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King Size

Summary:

A cabeça de Bilbo não para de rodar. Seu hábitos de Hobbit não estão acostumados a dormir sob a riqueza daquela montanha, nem sobre o tamanho daquela cama, nem sobre os braços daquele rei.

Work Text:

“King size”, ou “King-Sized”.

De qualquer maneira, o tamanho da cama realmente não importava. Como um Hobbit pequeno e solteiro, Bilbo estava acostumado a dormir em sua caminha pequena e delimitada à sua forma. Ele se lembrava com riqueza de detalhes do fato de que sua cama costumava afundar em sua posição favorita para dormir, e ele se sentia como uma bigorna deformando seu próprio colchão.

Mas quanto a uma cama feita por anões, esse problema não parecia existir ou importar muito. Desde o primeiro momento em que teve a oportunidade de se sentar numa dessas, soube instantaneamente que se sentiria diferente ao tentá-la. Reconheceu a base da cama como algum tipo de superfície rija e sentiu os lençóis, finos e impecavelmente brancos, gelados assim como o colchão de penas. Conhecendo os anões como conhecia, ele logo pensou em mármore. Uma pequena olhada sob a borda do enxoval de cama e confirmou-se. Mármore branco com belas veias acinzentadas.

Aquilo era luxo sem dúvidas, a pedra grossa, pintada naturalmente pela terra, escondida ali de baixo de panos, não menos luxuosos, senso usada ocasionalmente todas as vezes em que seu dono resolvesse passar algumas horas descansando seu corpo. Mas novamente, devia ser uma coisa de anão. E também, ele não desconfiava que os elfos tivessem camas parecidas com aquela, ou até mesmo os humanos mais abastados, os que tivessem dinheiro para se dar ao luxo de dormir em uma cama feita com o mármore carrara da Montanha de Erebor.

Bilbo se pegou pensando demais sobre como seriam as camas mais opulentas dos elfos, pois da última vez que havia pernoitado em território élfico, foi recebido com um saco de dormir e uma almofada modesta. Ele nunca esperou mais que isso na verdade, pelo menos, não por parte dos elfos.

Por um momento ele se corrigiu mentalmente, como se sua mente fosse uma projeção aberta e qualquer pessoa que estivesse do lado pudesse ver. Ah, como era bom ter sua mente só para si.

Se Thorin o pegasse tendo tantas especulações sobre os meios de dormir dos elfos, Bilbo poderia passar uma impressão errada.

E todos os pensamentos frívolos sobre camas e sobre o sono de outras raças passavam pela cabecinha agitada do hobbit, enquanto seu igualmente agitado corpo mal podia mexer. Era incrível de certa forma, como Bilbo se sentia levemente preso numa cama tão grande, entre o mármore que esfriava os cobertores mais finos e o peito desnudo do Rei Thorin.

Ele tombou a cabeça para o lado lentamente, naquela altura, o sono do rei parecia tão leve e sereno que qualquer movimento do pequeno Bolseiro pareceria impetuoso demais. As feições do Rei Anão eram quase etéreas, até sua respiração, porém sua linguagem corporal firme se mantinha apesar de tudo. Ele tinha um braço pesando na altura da barriga de Bilbo, agarrando com suavidade a cintura do halfling, e sua outra mão apertando com força um travesseiro robusto.

Novamente, o assunto das camas voltou para a mente do hobbit, dessa vez, a pauta específica do inicio, a tal “Cama King Size”. Apostaria algumas moedas de ouro na ideia de que esse padrão foi instaurado por um anão, talvez até pelos antepassados de Thorin, pelo fato de que ele combinava tão bem com aquele tamanho. Talvez fosse a mente amoriscada de Bilbo olhando para o rei e o sentindo perfeição até na maneira que descansava. Era como se naquele momento, Thorin não fosse o líder de uma população inteira de anões e de todo o ouro e diamante que a montanha produzia, como se aquela cama fosse uma ilha à parte e aquele fosse o verdadeiro domínio do Escudo-de-Carvalho. E Bilbo, mesmo que ainda não tivesse frequência em habitar aquela cama, deveria obedecê-lo.

O corpinho do halfling não sabia mais relaxar, por ficar muito tempo parado, de barriga pra cima, sem poder mexer os braços ou qualquer outra parte do corpo, estava tensionando como nunca num momento que deveria ser imperturbado. Sentiu uma vontade tremenda de estalar dos dedos, tanto das mãos quanto dos pés, as costas e os ombros, mas o que realmente estava o tirando do sério era uma dorzinha suspeita no cóccix.

Se não tinha jeito, o jeito era se ajeitar de qualquer maneira e pedir mentalmente que Thorin tivesse um sono mais profundo. Ele tentou ter a delicadeza de uma flor nascendo ao virar para a esquerda, mas viu seus esforços frustrados ao sentir o rei puxar o braço de sua cintura. Ele virou a cabeça para acompanhar as reações do anão, que começou a grunhir e gemer suave em perturbação.

— Por que não está dormindo? — Thorin perguntou, se esticando e contorcendo entre os lençóis, seus olhos mal conseguiam se abrir.

— Eu estava dormindo, mas acabei de acordar. — Sem jeito de permanecer virado contra o seu rei, Bilbo voltou a encará-lo, mas agora melhor e mais livre para tomar um melhor conforto.

Thorin pôs as duas mãos embaixo do travesseiro, obedeceu seu bocejo longo e após ele conseguiu despertar a ponto de ter a visão completa do loiro a frente.

— Qual é o problema? — Perguntou, fitando os olhos do halfling de seu modo usual.

O Rei Anão pode não ter feito nada de mais, mas apenas o brilho fascinador de seus olhos azuis, pôs um feitiço no hobbit. Um arrepio na espinha e uma nuvem de borboletas na barriga.

— Não tem problema nenhum. Eu apenas preciso me acostumar melhor com a cama. — Ele complementou com um sorriso leve de lábios. — E, também, achei um pouco fria.

— Se a cama está fria, é por que você não a está esquentando. — o rei respondeu, reciprocando o sorriso.

— O… o que isso significa? — Uma sobrancelha levantada mostrou a confusão.

— Você está deitado do jeito errado, está tenso, não está aproveitando o que a cama tem a oferecer. — Thorin se sentou, e os lençóis repuxaram. Bilbo teve de olhar para o lado enquanto aquilo para que não corresse o risco de ver mais da nudez do anão. Ele queria ignorar o corpulento e sinuoso enquanto ignorava a sua própria nudez também. — Isso não é uma cama de hobbit, é uma cama de anão. Para se sentir bem numa cama de anão, você tem de se aconchegar, relaxar, se tornar um só com a cama, ou sempre vai sentir que está deitado sob a pedra mais rígida dessa montanha.

As demonstrações de Thorin sobre como relaxar na cama colocaram o Bolseiro em maus lençóis. Ele se espreguiçou como um gato folgado no colchão, algo que o loiro nunca tinha visto seu moreno fazer antes. Deitou de barriga para cima, dessa vez com os braços atrás do pescoço, flexionando como um campeão.

Bilbo, já sentado e tentando resolver suas dores, não sabia se conseguia achar sentido na explicação, então seu semblante de confusão apenas se intensificou.

O hobbit era fácil de ler, como estrelas num céu para um marinheiro, logo, o rei sabia como se fazer mais claro. Mostrou um sorriso gracioso com todos os dentes.

— Chegue mais perto. — Firme como seu escudo, mas sem perder a doçura na voz que Bilbo conhecia, ele mandou.

Como um bom súdito, o halfling obedeceu, rastejando cada vez mais próximo dele, mas ainda sem noção.

Thorin estendeu sua mão e segurou uma parte do pescoço e costas de Bilbo contra ele, sem agressividade mas com assertividade.

— O que está fazendo? — Bilbo questionou. Apesar da dubiedade, não se opôs à mão do rei nem por um minuto.

Thorin trouxe toda a figura de Bilbo para se aconchegar nele. Em segundos, os dois se encontravam abraçados, o loiro usando o peito do moreno como um travesseiro, se segurando nele como um bote, seu corpo como um apoio e fonte de calor, onde até seus pés estavam se aquecendo juntos. Ambos tiveram certeza que em alguns minutos, a cama não estaria mais tão gelada.

— E então, o que acha? Entende do que eu estou falando? “Se tornar um só”? — Perguntou.

— Bom… não acho que isso de “se tornar um com a cama” seja realmente verdade, mas… eu gostei.

O anão tirou uma de suas mãos do travesseiro e a levou a aninhar as mechinhas claras de Bilbo, proporcionando bom cafuné ali.

Naquele momento da vida dos dois, cada doce momento entre eles tinha um sabor vívido, primoroso como o mel, e deleitável todas as vezes que seus olhos se encontravam. Afável como uma… cama de mármore. De volta a seus pensamentos sobre leitos, o nome “King Size” veio à mente outra vez. Só que desta vez nada mais era realmente importante, como a base de pedra da cama ou suas dimensões. A cama de um rei poderia ter esse nome, pois além do reinado só há uma outra forma de conforto que pode acomodar seu coração.

Se é grande ou dura o suficiente para suportar o tamanho e o peso do amor entre um hobbit e um anão, é realmente, um tamanho “real”.

 

Fim.

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