Work Text:
Emily Prentiss era uma mulher quente.
A primeira vez que ele notou isso foi em um caso no Arizona, muitos meses atrás, enquanto ela lutava lindamente com um suspeito.
Ofegante e desgrenhada, Emily sorriu para ele quando acabou, desarmando-o completamente. Seu saldo havia sido particularmente baixo; ela tinha um pequeno corte em seu lábio superior e um vermelho ocasional em seu colo, onde o atrito havia sido maior. O homem caído aos seus pés, no entanto, não tivera tanta sorte assim.
Ela era boa.
Reflexivamente, ele se virou quando ela passou, seus olhos errantes vagando pelo corpo esguio de uma maneira não tão discreta quanto ele gostaria que fosse. Naquele momento, mesmo que não conseguisse admitir – e ele não poderia – Aaron Hotchner sentiu a atração pesada; o desejo fluindo em suas veias, tão rápido e forte quanto o martelar de seu coração em seus ouvidos.
Não demorou para que ele percebesse o que tinha feito. Nem para que a culpa recaísse sobre seus ombros também. Estava errado. E ele não podia deixar que aquele tipo de pensamento corresse solto por sua mente, engolindo-o junto com toda aquela força esmagadora que o impelia a se aproximar dela, aproveitando cada pequena migalha de afeição que ela pudesse lhe oferecer.
Aaron nunca quis muita coisa em sua vida, mas, Deus, ele queria Emily Prentiss.
O grande problema nisso tudo era que ela era a namorada de seu amigo; Seu melhor amigo. E qualquer movimento em sua direção seria capaz de destruir não só sua vida profissional como a pessoal também, e Hotch não podia sequer pensar naquela possibilidade.
Ele esqueceria Emily. Ele tinha que.
Mas querer muito uma coisa não significava que você a teria, no final. A força de vontade nem sempre era o bastante e Aaron aprendeu isso da maneira mais difícil.
O tempo passou dolorosamente devagar. E nada, absolutamente nada, que ele tinha feito havia sido o suficiente para arrancar a mulher de seus pensamentos. Aaron estava enlouquecendo e, pior do que isso, estava começando a ficar terrivelmente óbvio.
Tão óbvio que JJ precisou intervir.
Aaron havia negado quaisquer conclusões que a loira pudesse ter tirado, obviamente, e ela pareceu aceitar suas desculpas na época, apesar da desconfiança clara. Mas ele sabia que teria que ter mais controle – ou pelo menos mais cuidado – quando estivesse próximo à Emily. Ele não podia deixar que isso chegasse aos ouvidos dela – Ou Dave. Se isso acontecesse, seria apenas uma questão de tempo até que tudo desmoronasse sob seus pés.
Ele conseguiu, por um tempo. E, durante poucas semanas, Hotch sentiu que sua vida estava finalmente voltando ao normal quando ele conheceu Beth. A novidade o deixou excitado e era quase como se ele tivesse superado Emily. Quase.
Um para de horas na mansão de Rossi foi o suficiente para que Aaron admitisse estar errado e qualquer avanço que ele pudesse ter tido ao longo desse período fosse completamente minado.
Sentado em uma das mesas, mais afastado do sol e completamente relaxado, Hotch observava Jack brincar com Henry, Will e alguns dos membros de sua equipe na piscina, um sorriso satisfeito brincando em seus lábios e um copo de cerveja balançando entre seus dedos quando um movimento na porta dos fundos lhe chamou a atenção. Ele deixou que seus olhos corressem distraídos para aquela direção por um breve momento antes de voltar para o filho, seu cérebro lento em processar o que havia visto. Quando a ficha caiu, no entanto, ele girou de volta para a porta, seu pescoço estalando com o movimento brusco e rápido ao mesmo tempo em que sua boca enchia com a saliva.
Ele engoliu, seu pomo de adão subindo e descendo com esforço.
Hotch podia sentir o sangue correndo quente por seu corpo, concentrando-se perigosamente na região de sua virilha com a imagem a sua frente, fazendo-o engasgar-se e agradecer aos céus pela pequena proteção oferecida pelas lentes de seus óculos escuros. Do jeito que estava, ele achava que ninguém poderia adivinhar o que ele estava olhando com tanto interesse, e ele nem mesmo ouviu quando Jack o chamou, ansioso para mostrar suas aventuras com Henry.
Emily estava na porta, seus cabelos soltos na altura dos ombros, uma mão cobrindo os olhos em uma tentativa de protegê-los da claridade e ajudá-la a enxergar o exterior enquanto ela os deixava correr pelo espaço amplo, procurando algo. Não demorou muito para que ela achasse o que quer que fosse, um sorriso espetacular tomando conta de suas belas feições quando ela se aventurou mais para fora, além dos limites da varanda, seus pés descalços em contato com a grama verde. Ela estava vestida apenas com um biquini azul e um short jeans claro e tão curto que fez com que ele precisasse sufocar um gemido com as imagens que surgiram em sua mente.
Aaron cruzou as pernas, lambendo os lábios ao observá-la com mais atenção, seus olhos famintos, presos na maneira como o top de seu biquini abraçava seus seios perfeitamente, juntando-os até que um ínfimo e tentador espaço restasse entre eles. Sentindo pequenos choques em suas mãos – que imploravam para explorar todo aquele corpo – ele não conseguiu evitar um grunhido – algo entre um rosnado e um gemido – quando ela enfim alcançou o objeto de seu interesse, seus braços longos envolvendo a cintura de David em um abraço apertado, seu rosto roçando levemente nas costas nuas do homem à sua frente.
É claro.
De repente, qualquer coisa que David estivesse fazendo na churrasqueira pareceu perder completamente a importância e ele largou a espátula na mesa ao lado, virando-se para Emily antes de puxá-la pelo cós de seus shorts e reivindicar seus lábios em um beijo que fez Aaron perder completamente o ar.
As mãos de Dave passearam pelo corpo de Emily, conhecedoras, experientes, e a mulher arqueou de encontro a ele em busca de mais contato, seus seios bonitos esmagados contra o peito dele, seus quadris encaixados tão perfeitamente que – se não fosse pelas roupas – Hotch poderia jurar que eles já estavam conectados um ao outro. Não foi difícil imaginar aquilo. Mas foi quase impossível esconder sua reação, no entanto.
Não era uma cena fácil, mas Hotch podia sentir seu corpo pulsar e doer com a enxurrada de desejo e excitação que o atravessou ao observar Dave tocar Emily tão intimamente – exatamente da maneira como ele ansiava tanto tocar –, os pelos em seu braço e em sua nuca se arrepiando com a visão. Foi necessário muito esforço para não deixar sua mão correr em direção à sua bermuda, sobre o volume proeminente, e ele fechou os olhos diante daquela sensação poderosa.
Naquele momento, Aaron não passava de uma porra de um Voyeur. E o pior era que ele estava gostando muito de ser. Era como se ele pudesse sentir através de David, como se fossem suas mãos sobre Emily, seus lábios colados nos dela. E aquilo era simplesmente delicioso.
Mais um pouco daquilo e Hotch tinha certeza de que gozaria ali mesmo.
Quaisquer que fossem seus pensamentos sujos naqueles minutos, porém, Hotch precisou afastar quando a voz de Morgan o alcançou e ele pigarreou, consciente de que sua voz estaria tão rouca pelo desejo que Derek nem precisaria se esforçar para adivinhar o que estava passando na cabeça do chefe de unidade.
“O que foi?”, ele perguntou rispidamente, mau humorado e ainda sem desviar os olhos do casal à sua frente.
Morgan suspirou e ele sentiu quando o homem se sentou ao seu lado, apertando seu ombro levemente. Demorou mais alguns segundos para que ele finalmente reunisse coragem e dissesse aquilo que queria.
“Ei, cara, não me leve a mal. É só um conselho.”, Morgan disse. “Mas você está dando bandeira, Hotch. De novo.”
As palavras de Morgan o tiraram de seu transe e ele se virou para o amigo, levantando os óculos para que pudesse observá-lo melhor.
“Sobre o que está falando, Morgan?”, sua voz endureceu, seus olhos sérios e firmes de repente.
“Ah, qual é, Hotch. Todo mundo sabe que você tem uma quedinha pela Emily. Até Reid comentou isso no outro dia.”, ele comentou casualmente, “Por algum milagre, aqueles dois são os únicos que ainda não perceberam. E eu espero que continue assim, mas você tem que parar.”, Derek terminou, seus olhos duros enquanto ele gesticulava discretamente para a frente.
Hotch estreitou os olhos, seus ombros tensionados. Ele refletiu por algum tempo, soltando o ar lentamente através de seus dentes cerrados. Se até Reid havia percebido, então a coisa estava mais grave do que ele havia imaginado. E ele sabia que, pelo bem de todos, precisava dar um basta de uma vez por todas naquela loucura.
Não esperando uma resposta, Derek deu leves tapinhas em suas costas antes de se levantar novamente, seu corpo bloqueando sua visão quando ele se colocou em sua frente.
“Eu sei que não é fácil, ok? Mas Rossi e Emily... Esses dois são uma coisa só, Hotch, sempre foram. Mesmo quando ainda não eram. Mexer nisso é como mexer em um ninho de vespas. Só vai trazer dor e confusão. Pense nisso.”
Com essas palavras, Morgan se foi deixando um Hotch pesaroso e atordoado para trás. Olhando novamente para o casal de amigos, Aaron suspirou, derrotado. Morgan estava certo, é claro. Ele sabia disso há muito tempo.
Desde o início foi evidente o quanto Dave e Emily foram atraídos um para o outro, aquela força magnética aumentando durante os anos até que a tensão entre eles explodiu e os tornou o que eram hoje: um casal completamente apaixonado e feliz. E ainda que Aaron tivesse sido completamente arrebatado por ela, ele não podiadestruir aquilo. E, se por algum acaso ele não se importasse e tentasse conquistá-la, Hotch duvidava que Prentiss fosse capaz de trocar Dave por ele. Não quando seus olhos deixavam claro toda sua devoção ao homem mais velho.
Aquela era uma batalha que Aaron já havia perdido antes mesmo que ela começasse. E, se perder significava que ele não arruinaria a vida de todos ao seu redor, então Hotch podia aceitar a derrota. Resignado e infeliz, mas ainda assim...
Ele balançou a cabeça, com seu corpo tenso e dolorido pelo desejo não liberado, virando-se para encontrar Jack novamente, forçando-se a se concentrar em qualquer coisa que não fosse Emily Prentiss e todo aquele inferno de emoções que ela era capaz de causar nele.
Talvez fosse a hora de convidar sua amiga de corrida para um jantar.
Beth era uma mulher incrível. Ela era linda e gentil, além de não parecer incomodada com o fato de que ele tinha um filho em seu histórico, o que era fundamental. E ele sabia que poderia se apaixonar por ela, caso se permitisse. Seria muito mais fácil e confortável se ele o fizesse.
Talvez um encontro com uma pessoa legal fosse tudo o que ele precisava para não pensar mais naquele par de olhos castanhos vibrantes e intensos. Ou no sorriso encantador que Emily parecia sempre tão feliz em oferecer.
Talvez a vida estivesse lhe dando uma nova chance ao colocar Beth em seu caminho. E talvez fosse ela quem finalmente conseguiria fazer com que ele deixasse de desejar o que não podia ter.
FIM
