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Fandom:
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Language:
Português brasileiro
Stats:
Published:
2023-03-27
Words:
445
Chapters:
1/1
Kudos:
2
Hits:
65

O ato de não se apaixonar

Summary:

Aquele em que todas as ações de Félix são resumidas em um romance inexistente.

Notes:

escrevi isso no meio de uma crise onde odeio ser arromântico. sim eu sei que felix/kagami é canon, mas tenho o hc dele ser aro

Work Text:

Era de conhecimento geral que Gabriel Agreste era não só um estilista renomado e figura de inspiração, mas também alguém com um poder imensurável. Por isso, quando a mídia ficou sabendo do Baile Diamante e de tudo o que havia acontecido no evento, até mesmo os mínimos detalhes viraram pauta nos canais de notícias.

Agora, a França inteira sabia sobre a posse do miraculous do pavão, e todos tentavam entender os motivos por trás das ações de Félix. Seria raiva? Compaixão? Melancolia?

— O povo de Paris teoriza as motivações de Félix Fathom, a identidade por trás do novo vilão Argos — Ouvia a repórter Nadja Chamack dizer pela televisão. Todos estavam obcecados por informações.

— Acredita-se que Félix é movido não apenas pela empatia por Adrien Agreste, seu primo, como também pela suposta paixão que nutre por Kagami Tsurugi… — O resto da frase foi cortado rapidamente quando o aparelho desligou, tornando possível escutar uma risada baixa vinda do loiro.

As pessoas inventam algo sempre que não conseguem explicar algum acontecimento, o que ocasionou lendas populares e mitos, como a Iara, no Brasil e o Dahu, na França; mas atualmente, essas invenções são usadas para explicarem coisas monótonas, como mentiras ou segredos.

E entre essas criações, existia a que mais irritava Félix: o amor. Era normal ouvir coisas como "o amor vai te mudar" ou "a força do amor vai nos salvar", mas falar que isso era mentira era quase como dizer que água e H2O são a mesma coisa: algo que todos sabiam. A diferença era que, ao invés de aceitar que nem tudo pode ser explicado, as pessoas preferem se agarrar na falsa esperança de que o romance pode curar qualquer coisa, e isso deixava o Fathom irado por um motivo simples: ele não sentia atração romântica.

— Eu com certeza sacrificaria tudo pela pessoa que eu amo — zombou com um sorriso no rosto. — Que patético. Podiam ter dado tantos motivos melhores… Qualquer um me traria menos dor de cabeça do que esse.

Apoiou a cabeça nas mãos, uma tentativa falha de não escutar a vibração vinda de seu celular com as milhares de notificações recebidas sobre o assunto, tentando entender como tudo podia ser resumido a algo tão banal como romance.

Que tipo de pessoa iria tão longe por isso? — sussurrou de forma que só ele conseguiria escutar, porque mesmo que gritasse isso para França inteira ouvir, ninguém levaria a sério.

Félix estava lutando por um mundo melhor, um lugar onde todos conseguissem ter livre arbítrio, sabendo que nenhuma alma viva o entenderia.

Não importavam as intenções dele: o romance move o mundo, e nem mesmo o mais poderoso arromântico conseguiria mudar essa parte da sociedade.