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you carry the peace of the old world

Summary:

Em um mundo dominado pelas máquinas, Mo Ran era a paz na vida de Chu Wanning.

Work Text:

O futuro havia trazido grandes progressos.

Carros voadores não eram mais projetos pertencentes apenas a filmes de ficção, pontos de teletransporte ainda eram uma inovação surpreendente aos olhos dos mais velhos, embora atualmente eles fossem tão comuns quanto os extintos ônibus que existiram há séculos atrás. Os robôs já estavam integrados na sociedade, mesmo que nas palavras de alguns eles não passassem de “ladrões de emprego”, era inegável as contribuições que eles trouxeram à humanidade.

Entre os grandes nomes da robótica moderna, o nome de Chu Wanning era o mais destacado.

Suas pesquisas e artigos ganharam destaque quando ela ainda estava na faculdade, sendo aluna destaque e oradora de sua turma; seus robôs, programados com mais funções e maior durabilidade, possuíam preços mais acessíveis que a maior parte dos que estavam disponíveis nos catálogos.

Mesmo estando cercada pela tecnologia vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana, a mulher gostava da calmaria de não estar conectada com o mundo das telas.

Ela gostava de ler os antigos livros feitos de papel, e quando tinha tempo, de viajar para lugares menos modernizados, longe das capitais barulhentas; assim podendo ver as estrelas reais e não as projetadas artificialmente, sentir o aroma de flores reais e não aquelas que apenas pareciam reais, poder admirar os cenários naturais que não haviam sido dominados pelo concreto.

Foi em uma dessas viagens que ela conheceu sua esposa, Mo Ran.

A florista de olhos violetas que montou pessoalmente um buquê para Chu Wanning, um buquê feito majoritariamente de suas flores favoritas, haitang. A jovem que se dispôs a mostrar o vilarejo a Chu Wanning, mostrando onde ficavam as cachoeiras mais ocultas pelas montanhas e quais eram os jardins que possuíam mais tipos de flores.

A mulher que em três semanas fez Chu Wanning lhe dar o que ela negou a todos que tinham tentado até então, seu primeiro beijo.

Com essa lembrança passando por sua mente, a mulher sorriu balançando levemente sua cabeça, sentindo um leve chute logo em seguida; voltando sua atenção a agulha e linha que estava segurando. Embora fosse algo que não era feito com fios ou partes metálicas, Wanning queria fazer com suas próprias mãos, sem auxílio de qualquer robô, mesmo que ainda não fosse perfeito.

Quando Mo Ran chegou, encontrou sua esposa em uma das bibliotecas de sua casa, essa que continha apenas livros físicos e que estava disponível apenas a elas. No local não havia computadores, tablets ou relógios digitais, apenas utensílios usados no velho mundo, que traziam conforto às duas.

A visão de sua esposa grávida sentada em uma cadeira de balanço enquanto fazia sapatinhos de crochê para seu futuro bebé era algo que Mo Ran guardaria em sua mente e coração para sempre.