Work Text:
Debruçado no parapeito da sacada de seu castelo, ele observava o movimento. Cada farfalhar de árvore ou nadar de peixe chamava a sua atenção, como de um falcão escaneando o terreno abaixo de si. A casa minuto que se passava, o vazio aumentava em seu peito. Tudo que ele queria era que, do meio de um dos arbustos encapsulados em sua visão, corresse uma coisinha branca em sua direção.
Na manhã do dia de hoje, Cellbit havia mais uma vez sido chamado no escritório de Cucurucho. Ele olhou esperançoso para o livro sendo passado as suas mãos, com uma fagulha de esperança crescendo em seu peito. Uma recompensa. Uma dúvida: o que estaria ao seu alcance?
Era de se imaginar mas, no final do dia, a resposta veio. Após entregar o relatório da investigação de volta no escritório, se encostou na parede contrária à mesa de seu chefe, com as mãos entrelaçadas entre si. Enquanto o outro lia atentamente as páginas, o investigador encarava o chão, ansioso. "Eu... posso ter o meu filho de volta?".
Cellbit bateu no parapeito com força, soltando um grito de raiva no processo e se empurrando na direção contrária, assim saindo de suas lembranças dos acontecimentos do dia de hoje. Que pergunta idiota, é óbvio que ele não iria conseguir o filho de volta assim. Nunca que as coisas seriam resolvidas com tanta simplicidade.
Devagar foi voltando em direção ao parapeito, encarando o chão lá em baixo e ponderando por alguns segundos, antes de encostar as costas ali e deslizar até se sentar no chão, voltando para os seus pensamentos mais sombrios e dolorosos, "O que eu to fazendo? Pra onde isso vai me levar? Onde um monte de ovo some e deixa seus pertences sem nenhum rastro?". Afundou o rosto nas mãos, sentindo o rosto ficar quente e a cabeça latejar, doía demais. Um castelo tão grande para uma alma tão vazia. Com os olhos ainda fechados conseguia ouvir passos ecoando em sua direção. Não importava quem fosse, aquele não era o som que seu filho fazia quando andava.
"Oi, gatinho?"
Agora mesmo que ele queria sumir, encolher, ou qualquer outro sinônimo. Ele não queria ser visto assim e muito menos tinha forças para conversar no momento. Seu peito doía cada vez mais a cada passo que ele ouvia em sua direção. Ele odiava se sentir vulnerável e exposto assim. Tão idiota, porquê ele era assim? Não conseguiu manter o seu filho à salvo, nem os outros ovos, nem a si mesmo, nem investigar direito e muito menos trazes o seu bem mais precioso de volta pra casa. Agora, com a pressão em sua cabeça aumentando e os passos ficando mais altos, seus olhos começavam à arder.
"Oioioi, qué passa, gatinho?", os passos correram em sua direção, se agachando na sua frente e apoiando as mãos em seus joelhos. Silêncio. Talvez ele quisesse responder mas, não queria e nem conseguia. "Ei, Cellbo... ¿Estás bien? Estoy preocupado por ti." Delicadamente, Roier segurou as mãos do outro, suavemente as tirando de seu rosto e revelando as lágrimas dançando por suas bochechas e os olhos avermelhados.
"Roier... Eu quero o meu filho de volta."
