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Sobre votos feitos em meio ao conflito

Summary:

É no campo de batalha, com suas espadas sujas de sangue que os dois fazem seus votos. Mesmo que o tempo não estivesse a seu favor, o Cautus e o Lupo tinham decidido dedicar suas almas um ao outro, assim como no passado Tomo havia jurado sua lâmina ao serviço de Kazuha.

[Tomozuha week day 2 - "Together. Forever + Until death does us part" | Arknights AU]

Notes:

Então, esse AU é o meu bebê favorito e eu AMO escrever ele, mas como nem todo mundo pode estar familiarizado com o universo, uma breve explicação.

Existe um mineral chamado Originium que é utilizado pra tudo no universo, inclusive para usar "magia", as chamadas Arts. O uso desse mineral provoca uma doença com 100% de mortalidade chamada Oripathy. Aqueles que pegam Oripathy são chamados de Infectados e são um grupo que sofre muito preconceito. Os principais sintomas da Oripathy são a formação de cristais no corpo da pessoa e aumento de aptidão pro uso de Arts, mas é possível ter outros problemas causados pela doença. Aliás, não existem humanos, todas as raças são baseadas em animais ou criaturas míticas.

Na timeline do AU, essa fic vem depois de acontecimentos da segunda fic principal (que eu ainda não escrevi, sorry), mas também pode ser lida sem ter lido o resto antes.
No mais, eu espero que vocês gostem da fic!
Boa leitura a todos!

Chibi~

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Voltar ao campo de batalha não era algo estranho para Tomo. O Lupo já estava acostumado com usar sua força para resolver problemas e mesmo assim, na maior parte do tempo ele se recusava a tirar a lâmina de Originium que recebeu como prova de confiança da bainha.

Voltar ao campo de batalha era algo normal. Mas voltar ao campo de batalha acompanhado de Kazuha, e com os dois em pé de igualdade era um desenvolvimento estranho.

O Cautus escutava os ventos com serenidade, com sua mão ainda distante da bainha de sua espada. Apesar do estilo de combate devastador que Kazuha possuía, o fato que o Cautus não tinha pressa em puxar sua lâmina dizia muito sobre como ele preferiria resolver as situações. 

Mas naquele campo de batalha em específico, nenhum dos dois era juramentado a ninguém, mesmo que esse ponto tenha causado uma briga anteriormente. Os dois samurais tinham lâminas de originium em sua posse, mas sabiam bem até demais do risco que elas ofereciam, além de conhecer bem até demais o que tais lâminas representavam.

— Estava pensando, Kazuha…

— No que exatamente?

— Deveríamos levar algo de presente para Tama na volta. 

O Cautus segurou uma risada leve. Era típico de Tomo pensar primeiro na pequena Feline que os dois tinham adotado do que na missão em que estavam no momento.

— Então devemos nos apressar com essa missão. — Ele comentou serenamente, virando de costas para seu companheiro.

— Hum… eu tenho uma ideia pra isso.

— Não.

— Mas vai resolver tudo rápido! — Tomo suplicou para o Cautus.

— Eletrocutar os inimigos com água e suas Arts não é uma ideia aceitável Tomo!

— Você diz isso, mas quantas vezes não saiu espalhando minha eletricidade no campo de batalha? — O Lupo comentou no pé das orelhas do Cautus — Vamos Kazuha, não seja hipócrita. Você mesmo disse que terminar o serviço mais rápido vai nos dar mais tempo para escolher um presente pra Tama!

— Kokomi pediu para não exagerar no dano colateral dessa vez.

— Então na próxima eu posso demolir coisas? — Tomo quis brincar, mas percebeu que Kazuha não estava mais prestando atenção nele — Kazuha?

— Consigo ouvir passos. São muitos e pesados. — O Cautus levantou uma orelha — O vento está dizendo que eles vêm do leste.

— Droga. Eles querem aproveitar a posição do sol no combate. 

— Felizmente eles não sabem que estamos aqui. — Kazuha comentou — Consigo ouvir um outro grupo também. Acho que temos mercenários e tropas da Daimyo se enfrentando.

— Espero não dar de cara com aquela liberi das tropas da Daimyo. — Tomo bufou — Não tenho nada contra Kujou Sara, mas tudo fica infinitamente mais complicado quando ela tá envolvida.

— Isso é rancor da vez que ela te prendeu junto daquele oni sem noção?

— Então, de que lado entramos? — Tomo mudou de assunto.

— Hum… Calma. — Kazuha estava pensativo. — Esses mercenários são os mesmos que atacaram mercadores que estavam a caminho de Watatsumi.

— Entendi. — Tomo olhou preocupado para seu companheiro — Kazuha, você está em condições de participar mesmo desse combate?

— A posição do sol não vai ser um problema.

— Mas você vai conseguir lutar sem poder ver direito?

— Eu consigo escutar. Já é o suficiente. — Kazuha apertou a mão de Tomo por um breve momento, na tentativa de assegurar ao Lupo que estava tudo bem — Mas se te tranquiliza, você pode limpar parte da área e reduzir o total de inimigos que eu tenho que enfrentar.

— Certo. Só não se esforce demais. — Tomo abaixou a cabeça por um instante — Não quero te ver naquele estado nunca mais.

Os dois trocaram promessas, como sempre faziam antes de entrar no campo de batalha. No leste, o sol nascia e trazia consigo os sons do conflito que se desencadeava ali.

No meio de uma batalha com lados definidos, os dois samurais eram a incógnita que poderia mudar completamente o rumo da batalha.

Trovões rugiam em arcos longos, sem se importar com o dano que recebia. Tomo era uma catástrofe em forma de gente, e seu estilo de combate refletia isso. Por onde o Lupo passava, a eletricidade atacava a todos no raio de alcance de sua espada, independente de serem supostos aliados ou não. 

Mesmo assim, não havia um raio sequer que acabava tocando Kazuha por acidente. 

O Cautus analisava calmamente o campo de batalha, e sua postura fazia parecer que sua guarda estava baixa. Mas os tolos que acreditavam nas aparências acabavam se vendo frente a frente com a lâmina carregada de Arts de Kazuha. Os ventos rugiam por um instante, e o Cautus que antes estava cercado por inimigos em meros segundos estava sozinho no meio dos corpos caídos. 

As lâminas dos samurais iam se tingindo de vermelho, com o Lupo e o Cautus reproduzindo mais uma vez a dança de combate sincronizada que haviam criado no tempo que viajaram juntos. 

Mas tudo aquilo nada mais era do que uma distração. Os dois ganhavam tempo para que o esquadrão de Gorou chegasse até o local.

Mesmo possuindo lâminas de originium, os dois tinham a completa ciência do risco que elas ofereciam e do que aquelas lâminas representavam. Dever, honra, poder. Aqueles dois não ousariam desembainhar um símbolo daqueles a não ser que fosse inevitável. 

Com a chegada dos guerreiros de Watatsumi, o ruído no campo de batalha aumentou insanamente. Kazuha já podia sentir o início de um incômodo, agora que os sons estavam mais intensos. Mas o Cautus nem precisava falar nada, pois assim que devolveu sua espada para a bainha, Tomo já estava ao seu lado, protegendo suas costas e permitindo que Kazuha recarregasse suas Arts.

A adrenalina que o campo de batalha lhe proporcionava era algo que Tomo não sabia explicar. Era uma sede de combate que não podia ser exatamente sanada por sangue derramado. Mas era engraçado, porque o único oponente que Tomo teve que foi capaz de sanar essa sede, era justamente quem lutava protegendo suas costas naquele momento. Para o Lupo, o Cautus era seu igual e isso era o mais importante.

— Tomo. — Kazuha chamou, tirando o Lupo de seu frenesi — Espero que esteja pronto.

— Você sabe que sempre estou pronto. — O Lupo se preparou para puxar aquela lâmina específica .

— Juntos. Sempre. — Kazuha começou a puxar sua lâmina de Originium. 

— Sempre. Assim como jurei no passado.

Duas lâminas de originium foram puxadas ao mesmo tempo. Ventos e relâmpagos rodopiavam juntos, devastando o campo de batalha e efetivamente parando o conflito por tempo suficiente para que o esquadrão de Watatsumi alcançasse a dupla.

— Estava aqui pensando, Kazuha… — Tomo comentou enquanto cortava um inimigo meio que automaticamente — Se eu fizesse um pedido agora, você aceitaria?

— No meio da batalha, Tomo? — A espada de Kazuha fez um ruído de clique, e o Cautus fez um grande corte carregado de Arts de vento liberando toda a energia carregada de uma vez.

— Por que não? — Tomo interceptou um ataque que ia na direção de Kazuha — Oe, quem vocês acham que é seu oponente, seus covardes?

— E lá vai o berserker novamente… — Kazuha comentou ao ver Tomo enfrentar pelo menos 5 inimigos de uma vez — Ei, Gorou!

Kazuha sinalizou para o general, e graças a Tomo, o caminho até o Cautus estava livre. Assim que o general alcançou os dois, deu de cara com a cena do Cautus limpando o rosto do Lupo com a manga de sua roupa.

— Você exagerou, Tomo.

— Aquele dia você disse que vermelho combina comigo.

— Não quando você toma banho de sangue no campo de batalha.

— Mas Kazuha… — Tomo choramingou enquanto acabou deixando parte do sangue respingar no Cautus — Veja só, você fica muito melhor do que eu de vermelho.

— Vocês vão continuar flertando descaradamente na minha frente ou eu posso ir cuidar da batalha? — Gorou interrompeu os dois.

— Ah, Gorou. Eu estava pensando… — Tomo começou, enquanto observava o movimento começando a aumentar no campo de batalha — Você tem autoridade suficiente pra isso, eu acredito. Eu só acho que você devia casar a gente.

— Eh?!! — Gorou não acreditava no que estava ouvindo — Não dava pra esperar até voltarmos e pedir para Sua Excelência fazer isso?!

— Então era isso que você queria pedir… — Kazuha comentou com um sorriso discreto no rosto — Vamos Gorou, depois podemos fazer a coisa formal com a bênção de Sua Excelência. 

— Eu odeio como vocês me convencem a fazer as coisas mais absurdas. — Gorou bufou, antes de erguer um campo de Arts protetivas.

— Ah, se fosse qualquer outra pessoa nós não iríamos pedir isso! — Tomo gritou antes de derrubar mais meia dúzia de inimigos — Fala sério, vocês não desistem não? Querem mesmo tomar uma lâmina de Originium na cara?

— Tem uma onda grande de inimigos vindo, Tomo. — Kazuha alertou.

— Entendido! Ei Gorou, para de enrolar e comece logo a cerimônia!

— Eu tô meio ocupado aqui, Tomo! — O general rosnou enquanto disparava flechas nos inimigos que se aproximavam — Mas se você insiste, pode começar com os votos!

Tomo deu um pulo para trás, voltando a se aproximar de onde Kazuha e Gorou estavam defendendo. Ele puxou a lâmina de Originium e a carregou com suas Arts, antes de assumir uma expressão séria pela primeira vez desde que havia pisado naquele campo de batalha.

— No passado eu prometi a minha lâmina a você. No presente eu prometo novamente. Com ela farei a justiça e protegerei os mais fracos, e sempre protegerei as suas costas.

— No passado eu aceitei sua dedicação, e no presente eu a recebo novamente, mas agora como igual. Assim como você prometeu guardar minhas costas, eu protegerei as suas. — Kazuha impediu que um golpe inimigo acertasse Tomo — Nossas lâminas já foram duas, agora elas serão uma só. 

— Juntos, sempre. Como mais uma vez prometemos antes dessa batalha. — Tomo continuou.

— Juntos, sempre. — Kazuha ecoou antes de completar — E que nem a Oripathy nos separe.

— Vocês dois, francamente… — Gorou comentou com uma risadinha sem graça — Precisavam de mim pra quê? Pra falar que podem se beijar?

— Podemos, reverendo ? — Tomo devolveu a pergunta. 

— Certo, certo. Que nem a Oripathy os separe. Podem se beijar agora.

E foi com os dois cobertos de sangue e fuligem, no meio de um campo de batalha, que eles selaram o momento com um beijo.

Foi como se o tempo parasse para os dois que estavam totalmente imersos um no outro e no momento ali entre eles. Até que Gorou os chamou de volta para a realidade.

— Pessoal, ainda temos uma batalha para terminar aqui.

Bastou um furacão carregado de eletricidade para acabar a batalha. Gorou só olhou para o estrago e depois para a dupla que causou aquilo e só conseguia pensar no tamanho do relatório que teria que fazer depois.

— Gorou. — Kazuha chamou.

— O que foi agora?

— Que tipo de presente você acha que deveríamos levar para Tama? — Tomo perguntou para o general.

Gorou não respondeu e só saiu resmungando algo sobre danos colaterais e seus amigos sem noção. 

Quanto a dupla recém casada, os dois já tinham guardado suas lâminas e agora estavam conversando sobre o que fariam depois.

— Eu deveria te arranjar um anel. — Tomo comentou enquanto segurava com carinho a mão enfaixada de Kazuha — Aí você não dependeria tanto de carregar o catalisador na espada.

— Você sabe que minhas Arts não funcionam assim, Tomo. Mas eu aceitaria esse anel, sim. Como símbolo dos nossos votos.

— Mesmo? — As orelhas do Lupo até se moveram, mostrando o quão animado ele estava com a possibilidade.

— Sim, mas só se você usar um anel que combine com o meu.

Uma simples afirmação foi o suficiente para fazer com que o Lupo abrisse um sorriso de orelha a orelha enquanto abanava o rabo que nem um filhote quando ganha um elogio. O Cautus segurou o riso com a cena, para logo em seguida puxar levemente a manga do haori do Lupo, o que fez com que Tomo virasse o rosto na direção de Kazuha.

O beijo leve e rápido pegou o Lupo de surpresa. A expressão de satisfação no rosto de Kazuha logo foi substituída por surpresa, e suas bochechas ficaram um pouco coradas quando Tomo devolveu o beijo com dois: um breve selinho nos lábios e o outro beijinho carinhosamente na testa.

Os dois voltaram de mãos dadas e trocando carinhos. Mas o melhor de tudo? A ideia de Tama vestida de daminha de honra talvez fosse se tornar realidade mais cedo do que os dois esperavam.

Notes:

Agradecimentos especiais de novo à minha dupla de helpers, eme e Eha, que inclusive lá atrás quando eu comecei a escrever o AK!AU me incentivaram a escrever o que eu gosto mesmo

E vou deixar de brinde os perfis dos personagens que apareceram na fic, pra quem tiver curiosidade de ver como eu imaginaria os personagens em gameplay

Kazuha - Cautus (coelho), Infectado
Liberator Guard

Tomo - Lupo (lobo), Infectado
Reaper Guard

Gorou - Perro (cachorro), Não-Infectado
Heavyshooter Sniper