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Rating:
Archive Warning:
Category:
Fandom:
Relationship:
Characters:
Language:
Português brasileiro
Series:
Part 2 of Eles
Stats:
Published:
2023-04-20
Words:
2,150
Chapters:
1/1
Comments:
2
Kudos:
11
Hits:
74

Eles

Summary:

Será que, desta vez, Severus Snape vai conseguir fazê-la perceber o óbvio?

Notes:

Esta história é a continuação da Drabble “Ela” que você pode ler aqui no meu perfil. Sugiro a releitura até para quem já esqueceu os detalhes daquela história, ela é realmente fofa.
Disclaimer: Todos os personagens do universo Harry Potter, assim como as demais referências a ele, não pertencem ao autor desse texto, escrito sem nenhum interesse lucrativo, mas à JK Rowling.

(See the end of the work for more notes.)

Work Text:

Remus se orgulhava de ser um excelente observador. Sua condição Lupina o deixava, por muitas vezes, à margem de quaisquer conversas e interações sociais, então ele ampliou seus dons de observação e conseguia captar expressões que entregavam muito mais do que se ele estivesse realmente sendo um dos agentes do assunto.

Mas, embora ele se sinta orgulhoso desse “dom”, a habilidade não era tão necessária nas interações do adorável par que ele estava observando agora.

Meses atrás, quando Remus ainda não fazia ideia que Hermione Granger seria a mais nova docente em Hogwarts, ocupando o cargo de professora de Estudos dos Trouxas, ele assistiu em primeira mão o efeito instantâneo que ela teve sobre o, até aquele momento, inabalável e taciturno Severus Snape.

E ao longo do ano letivo, Remus se divertiu com as várias interações entre os dois. O lobisomem não negaria se nós o perguntássemos: ele adora ser o escritor da fanfic “O despertar de um romance”. É um título brega, Remus sabe disso mas, de que outra forma ele poderia chamar a história que se desenrola à sua frente cada vez que Severus e Hermione estão no mesmo local, geralmente, a Sala dos Professores de Hogwarts?

Tudo começou quando Lupin e o Mestre em Poções estavam no Três Vassouras conversando amenidades e Hermione Granger surgiu no meio de uma tempestade de verão, inteiramente encharcada enquanto brigava com seu guarda-chuvas emperrado e viu o seu atual melhor amigo ficar absolutamente deslumbrado por ela.

A segunda interação entre eles aconteceu logo após Minerva apresentar Hermione como a mais nova docente da disciplina antes ministrada por Caridade Burbage. A melhor amiga de Harry, engatou uma conversa com Severus e discutiu alguns pontos sobre como a matéria havia sido abordada no ano abominável em que Voldemort tinha tomado o controle da escola. Severus estava sério e tenso na conversa, relembrar a guerra era doloroso para qualquer um deles, mas Severus, que viu de perto os horrores que Tom Riddle propagou, sentia absolutamente tudo muito mais forte.

O verão chuvoso e atípico que se estendia naquele ano, não havia dado uma trégua durante o dia. O ar, que estava fresco pela brisa molhada, entrou pela janela e esfriou o local. Remus viu o momento em Hermione Granger decidiu que deveria proteger o próprio pescoço com seus cachos, soltando os cabelos do coque desleixado em que eles estavam.

— Oh, então eu acho que o método de ensino deveria ser… professor Snape? Você está ouvindo? — Ela perguntou.

— Huh? Claro, sim… estou. Seu cabelo é muito comprido. — Severus soltou de repente e Remus, próximo o suficiente para ouvi-lo, sorriu ao constatar o mesmo efeito embasbacado que Hermione o atingiu naquela tarde no Três Vassouras.

— O que? — Ela perguntou, provavelmente não entendendo a colocação do Mestre em Poções.

— O quê? — Severus repetiu, o tolo . — Desculpe, nada. Então, sobre a abordagem da disciplina…

Naquela noite, Remus perturbou tanto Severus, que ele abandonou o jantar exatos dez minutos após se sentar na mesa da equipe. Foi extremamente divertido.

Tempos depois, Hermione e Remus foram escalados por Minerva para decorar o Grande Salão para a festa de Halloween dos alunos. Este era um trabalho que precisava ser feito durante a madrugada para que, quando as crianças acordassem pela manhã, o espaço já estivesse ricamente decorado. O zelador da escola foi o encarregado de ajudá-los com a tarefa, mas as reclamações e resmungos que eram características insuportáveis de Argus, fizeram do trabalho, um tormento.

Já Severus, o responsável pelas rondas do castelo daquela noite, passava esporadicamente por lá apenas para irritar Remus, mas no final, também decidiu ajudá-los. Hermione o agradeceu e Severus apenas disse que ele era solidário a professores com trabalhos extras, já que todos eles seriam obrigados a dar aulas tão cedo pela manhã. Ela sorriu adoravelmente em resposta.

Passavam das duas da manhã e os três professores estavam exaustos e famintos, quando o temperamento de Hermione achou que já tinha tido o suficiente do mau humor de Filch.

— Professora Granger, eu estou neste castelo há muito mais tempo do que você e acho que… — O zelador inicia, pronto para criticar mais alguma das direções que ela proferiu.

— Se eu quisesse sua opinião, eu teria pedido. — Ela interrompe não tão suavemente, mas ainda muito educada. — Por favor, faça o que eu disse.

Remus tosse para abafar uma risada, mas não perde o olhar adorador que Severus está lançando à ela. Ele cutuca o amigo para provocá-lo.

— O quê? — Severus rosnou, irritado por ter sido flagrado mais uma vez.

— Sua baba… — Remus respondeu divertido. — Vai manchar a sua capa favorita.

Severus o fuzila com o olhar e vai embora pelo resto da noite. Remus quase tem vontade de explicar a Hermione o motivo da fuga dele quando ela pergunta por Snape, mas o lobisomem decide que, deixá-la alheia ao efeito que ela tem sobre o mestre das poções, é muito mais engraçado.

Então temos o episódio da véspera de Natal. O mais óbvio até agora, na especialista opinião de Remus, o narrador número um dessa história.

Hermione aparece na celebração dos professores usando um vestido, não que ela já não tenha usado um vestido antes, mas é algo sobre aquele vestido. Severus não a vê de imediato, envolvido em uma conversa com o próprio Remus e o professor de feitiços, Filius Flitwick. Ela se aproxima deles, servindo-se de uma das taças de espumante.

— Olá, professores, boa noite. — Ela cumprimenta todos alegremente.

— Olá, professora Granger, boa... — O antigo espião de Voldemort finalmente pôs os olhos sobre ela. — Oh, Merlin!

Ela franze a testa, olhando para si mesma.

— O quê? Muito? — Ela pergunta, ambas bochechas coradas e voz ansiosa.

É uma visão adorável na opinião de Remus, que está bebendo de sua própria taça enquanto espera pela explicação de Severus.

— Não, Granger, é só que… seu vestido, ele é… — Severus limpa a garganta forçando sua voz a sair mais forte. — Verde. — Ele finalmente conclui.

Remus quase cospe sua bebida. Óbvio demais, Severus . Mas Hermione não captura o quão afetado Snape foi pela visão dela vestindo verde e inicia uma animada explanação sobre a escolha do tom de sua vestimenta, e era algo realmente doce: na festa do Halloween ela usou azul, em homenagem a Corvinal; No Natal, verde Sonserina; na celebração de primavera ela virá de Amarelo Lufa-Lufa e, finalmente no banquete de encerramento letivo, vermelho Grifinória. A explicação dela foi pontuada por elogio a cada uma das Casas de Hogwarts e Remus admirou ainda mais o quanto ela tinha uma personalidade fascinante. Não era à toa que Severus estivesse completamente caidinho por ela, Hermione era uma mulher realmente incrível.

Mais tarde naquela noite, um Severus Snape bêbado confessou a Remus Lupin que Hermione era a bruxa mais irritantemente adorável que ele conhecia. Ok, agora ele está assumindo isso com palavras . Remus espera que finalmente, ele dê um passo em direção à ela.

A única falha neste plano é que Hermione parece totalmente alheia a qualquer um dos pequenos, mas agora muito óbvios, avanços que Severus demonstra após o banquete de Natal.

— Srta Granger, poderíamos sentar para conversarmos? — Severus tomou coragem após uma das reuniões da equipe, antes da volta dos alunos das férias de final de ano.

— Oh, sim, Severus, eu estou em falta com você, eu sei. — Ela suspira. — É sobre a aula conjunta que você sugeriu sobre poções e medicamentos trouxas, não é? Desculpe, eu tenho mais quatro outras aulas conjuntas para preparar ementas e isso me deixou sem tempo nenhum. Mas a partir de primeiro de fevereiro duas delas já terão sido ministradas e eu fico mais disponível. Podemos marcar a nossa reunião no próximo mês? — Ela perguntou ansiosamente.

Remus abriu a boca para dizer a ela que a reunião na verdade era um encontro, mas que claro, haveria tempo dos dois discutirem sobre trabalho enquanto aguardavam o prato ser servido, mas ele foi bruscamente interrompido por um Severus Snape frustrado.

— Sim, professora, fevereiro é um excelente mês para nossa conversa.

— Mas você… — Remus tenta.

— Calado! — Severus ordena.

Hermione os olha com suspeita, mas Minerva a arrasta para uma conversa com Sinistra e o momento quebra. Alguns minutos se passam sem que nenhum dos dois bruxos diga nada.

— Ao que me consta, foi você quem se referiu a ela pela primeira vez como “a bruxa mais inteligente da sua geração”. — Severus diz de repente.

— Sim, fui. Mas… o que isso tem a ver com alguma coisa, Severus? — Remus perguntou confuso.

— Você não vai ajudá-la a enxergar o óbvio! — O homem de cabelos negros rosnou.

Remus riu e deu tapinhas consoladores no ombro do seu colega enquanto o pocionista seguia Hermione com o olhar.

— Certo. Esperaremos por fevereiro então.

Mas quando fevereiro chega, as duas primeiras semanas do mês se passam em um piscar de olhos, a carga de trabalho é absurda e todos os professores mal conseguem tempo para socializar. O nível de estresse é preocupante e a diretora de Hogwarts percebe isso. Então, na segunda sexta feira de fevereiro, Minerva obriga todos eles a irem ao vilarejo espairecer com algumas bebidas.

É assim que Remus, Severus e Hermione se veem dividindo uma mesa do Cabeça de Javali. Eles esperam uma auror de cabelos rosa choque chegar para completar a última cadeira disponível e, enquanto ela não aparece, Remus não consegue disfarçar a animação em finalmente ver sua esposa após as várias semanas em que ela esteve em missões pela Grã Bretanha.

Hermione acha fofa toda a expectativa dele e, como estão falando sobre um belo casal, finalmente confessa aos dois colegas que está pensando em ir a um encontro no Valentines Day.

— O quê? — Severus perguntou, tentando soar inexpressivo e falhando miseravelmente.

— Estou pensando em sair com Viktor. — Ela repete lentamente, mexendo na sua própria bebida e alheia ao olhar de desgosto dele.

— Por que?

— Eu não sei, Severus! — Ela diz, dando-lhe finalmente um olhar. — Eu não estou exatamente me afogando em opções agora.

Ah, isso vai ser bom . Remus pensa e decide assistir qual vai ser a jogada do antigo espião. Ele só não esperava que Snape fosse tão direto.

— E quanto a mim? — Severus pergunta de pronto e Hermione estreita os olhos.

— E quanto a você? — Ela devolve.

— Saia comigo. — Severus declara.

Remus quase aplaude a coragem do amigo. Finalmente!

— Por que isso, Severus? — Hermione perguntou soando levemente confusa.

— Porque sou melhor que Krum. — Severus declara.

Ambos se olham por alguns instantes, até que ela resolve dá um gole em sua própria bebida.

— Seria uma boa oportunidade de discutirmos a nossa ementa da aula conjunta de Poções e Estudos dos Trouxas… — Ela diz, quase que para si mesma.

Oh Merlin! Remus sinceramente não consegue descobrir qual deles é o pior: Severus tentando flertar ou Hermione tentando racionalizar as ações dele.

— Mas dia quatorze ainda não saiu o pagamento! — Ela diz de repente.

— Eu pago. Tomamos um vinho e conversamos. — Severus declara, quase como se estivesse concordando com o pensamento dela em falar sobre trabalho em um encontro .

Remus rola os próprios olhos.

— Você não vai me julgar? Por beber em uma reunião de trabalho? — Ela pergunta e parece tão genuinamente preocupada que Remus finalmente desiste.

— Ah, fodam-se! — Lupin diz, dando um tapinha na mesa.

Ambos os pares de olhos dos seus colegas de trabalho giram para encará-lo. Ele dá uma breve olhada em Severus, antes de encarar a jovem bruxa à sua frente.

— Hermione, é um encontro! Pelo amor de Merlin!

Finalmente, um finalmente tarde demais, ela se dá conta do convite. Os olhos dela se arregalam e giram para encontrar o olhar de Snape. As bochechas dela estão coradas quando ela pergunta numa voz que não se parece nada com a dela se o que Remus está dizendo é verdade. O mestre em poções confirma com a cabeça. Ela reprime um sorriso.

— Tudo bem. É um encontro. — A jovem finalmente declara.

— Tudo bem. — Severus concorda, soando aliviado. — Você pode… — Ele limpa a garganta. — Usar o vestido verde?

Ela cora um pouco mais e responde: — Ok, de acordo.

Remus exala audivelmente e Tonks, alheia ao que acabou de acontecer, chega ao bar com uma lufada de animação e se lança no colo do marido.

— Oh, amor! Ainda bem que você chegou, eu estava a ponto de esganar esses dois. — Remus declara.

Hermione ri, envergonhada. Severus pisca, ofendido. E resta a Tonks olhar de um para o outro sem entender as reações deles.

— Explico mais tarde. — Remus sussurra, beijando a têmpora da esposa.

Ele avalia o par à sua frente e Hermione roda uma mecha do próprio cabelo em um dedo, enquanto Severus a observa abertamente.

— Mas só para adiantar o assunto… — Remus murmura no ouvido da esposa enquanto ambos olham para os dois bruxos na frente deles. — Severus está muito ferrado.

Porque uma coisa era fazer Hermione perceber o interesse dele. Outra coisa seria rebater todos os argumentos lógicos que ela certamente teria sobre como ambos poderiam vir a se tornar um casal.

Notes:

Essa continuação de “Ela”, nasceu de um tweet que viralizou sobre uma funcionária omissa e um chefe bem intencionado quanto aos próprios sentimentos.
Espero de verdade que vocês se divirtam com essa história, tanto quanto eu me diverti, imaginando-a. Beijos!

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