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I'm proud of you. - Jurdan

Summary:

Em que Jude e Cardan estão no mundo mortal bem no dia dos pais o que acaba trazendo velhas lembranças, e traumas, que eles compartilham e falam sobre.

Fofo e triste ao mesmo tempo, mas encantador eu diria:)

Notes:

(See the end of the work for notes.)

Work Text:

Cardan decidiu que nunca iria entender os humanos. Mesmo casado com uma, ela nunca entendia os diversos costumes e normas deles, amava e odiava na mesma medida o mundo humano, por um lado ele adorava as novidades, os novos experimentos, novas comidas e o modo que Jude lhe bancava comprando o que ele queria como se não fosse nada. Por outro, ele às vezes odiava se vestir tão básico para não chamar atenção, odiava justamente por não chamar atenção e odiava com todas as suas forças, filas.

-Jude, por que temos que esperar? Eu não aguento mais. - Cardan gemeu em reclamação pelo que parecia a vigésima vez, lembrava uma criança que acompanha a mãe em dias de compras ou coisas do tipo.

-Amanhã é dia dos pais no mundo humano, as pessoas estão comprando presentes de última hora, é normal essas filas. - Explicou finalmente e Cardan ergueu a sobrancelha olhando para a cesta vermelha que carregava para Jude.

-Eles dão comida de presente?

-Provavelmente estão comprando coisas para fazer um almoço ou jantar pra comemorar esse dia, ou bebida. - Ela explicou apontando sutilmente para o homem que escolhia um vinho da prateleira. - É uma coisa importante para eles.

-Dia dos pais? É como um aniversário?

-Hmm, não. É só um dia que homenageiam os pais dando presentes ou coisas do tipo. - Jude avançou um passo na fila e Cardan a seguiu ainda com uma careta.

-Até para pais ruins?

-Não é obrigatório, só faz quem quer, se o filho não deseja ele não faz. Bom, a menos que a mãe obrigue, mas isso é outra história. - Ela olhava ao redor como se estivesse preocupada em estar esquecendo algo, mal consciente de suas palavras.

-Vamos ter um almoço de dia dos pais amanhã? Por isso vivi nos mandou aqui? - Perguntou e Jude finalmente lhe encarou.

-O que? - Ela estava em choque, como se nunca tivesse considerado comprar um presente pro seu pai para um dia desses, um presente para seu padrasto afinal, já que Madoc havia matado seus pais. Ela lembrou. E a enganado, e matado a família de Cardan, e tentou roubar a coroa e derramar ainda mais sangue, e duvidado de seu potencial. - Não. - Falou engolindo em seco. - Não estamos comemorando isso. Eu vou pegar um vinho, eu já volto ok? Não saia do caixa, feito?

-Nao demore. - Cardan suplicou e Jude soltou uma risadinha, mas concordou antes de se afastar dele saindo da fila, o homem suspirou encarando as costas das três pessoas que ainda restavam até sua vez.

Filas. Malditas fossem as filas do mundo humano e a insubordinação deles ao não o reconhecer como rei de Elfhame. Aqueles tolos, Cardan pensou olhando ao redor e julgando descaradamente a vestimenta de um homem, eles eram tão básicos e sem charme, Cardan retorceu o nariz vendo o homem tentar flertar com a atendente, feios e com ego de um rei, Cardan segurou uma risada quando o cartão, que Cardan ainda não entendia como funcionava, do homem não passou. O ego de um rei quando se é um cavalo oscila entre humilhante e fatal. Bom, pelo menos em elfhame.

-Terras estranhas. - Sussurrou pra si mesmo voltando a bater o pé, mexeu no pequeno brinco da sua orelha novamente girando e girando e parou com ambos os movimentos nervosos quando viu uma garotinha segurando a mão de um homem maior.

Provavelmente tinha entre três a quatro anos, seu pai deixava que ela colocasse achocolatados em sua cesta. Cardan ficou observando eles agirem, sentiu algo na garganta quando o pai da garota a pegou no colo, a garotinha gargalhou antes de começar a tagarelar sobre o que planejava fazer, animada e tagarela e mesmo assim o pai ouvia com atenção e um sorriso largo no rosto. Seus olhos brilhavam com um amor de pai tão genuíno que Cardan foi obrigado a finalmente afastar o olhar.

-Ei, garoto. - A atendente a sua frente o chamou pela terceira vez. - Sua vez, pode pôr aqui. - Cardan pigarreou e obedeceu a mulher pondo sua cesta no balcão, a mulher sorriu pra ele de repente e Cardan franziu a testa enquanto olhava ao redor a procura de Jude. - Quanta comida para um homem só… Uma família espera em casa eu suponho? - Ela continuou a sorrir e Cardan deu de ombros, evitava conversar com humanos, com um certo receio do que é ou não normal para eles, poderia acabar falando algo errado e isso faria as coisas complicarem de mais.

-Coisa do tipo. - Concorda ficando na ponta dos pés para olhar ao redor.

-Veio com alguém? Vai passar mais alguma coisa?

-Sim. Ela já deve estar vin… Ah, sim, ali está ela! Só um momento. - Ele suspirou de alívio quando viu Jude vindo do fim do corredor e a mulher assentiu ainda com seu sorriso.

-Sua irmã?

-Minha mulher. - Explicou sorrindo pela primeira vez finalmente e surpreendendo a mulher que forçou seu sorriso a continuar no rosto.

-Namorada?

-Esposa. - Jude foi quem falou dessa vez, com um sorriso tão cínico quanto o rosto da outra mulher, Cardan sorriu ainda mais, seu sorriso genuíno de felicidade enquanto observava sua esposa pôr o vinho em cima do balcão e barras de chocolate de três tipos diferentes. - É só isso, obrigada. Amor, me dá minha carteira? - Jude pediu apontando pra bolsa de Jude que estava no ombro de Cardan, o moreno assentiu meio corado pelo apelido que ela usava em público e lhe entregou tentando não ficar mais vermelho pelo sorriso que Jude voltava a lhe dar.

-Aquilo são balas?- Cardan perguntou no ouvido de Jude apontando para um pacote de cigarros na parede da loja.

-Não. São cigarros e você não fuma. - Jude fez careta enquanto dava notas para a mulher que a essa altura tinha novamente sua cara cansada de sempre. - Mata, tem cheiro ruim e faz seus dentes ficarem feios. - Cardan arregalou os olhos e Jude concordou. - Vamos? - Ela voltou a falar quando seu troco foi lhe dado e Cardan pegou as sacolas com Jude a acompanhando.

-O que vamos fazer no dia dos pais? Você vai ao menos tentar ficar com seu pai ou?... - Jude fez careta negando. - Certo. Então vamos assistir naquele aparelho mágico da vivi? - Jude revirou os olhos com um sorriso de canto pelo nome bobo e concordou. - Legal! Podemos beber vinho e comer picopa.

-Pipoca - Corrigiu rindo genuinamente, Cardan sabia o nome, errou de propósito porque Jude sempre ria quando ele falava esses nomes bobos mortais errado.

-É. Quer que eu te conte o que aconteceu depois de você cair no sono? - Perguntou e Jude assentiu com um balançar de cabeça, Cardan pigarreou e começou a falar durante o caminho para voltar para o apartamento de Vivi, conversaram por todo o caminho, às vezes ficando em um silêncio confortável antes de voltar a falar, Cardan agradeceu conscientemente em algum momento do passeio que os feéricos não tinham dia dos pais, pelo menos dessa forma Jude não ficava triste, já que não podia lembrar de algo que não existia.

Se ele estava ainda confuso sobre o que sentiu quando viu o pai e aquela garotinha no mercado se dando mais bem em minutos do que ele fez em sua vida inteira com o seu pai, bom, ninguém precisava saber disso.

Assim que chegaram na casa da Vivi se surpreenderam por Tayron estar ali, mas forçaram um sorriso e Jude abraçou sua irmã enquanto Cardan fingia não estar vendo a gêmea-nao-tao-bonita e foi por as sacolas de compras na cozinha. Vivi olhou com repreensão para ele que arqueou a sobrancelha a desafiando a falar algo. Ela não disse.

Mas infelizmente, mesmo que até os tolos soubessem quando o rei de Elfhame não gosta da sua companhia, Tayron não parecia compartilhar do mesmo senso, e sorriu na cozinha oferecendo a mão em cumprimento a Cardan, que olhou por vários segundos entre sua palma estendida e seus olhos.

Ouviu um pigarreio da sala, não sabia se era de Jude ou vivi ou até mesmo de Orianna ou Madoc, mas ele suspirou pesadamente e apertou a mão de Tayron.

-Que bom revê-los finalmente, Cardan. - Cardan a odiava. - Pensei que não viria. - Cardan literalmente mataria ela se pudesse, ah se fosse uma serpente novamente… Poderia ter engolido ela e culpado estar daquela forma na época, talvez sua família chorasse, mas eles iriam se recuperar certo? É claro que sim, Cardan se recuperou de ter visto sua família inteira sendo assassinada, Tayron seria logo esquecida. Era só usar uma das facas de Jude no seu coração e…

-Queria acompanhar Jude. - Cardan tentou lembrar que a cobra a sua frente tinha um filho que precisava cuidar, e repetiu essa informação em sua mente tentando não lembrar também que a pobre criança tinha como pai o falecido do locke. Argh que mal gosto das Duarte. Pelo menos até ele. Quase sorriu. - É… suportável te ver novamente. - Ele não podia mentir, Jude lembrou e deu de ombros, achava que iria ser pior afinal, suportável não era uma ofensa tão grande assim.

-Estamos pensando em fazer uma festa amanhã! - Tayron mudou de assunto se virando pra sala, Cardan suspirou se afastando da mulher.

-Uma festa? Por que?

-Dia dos pais. - Oak respondeu enquanto jogava alguma coisa no celular de Vivi. Jude gargalhou seguida de Cardan que pôs a mão sobre a boca fingindo não ter feito.

-É sério? - Jude perguntou ainda sorrindo com ironia ainda escorrendo de sua voz. - Não pode ser.

-Ideia de Tayron, ei oak, vamos tomar banho? Jude trouxe chocolate, você pode comer depois que tomar huh? - Vivi sugeriu e Oak sorriu largo concordando antes de seguir a mulher que antes de ir se virou para sussurrar no ouvido de Cardan - Separe se houve briga.

-Está contando comigo para isso? - Cardan sussurrou com um sorriso cínico no rosto que Vivi não retribuiu lhe olhando ferozmente. Cardan revirou os olhos. - Tá. - Resmungou a contra-gosto e Vivi continua a andar.

-Uma festa de dia dos pais?- Jude repetiu e Tayron deu de ombros. - Isso é costume mortal.

-Somos mortais.

-Diga por si mesma, enquanto a terra de elfhame for minha amiga eu sou tão imortal quando qualquer feerico. - Jude relembrou e Cardan sorriu de canto concordando.

-Mesmo assim. Nesse mundo você envelhe.

-Eu não lembro de viver nesse mundo, Pelo que eu sei, eu sou a grande rainha das terras de Elfhame.

-Ah filhinha, não esquecemos disso. - Madoc sorriu observando a "luta" do sofá e olhou para Cardan de relance. - Como eu poderia esquecer? Você enganou todos nós por isso não é? E quase perdeu tudo.

-Mas não perdi, não é? - Retrucou feroz. Cardan quase choramingou, agora a briga seria de Madoc e Jude, separar esses seria mais complicado e não era como se eles nunca tivessem lutado antes pra ser algo tão chocante. Droga.

-Não perdeu? A quanto tempo não fala comigo? Ou com sua madrasta? Você separou a família. - Jude gargalhou alto, a risada machucada vibrou os ossos de Cardan que desviava o olhar suspirando.

-Eu separei a família?! Eu só mostrei o que a família sempre foi, pai. Se não gostou dos resultados deveria ter me matado quando teve a chance. - Enfrentou e Madoc sorriu, lento e maldoso, enquanto se levantava. - Você não gosta de mim não é? Eu nunca fui sua preferida, mesmo que Vivi tenha te feito raiva por querer viver no mundo mortal fui eu quem acabei com todos os seus planos e derrubei todo o seu castelo até me tornar rainha. Eu quem te exilei, mas você sabe que isso é tudo culpa sua. Você vê seus erros quando olha para mim, papai? - Ela ironizou corajosa e se Madoc pudesse estaria vermelho de raiva agora, mas se controlou.

-Eu vejo mais de mim em você do que vejo em qualquer uma de suas irmãs, Jude. Matar? Manipular? Mentir? Fazer de tudo para conseguir o que quer? Isso pode soar como eu, mas eu não sou o único que tenho essas características sou, Jude?- Cardan cerrou a mandíbula. Jude parecia ter levado um tapa, nem mesmo Orianna olhava para a briga que se desenrolava na frente deles. - Me diga Jude, já começou a banhar sua coroa em sangue ou vai fazer isso com uma capa como eu? - Ironizou e Jude deu um passo para trás com horror por trás dos seus olhos.

-Eu não sou você, Madoc.

-Traiu e brigou com a própria família pela coroa, isso me lembra meus objetivos anteriores. Mas ao contrário de você, eu não planejei trair ou brigar com ninguém da minha própria família.

-Você matou por esporte. Por diversão. Eu não sou você. - Jude falou com nojo na voz, Madoc deu passos em direção a sua filha e Jude se sentia cada vez menor, como uma criança novamente, uma criança que tinha perdido seus pais e todo dia vida mudada por completo. Cardan deu um passo à frente e Tayron agarrou seu braço para lhe impedir de dar outro.

-Eu não tenho medo que você se torne melhor que eu Jude, porque isso só vai significar que você é pior que eu. Mas tudo bem Jude, não é tão ruim fazer o que precisa para conseguir o que quer, eu já lhe perdoei minha flor, não precisa temer a mim afinal, estou orgulhoso de você, você é minha filha afinal não é?- Madoc sorriu abrindo os braços para abraçar Jude que nem sequer conseguia deixar lágrimas caírem. Cardan não sabe quando exatamente se separou do aperto de Tayron, mas rapidamente ele estava entre Jude e Madoc.

-Voce traiu o rei e matou toda minha família para conseguir algo que nem foi capaz, Madoc. Você matou todos eles sem hesitar, eu não sinto muitas saudades e não digo isso por vingança a eles. Você é um desesperado por poder, por fama e sangue. Você tem um fetiche que nunca vou entender pelo caos e guerra, por seu ego. Você nasceu para o fracasso e sua filha mostrou isso. Jude não é igual a você, porque ao contrário de você ela conseguiu o que quis. Ela não é você, ela é mais esperta. Ela te enganou, ela enganou todos, inclusive a mim, e isso não a faz ser como você, nem pior que você, isso a faz poderosa, coisa que há muito tempo você deixou de ser. Então se esperneie, grite com quem quiser, chore se desejar por sua própria filha ter te condenado, mas não fale mentiras que só são verdadeiras para você. Você tem orgulho dela e isso eu não duvido, afinal ela conseguiu o que você lutou tanto e não teve, e ela lutou sem querer uma guerra, agora sua filha é a rainha de Elfhame, e podemos não estar lá, mas ela ainda continua sendo o que é. E eu continuo sendo um rei, então morda sua língua quando for destilar seu veneno por aí, não sei se você sabe, mas os boatos estavam certos, a sobremesa da minha mulher é veneno, e você não vai ser capaz de derrubá-la nunca mais. - Madoc tinha os punhos apertados, os olhares que davam um para o outro eram tão ferozes que parecia poder sair chamas deles, Cardan não tinha um terço das mortes que Madoc carregava, mas ele estaria disposto a matar o seu sogro se ele tentasse ofender Jude novamente.

-Podemos nos acalmar?- Tayron sussurrou hesitante.

-Faça uma festa se quiser, Tayron. - Jude finalmente recuperou sua voz e pigarreou quando os olhares voltaram pra ela. - Mas lembre-se quem esteve do seu lado mesmo quando você não merecia. E Madoc…- Cardan saiu do meio de Jude para que ela pudesse o olhar, mas ficou ao seu lado e seu humor estava reduzido a zero. - No fim meu marido não é tão incompetente quando você achou huh?- Provocou irônica e Cardan soltou uma risadinha revirando os olhos, Jude segurou sua mão lhe levando até a cozinha, eles pegaram o vinho e um pacote de bolinhos de chocolate e Jude abriu uma espécie de varanda e deixou os outros do lado de dentro, tinha escadas de emergência que eles subiram pelo menos quatro lance antes de chegarem ao topo aberto em que Jude se sentou ao lado de Cardan sem se importar com a poeira do chão.

-Como vamos abrir isso? - Cardan fez careta com o vinho na mão, Jude tirou uma adaga da sua cintura e lhe ofereceu. Em segundos Cardan tinha dado um jeito, tudo para conseguir beber um pouco afinal. - Quer… Conversar? - Jude balançou a cabeça em negação e ele assentiu lhe devolvendo a adaga. - Posso falar? - Perguntou depois de beber um gole de vinho, Jude concordou. - Vi uma garotinha com o pai hoje. - Ele bebeu mais um gole. - Não consigo lembrar de um momento que fui feliz como ela na presença do meu genitor. - Ele riu fraco e olhou para o céu. - Por que temos que ter pais tão problemáticos?

-E olha que você tinha inveja do jeito que Madoc me travava. - Brincou Jude pegando o vinho de suas mãos. - Sinto muito por você Cardan. Madoc ainda conseguia ser um pai melhor que o seu… genitor, como você disse. E eu sinto muito por isso.

-Isso não anula seu problema ou trauma. Você viu seus pais morrerem na sua frente querida.

-Você também. - Retrucou devolvendo a garrafa. - E sobrevivemos mesmo assim.

-Voce acha que Mardoc já teve orgulho de você mesmo? - Perguntou de forma genuína sem querer ser maldoso.

-Sim. Ele é horrível, mas já foi carinhoso, ele ficou orgulhoso quando eu disse que não sabia qual taça ele iria escolher no dia que o envenenei, pude ver o brilho por trás da sua raiva.

-Aw, que fofo. - Cardan ironizou e Jude riu lhe observando beber mais. - Eu não tenho uma família. Não tenho com quem comemorar dia dos pais, ou das mães, ou dos irmãos, ou de qualquer coisa vagamente parecida com uma família. - Ele refletiu e riu tristemente. - Tudo que me sobrou foram as cicatrizes nas minhas costas e os quartos velhos deles. - Jude observou as lágrimas se acumularem nos olhos do marido, nem ela nem ele conseguia saber se eram de raiva ou mágoa, supôs que dos dois. - Mesmo se eu salvasse eles aquela noite eles iriam continuar a me ver da mesma forma. Mas isso é um pensamento idiota, eu nunca iria conseguir salva-los aquela noite, estava bêbado!- Ele riu com amargura. - Mas você sempre me salva. - Completou olhando com carinho.

-Cardan. - Chama tirando o vinho de suas mãos antes que ele fique bêbado, então segura seu rosto. - Eu sou sua esposa não sou?

-Não me pergunte como. - Ele zombou, mas ela não riu. - Sim, minha doce némesis, você é.

-Sou sua família. E pode demorar décadas, mas vamos acabar tendo um filho quando quisermos, e você vai comemorar dia dos pais, dias das mães e dia das crianças se quiser, por enquanto, o dia da nossa família são nossos aniversários de casamento, é nossa vida cotidiana me entendeu? Você é minha família, seu idiota. Eles te rejeitaram porque não viam sua beleza e potencial, mas você Cardan Greenbriar, é o amor da minha vida, e eu te escolho, nessa e em qualquer outra vida, e eu estou orgulhosa de você. - As lágrimas de Cardan escorriam pelo seu rosto, Jude subiu em seu colo e juntou suas testas fechando os olhos com ele, a respiração descompassada dos dois se uniam em uma só, dois coração machucados e cheios de curativos e feridas que juntos ainda eram uma confusão, mas ainda assim era mais do que Cardan e Jude poderiam pedir.

-Eu te amo, Jude Duarte.

-Eu também te amo, Cardan Greenbriar. - Jude o abraçou e ele retribuiu com força. - Obrigada por me defender e por estar do meu lado, obrigada por sempre querer fugir comigo, obrigada por ter conseguido me amar mesmo depois de tantos anos fingindo me odiar. Estou orgulhosa de voce, Cardan. - Cardan enfiou o rosto no pescoço de Jude para esconder suas lágrimas rolando copiosamente, não conseguia se lembrar da última vez que tinha ouvido aquelas palavras e ouvi-las de tal modo fazia seu coração doer. Ele supõe que seja amor. Ou infarto.

Seja lá o que fosse, Cardan estava feliz.

Notes:

Espero que tenham gostado, desculpe se tiver erros na escrita, comentários são apreciados:)