se abanar e sacudir o colarinho da camisa de botões, os suspensórios começavam a incomodar os ombros, desejou poder se livrar deles. A testa estava suada e o suor escorria por sua têmpora, enxugou com a costa da mão e tentou secar a nuca com o tecido da cama. Escutou passos dentro da carruagem e arrumou a capa nos ombros novamente, tentou parecer o mais indiferente possível quando a porta da sua cabine metálica se abriu e o guarda, que o prendeu mais cedo apareceu, o rosto ainda contorcido em uma carranca.

— Pra fora — ele disse e Kyungsoo deu um passo, o guarda segurou a corrente entre suas algemas e o puxou para fora, doeu, mas tentou não demonstrar.

O corredor era pequeno e a cabine ao lado da sua estava aberta também assim como a a outra depois dessa. Haviam três cabines dentro daquela carruagem-cadeia e todas estavam abertas incluindo a porta de saída, mas os ocupantes não estavam lá. Kyungsoo franziu o cenho e foi empurrado para fora, quase tropeçou na escadinha, o guarda o segurava pelo colarinho da capa, mantendo-o perto de uma maneira rude.

O sol não estava mais tão alto, era começo do fim de tarde e agora, tudo estava banhando-se em laranja inclusive o palácio. Kyungsoo já tinha visto palácio antes, quando criança em uma excursão escolar e lembrava-se de ficar admirado, completamente embasbacado com o tamanho e agora, estando ali de novo, de frente para toda a sua estrutura, sentiu a mesma coisa. Havia esquecido o quanto o lugar podia ser imponente. Deixou que seus olhos e alimentassem da arquitetura espalhafatosa, os arabescos em estuque, as abóbadas pintadas e as coberturas douradas, era um show e tanto para se admirar.

— Por que nos trouxeram aqui? — uma voz feminina o despertou.

O feiticeiro olhou para o lado e viu que a mulher que tinha estado presa na cabine ao lado da sua foi quem fez a pergunta. Tinha as mãos algemadas como as suas, usava uma capa vermelha sobre um vestido vermelho-vinho, o espatilho de couro destacando sua cintura fina, as mangas curtas, a saia longa cobrindo os pés calçados em botinas cheias de terra na sola. Com certeza ela havia corrido, tentado uma fuga, não muito diferente de Kyungsoo. Suas próprias botas estavam sujas de barro. Encarou o rosto da mulher, os fios escuros jogados para trás, olhos violeta pequenos e raivosos, e um corte no lábio inferior.

— Foram ordens do rei — o segundo guarda respondeu. — Vamos andando — ele a empurrou.

O guarda que estava perto de Kyungsoo, o empurrou também e o terceiro guarda surgiu de dentro da carruagem empurrando um velho, cabelos brancos levantados e olhos azuis assustados. Kyungsoo quase sentiu pena da imagem maltrapilha e frágil do homem, mas era bobagem de preocupar com um mago, eles eram os maiores contribuintes para o preconceito com feiticeiros, mas ainda assim o olho roxo do homem fez seu peito apertar, não queria se machucado também e se um mago, que estava um patamar acima da sua classe, estava recebendo aquele tratamento, o que poderia acontecer consigo?

— Ande velho — o guarda empurrou o homem mais um pouco e ele caiu no chão, as mãos espalmadas.

— Ei, cuidado! — a mulher gritou e Kyungsoo quis se encolher ao lado do guarda, principalmente quando notou as pontas escuras dos seus dedos, o homem estava com a peste.

A peste estava se tornando uma ocorrência comum entre aqueles que podiam dominar a magia, alguns diziam que era um efeito colateral, outros, diziam que era culpa dos feiticeiros, que haviam trazido para o mundo humano alguma doença demoníaca. Kyungsoo não sabia muita coisa sobre a doença, mas Chen lhe segredara podia ser algo atrelado ao sangue. Alguns sangues eram mais suscetíveis a manipular magia do que outros, e isso parecia tão verdade porque Kyungsoo não vira nenhum caso em bruxos.

— Andem de uma vez — o guarda empurrou a mulher para frente e o outro guarda, segurou o homem pelo braço e o fez ficar de pé.

Kyungsoo começou a andar quando foi empurrado, seguiu atrás da mulher enquanto o velho ia por último. Ficou receoso de que o velho o tocasse, não queria ser contaminado. Puxou o capuz da capa para cima e cobriu a cabeça ao mesmo tempo que a mulher olhava por cima do ombro, o cabelo escuro emoldurando seu rosto pequeno e os olhos cheios de preocupação, violeta. Violeta era uma cor incomum para olhos, mas também era a cor dos demônios, daqueles que tinham sido loucos o suficiente para fazer um trato com um. Ele conhecia a cor porque era a mesma que adornava suas iríses. Feiticeiros em geral tinham aquela cor para carregar, enquanto bruxos e magos não tinham nada além do normal, o que a genética mandasse.

“Sinto cheiro de morte no velho”, Chen sussurrou para si, “está bem forte, talvez não passe dessa noite”.

O trouxeram aqui para morrer? — sussurrou de volta.

“Bom, se quiserem algo dele é melhor se apressarem”.

— Nada de conversa — o homem mandou e empurrou a mulher para frente, mantendo seu rosto virado para lá.

Kyungsoo encarou a linha dos ombros dela, estreitos como os seus. Ele não era um homem grande, estava mais para mediano e também não era forte como os guardas, não tinha muitos músculos para exibir, mas sabia como usar as mãos e a língua. Lançar encantamentos era a sua melhor arma, apesar do seu poder limitado. Podia se safar daqueles guardas, mas isso não seria bom para ninguém. Seu nome seria exibido por todo o reino e Kyungsoo ficaria marcado, isso prejudicaria os negócios, por isso era melhor não fazer nada além de se perguntar o que o rei queria com dois feiticeiros e um mago doente.

Os guardas os levaram direto para a sala do trono. Eles passaram pela entrada, avançaram por um corredor sinuoso e o feiticeiro viu um pouco do jardim do lugar, conseguia sentir o cheiro das peônias e magnólias, os empregados mudavam de caminho quando os notavam e cochichavam alto, os guardas cumprimentaram outros guardas e Kyungsoo admirou a arquitetura de dentro, as paredes cheias de arabescos, mas o que lhe chamou a atenção foi o teto da sala do trono. Inteiramente pintado. A Batalha Negra representada com grandiosidade, os bruxos e os demônios. Prendeu o suspiro.

Seu corpo foi empurrado para frente e ele caiu de joelhos diante do trono, os outros prisioneiros foram empurrados do mesmo jeito. Ao guardas ficaram em pé atrás deles e no trono, o rei se sentava. Byun Jihun tinha sido o mais novo de quatro irmãos e o menos cogitado a se sentar no trono até que deu um jeito de despachar as irmãs para as ilhas remotas. Sabia-se que duas tinham morrido de causas naturais e a terceira ainda estava trancafiada em Zilá, uma das ilhas no mar estreito, longe o suficiente do trono. Kyungsoo não gostava do homem e gostava menos ainda dos seus três filhos: Baekhyun, Sehun e Aeran. Os três monarcas formavam a trindade de prata e sal, como gostavam de desdenhar pelos becos das cidades, porque corria um boato de que Bae Jina, a rainha, era descendente de fadas.

“Não gosto dele”, Chen disse e Kyungsoo quis balançar a cabeça para afastar a voz do demônio, mas queria dizer que também não gostava, que tinha sido obrigado a estar ali. Se limitou a não responder, contudo Chen continuou falando: “Que decoração brega, alguém deveria tê-lo avisado”.

Shh — disse ao demônio e recebeu um chute do guarda nas costas, caiu de cara no chão, o queixo doeu e os dentes bateram na língua.

Kyungsoo fechou os olhos e respirou fundo antes de pôr de joelhos de novo. Fechou as mãos em punho sobre os joelhos e não ousou a erguer o rosto para fitar o rei. Jihun continuava os encarando, lançando um olhar demorado para cada um como se assim pudesse descobrir seus segredos. A mulher do seu lado foi quem ousou erguer o rosto e enfrentar o rei.

— Por que nos trouxe aqui?

— Levem-os para a prisão — o rei disse e Kyungsoo ergueu o rosto, assustado.

Não havia feito nada para receber aquele tratamento. O guarda o segurou pelas correntes e fez ficar de pé, Kyungsoo mordeu o lábio para impedir o grito de dor, aquelas malditas correntes estavam queimando seus pulsos. Lançou um olhar para o rei e percebeu que ele não estava sozinho, sentado no trono ao seu lado direito, havia um homem, provavelmente da sua idade. Ele não parecia muito velho, mas estava muito pálido e o cabelo prateado deixava sua pele clara ainda, como papel fino. Ele o fitou, olhos escuros e curiosos. Kyungsoo foi saudado com um estalo. Era Baekhyun, o primeiro filho.

“O garoto está doente”, Chen falou e Kyungsoo arfou, “tão doente quanto o velho”.