Chapter Text
— Como foi sua viagem de volta? — HoSeok disse, enquanto batia a porta do carro. Ele estava no estacionamento do prédio policial.
— Tranquila, só algumas horas de voo… mas na próxima, é melhor que seja você vindo pra Daegu, Jung HoSeok, você sabe que odeio viagens. — HoSeok sorriu, ele próprio já estava tão habituado, que nunca tinha pensado realmente sobre gostar ou não de fazer viagens, isso já fazia parte do seu trabalho, então viajar para ver alguém que ama parecia um bônus.
— Tudo bem, não vai ser um enorme sacrifício. Olha, estou indo para o elevador, então a ligação provavelmente vai cair, nos conversamos mais tarde, ok?
— Tudo bem, eu tenho que deixar minhas coisas em casa e ir pro necrotério, então nos conversamos à noite.
— Certo... te amo.
— Também te amo.
HoSeok enviou, isso ainda era um pouco novo entre eles, admitiu tão sinceramente seus sentimentos, mas era verdadeiro e puro, portanto, tinha se tornado habitual desde que disse a primeira vez.
Jung entrou no elevador e abriu no andar do seu departamento. Na teoria, ele deveria estar no departamento de relações públicas, que na verdade era bem pequeno, contava com ele e mais duas mulheres, mas ao invés disso, ele alocou-se para o departamento da UAC, devido ao fato de seu trabalho não ser exatamente para o escritório policial de Seul, mas sim acompanhar uma equipe em todas as cidades que eles precisarem ir. Além disso, o Jung não era apenas parte da equipe de relações públicas, ele tinha passado pelo treinamento policial, também tinha distintivo e podia estar em ações policiais, então ele sentiu-se aquela equipe, daquele departamento, como todos os outros cinco membros.
Quando as portas se abriram, ele entrou na sala, estava cedo ainda e a maioria das mesas estavam vazias. HoSeok foi até a sua mesa, deixando a maleta de lado e se sentou-se, vendo que tinham muitas pastas ali em cima. O trabalho dele quando estava na central de Seul foi analisar todos os pedidos de ajuda que as delegacias de diversas cidades solicitaram e então selecionar o pedido mais urgente.
—Bom dia, Jung. — Ele mencionou a cabeça na direção da mulher que atravessava a sala.
— Bom dia, líder-nim. — Sorriu com um aceno de cabeça.
— São casos novos?
— Sim, mas ainda vou analisá-los.
— Ótimo, odeio fazer relatório em voos, e tenho que terminar o nosso último caso ainda. Ah, quando MinJun chegar pode dizer para ele vir na minha sala, por favor?
— Claro, líder-sim. JiYong volta hoje, não é?
— É, e Yuri disse que deveríamos fazer uma comemoração ou algo assim. — HoSeok riu.
— Isso não deveria partir da namorada dele? — Ele teve as sobrancelhas em desafio e ela fez uma careta.
— Nunca disse que sou uma namorada do ano. — HoSeok riu mais audível e ela deu de ombros. — Bom, estejai na minha sala se precisar.
As coisas não eram mais as mesmas, mas HoSeok não comentava muito, parecia que todos ali tinham sorte de estarem vivos, embora eles tivessem tido duas mortes e TaeHyung tivesse ido embora para Washington, tudo estava começando a voltar aos trilhos. Parecia que eles só tinham que se concentrar em voltar ao trabalho.
— Bom dia, HoSeok-sumbae — MinHo, um rapaz jovem, novato que veio para ficar no lugar de TaeHyung, o cumprimentou ainda tímido, ele já estava na equipe há uma semana, mas continuava receoso em falar ou fazer algo errado.
— Bom dia, HoSeok — disse MinJun, que saira do elevador junto de MinHo.
— Bom dia. MinJun-hyung, TaeYeon-ssi disse para passar na sala dela quando chegasse.
— Certo. — Ele seguiu direto para a sala da líder e ficaram os outros dois.
Não demorou muito para Yuri chegar, a mulher era relativamente nova na equipe também, tinha apenas seis meses, entrou um mês depois do caso que pareceu que arruinaria aquele departamento. Ela era uma mulher formidável e todos a receberam muito bem. O último membro que ainda deveria chegar era JiYong, mas talvez ele demorasse, porque não era o tipo que dava exemplo de pontualidade e porque estava retornando de uma viagem pessoal.
A manhã se passou muito tranquilamente, HoSeok lendo vários e vários documentos formais de casos criminais ainda não solucionados e que estavam em ativa. Ele considerava que seu trabalho era especialmente difícil, porque decidir para onde ir, significava deixar outros casos esperando, e quando casos esperavam, mais pessoas podiam acabar morrendo, então era uma responsabilidade muito grande ser a pessoa que decidia o que deveria ou não ser prioridade. Ele até podia dizer que estava acostumado a isso, mas não era totalmente verdade.
Quando seu celular tocou, era pouco mais que uma hora da tarde, ele tinha acabado de almoçar, no escritório mesmo, para não precisar sair e perder o embalo dos casos. Viu o nome de YoonGi e não estranhou, embora tivessem combinado de ligarem apenas em horário fora do trabalho.
— Não aguentou de saudade? — foram suas primeiras palavras ao atender o celular, tinha um sorriso brincalhão, mesmo que o outro não pudesse ver.
— HoSeok, eu estou com problemas, e-eu preciso da sua ajuda, por favor. — A voz tensa através do telefone deixou HoSeok completamente alerta.
— O quê? O que aconteceu? — Ajeitou-se na cadeira, mas o corpo estava tenso, assustado até.
— Não posso falar por ligação, mas por favor, você precisa vir para cá.
— Pra onde, YoonGi?
— Daegu.
— Daegu!? — Isso soou mais alto do que deveria, ele olhou ao redor, Yuri e MinHo estavam olhando-o.
— Sim, preciso de você aqui em Daegu.
— Eu não posso ir pra Daegu assim do nada, eu trabalho, lembra?
— HoSeok… eu… eles acham… acham que eu matei alguém, preciso de você aqui!
Se HoSeok não estava perturbado o suficiente até aquele momento, agora ele sentiu como se o ar tivesse parado de correr por seus pulmões. Ele empalideceu, ser acusado de assassinato não era brincadeira e pelo desespero na voz de Min, duvidava que ele estivesse fingindo. Levantou e seguiu para o banheiro masculino, olhando cabine por cabine, a última coisa que precisava era de seus colegas de trabalho ouvindo o que ele estava prestes a fazer por YoonGi.
— Tudo bem, eu vou dar um jeito de ir aí. Onde exatamente você vai estar? — Sua voz agora estava em sussurros.
— Não posso ficar em casa, é o primeiro lugar que vão me procurar.
— Claro, vá pra um motel e pague tudo em dinheiro.
— HoSeok eu não… Não fiz o que dizem que fiz.
— Eu sei, acredito em você, faça o que estou lhe dizendo, chegarei em Daegu no próximo voo. Olhe, anote meu número em um papel e desligue seu celular, vá em uma daquelas lojas de celulares e compre um pré-pago com dinheiro, depois vá para um motel baratinho, quando estiver lá, ligue-me com as informações e me espere. Não abra a porta pra mais ninguém e não dê seu nome verdadeiro na recepção.
— HoSeok, não sou um criminoso.
— Eu sei, amor, mas por enquanto faça o que estou lhe dizendo, vou te ajudar a provar isso, mas por enquanto faça isso.
— Está bem.
Desligando a ligação, o Jung levou as duas mãos para a cabeça, empurrando os cabelos para trás, ele olhou através do espelho, como se fosse encontrar respostas. Ele estava convicto que YoonGi não era um assassino, conhecia pessoas, não se deixaria enganar assim, especialmente sendo um especialista em análise comportamental. Ainda assim, sabia que dar aquelas instruções ao Min lhe transformava em um tipo de cúmplice.
Precisava se concentrar e pensar em algo, não dava pra esconder YoonGi pra sempre e ele não era um investigador criminal, não podia se meter em uma investigação de homicídio, sem contar que ele nada sabia a respeito. Bom, sobre isso, parecia que ele teria que descobrir sozinho. Então, ao invés de ir embora, ele saiu do banheiro e foi para o elevador, descendo um andar, até o departamento dos analistas cibernéticos.
— Hyo-Rin, preciso de um favor — disse, abrindo a porta de uma vez.
— Oh, bom dia pra você também, HoSeok. — A mulher girou na cadeira, dando as costas aos computadores para olhá-lo. — O que esta deusa da informação pode fazer por você?
— Poderia encontrar pra mim todos os casos de homicídios em aberto em Daegu?
— Me ofende perguntar se eu posso alguma coisa, eu posso tudo, meu bem. — Ela virou novamente, começando a digitar. — Mas receio que se você estiver atrás de algo específico, isso é extremamente vago, porque há mais de cem casos de homicídios em aberto, homicídios que aconteceram há mais de duas décadas e não foram resolvidos ainda constam no sistema como em aberto.
— Não, reduza isso ao último um ano.
— Isso reduz muito nossa lista, mas ainda ficamos com vinte e cinco casos.
— Certo, eu vou ter que trabalhar com isso, porque não tenho mais informações para diminuir.
— Você quer que eu faça o quê com isso?
— Mande-me todas por email. Se mais tarde eu tiver mais informações, te ligo e você me ajuda a reduzir um pouco mais.
— Claro, benzinho. Vocês estão indo para Daegu?
— Não, mas eu estou… Eu agradeço a ajuda, mas agradeceria mais ainda se não comentasse com ninguém sobre isso.
— Ah… está bem… eu acho.
HoSeok não se despediu, nem mesmo voltou para sua sala para falar com TaeYeon, dali ele pegou o elevador para a garagem subterrânea e iria partir para o aeroporto.
24 horas atrás
O corpo já sem vida jazia sobre uma mesa de aço, gelada o suficiente para ser incômoda para alguém com vida, o que não era o caso. O bisturi deslizou do tórax ao abdômen, com precisão cirúrgica de um profissional, tudo feito com perfeição, força suficiente para romper a pele, mas não suficiente para macular os órgãos.
Não era uma cena bonita de se ver, qualquer ato cirúrgico em geral, especialmente a morbidez de uma autópsia, mas isso era diferente.
No fundo da cena, tocava uma música agitada, garotas de um grupo musical cantavam animadamente, sobre amor juvenil e a sensação de estar apaixonada. Um assobio rítmico acompanhava sublime, mostrando que não apenas curtia a música, como o momento em si.
Assim que abriu o suficiente para o que pretendia, começou a retirar os órgãos. Um legista estaria procurando a causa da morte, mas era banal, inútil até, já que ele sabia perfeitamente o que matara aquele homem. Bom, ele podia dizer que era a sua saúde, preferencialmente alguém cujo corpo não estava intoxicado com álcool, nicotina e qualquer outra droga. Sim, fora a boa saúde que o matara.
— Não se preocupe, tudo será aproveitado, sou totalmente contra desperdícios — falou, olhando nos olhos abertos do falecido, se ele se importasse, aquele olhar jamais sairia da sua cabeça. Só que bem, ele não se importa.
Atualmente
YoonGi tinha perdido toda a cor, parecia que seu sangue havia congelado. Seus atos foram totalmente automáticos, ele fez exatamente o que HoSeok lhe disse, anotou o número do namorado em um bloco de notas e desligou o celular, tirando o chip, só para ter certeza que não acabaria fazendo algo errado, depois foi em uma loja de conveniência, seu corpo tremia com o medo de seu rosto já estar em todos os jornais de Daegu ou até do país, então além do celular, ele comprou um descolorante e uma tinta de cabelo ruivo. Depois de pagar em dinheiro, como Jung o instruiu, saiu da loja e foi atrás de um motel que pudesse ficar pelas próximas horas.
Era assustador, em toda a sua vida, nunca pensou que passaria por algo assim. Ele pegou um ônibus, deixando seu carro para trás, porque seria muito fácil identificarem sua placa. Então, quando entrou no motel e pegou um quarto de casal, disse que seu nome era Agust e ele nem se importou com a careta que o atendente fez como quem estava se segurando para não rir do nome claramente inventado. Então ele pegou a chave e enfiou-se no quarto, trancando a porta.
Olhando ao redor, aquele era o ambiente mais nojento que já esteve, não era um quarto decadente em si, mas também não cheirava bem, como se tivesse sido usado recentemente, ainda com vestígios da última aventura de alguém. Então ele absolutamente ignorou a cama e sentou na poltrona, pegando o celular descartável para ligar para Jung. Ele discou o número e não levou nem um segundo até ouvir a voz do namorado.
— Finalmente! — disse a voz do outro lado. — Onde você está?
— Já estou no motel, te passo o endereço por mensagem.
— Você está bem? — A resposta não veio de imediato, era óbvio que ele não poderia estar bem nessa situação, mas sabia que a pergunta podia estender-se a outros sentidos.
— Cheguei sem problemas até aqui, mas não posso me esconder para sempre, HoSeok, eu não fiz isso.
— Eu sei, hyung, vamos resolver isso, eu prometo. — Ele assentiu, mesmo que o outro não pudesse lhe ver.
— Você está vindo?
— Estou no aeroporto, devo chegar em algumas horas. É melhor me mandar o endereço agora e mantermos menos contato até que eu chegue.
YoonGi só conseguiu emitir um som de concordância, ele não queria desligar, falar com HoSeok era a única coisa que lhe trazia estabilidade. Assim que desligaram, ele mandou a mensagem com o nome do motel, localização, quarto em que estava e o nome que estava usando. Depois disso, olhou para a sacola com o descolorante e a tinta vermelha. Quando comprou, parecia uma boa ideia mudar a aparência para dificultar a procura, porém, aquela loja tinha câmeras? Ele não prestou atenção nisso, se lhe vissem nas filmagens e perguntassem ao atendente o que ele tinha comprado, seria muito fácil descobrirem que ele mudou a aparência. Mas se ele não pintasse e achassem que ele o fez, estaria um pouco mais camuflado usando sua aparência verdadeira.
Suspirando profundamente, ele resolveu que não faria nada até HoSeok chegar. As horas passaram lentamente, parecendo provocá-lo para que enquanto esperasse pensasse em todas as possibilidades ruins que lhe poderiam acontecer. Ser preso. Ser morto. Levar a culpa de um crime que não cometeu. Passou horas remoendo antes da batida em sua porta fazer o seu corpo inteiro vibrar de medo.
— YoonGi, sou eu… — A voz do Jung soou como calmante, ele achou que poderia enlouquecer, mas ouvir o namorado lhe deu algum resquício de esperança.
Praticamente correu da poltrona até a porta, mas abriu apenas uma fresta, só pra confirmar que sua mente não estava lhe pregando peças. Quando avistou Jung, só conseguiu abrir o restante da porta e o abraçar, desabando no aconchego dos braços alheio.
— Calma, calma…
Ele não conseguiu entender o pedido, até perceber que estava chorando no corredor, agarrado ao namorado, sua vida mais do que dependendo disso. Não conseguia soltá-lo, não conseguia se afastar, então com cuidado HoSeok começou a andar pra frente, obrigando-o a acompanhar dando passos para trás até estarem dentro do quarto e a porta ser fechada mais uma vez.
— Respire, amor, você precisa me contar os detalhes, conte-me tudo, por que acham que você cometeu um crime?
— Assassinato, não um, vários — disse, entre os soluços, HoSeok quase não entendeu, mas ao processar a informação, o estranhamento foi ainda maior.
— De quantos assassinatos estamos falando?
— Pelo menos quatro.
— Quatro?! Todos iguais?
— Terrivelmente iguais.
— Mas por que acham que foi você, amor?
YoonGi suspirou, HoSeok usou esse momento para fazê-lo caminhar até a cama e ambos sentaram na ponta, ainda muito próximos, Jung sempre segurando as mãos do Min como forma de apoio.
— Foi estranho desde o princípio, quando encontraram o primeiro corpo e chamaram a equipe de perícia e legista, eu não estava presente, então tiraram fotos e removeram o corpo, levaram para a autópsia e eu fiquei com o caso. Assim que eu o vi, a cena já era horrorosa por si, homem entre os trinta e quarenta anos, alto, depois que eu descobri a identidade e comecei a trabalhar também percebi que era alguém bem saudável, sem álcool, drogas, estômago limpo como se ele tivesse feito jejum antes de ser morto, o corpo estava desintoxicado, mas não dava pra ter certeza da hora da morte porque ele não tinha… não tinha os órgãos internos… você sabe, coração, fígado, rins…. Todos foram removidos e eu não tinha dúvida, pela precisão dos cortes, que quem fez aquilo tinha treinamento e equipamentos adequados. Foi o que eu escrevi, a sugestão óbvia era alguém que tivesse conhecimentos de cirurgia. Mas não foi só isso…
— O que mais? — HoSeok o incentivou quando YoonGi hesitou em continuar.
— Eu encontrei um resíduo estranho dentro do corpo, de primeiro eu não reconheci, achei muito esquisito, então mandei para a análise. Só que o laboratório estava cheio de pedidos e eles nunca mandaram os resultados, então eu coloquei no relatório que tinha encontrado uma substância não identificada… Depois disso, estive no local do primeiro e segundo corpo encontrados, junto com as equipes policiais e de perícia, fiz tudo corretamente, e descobri as mesmas coisas, tínhamos um padrão, alguém estava matando, abrindo e roubando os órgãos internos, as vítimas sempre homens de idade próximas e corpos extremamente saudáveis, mas nada além disso. De início, a polícia quis trabalhar com a possibilidade do tráfico de órgãos, mas não fazia sentido, os órgãos estavam sendo retirados depois dos homens já estarem mortos.
— Ainda não consigo entender onde você se encaixa como um suspeito, amor.
— O liquido esquisito… não chegou resultado nem da primeira, nem da segunda e terceira vitima, pelo menos, não antes que eu terminasse os relátorios, mas quando cheguei hoje, tinha um novo corpo, eu comecei o trabalho e foi quando finalmente chegou o resultado do primeiro corpo. Eu olhei e foi quando tive consciência do motivo que aquele liquido esquisito me fazia sentir como se já o tivesse visto em algum lugar. Eu não apenas o vi, como estive em uma conferência médica sobre ele há uns quatro anos atrás.
— Okay, mas isso não te faz um suspeito, Yoon.
— HoSeok, era uma conferência muito restrita, não deveria ter mais que vinte pessoas e somente eu de Daegu. — Umedeceu os lábios ressecados, como uma forma de ganhar algum tempo antes de continuar: — E eu era um dos ouvintes, mas conheço muito bem, porque estudei muito sobre essa substância… Sem contar que o fato de eu não ter a reconhecido de cara levanta muitas suspeitas sobre mim, e ainda coloquei em todos os relatórios que era um líquido não identificado.
— Como… você não sabia? — HoSeok perguntou hesitante, ele não queria que YoonGi achasse que estava suspeitando dele, mas não podia negar que era muito fácil para a polícia chegar na conclusão errada com essas informações.
— É certo que eu o conheço muito bem, mas a princípio ele não tem muita distinção com outros líquidos usados na conservação de órgãos… HoSeok, eu sei que deveria ter percebido, mas já faz muito tempo, não continuei estudando essa substância e também deixei a academia, focando no trabalho legista. Naquela época eu era um acadêmico, achei que podia dedicar minha vida ao estudo, mas mudei de ideia, não usamos essa substância no trabalho oficial, ele ainda não foi aceito pelos acadêmicos, então também não foi aceito para o trabalho.
— Então você acredita que é suspeito porque está ligado com uma das substâncias encontrada nas vítimas e por evidentemente o Descon ser alguém que tem experiência com operações? — YoonGi moveu a cabeça para cima e para baixo. — Não vou mentir, as evidências não estão mesmo ao seu favor, amor, mas você é inocente e não é você que tem que provar sua inocência, são eles que precisam provar sua culpabilidade.
— HoSeok… — Os ombros do Min caíram, ele trabalhava com a polícia já fazia alguns anos, na maioria das vezes eles trabalhavam bem e tinham bons resultados, algumas vezes, no entanto, a polícia lhe assustava com casos em que eles focavam em um único suspeito e ficavam cegos para todo o resto. — A essa altura, eu sou um foragido, que sentido faz eu me entregar? Ninguém vai acreditar em mim.
— Eu acredito em você e vou ajudá-lo.
— Como?
— Temos por onde começar… — Jung pegou o celular e procurou nos contatos o número da analista.
— Min Hyo-Rin falando.
— Hyo-Rin, é HoSeok, eu tenho um novo pedido.
— Do que precisa, querido?
— Você pode me conseguir a lista de nomes de pessoas que esteve em um congresso de medicina… Qual o nome do congresso? — sussurrou para YoonGi que respondeu em outro sussurro. — Um estudo avançado sobre decomposição e preservação de órgãos.
— Uau, você já me pediu muitas coisas, mas dessa vez se superou na esquisitice. Não sabia que você era fissurado nessas coisas.
— Não é sobre mim. — Jung riu.
— De qual ano estamos falando?
— 2019 — respondeu depois de YoonGi soprar a resposta.
— Tudo bem, você quer apenas os nomes?
— O que mais você pode conseguir pra mim disso?
— Qualquer informação sobre os listados, é só me dizer do que precisa.
— Bom, você pode começar eliminando todos que são puramente acadêmicos.
— Ah, isso ajuda, ficamos com apenas quatro nomes… Ah, tem algo interessante.
— O quê?
— Dois deles são médicos comuns, mas um deles é médico legista em Daegu. — Os dois se entreolharam. — É isso que está procurando, querido?
— E a quarta pessoa?
— Deixe-me ver… Ah, ele também era legista, mas um legista particular, só que parece que não trabalha mais nessa empresa e em nenhuma outra, tem registro da demissão dele, depois disso, não consta mais nenhum outro trabalho.
— Ele provavelmente é o nosso Descon — murmurou.
— Temos um Descon? — Hyo-Rin não deixou passar, sua voz era sugestiva. — HoSeok, no que está trabalhando?
— Não é nada, eu…
— Jung? — HoSeok sentiu o sangue gelar assim que ouviu a voz da líder de equipe, YoonGi olhou o namorado com aflição. — Jung HoSeok — repetiu. — Onde você está? — Não parecia ser uma reclamação, mas um questionamento que exigia uma resposta sua.
— Líder-nim, receio que não possa contar.
— Não pode por quê?
Silêncio, o casal olhou-se como se pudessem conversar mentalmente, YoonGi negou com a cabeça quando percebeu o que o namorado estava prestes a fazer, mas HoSeok conhecia e confiava em sua equipe mais que tudo e, bem, sozinhos eles não conseguiriam muito, talvez com ajuda fossem mais longe.
— Líder-nim, estou com um problema, enquanto eu não contar, você não terá nada a ver com isso, mas se eu contar, você pode se complicar por saber ou terá que me entregar.
— Estou ouvindo. — Não houve sequer uma pausa para pensar, mesmo que YoonGi continuasse aflito, ele esperava que a ajuda da agente lhes desse um norte.
— Estou em Daegu. Há algum tempo que alguns assassinatos estão acontecendo, assassinatos brutais. A polícia não tinha nenhum suspeito, pelo menos não até hoje, mas estão errados.
— Como tem tanta certeza que estão errados?
— Porque eles acreditam que o assassino é o legista da polícia, Min YoonGi.
— HoSeok, esse é o nome do legista que eu falei que estava na lista que você me pediu — Hyo-Rin falou, sua voz um pouco vacilante, como se achasse que a informação abalaria o Jung.
— Sei disso, sei porque foi ele quem me passou a informação sobre a palestra.
— Você está com ele, HoSeok? — TaeYeon perguntou, mas o silêncio que seguiu foi sua resposta. — E como você está tão certo da inocência dele? — YoonGi sentiu-se ofendido com a pergunta, embora ele soubesse que ela precisa ter a mesma certeza que seu namorado tinha.
— Primeiro, ele não podia ter cometido o último assassinato, porque estava em Seul… comigo. — YoonGi olhou o namorado com olhos arregalados, não estava esperando que Jung se comprometesse assim, mas nem teve tempo de dizer nada, quando HoSeok continuou: — E ele não tem o perfil.
— Então você fez um perfil? — perguntou a líder, dessa vez seu tom era duvidoso.
— Ainda estou trabalhando nisso…
— HoSeok, você sabe que não pode fazer isso.
— Ele fez porque eu pedi, não o culpe — YoonGi finalmente disse algo, não queria que HoSeok se complicasse ainda mais por sua causa, embora fosse inútil, porque não era ela o procurar, nem ela que resolveria qualquer problema em que metesse Jung.
— Min, me escute bem, você está dizendo que é inocente, então deve voltar ao distrito policial e dar todas as informações que eles precisam, ficar foragido não vai lhe ajudar.
— Não posso voltar.
— Você tem que voltar.
— Não posso, eu não tenho provas da minha inocência.
— Você tem um álibi, não importa o que digam, o testemunho de um agente da UAC vai ajudar.
— Líder-nim, não podemos fazer nada?
— Você sabe que não temos jurisdição, só podemos agir se formos chamados pela polícia daí e se eles acharem que já pegaram o culpado, não vão nos querer no caso.
— Exceto se… Se YoonGi não confessar e por outro lado, se vazarem um possível assassino em série, a polícia vai ficar desesperada para prenderem alguém…
— Você está maluco, HoSeok? — YoonGi o olhou com plena indignação. — Se eu me entregar a mídia conhecida, eles não vão nem querer tentativas, vão me jogar para os leões.
— Não, escute, amor, eles não possuem provas que sustentem a acusação, é tudo circunstancial. Eles vão precisar de uma confissão, o que você obviamente não acontecerá e então a UAC pode oferecer o auxílio, fazer uma análise enquanto interroga você e então diremos que você não se encaixa no perfil.
— HoSeok, não podemos fazer isso… — TaeYeon tinha um tom de voz muito sério, como quem está entre uma repreensão e dá uma informação.
— Não estou dizendo para mentir, realmente devemos fazer um interrogatório de verdade, não há melhor maneira de provar a inocência dele, líder-nim.
— Eu… eu não… — YoonGi parou, sua cabeça estava girando. Toda a realidade parecia sufocante, nunca imaginei que estaria em uma situação como essa.
— Enviei uma sugestão de ajuda, mas não posso garantir que a polícia de Daegu vá aceitar — disse Kim. — YoonGi, esteja certo de que é inocente e que pode nos ajudar a encontrar o problema. Se tudo correr bem, tiramos você de suspeita e testemunho ser uma testemunha.
— Eu sou! — respondeu rápido, mas não tinha certeza se estava convencendo a si mesmo ou a ela, talvez a nenhum dos dois.
