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— Êeeee, então cê tá achando aquele Enzo lá gostoso?
Ramiro interrompeu a história depois do comentário de Kelvin, levantou da cadeira de onde ouvia a fofoca e se aproximou devagar, fingindo uma expressão ameaçadora.
— Ih, tá com ciúmes agora, é? — Kelvin riu, colocando a mão na cintura. — Não tava sabendo que eu não podia nem olhar...
Sua inspiração para o deboche foi perdida ao notar que o espaço entre ele e Ramiro havia diminuido drásticamente. O peão tocou seu rosto delicadamente, desenhando uma linha de sua bochecha até a nuca, descansando a mão na curva onde seu pescoço encontrava seu ombro.
— E 'ocê quer ficar olhando, Kevín?
A voz de Ramiro tinha se tornado um sussurro, causando um arrepio que percorreu o corpo inteiro de Kelvin. Ele sabia o que queria, mas não ia facilitar nada para o outro homem.
— Ah... — ele começou, olhando nos olhos de Ramiro e sorrindo em desafio. — Nada demais, né? Só... olhando, só...
Ramiro deu mais um passo, deixando Kelvin com as costas coladas na parede. Sua mão agora traçava o maxilar de Kelvin, que inclinava o rosto, buscando o toque.
— Mas Kevín...
— Hm?
— 'Ocê é meu, Kevín...
— É?
— É.
— Então prova.
Ramiro levou sua mão livre para a cintura de Kelvin, apertando com força. Aproximou seus lábios da orelha de Kelvin, tão próximo que no momento em que começou a sussurrar cada movimento parecia um beijo.
— Eu vou garantir que todo mundo em Nova Primavera saiba que 'ocê é só meu.
Sem esperar resposta, afundou o rosto no pescoço de Kelvin, beijando cada centímetro de pele visível antes de traçar uma linha vermelha de mordidas e chupões que começava logo abaixo da orelha. A primeira mordida foi suave, testando os limites, e Ramiro recebeu um gemido baixo em resposta. Considerando um bom sinal, continuou sua missão, sorrindo a cada reação positiva. Ele não parava de sorrir.
— Ramiro...
Uma onda de calor explodiu em seu peito ao ouvir a voz rouca de Kelvin enunciar seu nome daquela forma, quase inaudível, tão íntima. Como uma súplica.
— E você, Ramiro? — Ele afastou o peão apenas o suficiente para que eles pudessem se olhar nos olhos.
— O que tem eu?
— Como vão saber que... que você é meu?
O sorriso de Ramiro cresceu.
— Ah, Kévin... todo mundo já sabe que eu sou seu.
O rubor das bochechas de Kelvin ficou ainda mais intenso com a confissão.
— Então prova.
A mão que mantinha Kelvin no lugar pela cintura de repente estava em sua coxa, e não demorou muito para que entendesse o recado e pulasse, tirando as pernas do chão e as cruzando nas costas de Ramiro. A fricção dos quadris causou um arrepio em ambos, incapazes de ignorar que causaram aquilo um ao outro.
Em nenhum momento quebraram o contato visual, procurando qualquer sinal mínimo de hesitação, mas não existia mais dúvida nenhuma. Apesar do receio de ser rejeitado e cortar o clima do momento, Kelvin encostou seu nariz no de Ramiro em um convite silencioso.
O peão zerou completamente a distância entre eles, encostando seus lábios nos de Kelvin, surpreso com a própria atitude. Depois de poucos segundos apenas pressionando as duas bocas de forma quase desconfortável, Ramiro relaxou ao sentir os dedos de Kelvin acariciando seus cabelos, permitindo que a língua de Kelvin abrisse seus lábios e explorasse sua boca.
Ramiro Neves estava beijando Kelvin Santana e nada era mais aterrorizante e incrivelmente prazeroso do que se entregar daquela forma.
O beijo foi rompido por Kelvin, que sentiu uma necessidade repentina de ver a reação de Ramiro, procurar em sua expressão qualquer gota de arrependimento. Quando seu olhar encontrou o dele, o mundo pareceu acabar e se reconstruir em um segundo. No rosto de Ramiro encontrou apenas amor e adoração.
Um sorriso brotou em seu rosto e Kelvin acenou positivamente com a cabeça, demonstrando sua compreensão. Eles pertenciam um ao outro e tinham certeza disso.
